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O que acontece com quem passou mais de três meses internado com Covid-19

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Longas internações por Covid-19 deixam pacientes fragilizados; depois da alta, precisam de apoio para tratar as sequelas do período – Foto: Ruben Bonilla Gonzalo/Getty Images

Marcelle Souza, colaboração para a CNN Brasil

Imagine ficar mais de três meses internado com Covid-19: parte desse período intubado, sem contato com a família, sofrendo com dor, escaras, dificuldade para respirar, infecções e sequelas. A CNN Brasil ouviu histórias de pessoas que passaram por essa situação e ainda enfrentam problemas causados pela doença.

Arlete, Alfa e Rômulo moram em diferentes partes do país e estão, neste momento, em recuperação depois de quase ou mais de 100 dias internados com Covid-19 em hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde).

Enquanto estavam hospitalizados, as famílias precisaram lidar, em casa, com a espera diária e angustiante por notícias.

“Todos os dias a gente ficava apreensivo, porque um dia o relatório era positivo, no outro não. Muitas vezes, a gente desanimava, se perguntava se ela ia conseguir”, conta o representante farmacêutico Edinei de Faria, 49, que teve a mãe, Arlete Catarina de Faria, internada por 120 dias no Hospital São José, de Joinville (SC). “Foram 40 dias sem visita, só recebendo notícias por telefone”, conta o filho.

A CNN já mostrou que internações por Covid-19 duram, em média, 22 dias. Entre os que precisaram de ventilação mecânica e foram para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a permanência média é de 11,6 dias. Os dados foram levantados pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Em alguns casos, no entanto, esse período se transforma em meses de angústia no hospital, e o retorno para a casa significa o início de outra difícil etapa, com fisioterapia, limitações de fala e de movimentos. Tarefas que eram simples antes da doença, como falar ao telefone, tornam-se agora um desafio.

“Peço desculpas, mas hoje o Rômulo não pode conversar porque está com muita dor. Eu dei os remédios e ele está dormindo”, disse à CNN Roseliane de Oliveira, 31, esposa de Rômulo Gonçalves, que ficou 97 dias internado por causa da Covid-19.

A seguir, contamos algumas dessas histórias de vitória, mas também de uma luta ainda diária de pacientes de longas internações e de seus familiares.

“A gente sempre via, pela televisão, pessoas internadas com Covid-19, mas quando é uma pessoa que a gente ama, não tem explicação o que a gente passa. É um sofrimento grande. A gente acha que não vai vencer”, comenta Edinei, filho de Arlete.

Quem é o paciente das longas internações

Coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e integrante do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 no Hospital Estadual de Bauru (SP), o médico infectologista Lucas Marques da Costa Alves diz que os perfis mais comuns entre os pacientes com longos períodos de internação por Covid-19 são idosos, obesos e hipertensos.

“Os pacientes com muito tempo de ventilação mecânica precisam de um cuidado fisioterápico importante, porque acabam perdendo massa muscular, têm predisposição à pneumonia, insuficiência renal, problemas relacionados à fibrose pulmonar, além de maior chance de ter escara”, explica.

A pesquisa do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) mostra que os internados com Covid têm, em média, 64 anos de idade, sendo 60,5% homens. Cerca de 33,6% têm diabetes, 56,4% são hipertensos, 5,9%, fumantes e 15,5% têm alguma doença cardiovascular.

Segundo Lucas Costa, as sequelas mais comuns entre os pacientes que se submetem a longos períodos de internação são os problemas musculares e a lesão pulmonar crônica, males que limitam a autonomia do paciente mesmo em casa.

Tatuador era o pilar financeiro da família

Obeso e hipertenso, o tatuador Rômulo Gonçalves, 42, começou a sentir os primeiros sintomas de Covid-19 em maio do ano passado e ainda não se recuperou dos 97 dias que passou internado em dois hospitais de Fortaleza.

O primeiro sinal de que havia algo errado foram as oscilações de pressão. Em pouco tempo, ele se sentia tão mal que chegou à unidade de pronto-atendimento próxima à sua casa quase sem poder andar. Ficou ali três dias em uma cadeira até conseguir uma vaga na UTI do Hospital Leonardo da Vinci e ser finalmente intubado.

“Nesse momento, começou a nossa luta diária: a dele na internação e a nossa, porque não tínhamos como visitá-lo”, conta a esposa Roseliane de Oliveira, 31, que é dona de casa.

Foram dois meses só recebendo notícias por telefone, mas nem todos os dias elas chegavam. “A gente até compreendia que o médico não podia ficar ligando, eu preferia que ele cuidasse do meu marido, mas chegamos a ficar sete dias sem notícias. O pior é que nem tinha para onde ligar, ninguém mais no hospital podia dar informação”, relata Roseliane.

Caso grave de Covid-19 afetou a família de Rômulo Gonçalves e levou o tatuador a depender de apoio; ele sofre com dores e limitações físicas – Foto: Arquivo pessoal

Quando ligavam, os médicos diziam que o estado de saúde era muito grave. Rômulo sofreu uma infecção, ficou com 80% do pulmão comprometido, teve trombose na perna esquerda e precisou fazer hemodiálise.

“Era piora em cima de piora, as notícias eram de agravamento da doença. Um dia, nos falaram que tudo o que a medicina podia fazer já tinha feito. E começamos uma corrente de oração mais forte”, diz a dona de casa.

Após pouco mais de dois meses, o estado de saúde de Rômulo melhorou e ele foi transferido para o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara. Lá, ainda teve um edema pulmonar agudo.

Além da aflição pela falta de notícias, nesse período começaram também os problemas financeiros. Rômulo era o principal provedor da família de sete pessoas: além da mulher e dos três filhos, ele vivia com duas irmãs e um cunhado. Há pouco tempo, uma das irmãs, que dividia com ele as despesas, perdeu o emprego como vendedora de uma loja.

“Foi bem complicado, porque ele pagava aluguel, luz, alimento. Ganhava muito bem e sustentava todo mundo. Então, tivemos que pedir ajuda de familiares e amigos para comprar fraldas para ele, comida e remédios”, comenta Roseliane.

Atleta sofreu com a doença e ajuda no tratamento das sequelas

Em casa, os cuidados com Rômulo foram redobrados. A ferida aberta da escara e a traqueostomia se somaram aos efeitos psicológicos do remédio e da internação: no começo, ele não reconhecia a casa e passava parte do tempo triste e calado.

Hoje ele ainda tem que lidar com as limitações físicas, a dor e a dificuldade para fazer atividades básicas, como comer e ir ao banheiro sozinho. “Aos poucos, graças a Deus, ele está voltando ao que era antes. Ainda tem uma luta diária, mas é uma guerra e a gente está ganhando”, diz a esposa.

Rômulo recebeu apoio do Projeto Com.Vida, que reúne cerca de 500 profissionais de todo o país, que voluntariamente atendem pacientes e suas famílias na recuperação das sequelas da Covid-19. A ideia surgiu depois que a própria fundadora, a dentista Raquel Trevisi, 39, ficou 30 dias internada com Covid-19, 20 deles na UTI.

Raquel Trevisi, dentista e atleta de crossfit, se recupera da internação e articula apoio a quem ficou com sequelas da Covid-19 – Foto: Arquivo pessoal

“Quando tive alta, só no primeiro mês gastei em torno de R$ 10 mil com fisioterapia, nutricionista, remédios e suplementação, entre outras despesas. Nesse momento, comecei a pensar: quem apoia as pessoas que não têm condições de arcar com o tratamento?”, conta Raquel Trevisi, que antes de pegar Covid-19 era atleta e participava de competições de crossfit.

Ela perdeu 25 kg no hospital e, quando enfim recebeu alta, saiu sem conseguir movimentar o corpo do pescoço para baixo, com uma tetraplegia temporária, e com a memória recente afetada. Pouco depois da alta, o pai, Hugo Trevisi, 72, foi internado e, em seguida, morreu de Covid. “Decidi investir no projeto, porque era como se cuidar da dor dos outros amenizasse a dor de perder o meu pai.”

Gratuitamente, Rômulo tem acompanhamento com fisioterapeuta, nutricionista e fonoaudióloga. Há pouco tempo, ele e a esposa começaram a fazer psicoterapia, para conseguir encarar os efeitos da doença. “Ele não se lembra muito do período em que estava internado. Então, quando a gente começa a falar sobre tudo que passou, ele sempre chora, agradece e diz que tem muita gratidão”, afirma Roseliane.

Sem reconhecer a família e a própria casa

Em São José do Rio Preto (SP), a professora aposentada Alfa Barbosa, 65, ficou 92 dias internada no Hospital de Base. Segundo Gilberto Barbosa, 77, marido de Alfa, ela ainda não se recuperou das sequelas da doença, mesmo cerca de cinco meses após a alta.

“Quando chegou, só se alimentava por sonda, não falava. Por conta dos efeitos da medicação, não reconhecia a própria casa. Foi um trauma profundo. Ainda hoje ela está acamada”, conta o aposentado.

Gilberto e a mulher foram internados juntos, com sintomas da doença, em agosto do ano passado. Ele ficou uma semana no hospital, mas Alfa passou três meses.

“O momento mais difícil foi quando o médico disse que ela precisava ser intubada, porque sabemos que dificilmente essas pessoas escapam. Ela tinha os olhos cinzentos e tínhamos medo de que ela não voltasse”, comenta Gilberto.

Alfa Barbosa e o marido Gilberto foram internados juntos com Covid-19, mas ela ficou 85 dias a mais do que ele no hospital – Foto: Arquivo pessoal

Foram 70 dias sem visitas, tempo em que o marido, quatro filhos e quatro netos receberam notícias apenas pelas chamadas da equipe médica. “A gente tem 45 anos de casamento, nunca passamos tanto tempo separados. Todo dia, na hora em que os médicos ligavam, dava até tremedeira por medo de vir uma notícia ruim”, afirma o marido.

“Alguns profissionais chegaram a nos falar que estávamos protelando o sofrimento, mantendo-a no hospital”, completa.

Quando enfim foi liberada para uma enfermaria comum, onde foi permitida a visita da família, dona Alfa não reconhecia ninguém. “Ela nem sabia quem estava lá para visitá-la. A gente só chorava, de tristeza, de vê-la daquele jeito”, relata Gilberto.

De acordo com ele, a perda temporária de memória foi uma consequência dos efeitos dos remédios. Outra possível causa, ainda sem diagnóstico preciso, seria uma alteração neurológica.

Assim que saiu do hospital, começou outro desafio, com fisioterapia diária para recuperar os movimentos perdidos por conta da longa internação.

“Faz cinco meses que ela está no home care, e os médicos dizem que a previsão é de pelo menos um ano de tratamento”, diz o marido. “Ainda não sabemos se ela vai conseguir voltar a dirigir, como fazia antes, mas tenho fé que em breve vai voltar a andar sozinha.”

40 dias de notícias só por telefone

Os primeiros sintomas de Arlete, que achava que estava com sinusite, surgiram no início de dezembro do ano passado, quando ela procurou um pronto-atendimento e foi orientada a voltar para casa.

Obesa, pré-diabética e com histórico de infarto, a dona de casa passou mal e precisou voltar no mesmo dia ao posto de saúde porque sentia muita falta de ar. Com auxílio de oxigênio, foi encaminhada de ambulância para o Hospital São José, em Joinville, onde teve que esperar três dias até ser intubada, já que não havia vaga de UTI.

“A gente estava se cuidando bastante. A minha mãe e o meu pai são idosos e moram com um irmão de 50 anos que tem uma deficiência. Os três eram grupo de risco”, afirma Edinei.

Assim que a mãe foi para a UTI, começou a apreensão diária da família por notícias. Elas chegavam diariamente apenas pelo telefone, já que as visitas estavam suspensas no caso de pacientes com Covid-19. Foram 40 dias assim.

Arlete de Faria precisa fazer fisioterapia para retomar movimentos dos braços e ombros – Foto: Arquivo pessoal

“Às vezes, a ligação, que era para ser às 14h, só acontecia às 17h, e ficávamos à tarde esperando apreensivos. Um dia, o relatório era positivo; no outro, já não era tanto. Foi uma fase bem traumática. A minha irmã ficou muito abalada, chorava muito”, conta Edinei.

Para enfrentar esse momento, os sete filhos, ao lado de netos, genros e noras, decidiram se unir e fazer correntes de oração.

Depois de mais um mês com notícias só pelo telefone, ela enfim foi liberada para uma ala onde podia ver a família. “Fui o primeiro a visitá-la. Ela estava sedada, intubada, tinha muitas alucinações por conta dos efeitos dos remédios. Como estava sedada a maior parte do tempo, lembra-se de pouca coisa desse período. Para a gente, foi muito difícil”, conta o filho.

Por conta de uma infecção, precisou voltar para a ventilação mecânica, o que voltou a tornar os dias mais difíceis para a família.

Depois de ficar quatro meses internada, Arlete deixou o hospital em abril e, em casa, precisa fazer fisioterapia para voltar a mexer os braços e ombros.

“O psicológico dela está bem. Às vezes chora um pouco, porque era muito ativa. Mas sabe que estar viva é uma grande vitória. Hoje a gente só tem motivos para agradecer, porque a vida é maravilhosa. Precisamos valorizar as pessoas que a gente ama, porque isso que importa”, ressalta o filho.

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Centrão indicou maioria do TCU, que agora julgará liquidação do Master

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Foto de fachada do Tribunal de Contas da União TCU

Reprodução/Direção Concursos

A maioria dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), que vai inspecionar a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master, foi indicada pelo Centrão no Congresso Nacional. Parte desses integrantes é vista como próxima ao empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição.

A Constituição estabelece que seis ministros do TCU sejam escolhidos pelo Congresso e três pelo presidente da República, desenho que ajuda a entender o perfil político predominante hoje na Corte.

O presidente do tribunal é Vital do Rêgo, ex-senador pelo MDB da Paraíba, indicado ao TCU em 2014 e eleito presidente da Corte no fim de 2024. Ele é irmão do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), aliado do presidente Lula (PT).

Em 12 de janeiro, o presidente da Corte afirmou que o Banco Central concordou com a inspeção do TCU e dará acesso aos documentos relacionados à liquidação do Banco Master.

“Ela (a inspeção) já está acontecendo, pela reunião que fizemos hoje (12/1). Definimos que o TCU vai ter acesso aos documentos do Banco Central que foram base para o processo liquidatório – que só quem poderia liquidar era o Banco Central –, que estão à disposição já a partir de hoje. Nós temos um calendário que será ajustado pelas unidades técnicas”, informou o presidente do TCU

O ministro disse que “o ato de liquidação é administrativo e regulatório”. “É um modelo técnico que o TCU está acostumado a fazer”, completou.


Quem são os ministros do TCU

  • Walton Alencar Rodrigues, indicado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1999;
  • Benjamin Zymler, indicado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001;
  • Augusto Nardes, indicado pela Câmara dos Deputados, em 2005;
  • Aroldo Cedraz, indicado pela Câmara dos Deputados, em 2007;
  • Vital do Rêgo Filho, indicado pelo Senado Federal, em 2014;
  • Bruno Dantas, indicado pelo Senado Federal, em 2014;
  • Jorge Oliveira, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2020;
  • Antonio Anastasia, indicado pelo Senado Federal, em 2022;
  • Jhonatan de Jesus, indicado pela Câmara dos Deputados, em 2023;

Os nomes do Centrão no TCU

O ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado federal pelo Republicanos de Roraima, assumiu cargo no TCU em novembro de 2023. Filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), a indicação dele foi apresentada pela liderança do partido na Câmara. A articulação política para a escolha dele teve o suporte direto do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Antes dele, entrou Antonio Anastasia, em 2022, a partir de indicação do Senado. Anastasia foi governador e senador por Minas Gerais e, historicamente, integrante da cúpula do PSDB.

Um dos principais aliados dele foi o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), na década de 2010. Antes de assumir o cargo no TCU, Anastasia trocou o PSDB pelo PSD.

Em 2007, tomou posse no TCU o ministro Aroldo Cedraz. Ex-deputado federal, ele foi indicado ao cargo pela Câmara dos Deputados. A trajetória política dele é associada ao grupo de Antônio Carlos Magalhães (DEM/hoje União Brasil), o ACM, da Bahia.

A corte tem ainda o ministro Augusto Nardes, que ingressou no TCU em 2005, após sucessivos mandatos como deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul.

Ainda em 2026, haverá uma nova indicação para o TCU. A disputa deve ficar entre o deputado Odair Cunha (PT-MG), que tem bom trânsito entre parlamentares do Centrão e tende a contar com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE).

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Tebet deve definir futuro após conversa com Lula no final de janeiro

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Imagem colorida, Simone Tebet - Metrópoles

Henrique Raynal | CC

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), vem sendo apontada como um nome viável para integrar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo nas eleições de 2026. A definição, no entanto, só deve ocorrer após uma conversa com o presidente, prevista para o final de janeiro.

Tebet esteve de férias até recentemente e ainda não há data marcada para o encontro com Lula. A reunião deve servir para discutir tanto o futuro político da ministra quanto sua possível saída do governo nos próximos meses, em razão do calendário eleitoral de 2026, que exige desincompatibilização de cargos no Executivo.

Apesar de seu nome ser especulado para disputar uma vaga em São Paulo, seja para o Senado ou para o governo estadual, Tebet não tem domicílio eleitoral no estado. Para concorrer, ela teria de transferir seu título, já que foi seu estado de origem é o Mato Grosso do Sul, estado pelo qual foi eleita senadora.

Conforme apurou o Metrópoles, a ministra se encontrou com a deputada federal Tabata Amaral (PSD-SP), onde a parlamentar teria demonstrado o interesse de puxar Tebet para o partido.


Obstáculo partidário para Tebet

  • Filiada ao MDB, a ministra teria dificuldades para disputar o governo de São Paulo,
  • O seu partido tende a apoiar a reeleição do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
  • Para viabilizar uma candidatura própria no estado, Tebet teria de trocar de legenda.

Aliados afirmam, contudo, que os próximos passos da ministra seguem em aberto, e que tanto Mato Grosso do Sul quanto São Paulo permanecem como possibilidades.

Como mostrou o Metrópoles, aliados da ministra contrataram uma consultoria para testar o nome de Tebet na disputa pelo governo paulista em 2026. O levantamento, segundo relatos, tem circulado entre ministros do governo Lula, reforçando as especulações sobre uma possível candidatura no maior colégio eleitoral do país.

Desembarques do governo

A conversa entre Tebet e Lula deve ocorrer em meio a uma série de encontros do presidente com ministros que devem deixar o governo até abril deste ano para disputar as eleições de 2026. A maioria dos auxiliares é cotada para vagas no Legislativo, como o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que pretende concorrer ao Senado por Pernambuco e se reuniu com Lula na quarta-feira (13/1).

Como mostrou o Metrópoles, Costa Filho já tem atuado nos bastidores para emplacar em seu lugar o nº 2 do ministério, o secretário-executivo Tomé Barros Monteiro de Franca, embora o nome não seja unânime e alguns aliados de Lula prefiram o advogado Anderson Pomini, atual presidente do Porto de Santos, para o cargo.

No mesmo dia, Lula também se encontrou com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um dos nomes preferidos do presidente para disputar o governo de São Paulo em 2026. Haddad, porém, tem se mostrado resistente à ideia e já afirmou que não pretende concorrer a cargo eletivo no próximo pleito. Ainda assim, o presidente tem tentado demovê-lo dessa posição.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Argentina acusada de injúria racial no RJ diz que "era brincadeira"

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Agostina Paez, turista argentina acusada de injúria racial contra gerente de bar em Ipanema RJ

Reprodução

A advogada argentina que imitou um macaco e é acusada de cometer injúria racial contra funcionário de um bar, no Rio de Janeiro, afirmou à polícia que fazia “uma brincadeira” com suas amigas e que não sabia que os gestos e xingamentos de “mono” (macaco) eram crime no Brasil. Agostina Páez, de 29 anos, aparece em vídeo fazendo os gestos e sendo repreendida pelas amigas. As declarações foram dadas à 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha), que investiga o caso.

A discussão ocorreu em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (14/1). Nesse sábado (17/1), a Justiça determinou que o passaporte da suspeita fosse apreendido, mas a turista fez a viagem ao Brasil somente com a identidade. Ela passou a usar tornozeleira eletrônica.

Veja:

 

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Um post compartilhado por Metrópoles (@metropoles)

A turista argentina se envolveu em uma discussão com o gerente de um bar, motivada por um suposto erro no pagamento da conta.

De acordo com a Polícia Civil (PCERJ), por causa disso, o gerente foi verificar as imagens de câmeras de segurança e pediu que a mulher permanecesse no estabelecimento até a resolução da situação.

Ainda segundo a PCERJ, nesse momento, a mulher iniciou xingamentos discriminatórios. Foi quando a vítima passou a gravar as atitudes criminosas da argentina.

O gerente foi até a 11ª DP (Rocinha) e relatou que a turista argentina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial.

Gestos

Pelas imagens, a mulher imitou gestos de macaco e reproduziu sons do animal. Ao tomarem ciência do fato, agentes da PCERJ iniciaram diligências para localizar a turista.

No decorrer das investigações, a unidade representou pela retenção do passaporte e pelo monitoramento eletrônico da mesma, medidas que foram deferidas pela Justiça.

Na manhã desse sábado (17/1), a turista argentina foi à delegacia prestar depoimento e as medidas foram cumpridas. A investigação segue em andamento para apurar todos os fatos.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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