Brasil
Políticos brasileiros têm WhatsApp clonado e desconfiam de “grampo” em aplicativo
Um mistério atormenta políticos que circulam pelo Congresso Nacional e gera desconfiança crescente: de 2016 até agora, dezenas de parlamentares tiveram o aplicativo de mensagens WhatsApp clonado por golpistas.
De acordo com levantamento feito pelo UOL, pelo menos 20 políticos, a maioria deles deputados federais, tiveram o aplicativo clonado no período em questão. Diante deste cenário, a Polícia Legislativa emitiu um comunicado a todos os deputados federais e senadores recomendando que instalem a verificação por senha e e-mail no aplicativo o quanto antes, o que dificulta a invasão ou clonagem.
Pior, de acordo com o que alguns congressistas disseram à reportagem, é o receio de que, se é possível invadir o aplicativo para tentar aplicar um golpe ou extorsão, como aconteceu nos casos que vieram à tona, também é possível espionar seu conteúdo. E eles estão certos. “O WhatsApp é um aplicativo muito seguro, mas os telefones celulares não são”, diz Emílio Simoni, diretor do DFNDR Lab da Psafe, empresa especializada em segurança digital, para resumir a situação.
“Geralmente, as clonagens são utilizadas para aplicação de golpes e extorsão, mas em tese é possível utilizar as técnicas para capturar o conteúdo de mensagens e mídia do WhatsApp em trabalhos de inteligência criminosa e espionagem. Os parlamentares não estão ficando paranoicos não. Agora, se isso está mesmo ocorrendo, é outra história”, diz o especialista em segurança. “A maioria das pessoas pensa que esta história de hacker só acontece no exterior e isso não é verdade. Os hackers brasileiros estão entre os melhores do mundo.”
Polícia Federal diz que investiga os casos
Para o ministro Carlos Marun (MDB-MS), da Secretaria de Governo, um dos afetados pela clonagem do WhatsApp, a situação é complicada. “Fui vítima da clonagem e fiquei sem acesso ao meu WhatsApp por mais de seis meses”, afirma o ministro, vítima do golpe no início do ano passado, enquanto ainda exercia o mandato de deputado federal.
“Além do contratempo de ficar sem uma das principais ferramentas de comunicação que utilizamos hoje em dia e de ter sido vítima de um golpe, fica também uma sensação de violação da intimidade e da privacidade. Agora, quem é que me garante que meu aplicativo não é bisbilhotado por aí?”, questiona o ministro.
Ele reclama que entrou em contato com a equipe do aplicativo diversas vezes até conseguir demonstrar o problema e recuperar o acesso à própria conta (leia o posicionamento do WhatsApp mais abaixo).
Marun conta que registrou uma denúncia na Polícia Federal, mas não teve mais notícias sobre o caso. “Parece que a coisa ficou meio parada por lá.” Outros parlamentares afirmam que também pediram providências à PF.
Em nota enviada ao UOL, por meio de sua assessoria de imprensa, a PF afirma que está investigando o caso e, por isso mesmo, não iria comentar.
Ameaça de expor pornografia de celular de deputado
Outra vítima foi o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que teve o aplicativo de mensagens clonado no início deste ano. “É um absurdo e ninguém sabe ainda a extensão destas invasões, deste tipo de ataque”, diz. “Vou fazer uma representação ao MPF [Ministério Público Federal] pedindo que obrigue o WhatsApp a ter uma representação efetiva para atender aos clientes no Brasil. Esse canal não existe e levou dez dias para conseguir falar com eles e obter uma solução”, afirma Teixeira.
O deputado conta que teve as contas clonadas em quatro números de celular e aparelhos diferentes e que uma pessoa de sua lista de contatos chegou a depositar R$ 600 para o golpista que pediu dinheiro em seu nome. Ele denunciou o caso à Polícia Legislativa e disse que está cobrando a operadora pelo prejuízo, já que no caso dele os golpistas aparentemente conseguiram registrar os números dele em outros chips.
“Essa situação de desconfiança está tirando o sono de muita gente”, afirma um deputado que pediu para não ser identificado na reportagem. Ele foi vítima de uma invasão no aplicativo de mensagens e de uma tentativa de extorsão. “Não tinha corrupção lá dentro, não, se é o que você quer saber”, diz o parlamentar.
“O que existia era alguma pornografia compartilhada em grupos de amigos, e o golpista ameaçou expor. Eu nem tinha compartilhado nada e não me preocupei”, conta ele. “Falei que era deputado e que ia entregar o caso para a PF, nunca mais me procurou e eu mudei o aparelho, a linha e a conta no aplicativo de mensagens”, diz. “Agora, imagina quem tem o que não deve registrado ali? Não dorme em paz nunca mais”, afirma, em tom de brincadeira.
De acordo com o levantamento feito pelo UOL -junto aos próprios parlamentares, grupos de WhatsApp de partidos políticos, mensagens em redes sociais e notícias veiculadas na imprensa–, políticos de todos os matizes ideológicos e de partidos diferentes foram vítimas de clonagem e golpes no WhatsApp. Há ao menos vítimas de PT, PSDB, PMDB, PR, PSB e PSC.
Compartilhamentos perigosos
De acordo com Simoni, o diretor do DFNDR Lab, os golpes no WhatsApp acontecem, principalmente, por meio do compartilhamento (em grupos ou em contatos diretos) de links com vírus ou outros códigos maliciosos. Quando o usuário clica no link suspeito, o hacker consegue instalar programas no celular que roubam dados pessoais e bancários, além do conteúdo de mensagens em aplicativos e as fotos, vídeos e documentos salvos no aparelho e nas nuvens a ele associadas.
“Quem usa o sistema operacional Android, que por ser o mais usado é também o mais atacado, tem que ter um antivírus instalado, é primordial essa proteção”, afirm
“Nesta modalidade, o hacker não apenas obtém o conteúdo de conversas e mídias, ele assume o controle do celular e passa a interagir com os contatos da vítima, geralmente para pedir dinheiro em nome dela”, diz o especialista em segurança. “Mas não só para isso. Neste tipo de golpe também é comum o invasor tentar chantagear a vítima com a ameaça de expor aos contatos salvos no aparelho alguma foto ou conteúdo comprometedor”, afirma ele.
Para tanto, é necessário conseguir mudar o registro do número do telefone do original para um chip em posse do hacker. Depois ele instala o WhatsApp no aparelho, que associará o chip à conta e permitirá o acesso ao aplicativo. “Por isso é tão importante instalar a verificação com senha e e-mail, fica praticamente impossível de invadir”, afirma Simoni.
“Usando as mesmas técnicas, seja por vírus ou registro de chip, é possível invadir o WhatsApp e outros aplicativos não para golpes, mas para fins de espionagem industrial, por exemplo. Essa é uma preocupação constante em grandes empresas. Me parece natural que o mesmo problema possa afetar políticos.”
Ele pondera que este é um golpe sofisticado e que geralmente as vítimas são escolhidas a dedo. “Por depender da ação coordenada de uma quadrilha, com gente dentro da operadora, as vítimas são escolhidas nominalmente, não tem como fazer isso em massa de forma automática que nem no caso dos links maliciosos”, diz.
O especialista explica que, no laboratório de segurança que comanda, a popularização das invasões no WhatsApp foi percebida a partir de meados de 2016 e só aumentou até hoje. De acordo com levantamento da Psafe, os brasileiros clicam, em média, em oito links maliciosos a cada segundo. No último trimestre do ano passado, foram mais de 66 milhões de ataques virtuais registrados no Brasil.
WhatsApp oferece canal de denúncia
Procurado pela reportagem, o WhatsApp mandou um link a partir do qual os usuários podem denunciar “clonagem ou algum uso errôneo” da sua conta no aplicativo. A empresa informa também que possui 1,2 bilhão de usuários no mundo e 120 milhões no Brasil e que sua prioridade é criar um ambiente seguro para os usuários se comunicarem.
A assessoria de imprensa do aplicativo dá algumas dicas de segurança (veja abaixo). Entre elas, estão a de desconfiar de mensagens com erros gramaticais ou de grafia e evitar acessar links de origem desconhecida.
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Mega-Sena 2971 acumula e prêmio chega a R$ 55 milhões. Veja números

Após o sorteio do concurso 2971 da Mega-Sena, na noite desta terça-feira (10/2), a Caixa Econômica Federal informou que o sorteio acumulou e que a estimativa do prêmio principal subiu para R$ 55 milhões.
Nenhuma aposta acertou as seis dezenas. Apesar disso, 33 jogos completaram cinco acertos, levando cada um o prêmio de R$ 65.041,25, e 2.294 apostas chegaram a quatro acertos, com um prêmio de R$ 1.542,26, cada.
Além da Mega, os concursos 6950 da Quina e 2354 da Timemania também acumularam. Os valores sorteados subiram para R$ 16,5 milhões e R$ 6,2 milhões, respectivamente.
Os próximos sorteios ocorrerão nesta quinta-feira (12/2).
- Mega-Sena:
01 – 27 – 39 – 40 – 46 – 56;
- Lotofácil:
03 – 05 – 01 – 10 – 22 – 24 – 08 – 13 – 14 – 17 – 20 – 23 – 07 – 25 – 21;
Quina:
01 – 24 – 47 – 06 – 60;
- Timemania:
07 – 36 – 16 – 73 – 06 – 29 – 51;
Time do coração: 70 – São José/RS .
- Dia de Sorte:
29 – 13 – 21 – 22 – 28 – 12 – 08;
Mês da sorte: 10 – Outubro.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Ré por injúria racial, advogada argentina diz que não teve intenção

A advogada e influenciadora argentina Agostina Páez, de 29 anos, ré por injúria racial contra funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, voltou a se pronunciar sobre o caso. Em entrevista ao programa El Trece TV, da Argentina, ela afirmou que não teve intenção de cometer racismo e disse que não imaginava a repercussão do episódio.
Segundo Páez, a situação ocorreu em um “momento emocional”. “Nunca tive a intenção de discriminar, muito menos de ser racista. Nunca. Foi uma reação emocional. Jamais imaginei a gravidade de tudo aquilo e do que veio depois — o medo de sair na rua, de que algo pudesse me acontecer”, declarou.
Entenda o caso
- O episódio aconteceu em 14 de janeiro, após uma discussão entre a turista e o gerente do estabelecimento, motivada, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), por um suposto erro no pagamento da conta.
- Imagens registradas no local mostram Agostina Páez dirigindo ofensas a um funcionário do bar, utilizando o termo “mono” (macaco, em espanhol), além de gestos que simulam um primata.
- Em depoimento à polícia, a argentina alegou que se tratava apenas de “uma brincadeira” com amigas e afirmou não saber que os gestos e as palavras configuravam crime no Brasil. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a influenciadora fazendo os gestos enquanto é repreendida por pessoas que a acompanham.
- Na última sexta-feira (6/2), a Justiça do Rio de Janeiro determinou a soltura da advogada, que havia sido presa horas antes, em Vargem Pequena, na zona oeste da capital fluminense, após o cumprimento de mandado judicial.
- A decisão foi da 37ª Vara Criminal, a mesma que havia decretado a prisão preventiva. Apesar da soltura, Agostina Páez segue em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, está proibida de deixar o Brasil e deve cumprir medidas cautelares enquanto responde ao processo.
Críticas à polícia e pedido para voltar à Argentina
Durante a entrevista, Páez criticou a atuação de um policial brasileiro envolvido no caso. Segundo ela, um dos agentes teria dificultado o andamento do processo.
“Há um em particular que me fez sofrer durante todo esse tempo. Ele coloca obstáculos, faz coisas que não deveria fazer”, afirmou.
A advogada disse ainda que deseja retornar à Argentina e acompanhar o processo à distância. Segundo ela, a defesa solicitou as imagens completas das câmeras de segurança do bar, mas recebeu apenas parte do material inicialmente.
Páez também afirmou que está sendo alvo de um julgamento público antecipado, antes de qualquer decisão judicial, e que novas denúncias surgidas após o episódio fariam parte de uma tentativa de construção de uma imagem negativa.
O caso segue sob investigação da PCERJ e tramita na Justiça fluminense. A defesa sustenta que não houve intenção discriminatória, enquanto o Ministério Público (MPRJ) mantém a acusação de injúria racial, com base nas imagens e nos relatos das vítimas.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Médico que cobrava por cirurgias do SUS é condenado a 10 anos
O médico exigiu e recebeu pagamentos de pacientes e familiares para fazer cirurgias pelo SUS. As cobranças ocorreram entre 2015 e 2017 e variavam de R$ 50 a R$ 200

Um médico ortopedista foi condenado a dez anos de prisão por cobrar de pacientes procedimentos realizados exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Toledo, no oeste do Paraná. A decisão foi proferida pela Justiça nesta terça-feira (10/2), após denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR).
Segundo o MP, o médico exigiu e recebeu pagamentos de pacientes e familiares para fazer cirurgias pelo SUS. As cobranças ocorreram entre 2015 e 2017 e variavam de R$ 50 a R$ 200. Ao todo, 11 episódios foram enquadrados como crime de corrupção passiva.
De acordo com as investigações, os valores eram solicitados durante consultas ou no próprio ambiente hospitalar. O profissional alegava que o dinheiro seria destinado ao pagamento de anestesista ou de serviços supostamente não cobertos pelo SUS.
O Ministério Público afirma que muitos pacientes não tinham condições financeiras de arcar com as cobranças e chegaram a contrair dívidas para conseguir realizar os procedimentos médicos.
Além da pena de dez anos de reclusão em regime inicial fechado, o homem foi condenado a pagar 250 dias-multa. Cada dia-multa corresponde a meio salário mínimo vigente à época dos fatos apurados, podendo ultrapassar R$ 100 mil.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL




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