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Corpo do piloto Miguel Quiroga chega a Cobija, cidade boliviana na fronteira com o Acre

JAIRO BARBOSA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM COBIJA (BOLÍVIA)

Familiares de Miguel Quiroga, 36, piloto envolvido na queda do avião da Chapecoense que deixou 71 mortos na Colômbia, pediram desculpas aos brasileiros, mas afirmaram que ele não pode ser criminalizado pela tragédia.

“Meu esposo não é um bandido. Ele queria voltar para casa como todos”, disse a mulher dele, a boliviana Daniela Pinto Quiroga, 37.

“Quero abraçar todas as pessoas que estão sofrendo. Eu entendo o momento de dor assim como o que sinto.”

As declarações de Daniela ocorreram depois da chegada do corpo de Quiroga em Cobija, cidade boliviana na fronteira com o Acre, na tarde desta sexta-feira (2).

O pai do piloto, o empresário Alberto Pinto, 61, definiu a tragédia como uma fatalidade e disse que o filho era bem qualificado, com formação em Oxford, na Inglaterra.

“Estão querendo criminalizar meu filho. Foi uma fatalidade o que aconteceu”.

Tanto a mulher como o pai do piloto, acompanhados das irmãs dele, pediram desculpas pelo acidente.

O avião da Força Aérea boliviana com o corpo do piloto chegou por volta das 15h20 na cidade (18h20 no horário de Brasília). Na chegada do caixão, Daniela desmaiou e precisou de assistência, assim como a mãe de Quiroga.

Do aeroporto, seguiu em caminhão do Corpo de Bombeiros da Bolívia, em cortejo militar, já que Quiroga era da Força Aérea boliviana, até a casa dos pais do piloto. Ele deve ser enterrado neste sábado (3) às 9h (12h horário de Brasília) em Cobija, sua cidade-natal, de 55,7 mil habitantes.

A mãe do pilito, Maria Pinto Murakami, de óculos, sentada, é confortada por familiares
A mãe do pilito, Maria Pinto Murakami, de óculos, sentada, é confortada por familiares

Ele vivia com a mulher Daniela e os três filhos –um deles nascido este ano– em Epitaciolândia, cidade acriana que faz fronteira com Cobija.

Enquanto aguardava a chegada do corpo, a mulher do piloto estava reclusa em Epitaciolândia. Também em Cobija, ela evitou as perguntas de repórteres na chegada do caixão. Depois, familiares deram declaração à imprensa.

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Também na tarde desta sexta, caixões com alguns dos jogadores e jornalistas mortos na tragédia deverão embarcar em três aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) em Rio Negro, cidade próxima a Medellín, na Colômbia.

Familiares do piloto, que vivem em outros Estados, lamentaram os comentários contra Quiroga. “Tenho visto muitos comentários, isso magoa”, diz sua prima, Kris Quiroga, 30, que mora no Rio.

Segundo Osvaldo Quiroga, 30, que vive em Nova York e é primo do piloto, o casal decidiu viver no lado brasileiro da fronteira exatamente para que os seus filhos nascessem em solo brasileiro.

“Sempre viveu conosco, era um rapaz brilhante, mais um filho, um amigo”, afirmou o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina à agência Efe.

 

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