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Vítima de violência doméstica relata abusos e tenta recomeço: ‘Não saía de casa, dizia que eu era dele’
Maria participa do Projeto Amigas da Paz: Elas ao Trabalho’, que atende mulheres, CIS e transexuais, ligado ao Centro de Atendimento à Vítima (CAV), do Ministério Público do Acre.

“Ele me agrediu de todas as formas possíveis. São marcas que ficaram no corpo e na alma”, relato de uma vítima de violência doméstica — Foto: Gilberto Sampaio/Rede Amazônica Acre
Por Janine Brasil, G1 AC
“Ele me agrediu de todas as formas possíveis. São marcas que ficaram no corpo e na alma, que eu jamais vou esquecer”. Este é o relato de uma mulher de 46 anos que sofreu calada por quase sete anos e que será chamada nesta reportagem de Maria.
Vítima de violência doméstica e casada com um servidor público federal, ela disse que por muitos anos se sentiu abandonada e “sem chão”. Na lembrança, o casamento dos sonhos que virou um pesadelo.
Na época, Maria tinha dois filhos que estudavam fora, de 15 e 17 anos, do casamento anterior. Depois, nasceu o terceiro filho, uma menina, filha do agressor, que atualmente tem nove anos. Sem emprego e dependendo financeiramente do então marido, ela conta que aguentou as agressões sozinha.
“Conheci ele em 2006, a gente namorou quase três anos e, no final de 2008, ficamos noivos. Eu morava em Rio Branco e fui com ele para o interior do estado. Em 2009, eu engravidei. Era tudo muito bom, ele era um príncipe. Mas, depois que a nossa filha nasceu, em 2010, acho que uns três, quatro anos depois, ele foi mudando”, relembra.
Maria é uma das 25 mulheres, CIS e transexuais que estão participando do projeto ‘Amigas da Paz: Elas ao Trabalho’, do Centro de Atendimento à Vítima (CAV), órgão ligado ao Ministério Público do Acre (MP-AC).
O projeto tem como foco ajudar na capacitação de vítimas de violência doméstica para serem inseridas no mercado de trabalho em Rio Branco.
As primeiras agressões foram as psicológicas, mas, levou um tempo até Maria se dar conta de que estava sofrendo violência doméstica. Frases como: “vai fazer comida”, “já que não trabalha e não faz nada tem que trabalhar em casa”, “a casa é minha”, “você não tem capacidade de trabalhar” e “tá com macho”, foram algumas das muitas que ela ouvia diariamente do ex-marido.
“Eu relevava, achava que ele estava cansado, então, foi ficando cada vez mais difícil. A primeira agressão psicológica que eu me dei conta foi quando tive minha filha e saí do hospital. Quando cheguei em casa, ele estava com uns amigos e me mandou fazer almoço. Eu disse que não aguentava, ele falou na frente de todo mundo que eu estava com preguiça e que a casa era dele. Aquelas humilhações na frente de todo mundo e eu, com minha filha recém-nascida no colo, fiquei calada”, desabafa.
Foi então, que as proibições começaram. Maria era autorizada a ir apenas ao supermercado fazer compras para a casa e sempre com supervisão. O ex-marido ligava e controlava o tempo gasto no supermercado.
“Eu disse que queria voltar a estudar e terminar a faculdade, quando casei com ele estava no último período de administração. Ele disse para eu dar um tempo e cuidar da nossa filha e depois não deixou, falou: ‘se for às minhas custas não vai estudar’, aí eu fui levando”.

Maria fala que dentre as violências que sofreu a que mais doeu foi quando o ex-marido a expôs nas redes sociais — Foto: Gilberto Sampaio /Rede Amazônica Acre
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“Ele foi cortando tudo, eu não saía de casa para passear com minha filha, não ia para aniversário de criança, nem para a casa de parentes. Fui vítima de violência psicológica, física, patrimonial e moral”, lembra.
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Até com os outros dois filhos que Maria tinha antes do casamento ela tinha medo de falar. “Se ele me visse no telefone, perguntava com quem eu estava falando e falava: ‘solta isso, tem que me dar atenção’, ‘você não tem nada para falar com eles’. Aquilo foi me dando medo, fui criando receio, se fosse alguém na minha casa eu ficava com medo, fui ficando cada vez mais nervosa, doente”.
A mulher conta que era dependente financeiramente do marido e quando tentava trabalhar ele colocava algum empecilho e não deixava.
“Se eu quisesse comprar alguma coisa, era só na humilhação. Ele perguntava quanto custava, eu dizia e ele falava: ‘vai trabalhar para comprar’, mas quando eu queria ir trabalhar ele não deixava”.

Violência física
Maria lembra que a primeira vez que o ex, de fato, bateu nela foi em 2013. Ela lembra que ele saiu de casa e passou a noite toda fora e, quando voltou, estava muito violento.
“Ele bebia e usava outras coisas. Chegava e ficava me humilhando, puxando briga, dizendo que eu estava com macho, foi quando saí do quarto da minha filha e fui para o nosso, ele foi atrás e eu me tranquei. Ele queria fazer sexo à força, dizia que ia fazer, porque eu era dele e quando eu não deixava, ele dizia que eu tinha outro, foi quando começaram as agressões físicas”.
A vítima conta que o ex-marido foi ficando cada vez mais agressivo e um dia se descontrolou e partiu para cima dela, sem se preocupar com a filha, que dormia no quarto ao lado.
“Nesse dia em que ele me bateu, eu estava deitada, não estava esperando. Ele começou a me chamar de todos os nomes que você possa imaginar. Ele estava na área externa da casa e eu deitada no sofá, respondi e ele veio para cima de mim e me deu um soco. Meu rosto ficou deformado, todo preto, doeu no corpo e na alma, passei uns três dias dentro de casa, nem fui na delegacia, fui dois dias depois”, conta.
Foi então. que Maria se deu conta de que as agressões tinham piorado e começou a temer pela sua vida e a da filha.
“Depois disso, decidi que queria me separar, fui na delegacia, fiz corpo de delito e denunciei. Mas, não teve muito jeito, ele foi solto antes de mim. Eu ainda estava dando o meu depoimento e ele já tinha sido solto”, lamenta.
No total, Maria fala que foram mais de 23 denúncias contra o ex-marido e que o processo, que já rola há seis anos, ainda está em andamento. Atualmente, ela fala que ele está afastado do trabalho para tratamento médico e internado em uma clínica para dependentes químicos fora do Acre.
“Depois que eu denunciei ,piorou muito, ele passou a ir na minha casa, quebrava tudo, minha filha ficava em pânico. Ela perguntava: ‘mamãe, o papai está doente? Ele vai quebrar a casa”‘. Ele destruiu todas as nossas lembranças, fotos dos meus filhos, bens materiais, tudo”.

Ataques virtuais
Após as denúncias, a vítima conta que achou que o ex ia deixá-la em paz, mas foi aí que a perseguição piorou. Ela diz que o homem começou a difamá-la na internet.
“Ele invadiu minha vida de todas as maneiras possíveis, de quando eu era solteira, do meu casamento anterior, o pai dos meus filhos, de um relacionamento que eu tive depois do pai dos meus filhos, tudo. A pior de todas as agressões foi essa, me difamar na internet”, lembra.
Após a violência física, Maria diz que o homem com medo de ela contar para o pai dela, foi para a casa do irmão, que mora fora do estado e, de lá, o ex-cunhado ligou para que ela visse as redes sociais dela que o ex tinha deixado um recado.
“Fui ver um mês depois, porque queria distância. Ele pegava fotos de sites de vídeos pornôs, pegava uma perna, pegava as mulheres de costas, mais ou menos morenas que pareciam comigo, aí fazia montagem. Depois fazia um fake e dizia que era eu e mandava para os meus amigos, ninguém queria se aproximar de mim, ninguém queria ser meu amigo”, desabafa.
Não satisfeito, o homem passou em alguns vizinhos que Maria tinha em Rio Branco e espalhou que ela, fazia vídeo pornô.
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“Foram várias pessoas na internet, gente me ligando, ele colava as minhas fotos do WhatsApp, pegava um número e colava a minha foto, adicionava e falava com homens. Eu vim começar a colocar fotos de novo esses dias, não dá para esquecer”, afirma.
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Maria sonha um dia se ver totalmente livre do fantasma das lembranças que ainda estão bem vivas em sua memória.
“Até hoje não consigo dormir. Se alguém bate na porta da minha casa à noite, eu fico em pânico. Minha filha teve que ir para o psicólogo e, por ser pequena na época, conseguiu superar, mas, eu, eu não esqueço, não saio de casa sozinha à noite, tenho medo. Lembro que ele apagava as luzes da minha casa quando a gente se separou para eu ir acender e ele me pegar, eu tinha que chamar a polícia”, conta.

Pensão e guarda da filha
Maria diz que, além dos problemas com as agressões, ela também passou necessidade com a filha, pois o ex cortou tudo, plano de saúde, parou de pagar o financiamento da casa, a luz e a deixou sem nenhum dinheiro. Quem ajudava eram os amigos e familiares. Hoje, ela mora em Rio Branco em uma casa alugada.
“Enfrentei um problema porque o salário dele era alto e eu era dependente dele, então, eu tinha, teoricamente, perante à lei, condições de pagar um advogado. Só na mente das pessoas, porque eu não tinha emprego, dependia dele. Fiquei na nossa casa porque a Justiça determinou que ele saísse, era financiada, aí ele deixou de pagar, disse para eu me virar”.
Em relação à pensão que recebe da filha, ela fala que a Justiça estipulou um valor, que ela prefere não falar.
“Depois consegui uma pensão para a minha filha e a guarda dela é minha. Ele tem autorização para visitar ela, se quiser, mas tem que ser supervisionado. Este ano ele mandou dois presentes para ela, se ela está feliz, eu também estou feliz. Fala com ela no telefone às vezes e ela me fala: ‘mamãe, meu papai está ficando bom’. É de partir o coração”.
‘O CAV para mim, é esperança’
O Centro de Atendimento à Vítima (CAV) é ligado ao Ministério Público do Acre (MP-AC) e tem como foco atender vítimas de violência sexual, homofobia e violência doméstica e familiar contra a mulher, maiores de 18 anos.
O centro tem uma equipe interdisciplinar, formada por enfermeiros, psicólogos, assistente social e especialistas na área de direito, para acolher e dar encaminhamento às vítimas.
A coordenadora do CAV, a procuradora de Justiça Patrícia de Amorim Rêgo, explica que o atendimento começa quando a vítima procura o centro ou é identificada por algum dos profissionais.
“O CAV nasceu na perspectiva de dar à vítima de crime um olhar diferenciado, um olhar que englobe e garanta integralmente os direitos fundamentais dela”.
A procuradora explica que o atendimento termina quando o processo penal é finalizado e a vítima recebe os benefícios da reparação civil para enfrentar, de forma consciente, o trauma psicológico e conseguir se inserir na sociedade novamente.
Maria conta que ficou sabendo do CAV através de um promotor que a indicou o local. Ela disse que, até então, não sabia como realmente deveria agir e quais eram os seus direitos.
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“O CAV para mim, é esperança. Quando cheguei lá eles começaram a ver meu problema de perto, eu fui pedir socorro porque não sabia mais o que fazer e nem a quem procurar. Estou lá há quatro anos”.
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A vítima fala que antes de chegar até o CAV buscou acolhimento em muitos locais.
“Nessas caminhadas a gente encontra gente boa, que se importa com você, porque nem todo mundo se importa. Esse promotor olhou para mim e disse: ‘a senhora pode fazer isso e isso, aí foi quando eu comecei a correr atrás, fui no CAV e comecei a ir em um psicólogo, comecei a melhorar”, lembra.
‘Amigas da Paz: Elas ao Trabalho’
A procuradora Patrícia Rego explica que o projeto Amigas da Paz: Elas ao trabalho surgiu da percepção diária da equipe do CAV no acolhimento, na escuta qualificada das mulheres, nas visitas que os profissionais faziam a essas vítimas.
O foco é qualificar e oportunizar um trabalho às vítimas de violência doméstica. O projeto também é acompanhado pela procuradora-geral de Justiça do MP-AC, Kátia Rejane de Araújo Rodrigues, e pela promotora Diana Soraia Pimentel.
No total, 25 mulheres, CIS e trans participam do projeto, 15 que são acompanhadas pelo CAV e 10 pela casa de acolhimento a vítimas de violência doméstica, Rosa Mulher. Dez empresas, todas dirigidas por mulheres, estão inscritas no projeto.
“A importância do projeto, que é inspirado em um outro do MP de São Paulo, o ‘Tem saída’, é mostrar a essas mulheres que, de fato, tem saída. Elas chegam no CAV muito fragilizadas, em um momento de muita dor e desespero. Algumas já vêm de um longo ciclo de violência, sofrendo violência reiterada, outras não, mas sempre muito, muito fragilizadas”, diz a procuradora.
A coordenadora do centro fala da importância do empoderamento feminino, no sentido de a mulher ter uma independência econômica financeira, para, além de conseguir se sustentar sozinha, que possa levantar sua autoestima.
“Isso é importantíssimo para que ela possa quebrar o ciclo da violência. Quando a mulher chega aqui, ela vem em um momento de dor e fragilidade, ela recebe informação sobre seus direitos, é encaminhada para a rede de proteção, para que ela tenha assistência seja psicológica, de saúde, na questão jurídica, no que precisar,” explica.
Várias instituições estão envolvidas, entre elas o Ministério Público do Trabalho (MPT); Prefeitura de Rio Branco, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), além das 10 empresárias que vão receber as mulheres que vão ser inseridas no mercado de trabalho, após qualificação profissional.
Ainda de acordo com a coordenadora do CAV, a Prefeitura de Rio Branco vai certificar as empresas que fazem parte do projeto por meio um decreto que institui o Selo Amigas da Paz. “O foco é reconhecer as parceiras que se comprometeram a dar oportunidade às vítimas violência doméstica”.
Para ajudar a inserir essas mulheres no mercado de trabalho, as empresárias, com empreendimentos consolidados em Rio Branco, se engajaram em contribuir com a diminuição da violência.
“Mulheres como essas resolveram romper com a zona de conforto e dizer não, eu não posso permitir que isso continue, quero ajudar essas mulheres, porque, de fato, tem saída, há um outro caminho”, acrescenta a procuradora.

A empresária Patrícia Graciele Dossa, de 42 anos, é uma das apoiadoras do projeto — Foto: Arquivo pessoal
Sororidade: mulheres que levantam outras mulheres
A empresária Patrícia Graciele Dossa, de 42 anos, é uma das apoiadoras do projeto. Ela conta que ficou muito sensibilizada com a situação das mulheres, mas disse que o fato de abrir as portas da sua empresa para elas não é favor, mas sim uma oportunidade de vida nova e recomeço.
“Quando a doutora Patrícia Rêgo nos convidou, fiz questão de dizer que não era favor, nós, empresárias, precisamos dos colaboradores e elas precisam de emprego. O fato de elas estarem nessa situação, terem passado por esses problemas, até por sermos mulheres, a gente se sensibiliza. Elas precisam de muito mais, precisam desse apoio para se reerguerem”, fala.
Até o momento, a empresária diz que ainda não contratou nenhuma das 25 mulheres que participam do projeto, mas afirma que a procura por um currículo que se encaixe nas necessidades de sua empresa já começou.
“A gente se sensibiliza muito. Estou à espera de alguma que se encaixe. A gente tem empatia, a gente realmente sente a dor da outra mulher e se põe no lugar. Pretendo ajudar, estou otimista e correndo atrás, porque quero e vou ajudar”, afirma.

A Lei maria da Penha classifica cinco tipos de violência contra a mulher — Foto: Arte/Wescley Camelo
Números e tipos de violência
O caso de Maria está longe de ser uma exceção. Apenas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em Rio Branco, de janeiro ao dia 18 de novembro de 2018 foram instaurados 1.649 inquéritos.
Em comparação com o mesmo período deste ano, de janeiro ao dia 18 de novembro de 2019, foram instaurados 1.718 inquéritos, um aumento de quase 70 casos. Em todo o ano de 2018 foram, no total, 1.878 casos, entre flagrantes e portarias – inquéritos que se formaram através de outras investigações.
Já na Vara de Proteção à Mulher em Rio Branco, de janeiro até o dia 19 de novembro, 3.636 processos eletrônicos estão em andamento em 2019. Durante todo o ano de 2018 foram computados 3.172. Já no ano de 2017, 3.194 processos estiveram em andamento.
Criada em 7 de agosto de 2006, a lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, completou 13 anos em 2019. A lei classifica cinco formas de violência de gênero.
- Violência física: conduta que possa ofender a integridade ou a saúde corporal da mulher;
- Violência psicológica: conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima ou ação que prejudique e controle comportamentos, decisões, sob ameaça, humilhação entre outros;
- Violência sexual: conduta que faça com que a vítima mantenha ou faça relação sexual não consentida;
- Violência patrimonial: quando o agressor possa fazer a retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, documentos pessoais, bens entre outros;
- Violência moral: qualquer tipo de ação que configure calúnia, difamação ou injúria.
Saiba como denunciar
A Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Existem muitas formas de denunciar um agressor:
- Ligue 180, serviço telefônico gratuito disponível 24 horas em todo o país;
- Clique 180, aplicativo para celular;
- Ligue 190, se houver uma emergência;
- Delegacias de polícia;
- Delegacias da Mulher (se não funcionar 24 horas, o boletim de ocorrência pode ser feito em uma delegacia normal e depois transferido);
- Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, para os casos em que a mulher não se sente segura em procurar a polícia;
- Serviços de Atenção Integral à Mulher em Situação de Violência Sexual, como abrigos de amparo;
- Defensoria Pública, que atende quem não possui recursos para contratar um advogado;
- Promotorias Especializadas na Defesa da Mulher.
- A Secretaria de Políticas para as Mulheres oferece em seu site os endereços das delegacias e pontos de atendimento (acesse aqui).
Quando indagada sobre o que quer da vida daqui para frente, Maria diz que resolveu contar sua história para que ela não fique abafada como muitas outras mulheres que passam pelo mesmo problema e não têm coragem de fazer o mesmo que ela e denunciar.
Dentre as muitas vozes ‘caladas’ de mulheres que sofrem violência em todo o Brasil essa, com certeza, não foi ‘sufocada’.
“Quero ajudar, que o que aconteceu comigo não aconteça com outras mulheres. O que me falta mesmo hoje é um emprego. Só isso que eu quero: ter uma vida com dignidade, sem estar precisando dos outros, sem estar preocupada com o amanhã. Para mim, só falta isso”, finaliza.

Maria diz que o que precisa para ser feliz é ser livre e trabalhar, apenas isso — Foto: Gilberto Sampaio/Rede Amazônica Acre
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Tadeu Hassem destaca ações do Deracre e pede melhorias em ramais de Plácido de Castro
O deputado Tadeu Hassem (Republicanos) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), durante sessão desta quarta-feira (04), para reconhecer o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) em diferentes regiões do estado. O parlamentar destacou as ações realizadas em parceria com as prefeituras e citou como exemplo o município de Brasileia, onde o órgão mantém frentes de trabalho tanto na área urbana quanto na zona rural, mesmo durante o período de inverno amazônico.
Segundo ele, o município enfrentou fortes chuvas nos primeiros meses do ano, o que provocou danos em pontes e bueiros, exigindo atuação conjunta entre o governo estadual e a prefeitura. “Quero fazer um reconhecimento ao trabalho do Deracre em parceria com a prefeitura de Brasiléia, com o prefeito Carlinho do Pelado. Mesmo nesse período invernoso, o Estado está presente com pavimentação de ruas e também na recuperação de pontes e bueiros que foram destruídos pelas chuvas”, afirmou.
Durante o pronunciamento, Tadeu Hassem também apresentou o requerimento nº 242 solicitando providências ao Deracre para melhorias em ramais do município de Plácido de Castro. O parlamentar informou que esteve recentemente na região ao lado de lideranças locais, visitando comunidades e identificando demandas urgentes de infraestrutura.
O pedido inclui a realização de melhorias no ramal Mendes Carlos I, localizado na C-40, quilômetro 90, além da construção de uma ponte de madeira no distrito de São Raimundo, no ramal da Ana. “Estivemos nesses locais e verificamos a necessidade de intervenção. Já existe um trabalho positivo no ramal da Letra, em Plácido de Castro, feito pelo Deracre em parceria com a prefeitura, e queremos que esse mesmo cuidado chegue a esses outros ramais”, destacou.
O deputado concluiu reforçando a importância das visitas às comunidades para identificar as demandas da população e encaminhar providências. “É nas visitas à base que a gente identifica as necessidades reais das pessoas. Por isso apresentamos esse requerimento pedindo melhorias nesses ramais, fundamentais para o deslocamento das famílias e para o escoamento da produção rural”, finalizou.
Texto: Andressa Oliveira
Foto: Sérgio Vale
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Carlinhos do Pelado acompanha Defesa Civil Nacional em vistorias a áreas atingidas por enxurrada e locais de futuras moradias em Brasiléia
Equipe técnica federal avaliou danos estruturais em pontes e bueiros que isolaram mais de 500 famílias em janeiro; projeto prevê construção de 63 casas populares para vítimas da inundação de 2024

A agenda com a equipe da Defesa Civil Nacional foi encerrada no início da noite desta terça-feira (3), no gabinete de trabalho do prefeito, na Prefeitura de Brasiléia. Foto: assessoria
O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado, acompanhou nesta terça-feira (3) a equipe técnica da Defesa Civil Nacional em visitas às áreas da zona rural do município afetadas pela forte enxurrada registrada no final de janeiro. A agenda contou ainda com a participação de técnicos da Defesa Civil Municipal e Estadual.
Durante todo o dia, engenheiros e técnicos vistoriaram os pontos mais críticos atingidos pelas chuvas intensas, que danificaram 13 pontes e 20 linhas de bueiros, deixando, à época, mais de 500 famílias isoladas. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 milhão. As visitas técnicas foram encerradas na ponte do Ramal Santa Luzia, no km 84, uma das estruturas mais impactadas pela força das águas.
Participaram da vistoria técnica os engenheiros civis da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Ademar Lopes e Lilian Alves, que integraram a missão oficial da Defesa Civil Nacional no município. Os profissionais acompanharam in loco os danos estruturais e dialogaram com a equipe municipal sobre as intervenções necessárias.

Participaram da vistoria técnica os engenheiros civis da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Ademar Lopes e Lilian Alves, que integraram a missão oficial da Defesa Civil Nacional no município. Foto: assessoria
Construção de moradias
As equipes também avaliaram áreas destinadas à construção de 63 casas populares para famílias atingidas pela grande inundação de 2024, que foi a maior enchente da história do município, quando o Rio Acre atingiu 15,56 metros.
No início de fevereiro, o prefeito decretou situação de emergência no município, medida que foi reconhecida pelo Governo Federal conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU), garantindo respaldo legal para a busca de recursos e apoio técnico.
A vinda da equipe federal ocorreu após agenda do prefeito em Brasília, onde esteve no Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional em reunião com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, solicitando apoio para o município.

A vinda da equipe federal ocorreu após agenda do prefeito em Brasília, onde esteve no Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional em reunião com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil. Foto: assessoria
O prefeito destacou a importância da articulação institucional e agradeceu o apoio recebido. “Estamos aqui acompanhados da Defesa Civil Nacional, através de uma ida nossa em Brasília, quando fizemos visita lá em busca de emendas para o nosso município. Lá, conseguimos falar com o secretário nacional de Defesa Civil, que abriu novamente uma oportunidade para que nós de Brasiléia ganhássemos 63 casas populares para serem construídas em decorrência da alagação de 2024. Também vieram visitar in loco tudo o que foi ocasionado durante aquela forte cheia que não atingiu o rio principal, mas os igarapés, no mês de janeiro, quando decretamos estado de emergência”, afirmou.
O gestor municipal também agradeceu ao governo federal pelo reconhecimento da situação de emergência e pelos investimentos destinados ao município, além do apoio do Governo do Estado, na pessoa do governador Gladson Cameli, e da equipe da Defesa Civil Estadual.

As visitas técnicas foram encerradas na ponte do Ramal Santa Luzia, no km 84, uma das estruturas mais impactadas pela força das águas. Foto: assessoria
Trabalho técnico
O coordenador da Defesa Civil Municipal, major Sandro, ressaltou que o trabalho técnico é fundamental para garantir agilidade na liberação de recursos e execução das obras emergenciais. “Essa vistoria detalhada com os engenheiros da Defesa Civil Nacional é essencial para consolidarmos os relatórios técnicos, atualizarmos os danos e prejuízos e assegurarmos os recursos necessários para reconstrução das pontes, recuperação dos bueiros e implementação de medidas preventivas. O município está monitorando permanentemente as áreas de risco e fortalecendo o plano de contingência”, destacou.
A agenda com a equipe da Defesa Civil Nacional foi encerrada no início da noite desta terça-feira (3), no gabinete de trabalho do prefeito, na Prefeitura de Brasiléia, onde foram feitos os últimos encaminhamentos técnicos e institucionais, consolidando as demandas apresentadas ao Governo Federal.
A expectativa da gestão municipal é que, com o reconhecimento federal e os laudos técnicos concluídos, os investimentos avancem para restabelecer a trafegabilidade nos ramais e garantir moradia digna às famílias afetadas.

Durante todo o dia, engenheiros e técnicos vistoriaram os pontos mais críticos atingidos pelas chuvas intensas, que danificaram 13 pontes e 20 linhas de bueiros, deixando, à época, mais de 500 famílias isoladas. Foto: assessoria
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Governador e vice entregam 80 casas do populares na Cidade do Povo
Em mais uma ação voltada à redução do déficit habitacional no estado, o governador do Acre, Gladson Camelí, na companhia da vice-governadora, Mailza Assis, realizou nesta terça-feira, 3, a entrega de 80 unidades habitacionais do Programa Pró-Moradia, no loteamento Cidade do Povo, em Rio Branco.

A iniciativa integra um empreendimento maior, composto por 383 casas, e representa mais um avanço da política estadual de habitação direcionada às famílias em situação de vulnerabilidade social. As moradias foram construídas por meio da atuação da Secretaria de Estado de Habitação e Urbanismo (Sehurb).
As 80 unidades entregues nesta terça beneficiam famílias inscritas no Cadastro Único, contempladas pelo Bolsa Família ou pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de famílias chefiadas por mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência, atingidas por alagações do Rio Acre, desastres naturais, residentes em áreas de risco e em situação de ônus excessivo com aluguel, entre outros critérios sociais prioritários.
Durante a solenidade, Gladson Camelí destacou o impacto social da iniciativa. “Não existe política pública mais transformadora do que aquela que entrega dignidade. E dignidade começa com um lar. Um lugar onde a gente fecha a porta e sente segurança, onde as crianças podem dormir tranquilas”, afirmou. O governador também ressaltou que, até o final do ano, a meta é entregar cerca de 2.700 casas com apoio do governo federal.

“Essas casas estão sendo destinadas a quem mais precisa. Muitas famílias já enfrentaram as cheias do Rio Acre, perderam móveis, viveram em aluguel social ou até mesmo em situação de rua. O que estamos entregando hoje não é apenas uma chave, é a chance de começar um novo capítulo”, acrescentou.
A vice-governadora Mailza Assis também enfatizou o compromisso da gestão. “O nosso governo trabalha com empenho para garantir o melhor à população. Que essas 80 novas moradias sejam lares de paz, felicidade e prosperidade para as famílias”, declarou.

Cada casa possui 44,05 metros quadrados de área construída, com dois quartos, sala de estar, cozinha, banheiro e área de serviço. As obras tiveram prazo de execução de 21 meses, totalizando 646 dias de trabalho.
O investimento total nas 80 unidades, incluindo os terrenos, é de R$ 8 milhões e 73 mil, com recursos provenientes de fontes próprias do Estado e de operações de crédito. O valor médio de cada unidade, também considerando o terreno, é de aproximadamente R$ 125 mil, evidenciando o investimento concreto na política habitacional, com garantia de estrutura adequada e segurança jurídica às famílias contempladas.
O secretário de Habitação, Egleuson Santiago, comemorou o momento. “Estou muito alegre em compartilhar esse momento com as famílias que estão recebendo seus lares e vão reiniciar suas histórias em uma nova habitação. Peço que cada um zele pela sua nova casa”, destacou.

Entre os beneficiados está Merizan de Souza, que celebrou a conquista da casa própria. “Agradeço ao governador e a toda a equipe de governo por me proporcionar esse sonho realizado. Minha família é composta por cinco pessoas e vamos fazer um bom proveito da nossa nova casa, que será o nosso lar maravilhoso”, afirmou.

A previsão do governo é que outras 102 casas sejam entregues até o final de março, dando continuidade ao cronograma do Programa Pró-Moradia e reforçando a política de habitação como eixo estratégico de desenvolvimento social no Acre.
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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE







































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