Ao longo de 2025, a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) consolidou um ano marcado pela ampliação do diálogo, da presença institucional e da execução de políticas públicas nos territórios indígenas do Acre. Sob a liderança da secretária Francisca Arara, a atuação da pasta aproximou o governo das comunidades indígenas, com visitas do governador Gladson Camelí a terras indígenas (TIs) — mais de uma dezena, ao longo do ano — e a realização de três grandes fóruns com lideranças das 36 TIs do estado, fortalecendo a escuta qualificada e a construção conjunta de soluções para os povos.
Sepi realizou diversos festivais indígenas durante o ano. Foto: Diego Gurgel/Secom
Esse diálogo se traduziu em ações estruturantes. Este ano, a Sepi realizou oito pré-consultas em oito territórios indígenas e seis consultas formais distribuídas em cinco regionais do Acre, assegurando que as decisões respeitassem os protocolos comunitários. Todas as políticas executadas pela secretaria seguiram as diretrizes da gestão territorial e ambiental indígena, alinhadas aos planos de gestão dos próprios territórios. O foco foi o fortalecimento institucional e a autonomia das organizações indígenas, o respeito aos conhecimentos tradicionais, a garantia da segurança alimentar e a geração de renda sustentável.
“O ano de 2025 foi marcado por muito diálogo e presença do governo nos territórios indígenas. Nós ampliamos a escuta, fortalecemos a relação de confiança e garantimos que as políticas públicas fossem construídas com os povos indígenas, respeitando seus modos de vida, seus conhecimentos tradicionais e seus planos de gestão territorial e ambiental”, diz a secretária Francisca Arara.
Acre sediou oficina sobre gestão territorial e ambiental de terras indígenas. Cleilton Lopes/Secom
Em outubro desse ano, o foi realizada a 3ª Oficina de Governança Regional realizada no Centro de Formação Indígena, em Rio Branco. Maria Júlia Yawanawa Kanamani, da terra indígena Rio Gregório, no município de Tarauacá, falou sobre a importância da oficina para sua população.
“Essa oficina é uma oficina muito importante, porque existem várias realidades diferentes dentro dos nossos territórios. É um momento de aprendizagem, de compartilhar, de saber a realidade do outro e juntos a gente pensar que rumo nós vamos tomar para que as políticas públicas possam beneficiar a todos, de forma que aquelas que não estão em áreas de ameaça, mas que possam desenvolver os seus projetos, como por exemplo a preservação do seu território”, comentou Kanamani durante o evento.
Diálogo e fortalecimento de ações
Como resultado desse trabalho, foram firmados nove termos de fomento com organizações da sociedade civil, sendo que uma delas agregou três projetos, totalizando 12 iniciativas executadas diretamente pelas associações indígenas. Os recursos foram repassados para as contas das próprias organizações, que passaram a gerenciar investimentos destinados à aquisição de barcos motorizados, instalação de internet via satélite, construção de galinheiros, compra de pequenos animais, como galinhas caipiras e suínos, além da aquisição de equipamentos como roçadeiras, para manutenção dos sistemas agroflorestais (SAFs). As ações contribuíram para a melhoria da segurança alimentar, o fortalecimento da merenda regionalizada e o aumento da autonomia produtiva das comunidades.
“Quando fortalecemos as associações indígenas e repassamos os recursos diretamente para que façam a gestão, estamos promovendo autonomia, segurança alimentar e geração de renda. Barcos, sistemas de água, apoio à produção e aos sistemas agroflorestais significam dignidade, qualidade de vida e permanência dos povos indígenas em seus territórios”, acrescenta a secretária.
Barcos adquiridos facilitaram o deslocamento em territórios de difícil acesso. Foto: Amaaaiac
Gestão participativa e acolhedora
A logística e o acesso aos serviços básicos também estiveram entre as prioridades da Sepi. Os barcos adquiridos facilitaram o deslocamento em territórios de difícil acesso e reduziram o isolamento geográfico das comunidades. Paralelamente, foram apoiadas a instalação de poços artesianos e a construção de cacimbas, garantindo acesso à água potável em um contexto de eventos climáticos extremos, que afetam direta e indiretamente os povos indígenas do Acre.
Agentes agroflorestais
Outro destaque de 2025 foi o pagamento do incentivo-bolsa a 147 agentes agroflorestais indígenas, distribuídos em 28 terras indígenas. Esses agentes desempenham papel fundamental na sensibilização, educação ambiental e fortalecimento das práticas sustentáveis nos territórios. A experiência acreana, reconhecida como pioneira, reforça o protagonismo indígena na proteção ambiental e no enfrentamento às mudanças climáticas, consolidando os territórios indígenas como barreiras naturais contra o desmatamento e as queimadas.
Projeto Regional das Secretarias de Povos Indígenas tem objetivo de pleitear R$ 125 milhões com instituições financeiras. Foto: Pedro Devani/Secom
Participação na COP30 e captação de recursos
A Sepi teve participação ativa na COP30, com a presença da secretária Francisca Arara em diversos painéis estratégicos voltados à pauta indígena, ambiental e climática. Durante os debates, a secretária apresentou a experiência do Acre na construção de políticas públicas baseadas na gestão territorial e ambiental indígena, destacando o protagonismo dos povos indígenas na proteção da floresta, no enfrentamento às mudanças climáticas e na promoção do desenvolvimento sustentável.
Nos painéis, Francisca Arara reforçou a importância do diálogo permanente entre governos e povos indígenas, da valorização dos conhecimentos tradicionais e do fortalecimento institucional das organizações indígenas.
“Os territórios indígenas são fundamentais para a proteção da floresta, para o enfrentamento das queimadas e do desmatamento. Levar a experiência do Acre para espaços como a COP30 e garantir apoio aos festivais culturais é reconhecer que um povo com sua cultura viva é um povo forte, que protege o meio ambiente e constrói um futuro sustentável para todos”, observa.
A participação da Sepi na COP30 também foi fundamental para dar visibilidade internacional às ações desenvolvidas no Acre, ampliar articulações com governos, organismos financiadores e parceiros estratégicos, além de defender a destinação de recursos para a implementação de planos de gestão territorial e ambiental, segurança alimentar, proteção dos territórios e melhoria da qualidade de vida das comunidades indígenas.
Ainda na COP30, no campo da articulação regional e da captação de recursos, a secretaria teve papel estratégico no âmbito do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal (CAL), por meio da Câmara Setorial de Povos Indígenas, também liderada pela secretária Francisca Arara.
A Sepi e as demais secretarias de povos indígenas da Amazônia Legal pleitearam, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 125 milhões para investimentos em capacitação de técnicos, estruturação institucional das secretarias e implementação dos planos de gestão territorial e ambiental. Os recursos vão apoiar sistemas agroflorestais, aquisição de equipamentos e combustíveis, apoio a festivais culturais e construção de poços e cacimbas, além de suporte logístico com transporte aéreo, fluvial e terrestre.
Festival Atsa Puyanawa é aberto com cerimônia que exalta a espiritualidade e os saberes ancestrais. Foto: Diego Silva/Secom
Valorização cultural
A valorização cultural também marcou a atuação da Sepi em 2025. Ao todo, 21 festivais indígenas foram apoiados nos territórios, fortalecendo línguas originárias, cantos, saberes tradicionais, culinária, pinturas corporais e práticas culturais. Além de preservar identidades, os festivais promoveram intercâmbio entre povos e geração de renda local. Reconhecendo sua importância, o governo do Acre incorporou esses eventos ao calendário oficial do Estado.
Foram realizadas oficinas para os servidores da secretaria. Foto: Arquivo Sepi
Apoio e suporte a servidores da secretaria
Internamente, a secretaria investiu na melhoria da gestão, com a realização de três oficinas de planejamento com servidores, com foco em agilizar processos e ampliar a capacidade de entrega das políticas públicas.
A retrospectiva de 2025 evidencia que a atuação da Sepi foi além da execução de projetos: consolidou um modelo de governança baseado no diálogo permanente, no respeito aos territórios e na valorização dos povos indígenas como protagonistas da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável do Acre.
Confusão envolveu homens e mulheres em plena via pública; Polícia Militar foi acionada para conter a situação
Uma briga generalizada foi registrada na tarde desta terça-feira (3) no bairro Saboeiro, em Cruzeiro do Sul. A confusão, que envolveu homens e mulheres, chamou a atenção de moradores e provocou momentos de tensão na região.
Segundo testemunhas, o desentendimento começou de forma repentina e, em poucos minutos, tomou maiores proporções. Gritos, empurrões e agressões foram presenciados por quem passava pelo local, aumentando a sensação de insegurança entre os moradores.
A Polícia Militar do Acre foi acionada e enviou uma guarnição até o endereço. Os policiais conseguiram dispersar os envolvidos e controlar a situação.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre feridos ou detidos. O caso deverá ser apurado pelas autoridades para esclarecer as causas da confusão.
A Prefeitura de Rio Branco recebeu na manhã desta terça-feira (3), a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Carlos Aragão. O encontro, realizado no auditório da Federação do Comércio, foi marcado pelo anúncio de investimentos estratégicos e pela apresentação de mecanismos de acesso a recursos públicos voltados à modernização de processos, desenvolvimento de novos produtos e ampliação da competitividade das empresas locais, com foco na economia criativa.
Investimentos para o Desenvolvimento Econômico e Inovador
Carlos Aragão ressaltou que os 13 editais de subvenção, em fluxo contínuo, vão apoiar projetos inovadores e fortalecer a economia do Acre. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O Governo Federal, anunciou a destinação de R$ 50 milhões exclusivamente para empresas da Região Norte, incluindo o Acre, por meio da Subvenção Econômica Regional. Além disso, foi lançado o Programa Centelha III, que visa estimular o surgimento de novos empreendimentos inovadores.
Carlos Aragão enfatizou a importância do momento para o fortalecimento do setor produtivo acreano. “Recentemente, lançamos 13 editais de subvenção econômica, que funcionam em fluxo contínuo, ou seja, os projetos são apresentados, avaliados e, se tiverem mérito, são apoiados. Esperamos que essas empresas se transformem em produtores inovadores, contribuindo diretamente para a economia do Acre”, destacou.
Conectividade e Inclusão Digital
Outro destaque da agenda foi a ampliação da infraestrutura digital em Rio Branco, com a implantação de redes de fibra óptica de alta velocidade, incluindo a instalação de cabos subfluviais nos leitos dos rios, para conectar regiões remotas da Amazônia a serviços de internet de qualidade. Essa infraestrutura será vital para escolas, hospitais e órgãos públicos, garantindo mais inclusão digital e acesso a informações de qualidade.
“Desde o primeiro mandato, priorizamos ciência e tecnologia nas escolas e na gestão. Com as novas infovias, teremos internet mais rápida e estável para impulsionar a pesquisa e a tecnologia na cidade”, afirmou o prefeito. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, ressaltou que a ampliação da infraestrutura digital reforça o trabalho da gestão municipal, especialmente com o programa Conecta Rio Branco, que já oferece internet gratuita em diversos pontos da cidade.
“Desde o meu primeiro mandato, colocamos a ciência e a tecnologia como prioridade nas nossas escolas e unidades de gestão. Agora, com as novas infovias, teremos internet mais rápida, estável e de qualidade, essencial para incentivar a pesquisa e fomentar a tecnologia em nossa cidade”, afirmou o prefeito.
Integração da Amazônia
“A desigualdade regional precisa ser enfrentada. Já investimos R$ 109 milhões em ciência, tecnologia e inovação, fortalecendo universidades, bioeconomia e levando robótica e tecnologias da indústria 4.0 às escolas”, explicou a ministra. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
A ministra Luciana Santos reforçou a importância desses investimentos para a integração da Amazônia com a agenda nacional de inovação e desenvolvimento.
“A desigualdade regional precisa ser enfrentada. Em pouco mais de três anos, já investimos R$ 109 milhões em ciência, tecnologia e inovação. Esses recursos são destinados à infraestrutura das universidades, das instituições federais e à bioeconomia, com o objetivo de gerar emprego e renda de qualidade. A ciência nas escolas significa oferecer acesso à robótica, microeletrônica e às tecnologias da indústria 4.0”, explicou a ministra.
Infovia do Acre
Com os novos investimentos, a Infovia do Acre passará a contar com 960 quilômetros de cabos de fibra óptica, interligando Rio Branco aos municípios de Assis Brasil e Cruzeiro do Sul, por meio das rodovias BR-364 e BR-317.
Esta iniciativa ampliará significativamente a infraestrutura digital no estado, garantindo mais conectividade, inclusão tecnológica e criando novas oportunidades de desenvolvimento econômico e social para toda a região.
A Prefeitura de Rio Branco segue avançando no fortalecimento da cadeia produtiva do café e já colhe resultados positivos com a atração de investidores interessados na comercialização da produção local. Na manhã desta terça-feira (3), o prefeito Tião Bocalom recebeu, em seu gabinete, o empresário Marco Antônio Gomes, do estado de Rondônia, que veio conhecer de perto o potencial do café produzido na capital e na região.
Durante o encontro, o investidor destacou a excelente qualidade do café acreano e a alta produtividade das lavouras, ressaltando o padrão de excelência do produto.
“Logo na primeira amostra vimos que é um café padrão 1, de excelência. Produz mais, com menor custo, e garante melhor retorno ao produtor”, afirmou o empresário. (Foto: Wilkes Silva/Secom)
“Um café bom por sinal. Nós vimos a qualidade logo na primeira amostra e percebemos que é um café de padrão 1, um café de excelência. Isso nos animou bastante. O Acre tem uma terra muito boa, e em algumas regiões nem precisa de irrigação. Isso aumenta a produtividade e reduz os custos para o produtor. É algo de encher os olhos. Produz mais, com custo menor, e o dinheiro fica melhor no bolso do produtor. Esse é o nosso objetivo”, afirmou o empresário.
A produção de café vem se consolidando como uma alternativa estratégica de geração de renda para o homem do campo. A gestão municipal tem investido em parcerias e ações voltadas à ampliação do cultivo, buscando fortalecer a cadeia produtiva e valorizar ainda mais a produção local.
O prefeito Tião Bocalom ressaltou que sempre defendeu o incentivo à cultura do café no Acre e comemorou o momento de expansão da atividade, que já começa a atrair empresários experientes do setor.
“Desde 1993 acredito no potencial do café em Acrelândia. Hoje a produção tem qualidade reconhecida e já atrai investidores como o Jacaré”, destacou o gestor. (Foto: Wilkes Silva/Secom)
“Desde1993, eu já incentivava o café em Acrelândia. Se existe alguém neste Acre que sempre acreditou que o café daria certo aqui, esse alguém sou eu. Fico feliz em saber que hoje já temos uma produção voltada para o mercado, com qualidade reconhecida, e que isso começa a atrair novos investidores. É o caso do Jacaré, que tem mais de 40 anos de atuação no mercado de café em Rondônia e agora vem instalar um escritório em Acrelândia para comprar café não só do município, mas de todo o estado”, destacou o gestor.
A Prefeitura também reforça que, por meio da Secretaria Municipal de Agropecuária, garante assistência técnica e mecanizada aos produtores do município, assegurando melhores condições de trabalho, aumento da produtividade e a manutenção da qualidade de vida do homem no campo.
O fortalecimento da cafeicultura representa mais uma alternativa concreta de geração de emprego e renda, consolidando Rio Branco e o Acre como uma nova fronteira promissora na produção de café de qualidade.
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