Estudo “Radar Verde 2024” aponta que Frisacre e Frigonorte não monitoram fornecedores para evitar desmatamento; área de risco ultrapassa 1,7 milhão de hectares

Os frigoríficos com as melhores notas foram: Marfrig, Minerva e Rio Maria, com notas 96,8; 94,4; e 92,2. Foto Art
Dois frigoríficos do Acre dedicados ao abate de bovinos foram avaliados com nota zero em um estudo recente sobre sustentabilidade na cadeia pecuária. O Radar Verde – Resultados Frigoríficos 2024, divulgado no início deste ano, apontou que as empresas Frisacre (Frigorífico Santo Afonso do Acre Ltda) e Frigonorte Acre não demonstraram ter um sistema eficiente de controle sobre seus fornecedores para evitar a aquisição de gado proveniente de áreas desmatadas na Amazônia.
O relatório analisa o comprometimento de frigoríficos com a sustentabilidade, especialmente no combate ao desmatamento ilegal associado à pecuária. A nota zero indica que as empresas não possuem mecanismos transparentes ou políticas verificáveis para garantir que sua cadeia de suprimentos não esteja vinculada a crimes ambientais.
A pecuária é uma das principais atividades econômicas do Acre, mas a falta de monitoramento rigoroso pode contribuir para a degradação da floresta. O estudo reforça a pressão por maior rastreabilidade e adoção de critérios ambientais no setor, especialmente diante de exigências de mercados internacionais e acordos de preservação.
Impacto e reação
A divulgação do resultado coloca os frigoríficos em alerta, já que grandes compradores, como redes de supermercados e exportadores, têm priorizado fornecedores com certificações sustentáveis. Enquanto isso, organizações ambientais cobram fiscalização mais rígida e políticas públicas que vinculem a produção pecuária à conservação da Amazônia acreana.
Dados Alarmantes
Dois frigoríficos acreanos estão entre os piores avaliados no Radar Verde 2024, estudo que analisa práticas sustentáveis no setor de carne bovina:
- Frisacre Frigorífico
- Nota: 0 (controle de fornecedores)
- Área de risco: 1.603.338 hectares (equivalente a 10x a cidade de São Paulo)
- Frigonorte Acre
- Nota: 0
- Área de risco: 104.036 hectares
Contexto do Estudo
- Metodologia: Avalia 134 frigoríficos brasileiros em:
- Rastreabilidade da cadeia
- Bloqueio a fornecedores em áreas desmatadas
- Transparência de dados
- Melhores notas: Marfrig (96,8), Minerva (94,4) e Rio Maria (92,2)
- Critério “nota zero”: Falta total de políticas para evitar carne ligada ao desmatamento
Impactos e Repercussões
Risco comercial:
- Frigoríficos podem perder mercados internacionais (UE e EUA exigem comprovação de origem sustentável)
Ambiental:
- Acre tem 94% do território na Amazônia Legal
- Desmatamento para pecuária é principal vetor de perda florestal no bioma
O Que Dizem os Especialistas?
“Nota zero significa que não há qualquer sistema para identificar se a carne vem de áreas desmatadas. É inaceitável em 2024”
— Breno Herrera, coordenador do Radar Verde
Próximos Passos
- MP-AC pode abrir investigação sobre violação de acordos ambientais
- Sindicatos rurais pressionam por capacitação em rastreabilidade
- Compradores internacionais monitoram caso
Grau de Exposição ao Risco de Desmatamento
O Radar Verde avalia também o Grau de Exposição ao Risco de Desmatamento, que mede a área com fatores de risco de desmatamento nas zonas potenciais de compra de gado das empresas. Estes fatores incluem desmatamento recente, áreas embargadas por desmatamento ilegal e risco de desmatamento no curto prazo.
Até o fechamento desta matéria, as empresas não se pronunciaram sobre o estudo. O caso deve reacender o debate sobre a responsabilidade socioambiental do setor agropecuário no Acre e na região amazônica.

Operação da empresa na região: das 24 plantas frigoríficas que a JBS possui na Amazônia, 21 estão em atividade. A maioria das outras empresas do setor possui apenas uma unidade na região. Foto: cedida
De acordo com o novo relatório, os cinco frigoríficos com maior Grau de Exposição ao Risco de Desmatamento são, nesta ordem: JBS, Frigo Manaus, Frialto, Masterboi e Amazon Boi.
A JBS é a empresa mais exposta ao risco, com cerca de 11,5 milhões de hectares — uma área maior do que o estado de Santa Catarina. Essa alta exposição, que é o dobro da segunda colocada, está diretamente relacionada à escala de operação da empresa na região: das 24 plantas frigoríficas que a JBS possui na Amazônia, 21 estão em atividade. A maioria das outras empresas do setor possui apenas uma unidade na região.
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