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Trio do “Tribunal do Crime” é preso por torturar rival em Rio Branco
Audiência de custódia confirma prisão preventiva; vítima foi sequestrada e mantida em cárcere no Polo Benfica

Piter Santos de Souza (37), conhecido como “Negro Piter” ou “Dubai
Três homens apontados como integrantes do chamado “Tribunal do Crime” de uma facção criminosa que atua no Polo Benfica, em Rio Branco, tiveram a prisão preventiva decretada no domingo (4), após serem flagrados torturando um rival. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada no Fórum Criminal.
Os suspeitos Piter Santos de Souza, de 37 anos, conhecido como “Negro Piter” ou “Dubai”, Nathan Feitosa Machado, de 26, e Marcos Soares de Castro, de 37, foram presos em flagrante no sábado (3). Segundo a polícia, eles ocupam posições de liderança dentro da organização criminosa que opera entre o Polo Benfica e a rodovia AC-40.
Outros dois envolvidos, Jean Max da Silva Barros, de 29 anos, e Joel da Silva Nepomuceno, de 20, também foram detidos, mas receberam autorização para responder ao processo em liberdade, mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
O grupo foi capturado por equipes do 2º Batalhão da Polícia Militar, que agiram após denúncias de gritos de socorro vindos de uma residência na Avenida Brasil, no Polo Benfica. No local, os policiais encontraram a vítima, Wálisson Júnior da Silva, de 28 anos, mantido em cárcere privado e sofrendo sessões de tortura. Ele havia sido sequestrado de sua casa mais cedo, sob a acusação de envolvimento em um assalto à residência de Nathan Machado, de onde teriam sido levados dinheiro, joias, drogas e uma arma de fogo.
Durante a ação, foram apreendidas duas armas de fogo — uma pistola Glock 9mm e uma Taurus calibre 380 — além de munições. Todos os envolvidos, inclusive a vítima, possuem antecedentes criminais. Wálisson já havia sido preso por tráfico de drogas nos anos de 2015 e 2016, mas foi liberado após prestar depoimento.
Os acusados devem responder pelos crimes de sequestro, cárcere privado, tortura, porte ilegal de arma de fogo e participação em organização criminosa.
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No AC, justiça mantém salários de policial preso acusado de matar homem
A Justiça do Acre decidiu manter o pagamento dos salários do policial civil Elves Gomes de Lima, preso preventivamente e acusado de envolvimento na morte do jovem Antônio Luan Menezes Viana, de 21 anos, em Feijó, no interior do estado. A decisão, publicada na última terça-feira (24), foi tomada por unanimidade pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), que negou recurso do Estado e confirmou sentença favorável ao servidor.
O governo estadual tentava suspender a remuneração sob o argumento de que o policial está preso e afastado das funções. No entanto, o colegiado acompanhou o voto da relatora, desembargadora Waldirene Cordeiro, e entendeu que a medida não encontra respaldo legal antes de uma condenação definitiva ou da conclusão de processo administrativo disciplinar.
Segundo o acórdão, a prisão preventiva tem natureza cautelar e não pode ser tratada como punição antecipada. A Corte destacou que a suspensão de vencimentos nessas condições afronta princípios constitucionais como a presunção de inocência, a dignidade da pessoa humana e a irredutibilidade salarial.
Os desembargadores também ressaltaram que o fato de o servidor estar preso e impossibilitado de exercer suas funções não autoriza automaticamente o corte da remuneração. Outro argumento rejeitado foi o de que o auxílio-reclusão poderia substituir o salário, já que o benefício possui caráter assistencial e não se confunde com a remuneração de servidor ativo.
O caso que originou a decisão remonta a setembro de 2024, quando Antônio Luan Menezes Viana foi morto a tiros e um adolescente de 16 anos ficou ferido durante um ataque em via pública no município de Feijó. De acordo com as investigações, as vítimas estavam com amigos quando um carro se aproximou e os ocupantes efetuaram disparos. Antônio Luan foi atingido pelas costas, chegou a ser socorrido e transferido para outra unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
Dias após o crime, Elves Gomes de Lima foi preso em Rio Branco, suspeito de participação no ataque, junto com outro investigado. A prisão preventiva foi autorizada pela Justiça a partir de investigação conduzida pela Polícia Civil, por meio da Corregedoria-Geral.
O Ministério Público do Acre denunciou os dois acusados em novembro de 2024. Segundo a acusação, eles teriam agido em conjunto, por motivo considerado fútil e com recurso que dificultou a defesa das vítimas. Além do homicídio qualificado, o policial também responde por tentativa de homicídio, fraude processual e por dirigir sob efeito de álcool.
Em 2025, o processo avançou com a realização de audiência de instrução e julgamento, fase em que foram ouvidas testemunhas e produzidas provas. O caso ainda pode ser submetido ao Tribunal do Júri.
Com a decisão do TJAC, o policial seguirá recebendo salários enquanto não houver condenação penal definitiva, com trânsito em julgado, ou a conclusão de eventual processo administrativo que determine a aplicação de sanção.
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