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Réu por homicídio de indígena é executado antes do julgamento
Corpo de Izaqueu Souza foi encontrado em cova rasa em Feijó; polícia investiga possível “queima de arquivo”
O assassinato de Izaqueu Souza Oliveira, um dos réus denunciados pela morte do indígena Ribamar Kaxinawá, transformou-se em mistério para a Polícia Civil de Feijó. O acusado, que respondia ao processo em liberdade, deveria participar por videoconferência do júri popular, realizado nos dias 1º e 2 de setembro, na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, após pedido de desaforamento.
No entanto, Izaqueu não compareceu à sessão. Ele havia desaparecido na noite de domingo (31), véspera do julgamento, e seu corpo foi localizado 24 horas depois, em uma cova rasa próxima a um igarapé no bairro Vitória, em Feijó. A vítima apresentava diversas perfurações por faca e sinais de decapitação.

Segundo a denúncia, Izaqueu era apontado como um dos executores diretos do crime contra o indígena. Seu interrogatório poderia esclarecer pontos-chave da investigação, incluindo o possível envolvimento de outros suspeitos.
Mesmo já morto, o réu acabou sendo condenado a 34 anos de prisão pelos crimes de homicídio, integração a organização criminosa e corrupção de menores. No julgamento, onze acusados foram sentenciados: cinco por homicídio, corrupção de menores e participação em organização criminosa; os demais, por corrupção de menores e integrar facção.
A Polícia Civil de Feijó investiga se a execução de Izaqueu foi uma ação de “queima de arquivo” para impedir revelações durante o júri.
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Tráfico e crimes ambientais expandem violência para o Acre, aponta estudo
Levantamento do projeto Amazônia 2030 revela que o estado já está inserido na nova dinâmica do crime organizado na região; participação de facções em homicídios saltou de 29% para 56% a partir de 2018

O estudo mostra que a violência na Amazônia não ocorre de forma isolada, mas está diretamente ligada a diferentes ciclos de atividades ilegais. Foto: captada
Avanço do tráfico de drogas e de atividades ilegais na Amazônia atinge o Acre, aponta pesquisa
Com assessoria
Um estudo do projeto Amazônia 2030, publicado no último mês de março, aponta que a violência na região amazônica tem avançado para áreas antes consideradas mais isoladas, como o Acre, acompanhando a expansão do tráfico de drogas, da atuação de facções criminosas e de crimes ambientais.
De acordo com o relatório “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, a partir da década de 2010, estados como Amazonas e Acre passaram a registrar aumento nos índices de homicídios, refletindo um processo de interiorização da violência que já havia atingido outras partes da Amazônia Legal.
Nos anos 2000, os conflitos estavam mais associados à exploração ilegal de madeira. Em seguida, ganharam força a grilagem de terras e o garimpo ilegal. Já nos últimos anos, o protagonismo passou a ser do tráfico de drogas e das facções criminosas.
“A violência na Amazônia acompanhou a transformação dos mercados ilegais, saindo de conflitos locais para uma dinâmica conectada ao crime organizado”, diz o estudo.
Essa mudança, segundo os pesquisadores, tornou o cenário mais complexo, conectando municípios pequenos e remotos a redes nacionais e internacionais do crime.
Amazônia supera média nacional de homicídios
Os dados revelam que a violência na Amazônia Legal cresceu mais rapidamente do que no restante do país. Em 2023, municípios pequenos da região registraram cerca de 30 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a média em áreas semelhantes fora da Amazônia ficou em torno de 20.
Entre 1999 e 2023, foram contabilizados mais de 18 mil homicídios acima do esperado para a região, evidenciando um descolamento significativo em relação ao restante do Brasil.
Um dos principais destaques do estudo é o papel crescente das facções criminosas. A partir de 2018, há um salto no número de homicídios associado à consolidação das rotas do tráfico de drogas, especialmente pelos rios da Amazônia.
Segundo o levantamento, a participação das facções nos homicídios ligados a fatores de risco saltou de 29% até 2017 para 56% no período entre 2018 e 2023.
“Mais da metade da violência recente na Amazônia já está ligada à atuação de facções criminosas e ao controle de rotas do tráfico.”
Esse avanço está ligado à mudança das rotas do tráfico, que passaram a utilizar cada vez mais as hidrovias da região, alcançando comunidades antes isoladas e ampliando a presença do crime organizado.
Acre entra na nova dinâmica da violência
Embora não detalhe municípios específicos, o estudo indica que o Acre já está inserido nesse novo cenário, tanto pela expansão geográfica da violência quanto pela presença de múltiplos fatores de risco associados à ilegalidade.
Mapas apresentados no relatório mostram que o estado aparece com nível relevante de exposição a esses fatores, o que indica maior vulnerabilidade ao avanço da violência.
Acre já está inserido na nova dinâmica
Embora não detalhe municípios específicos, o estudo indica que o Acre já está inserido nesse novo cenário, tanto pela expansão geográfica da violência quanto pela presença de múltiplos fatores de risco associados à ilegalidade. Mapas apresentados no relatório mostram que o estado aparece com nível relevante de exposição a esses fatores, o que indica maior vulnerabilidade ao avanço da violência.
Quem são os autores
O estudo foi elaborado pelos economistas Leila Pereira, professora da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora nas áreas de desenvolvimento, meio ambiente e economia do crime; Rafael Pucci, também professor da USP, com atuação em economia aplicada e violência; e Rodrigo Soares, professor do Insper, com passagem por universidades internacionais como Columbia e referência em estudos sobre economia e criminalidade.
Medidas tradicionais são insuficientes
Os pesquisadores alertam que estratégias tradicionais, como fiscalização ambiental e regularização fundiária, já não são suficientes para conter a violência na região. “Diante da atuação crescente do crime organizado, o enfrentamento do problema exige ações integradas, envolvendo segurança pública, controle territorial, políticas ambientais e cooperação entre diferentes níveis de governo.”

Embora não detalhe municípios específicos, o estudo indica que o Acre já está inserido nesse novo cenário, tanto pela expansão geográfica da violência quanto pela presença de múltiplos fatores de risco associados à ilegalidade. Foto: captada




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