Brasil
Morte violenta atinge 6,97 mil crianças e adolescentes por ano no país
A maior parte das mortes foi de adolescentes entre 15 e 19 anos

O Brasil teve uma média de 6,97 mil mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes por ano nos últimos cinco anos. Segundo o Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, divulgado hoje (22), entre 2016 e 2020 foram ao menos 34,9 mil mortes violentas intencionais contra pessoas de até 19 anos de idade. Somente no ano passado, foram 4.739 casos, menor número da série histórica.

O estudo é uma parceria do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A partir das análises dos boletins de ocorrência de todos os estados, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, o fórum sistematizou as informações sobre a violência contra essa parcela da população.
Adolescentes
A maior parte das mortes atingiu adolescentes entre 15 e 19 anos de idade. Foram 31 mil casos nessa faixa etária. Essas vítimas têm um perfil predominantemente masculino (92%) e negro (79%). A maioria dessas mortes foi causada por arma de fogo (85%) e classificada como homicídio (87%). No entanto, também aparecem como razão das mortes os feminicídios (1%) e as intervenções policiais (10%). Em 2020, o índice de mortes causadas por ação policial chegou a 15%, ficando em 44,4% no estado de São Paulo.
Na faixa entre 10 e 14 anos de idade, o perfil ainda é parecido com o dos adolescentes mais velhos – 78% são do sexo masculino, 80% negros e 75% das mortes causadas por arma de fogo. Entre as crianças, há uma mudança do perfil, das vítimas de 5 a 9 anos de idade, 55% são meninas, e, de até 4 anos de idade, 35% são do sexo feminino. As armas de fogo foram usadas em 47% das mortes de 5 a 9 anos de idade, e em 45% das crianças de até 4 anos de idade.
Outros fatores indicam as diferenças entre os crimes envolvendo as crianças e os adolescentes. Na faixa etária de 5 a 9 anos de idade, 76% conheciam o agressor. Entre 15 e 19 anos de idade, o autor da morte é desconhecido em 56% dos casos. Muda também o local da violência, de 5 a 9 anos de idade, em 31% das vezes acontece dentro de casa, percentual que cai para 13% em relação aos jovens de 15 a 19 anos de idade. Nessa faixa etária, 46% das mortes acontecem na rua.
“São mortes com características diferentes. Nós precisamos olhar de forma diferente para esses dois fenômenos”, disse a pesquisadora do FBSP Sofia Reinach. Enquanto entre as crianças a maior parte das mortes vem da violência doméstica, entre os adolescentes as vítimas sofrem especialmente com a violência urbana.
Apesar das agressões dentro de casa serem a causa mais importante das mortes entre crianças, elas também são vítimas da violência urbana, como ressalta a diretora-executiva do fórum, Samira Bueno. “Tem casos de 0 a 9 anos que acontecem de dinâmicas da violência urbana. Não é o padrão, mas acontece, sim, criança que morreu baleada voltando da escola para a casa”, disse.
Falta de dados
Os jovens negros são maioria das vítimas também entre as faixas etárias mais baixas, representando 58% das mortes de até 4 anos de idade, 68% de 5 a 9 anos de idade, e 80% de 10 a 14 anos de idade. Esse dado, assim como outros analisados para o estudo, foram, entretanto, prejudicados pela falta de padronização no preenchimento dos boletins de ocorrência. Em 30% dos documentos não há informação sobre raça ou cor das vítimas.
Outras informações, como a idade anotada apenas por faixa, não exata, e a falta de informações sobre arma e local, são elementos que dificultam o trabalho de pesquisa, segundo Bueno. “É um esforço para pressionar as autoridades públicas na melhoria da qualidade da informação, que muitas vezes o profissional que está na ponta nem reconhece o quanto importante é”, disse Samira Bueno. De acordo com ela, o próprio número de mortes de crianças e adolescentes pode estar subdimensionado devido a esses problemas.
Violência sexual
O estudo analisou ainda os dados de estupros contra crianças e adolescentes. Foram registrados 179,27 mil casos entre 2017 e 2020 em todos os estados. A maioria das vítimas (81%) tinha menos de 14 anos de idade. A faixa entre 10 e 14 anos de idade é a que concentra mais notificações – 74,4 mil. Entre as crianças mais jovens, de até 4 anos de idade, foram 22,1 mil casos.
As meninas são a maioria das vítimas entre todas as faixas de idade, respondendo por 78% dos casos até 4 anos. Esse percentual aumenta para 91% entre 10 e 19 anos de idade.
A residência da vítima é o lugar onde a maior parte dos crimes acontece, em 67% dos casos envolvendo crianças de até 4 anos de idade e em 53% quando com adolescentes entre 15 e 19 anos de idade. Do total de crimes analisados, o agressor é conhecido em 86% dos registros.
Os pesquisadores lembram que o estupro é um crime que “notoriamente” tem alto índice de subnotificação, ou seja, parte dos crimes não chega a ser registrado nas delegacias. Para além disso, o grupo identificou muitas falhas nos boletins de ocorrência feitos em 2016, o que levou a opção de só levar em consideração as informações a partir de 2017. “Quanto mais antigos os registros, mais imprecisos e incompletos são os dados informados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública”, destaca o texto da pesquisa.
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Governo age para conter greve, mas caminhoneiros insistem em pressão

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coordena uma ofensiva para conter os efeitos da alta do diesel e evitar uma possível paralisação de caminhoneiros, que pode trazer impactos econômicos e políticos em pleno ano eleitoral.
As medidas anunciadas vão desde o endurecimento da fiscalização sobre postos e empresas até a concessão de subsídios. Apesar dos esforços, entidades que representam os trabalhadores de carga ainda ameaçam paralisar.
Nessa quarta-feira (18/3), o Ministério dos Transportes anunciou que vai ampliar a fiscalização eletrônica e presencial sobre o pagamento dos pisos mínimos de frete. O governo também deve formular, nos próximos dias, um instrumento legal para permitir a punição a empresas que pagam abaixo do valor mínimo de forma reiterada. Segundo o titular da pasta, Renan Filho, esse tipo de prática se tornou recorrente no mercado.
As medidas foram anunciadas um dia após crescer o movimento grevista por parte de entidades representativas dos caminhoneiros. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor médio do diesel subiu quase 12% na última semana e alcançou R$ 6,80 o litro.
Segundo organizações ouvidas pelo Metrópoles, as ações são insuficientes diante das demandas da categoria. Além da alta do diesel, provocada pela guerra no Oriente Médio, trabalhadores cobram uma nova atualização da tabela do frete e melhores condições de trabalho.
A Associação Nacional de Transporte de Cargas (ANTC), que atua na região portuária de Santa Catarina (SC), anunciou a paralisação das atividades a partir das 12h desta quinta-feira (19/3).
Ao Metrópoles, o diretor da ANTC, Sérgio Pereira, classificou as medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do combustível e fazer cumprir a tabela do frete como “fracas” e “insuficientes”. A associação cobra uma nova atualização da tabela do piso de frete, além de melhores condições de trabalho.
Na quarta, representantes de diferentes entidades se reuniram em Santos (SP) para discutir a mobilização. Segundo relatos, ficou acordado que, caso a paralisação nacional seja aprovada, ela será de forma pacífica, sem bloqueios de rodovias. “Não queremos confronto. Queremos respeito”, afirmou um dos participantes.
O encontro, no entanto, terminou sem definição formal, mas com o encaminhamento de que a categoria delibere nesta quinta-feira (19/3), durante a Assembleia Geral dos Caminhoneiros. A reunião está marcada para as 16h, na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (SINDICAM).
A assembleia avaliará as medidas anunciadas pelo governo federal em relação às demandas da categoria. Até lá, os caminhoneiros seguem em estado de greve.
Fiscalização de fretes
- Nessa quarta, o governo anunciou o endurecimento da fiscalização sobre empresas que descumprem a tabela mínima de preços dos fretes.
- A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai passar a fiscalizar todos os fretes de forma eletrônica, além de intensificar o monitoramento presencial.
- O Executivo também prevê punições para empresas que insistem em pagar o valor inferior ao estabelecido para o transporte de cargas.
- Na semana passada, a ANTT já havia atualizado o piso do frete em resposta à variação do diesel. Os novos percentuais são os seguintes: Tabela A – transporte rodoviário de carga de lotação: 4,82%; Tabela B – veículo automotor de cargas: 5,57%; Tabela C – transporte rodoviário de carga de lotação de alto desempenho: 6,15%; Tabela D – veículo de cargas de alto desempenho: 7%.
Combate a abusos
Além da fiscalização sobre os pisos do frete, o Executivo aumentou o monitoramento em relação ao aumento abusivo dos preços dos combustíveis.
Na semana passada, Lula retirou impostos federais — PIS e Cofins — que incidem sobre o produto, além de assinar uma medida provisória (MP) que institui a subvenção a produtores e importadores de óleo diesel, e estabelece uma alíquota de 12% para a exportação, reduzindo o preço nas refinarias em R$ 0,64.
Com o intuito de promover a transparência no setor, o chefe do Executivo também determinou, por meio de decreto assinado na última quinta-feira (12/3), que as ações para combater o aumento dos preços nos postos deverão “ser informadas ao consumidor, em formato de placa, de maneira clara e visível, nas revendas varejistas de combustíveis”.
Na terça-feira (17/3), a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar possíveis crimes contra consumidores e contra a ordem econômica após relatos de oscilações nos preços em postos, em diferentes locais do país. A fiscalização percorreu, até então, 16 unidades da federação. Agora, as diligências devem se voltar às distribuidoras de combustíveis.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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CPMI do INSS tem derrotas e clima de "acabou" a dias do prazo final

Nesta semana, nenhuma das duas sessões marcadas aconteceu após decisão da Suprema Corte de conceder habeas corpus aos depoentes, o que frustrou a cúpula do colegiado.
Instalada com o objetivo de investigar suspeitas de irregularidades na gestão de benefícios previdenciários, a comissão perdeu tração ao longo dos últimos meses diante de divergências internas, dificuldades na aprovação de requerimentos e resistência de setores do governo e da oposição em avançar sobre pontos mais sensíveis da apuração.
Parlamentares ouvidos reservadamente admitem que o colegiado não conseguiu consolidar uma linha investigativa consistente. A rejeição de convocações consideradas estratégicas e o adiamento de oitivas relevantes contribuíram para a percepção de que a CPMI entrou em fase de desgaste antes mesmo de alcançar conclusões robustas.
O ambiente político também influenciou o ritmo dos trabalhos. Com a explosão do caso do Banco Master, a comissão passou a ocupar espaço secundário nas prioridades das lideranças partidárias, bem como a agenda do Congresso voltada para pautas econômicas e articulações eleitorais. Esse contexto reduziu o quórum em reuniões recentes e dificultou a construção de consensos mínimos.
Clima na CPMI é de que “já deu o que tinha que dar”
- Prazo final e esvaziamento político: CPMI se aproxima do fim (28/3) sob derrotas no STF e avaliação de baixo impacto;
- STF trava oitivas e frustra comissão:habeas corpus concedidos a depoentes impediram sessões e esvaziaram a agenda;
- Falta de rumo e impasses internos: divergências, rejeição de requerimentos e adiamentos enfraqueceram a investigação;
- Clima de encerramento sem resultados: parlamentares já veem a CPMI como “acabada”, com relatório de alcance limitado.
Aliados do governo avaliam que a CPMI cumpriu um papel político, mas não reuniu elementos suficientes para sustentar medidas mais duras. Já integrantes da oposição criticam o que classificam como “blindagem” e apontam falta de apoio para aprofundar investigações, e defendem que a comissão seja prorrogada.
É nisso que a cúpula se agarra: em uma possível decisão do ministro André Mendonça, do STF, sobre um mandado de segurança para postergar as sessões, a fim de conseguir ouvir mais pessoas envolvidas nos empréstimos ilegais em consignados de bancos.
“Vejo com muito bons olhos e com ânimo a definição do ministro André Mendonça como relator do mandado de segurança que trata da prorrogação da CPMI do INSS”, escreveu Viana em sua página no X, na terça-feira (17/3).
O colegiado não recebeu, até o momento, sinais do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a prorrogação.
Entretanto, o próprio presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), admitiu, na quarta-feira (18/3), a possibilidade da leitura e votação do relatório final na próxima semana.
“Fim antecipado”
Nos bastidores, o clima é descrito como de “fim antecipado”. A expectativa é que o relatório final seja apresentado dentro do prazo, mas com alcance limitado, refletindo o impasse político que marcou a condução da comissão desde sua instalação.
Integrantes do centro acompanham a base do governo no sentido de achar que a comissão tem um clima de que “já acabou”.
Com isso, a CPMI do INSS deve encerrar seus trabalhos sob a marca de frustração entre parte dos parlamentares e sem produzir o impacto político inicialmente projetado no Congresso Nacional.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Caso Master: Congresso se prepara para delação premiada de Vorcaro

As expectativas em torno de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cresceram no Congresso Nacional.
Dois movimentos recentes contribuíram para intensificar esse cenário: as mudanças na equipe jurídica do banqueiro e as conversas do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com a Polícia Federal. Como mostrou o Metrópoles, a possibilidade de delação foi um dos temas tratados nesses encontros.
Além dos inquéritos na PF, o banqueiro também passou a ser alvo de apurações na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado. Parlamentares desses colegiados, com acesso a dados obtidos por quebras de sigilo, avaliam que Vorcaro mantinha “infiltração” em diversas esferas do poder.
Um parlamentar que analisou uma nova leva de arquivos, mantida em uma sala-cofre e recebida pela CPMI, relatou a existência de registros de documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que, segundo ele, seriam sigilosos.
Outros deputados e senadores afirmam que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos, incluindo ministros do STF e outras autoridades. Também teriam sido identificadas fotos de autoridades em confraternizações com o banqueiro.
Na noite de segunda-feira (16/3), o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, mandou que a PF retirasse os dados do Vorcaro da sala-cofre diante de supostos vazamentos. Na noite de quarta-feira (18/3) a PF alegou que parte dos dados haviam sido reinseridos no sistema do Senado.
A Sala-cofre
- Em 12 de março, o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que recebeu a quebra de sigilo telemático de Vorcaro
- Para acelerar o acesso, a CPMI decidiu liberar o acesso aos parlamentares e assessores ao material bruto a partir de sexta-feira (13/03)
- A sala contiuou aberta no sábado e no domingo, datas em que foram acessados a lista de contatos, documentos e conversas do banqueiro
- Já na segunda-feira, Mendonça decidiu encerrar o acesso aos dados do banqueiro por vazamentos
- A PF passou a terça-feira (17/03) recolhendo os materiais
Dentro do Congresso, os possíveis vínculos do empresário com autoridades têm gerado temor e apreensão quanto à extensão de uma eventual delação. Na última semana, durante visitas à sala-cofre da CPMI, parlamentares tanto da base governista quanto da oposição tentaram afastar qualquer associação dos grupos aos esquemas investigados.
Apesar do clima de tensão, um líder da Câmara, sob reserva, defendeu que Vorcaro firme um acordo de delação para dissipar o “ar pesado” no Congresso. Na avaliação dele, as suspeitas de envolvimento de autoridades, incluindo deputados e senadores, em favorecimento aos negócios do banqueiro prejudicam a imagem institucional e alimentam a desconfiança às vésperas das eleições.
“Ele tem mais é que delatar mesmo. Os líderes estão evitando tocar nesse assunto, mas acho que é bom porque o CPF tem que pagar; não dá para continuar com essa coisa de responsabilizar o CNPJ, no caso o Congresso”, afirmou.
Um parlamentar do Centrão, por outro lado, avalia que a delação pode “tumultuar” o funcionamento da Casa e alcançar colegas.
“É complicado, porque ele fala, mas há toda a questão das provas. Ele delata, começam os vazamentos, os dedos são apontados para os citados. E depois? Se isso acontecer, pode virar um furacão. A gente já viu isso em outros escândalos”, disse.
A possibilidade de delação de Vorcaro já foi discutida tanto com a Polícia Federal quanto com André Mendonça.
Ao relator do caso, o advogado José Luís Oliveira Lima mencionou o acordo como uma alternativa a ser avaliada. Já na PF, sinalizou a intenção de apresentar uma “delação séria e completa”.
Segundo apuração da coluna de Mirelle Pinheiro, o defensor afirmou que Vorcaro estaria disposto a fornecer todas as informações, sem poupar nenhum dos envolvidos.
Investigação
Investigado por fraudes financeiras, Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília. Relator do caso no STF, André Mendonça apontou “risco concreto de interferência nas investigações” ao determinar a prisão, que foi depois mantida pela decisão da maioria da Segunda Turma do STF.
De acordo com a Polícia Federal, o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central, pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão de CDBs irregulares. O BC afirmou que a instituição violou normas que regem a atividade das entidades integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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