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Justiça do DF arquiva ação penal de Bolsonaro por incitação ao crime de estupro contra deputada

O caso, que envolveu a deputada Maria do Rosário, aconteceu em 2014; o juiz disse que o prazo prescreveu e que ‘não há outra solução jurídica’
A Justiça do Distrito Federal arquivou nesta quarta-feira (8) a ação penal do ex-presidente Jair Bolsonaro por incitação ao crime de estupro supostamente cometido contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, quando ele era deputado pelo Rio de Janeiro.
A decisão foi dada pelo juiz Francisco Antonio Alves de Oliveira, do 2º Juizado Especial Criminal de Brasília. De acordo com o magistrado, considerando-se que crimes com pena máxima inferiores a um ano prescrevem em três anos e que a conduta atribuída a Bolsonaro teria pena máxima de seis meses de detenção, “não há outra solução jurídica senão o reconhecimento da prescrição punitiva do Estado”.
Segundo a denúncia, o crime teria acontecido durante uma entrevista, em dezembro de 2014. Bolsonaro teria dito: “Ela não merece, porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”, referindo-se à deputada Maria do Rosário.
Em junho de 2016, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a denúncia. Em fevereiro de 2019, o ministro Luiz Fux suspendeu a ação pelo fato de que Bolsonaro havia sido eleito presidente. Ele foi condenado em primeira instância a pagar R$ 10 mil e se retratar. Bolsonaro entrou com recurso até 2019, mas a sentença cível foi definitiva. O ex-presidente pagou cerca de R$ 20 mil à deputada.
Em junho deste ano, depois que Bolsonaro já não era mais presidente, o ministro Dias Toffoli encaminhou a ação a uma das Varas Criminais de Brasília. O Ministério Público se manifestou pelo arquivamento da ação, “por entender que está prescrita a pretensão punitiva”.
“Considero que o réu se beneficiou pelo tempo em que o processo transcorreu. Mesmo assim, a Justiça já o condenou no cível ao pagamento de indenização, que distribuí a entidades de combate à violência contra as mulheres”, afirmou Maria do Rosário.
O advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef, afirmou que o ex-presidente “jamais fez apologia a qualquer crime” e “sempre lutou pelas mulheres”. Wassef diz ainda que a acusação é “uma injustiça e fake news” e que ele e o cliente estão “felizes, porque a Justiça foi feita”.
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Governo age para conter greve, mas caminhoneiros insistem em pressão

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coordena uma ofensiva para conter os efeitos da alta do diesel e evitar uma possível paralisação de caminhoneiros, que pode trazer impactos econômicos e políticos em pleno ano eleitoral.
As medidas anunciadas vão desde o endurecimento da fiscalização sobre postos e empresas até a concessão de subsídios. Apesar dos esforços, entidades que representam os trabalhadores de carga ainda ameaçam paralisar.
Nessa quarta-feira (18/3), o Ministério dos Transportes anunciou que vai ampliar a fiscalização eletrônica e presencial sobre o pagamento dos pisos mínimos de frete. O governo também deve formular, nos próximos dias, um instrumento legal para permitir a punição a empresas que pagam abaixo do valor mínimo de forma reiterada. Segundo o titular da pasta, Renan Filho, esse tipo de prática se tornou recorrente no mercado.
As medidas foram anunciadas um dia após crescer o movimento grevista por parte de entidades representativas dos caminhoneiros. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor médio do diesel subiu quase 12% na última semana e alcançou R$ 6,80 o litro.
Segundo organizações ouvidas pelo Metrópoles, as ações são insuficientes diante das demandas da categoria. Além da alta do diesel, provocada pela guerra no Oriente Médio, trabalhadores cobram uma nova atualização da tabela do frete e melhores condições de trabalho.
A Associação Nacional de Transporte de Cargas (ANTC), que atua na região portuária de Santa Catarina (SC), anunciou a paralisação das atividades a partir das 12h desta quinta-feira (19/3).
Ao Metrópoles, o diretor da ANTC, Sérgio Pereira, classificou as medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do combustível e fazer cumprir a tabela do frete como “fracas” e “insuficientes”. A associação cobra uma nova atualização da tabela do piso de frete, além de melhores condições de trabalho.
Na quarta, representantes de diferentes entidades se reuniram em Santos (SP) para discutir a mobilização. Segundo relatos, ficou acordado que, caso a paralisação nacional seja aprovada, ela será de forma pacífica, sem bloqueios de rodovias. “Não queremos confronto. Queremos respeito”, afirmou um dos participantes.
O encontro, no entanto, terminou sem definição formal, mas com o encaminhamento de que a categoria delibere nesta quinta-feira (19/3), durante a Assembleia Geral dos Caminhoneiros. A reunião está marcada para as 16h, na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (SINDICAM).
A assembleia avaliará as medidas anunciadas pelo governo federal em relação às demandas da categoria. Até lá, os caminhoneiros seguem em estado de greve.
Fiscalização de fretes
- Nessa quarta, o governo anunciou o endurecimento da fiscalização sobre empresas que descumprem a tabela mínima de preços dos fretes.
- A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai passar a fiscalizar todos os fretes de forma eletrônica, além de intensificar o monitoramento presencial.
- O Executivo também prevê punições para empresas que insistem em pagar o valor inferior ao estabelecido para o transporte de cargas.
- Na semana passada, a ANTT já havia atualizado o piso do frete em resposta à variação do diesel. Os novos percentuais são os seguintes: Tabela A – transporte rodoviário de carga de lotação: 4,82%; Tabela B – veículo automotor de cargas: 5,57%; Tabela C – transporte rodoviário de carga de lotação de alto desempenho: 6,15%; Tabela D – veículo de cargas de alto desempenho: 7%.
Combate a abusos
Além da fiscalização sobre os pisos do frete, o Executivo aumentou o monitoramento em relação ao aumento abusivo dos preços dos combustíveis.
Na semana passada, Lula retirou impostos federais — PIS e Cofins — que incidem sobre o produto, além de assinar uma medida provisória (MP) que institui a subvenção a produtores e importadores de óleo diesel, e estabelece uma alíquota de 12% para a exportação, reduzindo o preço nas refinarias em R$ 0,64.
Com o intuito de promover a transparência no setor, o chefe do Executivo também determinou, por meio de decreto assinado na última quinta-feira (12/3), que as ações para combater o aumento dos preços nos postos deverão “ser informadas ao consumidor, em formato de placa, de maneira clara e visível, nas revendas varejistas de combustíveis”.
Na terça-feira (17/3), a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar possíveis crimes contra consumidores e contra a ordem econômica após relatos de oscilações nos preços em postos, em diferentes locais do país. A fiscalização percorreu, até então, 16 unidades da federação. Agora, as diligências devem se voltar às distribuidoras de combustíveis.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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CPMI do INSS tem derrotas e clima de "acabou" a dias do prazo final

Nesta semana, nenhuma das duas sessões marcadas aconteceu após decisão da Suprema Corte de conceder habeas corpus aos depoentes, o que frustrou a cúpula do colegiado.
Instalada com o objetivo de investigar suspeitas de irregularidades na gestão de benefícios previdenciários, a comissão perdeu tração ao longo dos últimos meses diante de divergências internas, dificuldades na aprovação de requerimentos e resistência de setores do governo e da oposição em avançar sobre pontos mais sensíveis da apuração.
Parlamentares ouvidos reservadamente admitem que o colegiado não conseguiu consolidar uma linha investigativa consistente. A rejeição de convocações consideradas estratégicas e o adiamento de oitivas relevantes contribuíram para a percepção de que a CPMI entrou em fase de desgaste antes mesmo de alcançar conclusões robustas.
O ambiente político também influenciou o ritmo dos trabalhos. Com a explosão do caso do Banco Master, a comissão passou a ocupar espaço secundário nas prioridades das lideranças partidárias, bem como a agenda do Congresso voltada para pautas econômicas e articulações eleitorais. Esse contexto reduziu o quórum em reuniões recentes e dificultou a construção de consensos mínimos.
Clima na CPMI é de que “já deu o que tinha que dar”
- Prazo final e esvaziamento político: CPMI se aproxima do fim (28/3) sob derrotas no STF e avaliação de baixo impacto;
- STF trava oitivas e frustra comissão:habeas corpus concedidos a depoentes impediram sessões e esvaziaram a agenda;
- Falta de rumo e impasses internos: divergências, rejeição de requerimentos e adiamentos enfraqueceram a investigação;
- Clima de encerramento sem resultados: parlamentares já veem a CPMI como “acabada”, com relatório de alcance limitado.
Aliados do governo avaliam que a CPMI cumpriu um papel político, mas não reuniu elementos suficientes para sustentar medidas mais duras. Já integrantes da oposição criticam o que classificam como “blindagem” e apontam falta de apoio para aprofundar investigações, e defendem que a comissão seja prorrogada.
É nisso que a cúpula se agarra: em uma possível decisão do ministro André Mendonça, do STF, sobre um mandado de segurança para postergar as sessões, a fim de conseguir ouvir mais pessoas envolvidas nos empréstimos ilegais em consignados de bancos.
“Vejo com muito bons olhos e com ânimo a definição do ministro André Mendonça como relator do mandado de segurança que trata da prorrogação da CPMI do INSS”, escreveu Viana em sua página no X, na terça-feira (17/3).
O colegiado não recebeu, até o momento, sinais do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a prorrogação.
Entretanto, o próprio presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), admitiu, na quarta-feira (18/3), a possibilidade da leitura e votação do relatório final na próxima semana.
“Fim antecipado”
Nos bastidores, o clima é descrito como de “fim antecipado”. A expectativa é que o relatório final seja apresentado dentro do prazo, mas com alcance limitado, refletindo o impasse político que marcou a condução da comissão desde sua instalação.
Integrantes do centro acompanham a base do governo no sentido de achar que a comissão tem um clima de que “já acabou”.
Com isso, a CPMI do INSS deve encerrar seus trabalhos sob a marca de frustração entre parte dos parlamentares e sem produzir o impacto político inicialmente projetado no Congresso Nacional.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Caso Master: Congresso se prepara para delação premiada de Vorcaro

As expectativas em torno de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cresceram no Congresso Nacional.
Dois movimentos recentes contribuíram para intensificar esse cenário: as mudanças na equipe jurídica do banqueiro e as conversas do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com a Polícia Federal. Como mostrou o Metrópoles, a possibilidade de delação foi um dos temas tratados nesses encontros.
Além dos inquéritos na PF, o banqueiro também passou a ser alvo de apurações na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado. Parlamentares desses colegiados, com acesso a dados obtidos por quebras de sigilo, avaliam que Vorcaro mantinha “infiltração” em diversas esferas do poder.
Um parlamentar que analisou uma nova leva de arquivos, mantida em uma sala-cofre e recebida pela CPMI, relatou a existência de registros de documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que, segundo ele, seriam sigilosos.
Outros deputados e senadores afirmam que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos, incluindo ministros do STF e outras autoridades. Também teriam sido identificadas fotos de autoridades em confraternizações com o banqueiro.
Na noite de segunda-feira (16/3), o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, mandou que a PF retirasse os dados do Vorcaro da sala-cofre diante de supostos vazamentos. Na noite de quarta-feira (18/3) a PF alegou que parte dos dados haviam sido reinseridos no sistema do Senado.
A Sala-cofre
- Em 12 de março, o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que recebeu a quebra de sigilo telemático de Vorcaro
- Para acelerar o acesso, a CPMI decidiu liberar o acesso aos parlamentares e assessores ao material bruto a partir de sexta-feira (13/03)
- A sala contiuou aberta no sábado e no domingo, datas em que foram acessados a lista de contatos, documentos e conversas do banqueiro
- Já na segunda-feira, Mendonça decidiu encerrar o acesso aos dados do banqueiro por vazamentos
- A PF passou a terça-feira (17/03) recolhendo os materiais
Dentro do Congresso, os possíveis vínculos do empresário com autoridades têm gerado temor e apreensão quanto à extensão de uma eventual delação. Na última semana, durante visitas à sala-cofre da CPMI, parlamentares tanto da base governista quanto da oposição tentaram afastar qualquer associação dos grupos aos esquemas investigados.
Apesar do clima de tensão, um líder da Câmara, sob reserva, defendeu que Vorcaro firme um acordo de delação para dissipar o “ar pesado” no Congresso. Na avaliação dele, as suspeitas de envolvimento de autoridades, incluindo deputados e senadores, em favorecimento aos negócios do banqueiro prejudicam a imagem institucional e alimentam a desconfiança às vésperas das eleições.
“Ele tem mais é que delatar mesmo. Os líderes estão evitando tocar nesse assunto, mas acho que é bom porque o CPF tem que pagar; não dá para continuar com essa coisa de responsabilizar o CNPJ, no caso o Congresso”, afirmou.
Um parlamentar do Centrão, por outro lado, avalia que a delação pode “tumultuar” o funcionamento da Casa e alcançar colegas.
“É complicado, porque ele fala, mas há toda a questão das provas. Ele delata, começam os vazamentos, os dedos são apontados para os citados. E depois? Se isso acontecer, pode virar um furacão. A gente já viu isso em outros escândalos”, disse.
A possibilidade de delação de Vorcaro já foi discutida tanto com a Polícia Federal quanto com André Mendonça.
Ao relator do caso, o advogado José Luís Oliveira Lima mencionou o acordo como uma alternativa a ser avaliada. Já na PF, sinalizou a intenção de apresentar uma “delação séria e completa”.
Segundo apuração da coluna de Mirelle Pinheiro, o defensor afirmou que Vorcaro estaria disposto a fornecer todas as informações, sem poupar nenhum dos envolvidos.
Investigação
Investigado por fraudes financeiras, Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília. Relator do caso no STF, André Mendonça apontou “risco concreto de interferência nas investigações” ao determinar a prisão, que foi depois mantida pela decisão da maioria da Segunda Turma do STF.
De acordo com a Polícia Federal, o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central, pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão de CDBs irregulares. O BC afirmou que a instituição violou normas que regem a atividade das entidades integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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