Acre
Moradores sofrem com falta de água para beber e demora na assistência

Foto: Whidy Melo/ac24horas
Com a cheia do Rio Acre, moradores da Rua Passo Fundo, no bairro Ayrton Senna, enfrentam neste sábado, 15, falta de assistência, escassez de água potável e dificuldades para sair de casa. Sem resposta dos bombeiros, muitas famílias permanecem ilhadas, enfrentando condições precárias enquanto aguardam resgate.
A moradora Cleociane dos Santos Mendes, de 24 anos, vive na casa alagada com o esposo e quatro filhos, incluindo uma criança de um ano e outra com autismo. Ela afirma que está sem acesso ao banheiro e que já tentou acionar os bombeiros diversas vezes, sem sucesso.
“Desde ontem eu ligo pro bombeiro pra eles virem tirar a gente. Como a nossa casa é alta, o banheiro está embaixo, e já tá tampado. Não tem como ir ao banheiro. Além de não ter água, não tem como usar o banheiro. Desde ontem estamos ligando pra eles e até agora não vieram”, desabafou.
A solução improvisada para a falta de banheiro tem sido usar sacos plásticos dentro de casa. “Eu já tenho medo de pegar uma doença. Já nem tô bem, peguei uma gripe e tô me recuperando. Para levar os meninos pra rua, pra fazer xixi ou outra coisa, fico com medo de que eles peguem alguma coisa também”, relatou Cleociane.
A escassez de água potável também preocupa os moradores. Maria dos Anjos, de 50 anos, explicou que, em outras alagações, havia apoio para levar água e comida aos atingidos, mas agora não há qualquer suporte.
“Na outra alagação traziam água para beber, para as pessoas. Trazia até marmita para quem estava preso. Agora, não tem ajuda de nada. Se o bombeiro não vem, não tem ajuda para sair. A gente tem que comprar água de garrafinha em garrafinha. É difícil”, lamentou.
Além da demora no resgate, moradores afirmam que algumas pessoas só conseguiram sair de casa após muita insistência. Francine Teixeira, de 54 anos, criticou a demora da assistência.
“Eles não estão tendo assistência do bombeiro. Nenhuma assistência. Vieram ontem, mas só tiraram uma vizinha porque ela brigou. Quando foram pegar uma pessoa, ela fez um escândalo, por isso levaram as coisas dela. Se não, nem tinham levado. Tem uma mulher ali, grávida, que ligou desde ontem e ninguém veio. Eu liguei à noite porque achei que não ia encher tanto, mas agora já tá tudo tomado”, disse Francine.
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Acre
Rio Acre sobe 51 cm em três horas e se aproxima da cota de alerta em Rio Branco
Chuvas intensas dos últimos dias aceleram elevação do manancial, que já alcança 11,95 metros na capital

Foto: Sérgio Vale
O nível do Rio Acre continua em elevação em Rio Branco nesta segunda-feira (12), conforme boletim divulgado pela Defesa Civil Municipal. De acordo com os dados oficiais, às 5h32 o rio marcava 11,44 metros e subiu para 11,95 metros às 9h, um aumento de 51 centímetros em pouco mais de três horas.
A elevação ocorre em meio às chuvas registradas nas últimas 24 horas na capital acreana, que somaram 11,95 milímetros e contribuíram diretamente para o aumento do volume de água do manancial. Apesar da subida, o nível do rio permanece abaixo da cota de alerta, estabelecida em 13,50 metros, e da cota de transbordo, fixada em 14 metros.
Segundo a Defesa Civil, o cenário atual reflete uma mudança no comportamento do rio nos últimos dias. Na sexta-feira (10), o nível estava em 9,49 metros e apresentava tendência de baixa. Com o aumento das chuvas, o quadro foi revertido. No sábado (11), o Rio Acre subiu de 10,44 metros nas primeiras horas da manhã para 11,21 metros à meia-noite, impulsionado por um acumulado de 35,60 milímetros de chuva em 24 horas.
Nesta segunda-feira, além da elevação acelerada do nível do rio, Rio Branco voltou a registrar alagamentos em diferentes pontos da cidade. Dados meteorológicos indicam que, desde a última sexta-feira (9), a capital enfrenta precipitações intensas e recorrentes. Apenas nos primeiros dias de janeiro, o volume acumulado de chuvas já ultrapassa 140 milímetros, aumentando o risco de novos alagamentos e exigindo atenção redobrada das autoridades e da população.



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