Brasil
Passado ‘gastador’ e piora na economia mundial justificam desconfiança do mercado com governo Lula
Aumento nos gastos públicos, aliado à queda conjunta no crescimento dos EUA, da China e da Europa, deixa o mercado financeiro receoso sobre o rumo econômico do terceiro governo de Lula

Passada a eleição presidencial mais acirrada da história do Brasil desde a redemocratização, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou dias a fio realizando pronunciamentos ou concedendo entrevistas coletivas em que tratava sobre a futura gestão econômica de seu terceiro governo. Antes do pleito, a bandeira era de alinhamento da responsabilidade fiscal com a social. Após a o resultado das urnas, o petista mudou o tom. Em 10 de novembro, Lula criticou a disciplina fiscal ao correlacionar a necessidade de manter as contas públicas equalizadas com o sofrimento da população. “Por que toda hora falam que é preciso cortar gastos, é preciso fazer superávit, é preciso cumprir teto de gastos? Vamos mudar alguns conceitos, muitas coisas consideradas como gasto temos que passar a considerar investimento”, disse. Minutos após a fala do presidente eleito, a Bolsa de Valores despencou e o dólar subiu, em uma rápida reação do mercado financeiro. Dias depois, o agora presidente mostrou pouca preocupação com eventuais respostas do setor econômico: “Você tenta desmontar tudo aquilo que faz parte do social e não tira um centavo do sistema financeiro. Se eu falar isso, vai cair a bolsa, o dólar vai aumentar? Paciência”. No entanto, a relação do mandatário do país com a Faria Lima não parece ter mudado mesmo com a posse. Na última segunda-feira, 2, primeiro dia útil do terceiro governo lulista, o Ibovespa fechou em forte queda de 3%, e o dólar registrou alta de 1,5%, cotado a R$ 5,35 e muito acima dos quase R$ 5 em que a moeda norte-americana se encontrava logo após o segundo turno. Segundo especialistas ouvidos pelo site da Jovem Pan, a desconfiança do mercado com a gestão recém-iniciada pode ser explicada pelo passador gastador, a indefinição sobre os rumos da política econômica e o quadro de piora na economia mundial.
Como o mercado enxerga Lula
Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Lisboa, explica que o embate entre os candidatos Lula e Jair Bolsonaro (PL), especialmente no segundo turno, deixou claro que a política econômica do Brasil dividiria-se entre uma visão liberal ou intervencionista. Com isso, segundo o analista, o mercado colocou em seu radar um possível aumento nos gastos públicos, o que ocorreu com a tramitação e promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) “fura-teto”, que liberou um gasto extraordinário do governo federal em quase R$ 170 bilhões neste ano. “Quando [o ex-ministro da Economia, Paulo] Guedes assumiu o governo, havia um problema com a Previdência, que iria explodir a longo prazo por estar deficitária. O mesmo acontecerá agora, o mercado antecipa a realidade e entende que haverá um crescimento dos gastos”, analisa. “Conversa sobre gastos faz com que as taxas de juros futuros aumentem, o dólar suba e a bolsa caia. Para que essas atividades ocorram, é necessário que haja um arcabouço para que a trajetória da dívida que será contraída não comprometa a capacidade de pagamento da dívida a longo prazo”, acrescenta Lucena.
Indefinição na condução econômica
O início de semana para os investidores da Bolsa de Valores começou de maneira tensa, em razão das trombadas da nova gestão da política econômica. Isso porque na segunda-feira, 2, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), havia sinalizado que não queria prorrogaria a desoneração sobre os combustíveis e que, caso a medida fosse prorrogada, que fosse de 30 dias adicionais. O presidente Lula, porém, assinou uma medida provisória (MP) para estender por mais 60 dias o benefício, o que representou a primeira derrota de Haddad no posto. Em seguida, o senador e indicado à presidência da Petrobras, Jean Paul Prates (PT-RN), afirmou que haveria mudanças na política de preços da petroleira em decorrência da troca de governo. Com as falas, o Ibovespa registrou queda de 3,06%; o dólar foi a R$ 5,35. No dia seguinte, terça-feira, 3, o comandante da Fazenda usou um tom crítico para se referir ao juro alto, em uma sinalização de possível interferência no Banco Central, que define a taxa de juro e conquistou a sua independência sob o último governo. Mais tarde, Carlos Lupi, ministro da Previdência, afirmou que seria necessária uma “antirreforma” e que o sistema previdenciário não era deficitário. Minutos após a declaração, o chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), desautorizou Lupi e negou que o governo queira promover mudanças no setor. “Não há nenhuma proposta sendo analisada e pensada neste momento para revisão de reforma, seja previdenciária ou outra. Qualquer proposta só será encaminhada depois da aprovação do presidente da República”, pontuou. Com a confusão, outra reação negativa do mercado com queda de 2,08% e uma alta no dólar, em R$ 5,45.
Em razão do bate-cabeça entre companheiros de Esplanada, Lula convocou uma reunião ministerial para esta sexta-feira, 6, a fim de buscar um alinhamento e dar um freio de arrumação nos primeiros passos de seu terceiro governo. Na abertura do encontro, que também contou com a presença dos três líderes do governo, Randolfe Rodrigues (Congresso), José Guimarães (Câmara) e Jaques Wagner (Senado), Lula disse que quem cometesse algum erro seria convidado a deixar a administração. “Eu não faço distinção e não quero criminalizar a política. Quem fizer errado, sabe que tem só um jeito, a pessoa será simplesmente, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo. Se cometeu algo grave, a pessoa terá que se colocar diante as investigações e da Justiça”, disse o mandatário após cobrar se comprometer com um aumento do ganho salarial aos trabalhadores. Para Rodrigo Moliterno, Head de Renda Variável da Veedha Investimentos, o problema principal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente Lula é a falta de clareza nos próximos passos a respeito da política econômica. Somente assim, diz, o mercado terá um direcionamento e um entendimento de como será o governo: uma continuação dos primeiros mandatos de Lula ou uma sucessão de Dilma Rousseff. “No primeiro mandato, [o mercado] foi mais volátil, mas viu que houve pessoas qualificadas gerindo seus setores e até houve um bom governo, a Bolsa de uma bela corrida. Mas agora, com a posse dos ministros e as falas mais ‘xiitas’ de petistas radicais, o mercado passou a ver como um possível governo Dilma”, disse.
Novas regras fiscais e cenário global
Bandeira constantemente levantada por Lula, a defesa do petista da revogação do teto de gastos produz um contraste com seu pedido de confiança na responsabilidade fiscal, baseado em suas gestões anteriores. Uma medida que conta com forte apoio do mercado financeiro, porém, é o arcabouço fiscal que colocará um “freio” no aumento dos gastos públicos. Haddad reforçou, em seu discurso de posse como titular da Fazenda, a promessa de enviar uma proposta de uma nova âncora fiscal ainda no primeiro semestre e definiu o mês de abril como o início nas discussões com o Congresso Nacional para a aprovação da nova diretriz. Para os economistas consultados pela Jovem Pan, a medida é indispensável. “É impossível qualquer país que queira reduzir a pobreza ter uma taxa de juros igual ou superior a 13%. O mercado entende que a dívida será explosiva e que o Brasil não terá condições de pagar”, afirma Igor Lucena. Já Rodrigo Moliterno pontua que a medida é de “extrema importância e de primeira necessidade”. “Você tem que colocar algo no lugar [do teto de gastos] para não deixar a dívida explodir. Também podemos perder o selo de bom pagador, eles vão ter que entregar [o plano de arcabouço fiscal]. Difícil acreditar que será um governo com gastos controlados, mas estão colocando a bola no chão”, justifica o especialista em renda variável.
Durante o primeiro governo Lula, o petista foi agraciado com uma política externa que o favoreceu na empreitada do aumento de gastos públicos. No início dos anos 2000, a cotação das commodities entraram em um superciclo de alta, o que beneficiou o Brasil, em especial, nos primeiros anos do século. No entanto, o presidente enfrentará, a partir de agora, um cenário internacional adverso, com uma desaceleração econômica simultânea entre as três maiores forças globais, os Estados Unidos, a China e a União Europeia, fato que não ocorria há 40 anos. Lucena acredita que, em decorrência do atual cenário desfavorável, os petistas precisarão se esforçar ainda mais. “Nos gráficos, a taxa de crescimento do Brasil e de boom das commodities são correlatos, e não haverá superciclo no futuro próximo”, ressalta. O economista também relembrou que o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, foi à Câmara dos Deputados e detalhou, ponto a ponto, quais pontos seriam alterados e os benefícios de uma aprovação da Reforma da Previdência, antes de pedir ao atual chefe da pasta, Fernando Haddad, que faça o mesmo e explique as intenções do governo petista. “Estamos precisando só disso, apresente os planos na prática. Não é dizer o que vai melhorar, é apresentar. O grande problema são os extremos. “Temos que entender o grau do intervencionismo para entender se será adequado para acelerar o crescimento, ou se será prejudicial. Falta isso para dizermos se será Lula 3 ou Dilma 3”, finalizou.
Créditos: Jpvem Pan News
Comentários
Brasil
Tecnologia no cotidiano: como o digital facilita a vida em regiões distantes
A transformação digital deixou de ser um privilégio das grandes metrópoles para se tornar realidade também em regiões remotas do Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua revelam que o país conectou 6,1 milhões de novos usuários à internet entre 2022 e 2024, atingindo 89,1% da população com 10 anos ou mais. As regiões Norte e Nordeste lideram essa expansão, com crescimento de 18,2% e 17,2% respectivamente, acima da média nacional e reduzindo significativamente as desigualdades regionais de conectividade.
Para o Acre e toda a Amazônia Legal, essa evolução representa oportunidade concreta de inclusão social e desenvolvimento econômico. O programa Norte Conectado, que implantará 3.170 quilômetros de cabos de fibra óptica nos leitos dos rios amazônicos, têm potencial para beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas em 70 municípios dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará. Com investimento estimado em R$ 1,3 bilhão e capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo, a iniciativa promete conectar áreas que historicamente enfrentam exclusão digital devido às dificuldades geográficas e de infraestrutura.
A tecnologia digital não apenas conecta pessoas, mas transforma rotinas administrativas, acesso a serviços públicos, educação, saúde e oportunidades de trabalho. Em regiões distantes, onde deslocamentos podem consumir dias inteiros e recursos financeiros escassos, ferramentas digitais representam ganho tangível de qualidade de vida e eficiência operacional.
Como a conectividade impacta diretamente a qualidade de vida em áreas remotas
O acesso à internet em regiões distantes modifica estruturalmente a forma como serviços essenciais são entregues à população. Segundo pesquisa do IBGE, em 2024, 81% dos domicílios rurais possuíam acesso à internet, aumento significativo em relação aos 78,1% registrados em 2023. Embora o percentual permaneça 13,1 pontos percentuais abaixo da média urbana, a expansão tem sido mais rápida em áreas rurais, reduzindo gradualmente a diferença que em 2016 chegava a 40 pontos percentuais.
Essa conectividade crescente viabiliza telemedicina em comunidades que antes precisavam viajar centenas de quilômetros para consultas médicas. Dados do Ministério da Saúde indicam que o Programa SUS Digital alcançou adesão de 99,9% dos municípios na primeira etapa, com objetivo de integrar tecnologia, informação e saúde. Atualmente, cerca de 90% das Unidades Básicas de Saúde utilizam o Prontuário Eletrônico do Cidadão, com mais de 180 mil profissionais capacitados. Para populações ribeirinhas, indígenas e de áreas de difícil acesso, a possibilidade de teleconsultas reduz custos com transporte, tempo de deslocamento e acelera diagnósticos.
Na educação, o Ministério das Comunicações ampliou em até 150% o programa Gesac, que leva internet para escolas públicas, postos de saúde e órgãos públicos em localidades remotas, como comunidades ribeirinhas, quilombolas, aldeias indígenas e assentamentos. O investimento previsto é de R$ 3 bilhões, expandindo o atendimento de 10,9 mil para até 28 mil pontos de acesso. Essa infraestrutura permite que estudantes em regiões isoladas acessem conteúdos educacionais online, participem de aulas à distância e tenham oportunidades antes restritas a centros urbanos.
O acesso a serviços bancários digitais elimina a necessidade de deslocamentos para agências físicas, muitas vezes inexistentes em municípios menores. Aplicativos de transporte, delivery e e-commerce estendem conveniências urbanas a áreas remotas. Mesmo em regiões com infraestrutura limitada, o telefone celular tornou-se ferramenta essencial: a PNAD Contínua aponta que 98,9% dos usuários de internet acessam a rede pelo celular, dispositivo cuja presença nos domicílios brasileiros alcançou 96,7% em 2023.
| Indicador de conectividade | 2016 | 2023 | 2024 | Variação 2016-2024 |
| População com acesso à internet | 66,1% | 88,0% | 89,1% | +23,0 p.p. |
| Domicílios urbanos com internet | 83,8% | 94,1% | 94,5% | +10,7 p.p. |
| Domicílios rurais com internet | 49,2% | 78,1% | 81,0% | +31,8 p.p. |
| Expansão Norte (2019-2024) | N/D | N/D | 18,2% | 18,2% |
| Expansão Nordeste (2019-2024) | N/D | N/D | 17,2% | 17,2% |
Fonte: PNAD Contínua TIC / IBGE e Ministério das Comunicações
Os dados demonstram que a expansão do acesso à internet foi proporcionalmente maior em áreas rurais, com crescimento de 31,8 pontos percentuais em oito anos, contra 10,7 pontos percentuais em áreas urbanas. Esse movimento evidencia o esforço deliberado de políticas públicas em reduzir desigualdades históricas. As regiões Norte e Nordeste, que concentram grande parte das áreas remotas do país, lideram o crescimento recente, sinalizando que investimentos em infraestrutura estão atingindo territórios tradicionalmente excluídos.
Ferramentas digitais que transformam o cotidiano em comunidades isoladas
A transformação digital em regiões distantes manifesta-se através de ferramentas específicas que atendem necessidades concretas dessas populações. Aplicativos de mensageria instantânea, especialmente WhatsApp, tornaram-se canais primários de comunicação, organização comunitária e até comercialização de produtos. Pesquisa do Sebrae citada em debate no Senado Federal revelou que quase 90% dos pequenos negócios usavam celulares em 2023, embora menos de 40% utilizassem propagandas pagas em redes sociais ou navegadores de internet.
Plataformas de armazenamento em nuvem como Google Drive e Dropbox permitem que documentos importantes sejam acessados de qualquer local, eliminando a dependência de arquivos físicos sujeitos a deterioração ou perda. Para empreendedores, professores, agentes comunitários de saúde e gestores públicos, essa mobilidade documental representa ganho operacional significativo. Um gestor municipal em região remota pode acessar processos administrativos sem necessitar de deslocamento até a sede administrativa, economizando tempo e recursos públicos.
Ferramentas de gestão de projetos e colaboração em documentos ganharam relevância com trabalho remoto. Segundo levantamento, 70% dos funcionários afirmaram que a tecnologia digital melhorou a colaboração. Plataformas como Trello, Asana e Monday permitem que equipes distribuídas geograficamente coordenem atividades em tempo real. Para organizações do terceiro setor, cooperativas e associações comunitárias em áreas remotas, essas ferramentas viabilizam gestão profissional de projetos sociais, captação de recursos e prestação de contas a financiadores.
O uso estratégico de documentos em formato PDF facilita trocas formais que exigem preservação de formatação e segurança. Contratos, propostas, relatórios e documentos oficiais tramitam digitalmente sem perda de integridade visual. A possibilidade de assinatura digital certificada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira garante validade jurídica, eliminando necessidade de impressão, reconhecimento de firma e envio físico. Para comunidades distantes de cartórios e serviços notariais, essa simplificação representa redução expressiva de custos e tempo.
Ferramentas de videoconferência como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams democratizaram acesso a eventos, capacitações e reuniões. Profissionais em municípios remotos participam de congressos, cursos e workshops sem custos de viagem e hospedagem. Organizações comunitárias realizam assembleias virtuais, ampliando participação de membros dispersos geograficamente. Durante a pandemia de COVID-19, pesquisa do Sebrae identificou crescimento no uso de canais digitais, com índice de empresas utilizando pelo menos um canal digital passando de 59% em maio de 2020 para 69% em março de 2021.
Sistemas de gestão empresarial, mesmo em versões simplificadas, auxiliam pequenos empreendedores a controlar estoque, fluxo de caixa, emissão de notas fiscais e relacionamento com clientes. A digitalização de processos administrativos permite que negócios em regiões distantes operem com padrões de eficiência comparáveis aos de centros urbanos, ampliando competitividade e sustentabilidade.
Desafios específicos da digitalização em regiões remotas
A transformação digital em áreas distantes enfrenta obstáculos que vão além da simples disponibilidade de internet. Pesquisa do PayPal divulgada em 2025 revelou que 70% dos empreendedores brasileiros não confiam totalmente nas ferramentas digitais, o que reduz a adoção de soluções inovadoras e dificulta a expansão dos negócios. Essa desconfiança é particularmente acentuada em regiões remotas, onde a população pode ter menor familiaridade com tecnologias digitais.
O letramento digital representa uma barreira significativa. Dados da PNAD Contínua mostram que 32,6% dos domicílios sem internet em 2024 alegaram que nenhum morador sabia usar a rede. Esse percentual é especialmente relevante em áreas rurais e remotas, onde o acesso à educação formal pode ser limitado e oportunidades de capacitação tecnológica são escassas. Programas como Computadores para Inclusão, do Ministério das Comunicações, oferecem capacitações em informática básica e uso de celular, mas ainda não alcançam toda população necessitada.
A infraestrutura de telecomunicações permanece um desafio crítico. Embora programas como Norte Conectado e Wi-Fi Brasil estejam expandindo a cobertura, ainda existem áreas sem qualquer acesso à internet. Dados da PNAD Contínua indicam que em áreas rurais, 12,1% dos domicílios sem internet em 2024 apontaram falta de disponibilidade do serviço na área como motivo, contra apenas 0,9% em áreas urbanas. A qualidade da conexão também varia significativamente, com muitas localidades contando apenas com redes móveis instáveis ou conexões de baixa velocidade.
O custo dos serviços digitais constitui uma barreira econômica concreta. Em 2024, 27,6% dos domicílios sem internet citaram serviço caro como motivo principal. Para famílias de baixa renda em regiões remotas, onde oportunidades econômicas são limitadas, o custo mensal de internet pode representar parcela significativa do orçamento. Embora programas governamentais ofereçam conexão gratuita em pontos específicos, o acesso domiciliar permanece financeiramente inacessível para muitos.
A segurança cibernética é uma preocupação crescente, mas pouco endereçada em áreas remotas. Pesquisa sobre transformação digital em micro, pequenas e médias empresas revelou que 50% das empresas declararam já ter sofrido ciberataques entre 2021 e 2022. Em regiões distantes, onde conhecimento sobre segurança digital é limitado e suporte técnico escasso, as vulnerabilidades tendem a ser maiores. Golpes digitais, invasão de contas e roubo de dados representam riscos que podem desencorajar adoção de ferramentas digitais.
A intermitência de energia elétrica em algumas áreas remotas compromete uso contínuo de tecnologias digitais. Equipamentos dependentes de recarga constante tornam-se inviáveis em localidades com fornecimento irregular de eletricidade. Soluções como energia solar ganham relevância como complemento à infraestrutura digital, tendência que deve crescer segundo análises sobre intersecção entre inovação tecnológica e práticas sustentáveis.
O papel estratégico da gestão documental digital
Em regiões distantes, a gestão eficiente de documentos assume importância amplificada devido às dificuldades logísticas de armazenamento físico e transmissão de informações. Associações comunitárias, cooperativas, escolas rurais e postos de saúde frequentemente operam com espaço físico limitado e recursos escassos, tornando o arquivamento adequado de documentos desafio operacional significativo.
A digitalização de documentos elimina necessidade de arquivos físicos volumosos, vulneráveis a umidade, pragas e deterioração acelerada em climas tropicais. O Decreto nº 10.278 de março de 2020 estabeleceu que documentos digitalizados possuem mesmo valor probatório do original em papel quando observados procedimentos técnicos adequados. Essa equivalência legal permite que organizações em áreas remotas mantenham registros exclusivamente digitais, liberando espaço físico e reduzindo riscos de perda documental.
A acessibilidade remota a documentos digitais adquire valor particular em contextos geográficos desafiadores. Um agente comunitário de saúde que visita aldeias distantes pode acessar prontuários, protocolos de atendimento e fichas de vacinação armazenados em nuvem, sem necessidade de transportar documentos físicos. Professores em escolas rurais acessam planos de aula, registros de notas e materiais didáticos de qualquer localidade com conexão à internet.
Para gestão de projetos sociais, ambientais e de desenvolvimento comunitário, estratégias como usar PDFs estratégicos para gerenciar projetos facilitam controle de cronogramas, orçamentos, relatórios técnicos e comunicação com financiadores. Organizações não governamentais que atuam em regiões remotas coordenam equipes distribuídas, prestam contas a múltiplos doadores e documentam atividades de campo com eficiência comparável a grandes instituições urbanas.
A capacidade de compartilhar documentos instantaneamente elimina atrasos logísticos que caracterizam regiões distantes. Um processo administrativo que levaria semanas tramitando fisicamente entre municípios pode ser resolvido em dias ou horas quando digitalizado. Editais públicos, licitações, solicitações de licenças ambientais e documentação fundiária beneficiam-se dramaticamente dessa agilidade.
Sistemas de backup automatizado protegem documentos digitais contra perdas catastróficas comuns em áreas remotas, como enchentes, incêndios e infestações. Enquanto arquivos físicos são únicos e sua perda irreversível, documentos digitais com cópias de segurança em múltiplos servidores permanecem acessíveis mesmo após desastres locais. Essa resiliência é particularmente relevante na Amazônia, onde eventos climáticos extremos e riscos ambientais são frequentes.
Quais são as perspectivas futuras para tecnologia em áreas remotas do Brasil
As projeções para expansão digital em regiões distantes sinalizam continuidade e intensificação dos investimentos em infraestrutura. O Ministério das Comunicações estabeleceu meta de universalizar o acesso à internet até 2026, conforme declarações oficiais. Embora essa meta seja ambiciosa dadas as dimensões continentais do Brasil e a complexidade geográfica da Amazônia, programas estruturantes como Norte Conectado e Gesac demonstram comprometimento governamental com inclusão digital.
A implantação de tecnologia 5G em áreas remotas permanece um desafio futuro. Leilões de espectro realizados incluíram obrigações de cobertura em municípios, estradas e áreas remotas, mas a efetivação dessa cobertura dependerá de viabilidade econômica e superação de obstáculos técnicos. A tecnologia 5G pode revolucionar aplicações como telemedicina, agricultura de precisão, monitoramento ambiental e educação à distância, mas sua chegada a regiões remotas provavelmente ocorrerá anos após consolidação em centros urbanos.
Tendências em inteligência artificial podem beneficiar especificamente regiões distantes. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com investimentos previstos de R$ 23 bilhões até 2028, contempla uso de IA em atendimento à saúde em regiões remotas e na educação básica, segundo debate no Senado Federal. Sistemas de IA podem compensar escassez de profissionais especializados em áreas remotas, auxiliando em diagnósticos médicos, tutoria educacional personalizada e otimização da gestão pública.
A interoperabilidade entre sistemas de informação governamentais promete simplificar acesso a serviços públicos. A Rede Nacional de Dados em Saúde e o Prontuário Digital Integrado buscam facilitar o compartilhamento seguro de informações entre diferentes níveis federativos e instituições de saúde. Para populações remotas que transitam entre diferentes municípios e estados em busca de atendimento, essa integração pode reduzir a burocracia e melhorar a continuidade do cuidado.
A digitalização de serviços públicos essenciais tende a acelerar. Emissão de documentos, solicitação de benefícios sociais, declaração de impostos e consulta a processos judiciais migram progressivamente para plataformas digitais. Essa transformação beneficia particularmente populações remotas, que historicamente enfrentam custos proibitivos para acesso presencial a serviços governamentais.
Parcerias público-privadas em saúde digital e educação podem expandir alcance de soluções inovadoras. A aproximação entre empresas de tecnologia e governo, observada na transformação digital do SUS, tende a se intensificar. Startups focadas em soluções para mercados de base da pirâmide podem desenvolver produtos específicos para contextos de regiões remotas, combinando viabilidade comercial com impacto social.
Desafios de sustentabilidade financeira dos programas de conectividade permanecem. Investimentos iniciais em infraestrutura são elevados, e modelos de negócio para manutenção de serviços em áreas de baixa densidade populacional ainda são incertos. A dependência de subsídios governamentais pode limitar a velocidade e a escala de expansão digital.
A tecnologia digital transformou-se em ferramenta essencial para redução de desigualdades entre regiões metropolitanas e áreas remotas do Brasil. Dados do IBGE comprovam avanço significativo na conectividade, com 89,1% da população brasileira com 10 anos ou mais acessando a internet em 2024, crescimento de 23 pontos percentuais desde 2016. As regiões Norte e Nordeste lideram expansão recente, evidenciando que investimentos em infraestrutura estão alcançando territórios historicamente excluídos.
Para o Acre e toda Amazônia Legal, programas como o Norte Conectado representam oportunidade inédita de desenvolvimento social e econômico. A implantação de 3.170 quilômetros de fibra óptica subfluvial conectará 70 municípios, beneficiando cerca de 7,5 milhões de pessoas com internet de alta velocidade. Essa infraestrutura viabilizará telemedicina, educação à distância, gestão pública digital e empreendedorismo em localidades que antes operavam em isolamento informacional.
Ferramentas digitais cotidianas, desde aplicativos de mensageria até plataformas de gestão documental, modificam concretamente rotinas em regiões distantes. A possibilidade de acessar serviços bancários, realizar consultas médicas, participar de capacitações e gerir negócios sem deslocamentos físicos representa ganho tangível de qualidade de vida e eficiência operacional. A gestão documental digital, particularmente através de PDFs com assinatura eletrônica, elimina barreiras burocráticas que historicamente penalizam populações remotas.
Reconhecer limitações é fundamental para políticas públicas eficazes. Embora 81% dos domicílios rurais possuem internet, a diferença de 13,1 pontos percentuais em relação a áreas urbanas persiste. Desafios como letramento digital, custo de serviços, intermitência de energia e segurança cibernética exigem abordagens complementares à expansão de infraestrutura. Programas de capacitação, subsídios para acesso, integração com energia renovável e educação sobre segurança digital são essenciais para aproveitamento pleno das tecnologias disponibilizadas.
Os dados apresentados baseiam-se majoritariamente em estatísticas nacionais, com informações específicas sobre Acre e outras regiões remotas da Amazônia ainda escassas. Estudos longitudinais que acompanhem o impacto concreto da conectividade em indicadores sociais, econômicos e educacionais dessas regiões são necessários para avaliação precisa dos resultados de políticas de inclusão digital.
Caminhos para aprofundamento incluem monitoramento contínuo de indicadores de conectividade regional, avaliação de impacto de programas como Norte Conectado e Gesac em beneficiários diretos, desenvolvimento de capacitações em alfabetização digital culturalmente adaptadas a contextos amazônicos, e fomento a ecossistemas de inovação local que desenvolvam soluções tecnológicas específicas para desafios de regiões remotas. A transformação digital em áreas distantes não é processo automático, mas construção coletiva que exige infraestrutura, capacitação, políticas públicas e protagonismo das próprias comunidades na definição de prioridades e usos das tecnologias disponibilizadas.
Comentários
Brasil
Veja o que se sabe até agora sobre família desaparecida no RS

A corporação trata na linha de investigação as hipóteses de homicídio ou cárcere privado. De acordo com a polícia, a possibilidade de sequestro é descartada porque não houve nenhum pedido de resgate da família desde o desaparecimento, ou seja, há mais de uma semana.
A investigação em torno da família se iniciou em 24 de janeiro, após Silvana desaparecer e deixar uma das únicas pistas sobre o sumiço no instagram, rede social na qual ela fez um postagem afirmando que havia sofrido um acidente de trânsito, quando voltava de Gramado, município da serra gaúcha. Na mensagem, ela afirmava estar bem e sob atendimento médico.
No dia seguinte, Dalmira e Isail foram até a delegacia para registrar ocorrência sobre o desaparecimento da filha. No entanto, encontraram a segunda delegacia de Cachoeirinha fechada e foram embora. Após isso, o casal não foi mais visto.
Os agentes da PCRS tratam o caso como um crime após encontrarem um projétil de arma de fogo no quintal da casa da família. Além disso, os investigadores apuram imagens de câmeras de segurança que registraram movimentação de veículos no local.
No vídeo, três carros saem em horários diferentes. Um carro vermelho chega ao local às 20h34 e permanece por alguns minutos antes de sair e, cerca de uma hora depois, o carro branco de Silvana aparece no portão de casa mas não aparece saindo. Mais tarde, um terceiro veículo chega, e, alguns minutos depois, deixa a casa.
O que acontece agora
A PCRS solicitou análise da perícia na residência da família a fim de encontrar novas pistas. Como uma bala de arma de fogo foi encontrada, os investigadores buscam vestígios de sangue e outros elementos que possam esclarecer o caso.
Outro indício para a corporação tratar o caso como crime é uma pista que confirma o desaparecimento. Dalmira e Isail são donos de um mercado da região, que está fechado desde 25 de janeiro, quando o casal foi visto pela última vez.
Contradição e próximos passos
Investigadores da PCRS acreditam que Silvana não foi para Gramado. O carro da filha de Dalmira e Isail estava na garagem de casa, e a chave foi encontrada, dentro da residência, ou seja, ela não fez uma viagem de carro.
O que ajudou a corporação a chegar a esta conclusão foi o registro das câmeras de segurançs, visto que o carro de Silvana não se locomoveu da residência.
Para desvendar o caso, a polícia vai prosseguir com as oitivas. Os investigadores ouvirão moradores da região em busca de novas pistas.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
Comentários
Brasil
Criminosos são presos em flagrante por golpe da falsa entrega de exames

Dois homens foram presos, nessa terça-feira (3/2), enquanto tentavam aplicar o golpe conhecido como “falsa entrega de exame médico”, prática criminosa que tem como principais alvos pessoas idosas. A prisão ocorreu no bairo Fonseca, no Rio de Janeiro (RJ).
De acordo com a Polícia Civil, a ação teve inicio após uma vítima procurar a delegacia e relatar que sua esposa havia recebido uma ligação telefônica de um suposto hospital, informando que os exames médicos seriam entregues em sua residência mediante o pagamento por cartão bancário de uma taxa de R$ 5,99. Desconfiado da situação, o morador acionou a corporação.
Os policiais foram até o endereço e flagraram os homens chegando ao prédio em uma moto. Durante a abordagem, foram apreendidas quatro máquinas de cartão, dois aparelhos celulares e a motocicleta usada no crime, que estava com placa adulterada.
Ainda durante a ocorrência, os homens confessaram integrar um grupo criminoso do estado de São Paulo e informaram que recebiam uma porcentagem sobre os valores obtidos nas fraudes.
Os presos foram conduzidos à 78ª DP, onde foram autuados em flagrante pelos crimes de tentativa de estelionato, adulteração de sinal identificador da motocicleta e associação criminosa.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

Você precisa fazer login para comentar.