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“Vi meu velório”, diz Moisés Diniz ao relatar experiência de “quase morte” após princípio de infarto

Diniz relata que teve uma ‘Experiência de Quase Morte’ (EQM) e diz ter entrado em uma porta gigantesca, como fosse se um abismo “da cor do barro de um barranco de rio, semelhante uma planície entre montanhas silenciosas

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Moisés diz se recordar de todos os momentos desde o princípio do infarto e até por onde vagou o seu espírito.

Deputado Moisés Diniz/Foto: reprodução

SALOMÃO MATOS - CONTILNET

Ainda em fase de recuperação após sofrer um princípio de infarto, o ex deputado federal Moisés Diniz, hoje Diretor Presidente do Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa), fez um relato emocionante em seu perfil no Facebook.

Na postagem feita na noite de quinta-feira (11), Diniz relata que teve uma ‘Experiência de Quase Morte’ (EQM) e diz ter entrado em uma porta gigantesca, como fosse se um abismo “da cor do barro de um barranco de rio, semelhante uma planície entre montanhas silenciosas”, relata ele.

O ex-parlamentar disse lembrar de todos os detalhes, desde os afazeres do seu dia a dia até o momento em que teve a experiência. “Vi meu velório e meus amigos. Foi terrível, uma dor que não se explica”, diz o relato.

Confira todo relato:

A MORTE É QUASE INSUPORTÁVEL, MAS É UMA PORTA PARA SENTIMENTOS ETERNOS

Na última segunda-feira, eu vivi uma experiência de quase morte. Os especialistas devem dar outros nomes, mais sofisticados, outros podem achar que foi alucinação. Mas, eu ‘vivi’ (se é esse o termo) um momento tão intenso com a morte, que foi como se fosse uma batalha eterna, entre anjos e demônios, que disputavam meu corpo e minha mente.

Na quinta-feira (7/05), eu peguei a estrada para Feijó, para ser apresentado à equipe do Depasa de lá. Na saída de Sena Madureira, comecei a sentir uma tontura muito forte. Mas, dois outros fatores me levaram a não entender aquela tontura: um temporal violento nos pegou na estrada e a minha coluna doía de forma quase insuportável. A tempestade e a dor na coluna desviaram a minha atenção. Após a reunião lá, comi um açaí. Aí a minha tontura dobrou. Como eu estava há quatro meses que não media meu colesterol, achei que era ele o culpado. Então, comprei um remédio e tomei.

No dia seguinte, em Tarauacá, a tontura persistiu e se agravou. Eu segui participando de reuniões, sempre com a mesma tontura. No domingo, participei de outra reunião, densa e complexa. E a tontura se tornava cada vez mais intensa. Eu quase não conseguia mais raciocinar. Não compreendo como não percebi que havia algo anormal. Foram cinco dias de tontura e eu não medi nenhuma vez a minha pressão arterial.

Já no leito da UTI, sozinho, fiquei imaginando como a gente não consegue perceber a dor das pessoas. Como a humanidade seria melhor e mais saudável, se tivéssemos como regra, perguntar como as pessoas estão. Eu estava, há cinco dias, abrindo as veias do meu coração e meus gânglios (meus enzimas deviam estar fervendo) para um infarto ou AVC e não percebia.

Na segunda-feira, a tontura continuou muito forte, mas, segui com agendas desde as 6:30 da manhã. À tarde, quando eu estava indo para uma agenda com o governador, para tratar demandas do saneamento, eu já estava sentindo dificuldades na respiração, sentindo frio e suando. Eu não conseguia sequer reagir aos cumprimentos dos assessores do gabinete governamental.

Quando percebi que se intensificava uma dor no peito, muita dificuldade em respirar e, mesmo sentindo frio, eu suava, então pedi ajuda. O SAMU foi acionado e fui levado ao Pronto-socorro. Do SAMU, passando pela Sala de Emergência e INTO, até a UTI do HUERB, eu fui tratado pelo SUS.

Ali começou a minha experiência de quase morte, que eu não conseguia falar ou fazer sinais físicos para que os médicos percebessem e me entendessem. Ouvia quando eles perguntavam a minha idade ou o mês em que estávamos. No começo, conseguia responder parcialmente. Depois, fui perdendo, rapidamente, a capacidade física de reagir aos estímulos. Ouvia quando eles perguntavam se eu era hipertenso, se eu era diabético, qual o remédio que eu tomava pra pressão arterial, se eu fumava… Ali, eu vi o quanto são guerreiros aqueles profissionais. Foram agindo e me salvando, quase sem nenhuma informação médica sobre mim. Eles apertavam, com força, minhas pernas e meus braços, pra saber se eu estava sentindo. No início, eu reagia, mas, em seguida, eu não conseguia mais responder. Eu ouvia eles perguntando, mas, não sentia.

Então, percebi que eles me colocaram numa máquina pra fazer algum tipo de exame, tipo uma tomografia. Não sei quanto tempo durou, mas, o que aconteceu comigo lá dentro, foi uma eternidade, a minha experiência de quase morte.

Toda a minha região bucal ficou como se estivesse anestesiada, irradiando a dormência para o nariz, os olhos e a parte inferior dos ouvidos. Mas, eu ouvia longe os profissionais falando. Eu não sentia os meus pés e os meus braços. Era como se eles não existissem. Então, comecei a entender que estava morrendo e eu não podia fazer nada.

Minha mente estava intacta, mas, era como se meu corpo estivesse sendo consumido por uma máquina de anestesia, que triturava sem fazer barulho. Então, eu decidi organizar, na minha mente, a minha despedida. Mas, com uma revolta racional: eu não queria ir. Não aceitava morrer tão cedo. Vi meu velório e meus amigos. Foi terrível, uma dor que não se explica. Apesar da revolta, entendi que era irreversível, que eu precisava fazer valer meus últimos pensamentos. Meu primeiro ato racional foi de perdão. Pedi perdão a todos que passaram pela minha vida e depois disse: ‘Deus, perdoa todos também! Que não aconteça nenhum mal a quem, por qualquer motivo, desde que eu nasci, me fez algum mal. Tudo isso é pequeno e insignificante, eu amo todos, meu amor é infinito agora! Cuida, também, da minha família!’ Senti uma paz imensa naquele instante.

Aí comecei a cantar, mentalmente, a canção que eu cantara quatro horas atrás, pra fazer minha neta Marina dormir: “uma dia uma criança me parou, olhou-me nos meus olhos a sorrir, caneta e papel na sua mão, tarefa escolar para cumprir, e perguntou no meio de um sorriso, o que é preciso para ser feliz? Amar como Jesus amou, sonhar como…” Lembrei que, no final da manhã, Marina chegara da escola muito agitada, rebelde, inquieta, diferente de todos os outros dias. Naquele instante, entendi que Marina estava prevendo algo na sua inocência. Foi com essa música que a fiz dormir. Cantar aquela música, silenciosamente dentro da minha mente, naquele instante terrível, era como uma despedida carinhosa daquele pedacinho de gente que eu tanto amava.

Lembro ainda que, quando cheguei para almoçar, as 13:30 horas, disse para a minha mulher: “tem algo muito errado comigo. Ontem, domingo, tratei um assunto importante de trabalho com um de nossos dirigentes do Depasa, e hoje voltei a tratar. Eu, literalmente, esqueci hoje que já tinha tratado ontem. Acho que foi um sinal vermelho”. Só não sabia o que dizia o sinal.

Depois que cantei a música, uma porta gigantesca se abriu perante os olhos da minha mente: um abismo da cor do barro de um barranco do rio, como se fosse uma colossal planície entre montanhas silenciosas, que expeliam fumaça, com casas velhas sem telhado e sem portas. Figuras humanas se aproximavam e sussurravam palavras ininteligíveis pra mim, como se, desesperadamente, quisessem me avisar de algum perigo ou precisassem me ajudar. Vi que suas bocas e narizes eram apenas cicatrizes, e que havia um esforço imenso pra falar e não conseguiam. Seus olhos eram como dois ninhos de joão-de-barro, opacos e tristes, sem claridade, mas, havia um sinal distante de luz dentro deles, como aqueles pingos de canetas eletrônicas. Era como se passassem uma mensagem que havia alguma esperança, além da dor silenciosa, naquelas figuras mortas como o barro. Se aquela imagem fosse a do Purgatório, era algo comovente, assustador e esperançoso ao mesmo tempo.

Enquanto eu tentava entender aonde estava, uma tempestade de vento, como se fosse uma mão carinhosa e gigantesca, me arrastou para cima da montanha. Aí vi algo comovedor, uma mulher vestida de rosas. Não sei se era minha mãe ou era Nossa Senhora, só ouvi quando ela me disse: “meu filho”… Foi o instante em que senti vontade real de não voltar, de aceitar a morte como porta para aquele novo mundo, de abraçar aquela mulher e conhecer aquele mundo tão diferente, que pacificava a guerra que ainda ocorria na minha mente, como se fosse uma anestesia poderosa que, agora, desligava o meu cérebro, como última resistência da vida.

Então, ouvi outra voz, como se fosse um grito: “não desiste, Diniz! Luta!”

Não sei, também, se tudo foi apenas uma alucinação. Como poderia minha mente ‘ver’ tantas coisas e refletir sobre tantos cenários nunca vistos em tão pouco tempo? Lembrei que, quando sonhamos, principalmente quando é pesadelo, acreditamos que foram horas de sonho, mas, se comprova, depois, que foram apenas alguns segundos. O que sei é que senti e minha mente ‘viu’ todas essas situações fortes e sentimentais.

Foi quando percebi que estava sendo retirado do tubo da máquina de tomografia. Tentei sentir meu corpo e constatei que estava pior, braços e pernas sem tato nenhum e a região do rosto anestesiada. Tentei mexer minha mão, não conseguia, as penas, nada. Apenas conseguia abrir os olhos. Aí foi quando algo chamou minha atenção. Minha coluna doía e eu sentia calor, principalmente na região lombar. Nessa hora, eu decidi: vou lutar para que a vida que está na minha coluna vá para minhas pernas e meus braços. Nesse instante pedi: “Deus, manda vida e energia para as minhas pernas e meus braços”! Fiz também um esforço tremendo para mover minhas bochechas, para comprimir a gengiva e os músculos do rosto, nada reagia, mas, continuei tentando.

Todo o esforço da minha mente era pedir vida a Deus para os meus órgãos que estavam falindo e repetir dezenas de vezes que eu não ia morrer. No leito da UTI, sozinho, fiquei horas pensando o que podemos fazer (sociedade, medicina e poder político) para ajudar pessoas em situações como a que eu vivi.

Percebi quando me colocaram numa maca e ouvia vozes distantes: “pode levar, ambulância, não tem mais o que fazer, grande amigo, não pode ser…” Nessa hora eu me desesperei e não conseguia reagir. Não era justo eu estar sendo levado para o necrotério, se eu ainda estava vivo.

Nunca senti tanta impotência e tanto desespero, perceber que estava morrendo e os meus amigos e profissionais que estavam ao redor já tinham feito o que era possível. Cada porta em que a maca batia, pra mim, já era a entrada do necrotério, mas, a pedra fria não aparecia. Meu pavor aumentava, porque comecei a imaginar a exumação, ainda vivo, pois eu sabia que meu cérebro estava vibrando e minha coluna doendo, apesar de não sentir o restante do corpo.

Foi então que dois grandes sentimentos disputaram minha mente. O primeiro pedia que alguém me apagasse, que me dessem uma morfina, para estancar aquele sofrimento e não ser velado vivo, ou mesmo exumado e até sepultado. Foi horrível! Nessa hora, percebi o quanto a morte pode ser insuportável.

Queria tanto que alguém me ouvisse, que pudessem trazer rapidamente minha mulher e minhas filhas pra me abraçar. Nunca desejei tanto esse abraço, eu o queria mais que qualquer coisa. Eu sentia que não viveria mais, apenas queria um abraço.

Então, a minha coluna voltou a doer mais fortemente e eu passei a lutar pela vida, com a convicção de que ainda podia viver. É algo que a gente não consegue expressar, é como se você estivesse caindo num abismo e apenas as asas de um beija-flor tentassem te sustentar. Naquele instante eu decidi que lutaria pela vida até a minha última gota de sangue, que era uma necessidade eu voltar, para dizer para as minhas filhas que a vida é mais preciosa que uma montanha de diamante, que todos nós devíamos mudar, que, se possível, até mexer na substância de nossas próprias almas, que nada valia mais que o oxigênio que a gente respirava todos os dias, sem pagar taxa nenhuma, que tudo passa, especialmente o que é feio perante a vida, mas, é eterno o que é belo do ponto de vista da espiritualidade, do amor, da solidariedade.

Eu rezei muito forte, com toda a vibração da minha mente, da minha alma e da minha coluna vertebral. Pedia força a Deus pra não aceitar morrer, não apagar, e mandava ordens para que a minha coluna vertebral, que pulsava de dor, liderasse minhas pernas e meus braços. Ali, compreendi que a dor era a minha porta de volta pra vida.

Mentalizei as várias cirurgias que fiz na boca e relembrei que a imagem de ficar tudo inchado era fictício, uma percepção enganosa da anestesia. Isso me deu ânimo, de que não havia sequelas na minha boca.

No meio dessa luta terrível entre a vida e a morte, ouvi a palavra INTO, aí compreendi que ainda estava no meio dos homens e que atravessava corredores e entrava numa ambulância. Acho que ali restabeleci a consciência parcial do meu corpo e passei a acreditar que a morte seria vencida, passei a falar e até raciocinar, como pedir que minha mulher me acompanhasse na ambulância.

Encerro esse relato terrível, mas, sentimental, considerando que, além do esforço e do carinho dos profissionais da saúde e da tecnologia, dois fatores externos também ajudaram a me salvar. Acredito que as minhas caminhadas e a minha dieta de açúcar foram importantes para que eu resistisse àquele vendaval da pressão arterial.

Todavia, acho que foi a área límbica (amorosa, elástica e aberta) do meu cérebro, que fez a principal resistência. Acho que amar as pessoas é a maior de todas as comportas contra essas tempestades que, a qualquer hora, atingem o nosso coração.

Num outro dia, eu escrevo sobre as pessoas que me ajudaram a vencer essa travessia e agradecer o carinho que veio de tanta gente…

MOISÉS DINIZ

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Prefeitura de Epitaciolândia discute implantação do Projeto Hospeda Alto Acre

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A Prefeitura de Epitaciolândia realizou, na tarde desta terça-feira, 10, na Biblioteca Municipal, uma reunião estratégica para apresentação e alinhamento do Projeto Hospeda Alto Acre, iniciativa que visa o mapeamento, credenciamento e divulgação de meios de hospedagem formais e alternativos no município e em toda a região do Alto Acre.

A apresentação do projeto foi conduzida pela Secretária Municipal de Planejamento – SEPLAN, Neiva Tessinari, que destacou a importância da organização da rede de hospedagem diante do fortalecimento do calendário cultural, turístico e esportivo do município, com destaque para o Circuito Country 2026, além de feiras, shows e eventos institucionais.

O projeto tem como objetivo organizar a oferta de hospedagem, garantindo acolhimento adequado a visitantes, turistas, artistas, equipes técnicas e participantes de grandes eventos, além de fortalecer a economia local, fomentar o turismo regional, gerar renda e valorizar a hospitalidade da população.

Durante a reunião, foram discutidas as etapas do projeto, que incluem a publicação de edital de chamada pública, período de inscrições, análise das informações, consolidação de um banco de dados atualizado e a divulgação institucional das hospedagens credenciadas nos canais oficiais do município.

Participaram da reunião o prefeito Sérgio Lopes, acompanhado do vice-prefeito Sérgio Mesquita; a secretária municipal de Planejamento, Neiva Tessinari; a secretária municipal de Cultura, Francisca de Oliveira; o secretário municipal de Turismo, Jonas Cavalcante; a secretária municipal da Mulher, Jamiele Albuquerque; e a chefe de Gabinete, Lucineide Aparecida, Marcelo Galvão Secretário Municipal de Esportes e Francisco Rodrigues Secretário de Finanças.

A Prefeitura de Epitaciolândia reforça que o Projeto Hospeda Alto Acre representa mais um avanço no planejamento estratégico do município, preparando a cidade para receber grandes públicos com organização, qualidade e segurança, consolidando Epitaciolândia como um destino turístico acolhedor e preparado para o desenvolvimento sustentável.

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Prefeitura de Rio Branco intensifica manutenção viária em bairros da capital

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A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), tem intensificado os trabalhos de manutenção viária em diferentes regiões da capital, com foco na recuperação de ruas e na melhoria da mobilidade urbana. Nesta terça-feira (10), as equipes estiveram concentradas na Rua São José, no bairro Floresta Sul, executando serviços de recomposição do pavimento.

A intervenção inclui a retirada do solo saturado, material comprometido pela umidade e a substituição por insumos adequados para garantir maior durabilidade da via. O processo técnico envolve ainda a aplicação de material bruto, o tratamento da camada de subbase, a preparação da base e, por fim, o revestimento asfáltico.

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Segundo o encarregado Francenildo Cacau, os serviços seguem o planejamento, sujeito às condições climáticas. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

De acordo com o encarregado da obra, Francenildo Cacau, os serviços seguem um cronograma condicionado às condições climáticas. “Estamos realizando a recomposição do pavimento com a troca do solo, substituindo o material saturado. Depois entra o material bruto, fazemos o tratamento da subbase, em seguida a base e, por fim, preparamos tudo para receber o revestimento. Trabalhamos conforme o clima permite, porque o período de inverno pode interromper as atividades. Com sol, seguimos normalmente”, explicou.

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Trabalhos atuam simultaneamente nas regionais da cidade, com serviços de pavimentação, remendo profundo e drenagem. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

Além da Rua São José, outras frentes de trabalho atuam simultaneamente nas regionais da cidade, com serviços de pavimentação, remendo profundo e drenagem. A iniciativa busca atender diversos bairros de forma contínua, garantindo mais segurança e conforto para motoristas e pedestres.

No bairro Vitória, na estrada São Francisco, outra equipe realiza serviços de tapa-buracos e recapeamento asfáltico. O responsável pela obra, Pedro Henrique, destacou que a ação contempla toda a extensão da via.

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No bairro Vitória, na estrada São Francisco, outra frente de trabalho executa serviços de tapa-buracos e recapeamento do asfalto. Segundo o responsável pela obra, Pedro Henrique, as intervenções abrangem toda a extensão da via. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“Nessa localidade, estamos fazendo tapa-buracos, retirando o material saturado que está mole e colocando asfalto de qualidade. Também há serviço de recapeamento, e esse trabalho seguirá por toda essa via, até a entrada do Quixadá”, afirmou.

A Prefeitura reforça que os trabalhos fazem parte de um cronograma permanente de manutenção viária, com o objetivo de melhorar a trafegabilidade, reduzir riscos de acidentes e promover mais qualidade de vida à população.

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<p>The post Prefeitura de Rio Branco intensifica manutenção viária em bairros da capital first appeared on Prefeitura de Rio Branco.</p>

Fonte: Conteúdo republicado de PREFEITURA RIO BRANCO

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Indígena é baleado por armadilha na Terra Indígena Campinas-Katukina, em Cruzeiro do Sul

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João Carlos Catoquina foi atingido na perna ao buscar ervas medicinais; liderança acusa invasores e pede investigação urgente

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma operação de retirada de invasores na Terra Indígena Campinas Katukina, no Acre. Foto: captada 

Com Juruá 24horas e Ibama 

Um indígena foi baleado na perna após acionar uma armadilha improvisada com arma de fogo na Terra Indígena Campinas-Katukina, em Cruzeiro do Sul, no último domingo. A vítima, João Carlos Catoquina, estava na mata coletando ervas medicinais para tratar o neto quando o disparo ocorreu. O projétil atingiu a panturrilha, mas não atingiu o osso, evitando ferimentos mais graves.

A denúncia foi feita pela liderança Puá Nuke Koí, que afirmou que o uso de armadilhas com armas não faz parte da cultura do povo Nuke Koí. “Essa armadilha foi colocada por alguém de fora, do entorno da terra indígena”, declarou. No mesmo dia, outro disparo na área matou o cachorro de um parente e quase atingiu a esposa do cacique.

Após o acidente, João Carlos foi atendido pela equipe de saúde indígena, socorrido pelo Samu e encaminhado para Cruzeiro do Sul. Puá Nuke Koí esteve na cidade para registrar a ocorrência e cobrar investigação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Polícia Federal e outros órgãos. “O que aconteceu representa um risco real à vida do nosso povo”, concluiu.

Equipes federais destruíram acampamentos temporários utilizados por ocupantes ilegais e apreenderam equipamentos empregados no desmatamento, como motosserras, lonas, ferramentas e estruturas de apoio às práticas ilícitas. Foto: Ibama/AC

No último mês de novembro de 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma operação de retirada de invasores na Terra Indígena Campinas Katukina, Cruzeiro do Sul, no Acre. A ação, foi realizada durante o feriado da Proclamação da República, ocorreu em cooperação com a Polícia Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF).

A iniciativa integra a segunda fase da Operação Xapiri AC, que atua no enfrentamento a crimes ambientais em territórios indígenas no acre. Feriados e fins de semana costumam ser aproveitados por invasores para avançar sobre áreas protegidas.

Durante a fiscalização, as equipes federais destruíram acampamentos temporários utilizados por ocupantes ilegais e apreenderam equipamentos empregados no desmatamento, como motosserras, lonas, ferramentas e estruturas de apoio às práticas ilícitas. O objetivo das ações é desarticular a logística da ocupação e impedir a continuidade da degradação ambiental, principalmente em terras indígenas.

A ação ocorreu após levantamentos do Grupo de Combate ao Desmatamento do Ibama no Acre, que identificou focos de desmatamento e ocupações ilegais na porção sudoeste da Terra Indígena. Na primeira fase da operação, houve prisões em flagrante e multas que somam cerca de R$ 390 mil.

Segundo o coordenador, um grupo interinstitucional de comando e controle foi estabelecido para monitorar os envolvidos. As investigações preliminares indicam que o objetivo dos invasores era lucrar com a grilagem para futura implantação de atividades agropecuárias.

A Operação Xapiri AC reforça o compromisso do Estado brasileiro com a proteção dos povos indígenas, a preservação da Amazônia e o combate às ocupações ilegais em áreas de relevante interesse socioambiental.

Acampamento ilegal é destruído durante operação integrada na Terra Indígena Campinas Katukina, no Acre. Foto: Ibama/AC

Diante da gravidade dos fatos envolvendo o indígena João Carlos Catoquina, que foi baleado na perna, a liderança geral do povo da aldeia Katukina, Puá Nuke Koíesteve esteve em Cruzeiro do Sul para registrar oficialmente a denúncia e cobrar providências das autoridades que recentemente estiveram nas terras dos Campinas Katikinas em uma ação. Ele informou que busca apoio de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Polícia Federal e outras instituições responsáveis.

“Viemos às autoridades para que esse caso seja devidamente investigado e esclarecido. O que aconteceu foi dentro do nosso território e representa um risco real à vida do nosso povo”, concluiu.

Um indígena acabou caindo em uma armadilha com arma de fogo, que atingiu sua perna, na altura da panturrilha. Segundo o líder Puá, o disparo não chegou a atingir o osso. Foto: captada 

Terra Indígena Campinas-Katukina, município de Cruzeiro do Sul

Para contextualizar a importância da Terra Indígena Campinas/Katukina, é fundamental compreender quem é o povo que habita esse território e a relação histórica que mantém com a região.

O povo Noke Ko’í, também conhecido como Katukina, pertence ao tronco linguístico Pano e soma atualmente cerca de 895 pessoas, segundo dados da Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). As comunidades vivem em duas terras indígenas: a TI Campinas/Katukina, com aproximadamente 32.633 hectares, e a TI Rio Gregório, que se estende por cerca de 187.400 hectares. Esses territórios estão localizados nos municípios de Tarauacá e Cruzeiro do Sul, no Acre.

A história do povo Noke Ko’í é profundamente ligada aos rios e à floresta. De acordo com sua tradição oral, a origem do povo remonta a um mito ancestral que narra o surgimento dos primeiros Noke Ko’í a partir de uma oca situada à beira do mar, semelhante a uma teia de aranha. Sem conseguir sair, eles clamaram por ajuda até que Deus os ouviu, abriu uma porta e permitiu que seguissem seu caminho. Na travessia de um grande rio, um jacaré teria servido de ponte. Embora o mito mencione o mar, os próprios Noke Ko’í afirmam que sua origem está ligada à região do rio Juruá, onde vivem até hoje, especialmente às margens do rio Campinas.

O primeiro contato intenso com a população não indígena ocorreu durante o ciclo da borracha. Os Katukina passaram a trabalhar nos seringais para garantir a própria sobrevivência, cortando seringa em troca de alimentos e outros itens básicos. Além disso, realizavam trabalhos braçais, como o preparo e o cultivo de roças. Naquele período, tanto indígenas quanto não indígenas viviam sem posse formal da terra, deslocando-se conforme a oferta de trabalho, a presença de peixes nos rios e a abundância de caça na mata.

Ao longo desse processo, os Noke Ko’í viveram em diferentes seringais da região, como o Seringal Rio Branco, no rio Tauarí, o Seringal Sete Estrelas, no rio Gregório, e, por fim, o Seringal Campina, área que deu origem à atual Terra Indígena Campinas/Katukina.

A luta pela garantia territorial ganhou força a partir da atuação do sertanista Antônio Macedo e do antropólogo Terri Valle de Aquino, que, à época, integravam a Comissão Pró-Indígenas do Acre. O trabalho resultou na demarcação da Terra Indígena em 1984, com homologação oficial em 1993. As principais lideranças envolvidas nesse processo histórico foram Francisco de Assis da Cruz e André Rodrigues de Souza.

Hoje, a Terra Indígena Campinas/Katukina representa não apenas um espaço físico, mas um território de memória, identidade cultural e sobrevivência para o povo Noke Ko’í, cuja relação com a floresta e os rios permanece central para seu modo de vida.

De acordo com Puá Nuke Koí, liderança geral do povo, o caso aconteceu por volta das 11 horas da manhã, na aldeia Katukina. A vítima foi João Carlos Catoquina, seu tio. Foto: captada 

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