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Justiça do Acre autoriza quebra do sigilo telefônico de homem que matou a esposa após ela descobrir traição

Decisão do juiz Alesson Braz da 2ª Vara do Tribunal do Júri que também manteve a prisão preventiva de Hitalo Gouveia.

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Adriana Paulichen foi morta pelo marido após descobrir traição – Foto: Arquivo pessoal

Por Alcinete Gadelha

O juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco e Auditoria Militar, autorizou a quebra do sigilo telefônico de Hitalo Marinho Gouveia, de 33 anos, preso ao confessar ter matado a esposa Adriana Paulichen, de 23 anos, com duas facadas e por estrangulamento no dia 9 de julho em Rio Branco.

A decisão ocorre após um pedido do Ministério Público Estadual (MP-AC), que considera que as informações obtidas nos dois aparelhos que supõe ser um da vítima e outro de Hitalo deve dar maior subsídio ao esclarecimento do fato, já que não tem testemunhas presenciais.

O juiz determina que os aparelhos sejam encaminhados ao Instituto de Criminalística para levantamento das conversas no aplicativo WhatsApp, com atenção aos contatos com a mulher que ele estaria mantendo um caso, e mais três pessoas específicas e qualquer outro contato, que tratem sobre as agressões que ocorreram na noite do dia anterior e o caso extraconjugal mantido por ele.

O documento pede ainda que seja levantada a relação de ligações efetuadas, recebidas no dia do crime e nos dois dias que o antecederam, constando o dia, horário e, se possível, o nome do contato, no caso desse estar cadastrado nas agendas dos telefones. Na mesma decisão, o juiz também manteve a prisão de Gouveia.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Hitalo Gouveia, até a última atualização desta reportagem.

Hitalo Marinho Gouveia teve o pedido de liberdade negado e permanece preso – Foto: Arquivo

Denúncia

A justiça aceitou denúncia contra o suspeito no início de agosto. A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Efrain Mendoza Filho, aponta crime torpe contra mulher por razões do sexo feminino (feminicídio), com recurso que dificultou a defesa da vítima.

“A ação do denunciado tomou por base a torpeza, visto que suas ações são imorais, vergonhosas, repudiadas moral e socialmente, e demonstram com clareza a depravação espiritual do agente. Matou a vítima por esta não aceitar suas traições. Importa ainda destacar que o crime foi praticado dentro do ambiente familiar, valendo-se das relações domésticas, visto que a vítima era esposa do denunciado. O crime foi cometido na presença do filho da vítima, um bebê de poucos meses de idade, que levará consigo esse trauma ao logo de toda a sua vida, carregando o estigma deque seu pai executou de forma fria e perversa sua mãe”, destaca o promotora denúncia.

Gouveia segue preso no Complexo Penitenciário de Rio Branco. O pedido de liberdade provisória foi protocolado no dia seguinte do crime. No pedido de liberdade, a defesa alegava que ele é réu primário, tinha bons antecedentes e tinha casa fixa e ocupação lícita.

O promotor qualifica ainda o crime hediondo cometido contra Adriana por motivo torpe, com agravante de asfixia, à traição e contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.

O MP-AC pede ainda o pagamento de indenização à família da vítima, ascendentes e descendentes, na ordem de dois salários mínimos, ou seja R$ 2,2 mil , por cada mês de vida que teria a vítima até completar a idade de expectativa de vida da mulher brasileira.

Ainda na segunda-feira (2), o Ministério Público pediu quebra de sigilo telefônico tanto da vítima como do acusado, destacando que quer a relação de ligações efetuadas e recebidas no dia do crime e nos dois dias que o antecederam, constando, o dia, horário e, se possível, o nome do contato.

Depoimento do acusado

O crime ocorreu no bairro Estação Experimental em um ponto comercial aonde o casal vivia temporariamente. Quando a Polícia Militar chegou ao local, Gouveia já estava detido por um policial civil, que acionou as guarnições

No depoimento dado à polícia, Gouveia contou que manteve união estável por dois anos e 11 meses com a vítima, sendo que após esse período eles se casaram há 10 meses. Eles têm um filho de seis meses.

O preso contou que desde o mês de novembro de 2020, quando a esposa descobriu uma traição, ela passou a ser agressiva com ele, de maneira que ao discutirem, ela dava chutes, socos, arranhões, mas ele nunca revidava.

Ele relatou que no dia do crime, por volta de meia-noite, começou a discutir com a esposa dentro do apartamento que tinham acabado de alugar no bairro Isaura Parente, depois que contou que tinha traído ela com a amiga dela.

Depois disso, os dois voltaram para o escritório, onde estavam morando de forma provisória e a mulher teria começado a bater nele com chutes e tapas. E depois, ela pediu que ele fosse embora, mas ele decidiu ficar e trancou a porta do escritório.

Foi quando a vítima pegou uma faca e começou a agredi-lo e acabou conseguindo furar a mão e também a panturrilha dele. Gouveia contou que ela se assustou com a quantidade de sangue e parou com as agressões. Ele então ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, por volta de 1h, foi levado para a UPA da Sobral.

Ainda conforme o depoimento, devido à gravidade do ferimento na perna, ele foi transferido de Samu para o Pronto-socorro. Depois desse atendimento, a esposa teria buscado ele no hospital e o levou até o escritório novamente. Lá, estavam duas irmãs dela conversando.

Já por volta das 7h, ele contou que a esposa voltou a agredi-lo e, desta vez, na frente de uma das irmãs, ela teria pegado uma panela para bater nele, mas foi contida. Adriana também chegou a ligar, segundo relato do marido, para o namorado da amiga para contar sobre a traição e fazer ameaças. Nesse momento, ela teria quebrado o nariz de Gouveia.

Hitalo Marinho Gouveia foi preso logo após o crime – Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica Acre

12 horas de agressões e briga

Após cerca de 12 horas de agressões, insultos e brigas, eles teriam conversado sobre a separação e que tudo seria de comum acordo.

Nesse momento, o acusado contou que começou a arrumar seus pertences para sair do local e a mulher foi em direção ao filho deles com uma almofada, dizendo que já que não conseguiu matar Gouveia, iria matar a criança e foi quando ele reagiu e deu as facadas contra ela.

Em seguida, ele a estrangulou e quando ela estava fraca, teria soltado no chão. Ainda no depoimento, ele disse que a mulher novamente partiu para cima dele e foi quando ele apertou o pescoço dela por cerca de cinco minutos até ela desmaiar. Ao perceber que ela estava sem vida, ligou para um amigo e para um advogado.

Adrianna Paulichen foi morta pelo marido em Rio Branco – Foto: Arquivo pessoal

Pediu separação após traição

A jovem Adriana Paulichen tinha descoberto uma traição e pediu a separação do marido Hitalo Gouveia antes de ser morta por ele. Para a família dela, esse foi o motivo para ele ter matado a mulher.

À polícia, o suspeito alegou que foi esfaqueado pela mulher e que ela ameaçou o filho deles de seis meses.

Porém, essa versão é negada pela família da jovem. Ainda muito abalada com a morte da irmã, Andréa Paulichen conversou com o G1 no dia 11 e afirmou que o ex-cunhado mentiu ao falar que ela queria machucar o filho. Ela afirmou que o real motivo para o crime foi o desejo da jovem sair de casa e o fim do relacionamento.

“Ela descobriu na madrugada do assassinato que ele tinha traído ela, não era a primeira vez que ela sabia, mas ele sempre negava e quando negava ela ainda estava com ele. Ela nunca ameaçaria o filho, era o sonho dela ser mãe. Inclusive, quando ela namorava com ele falava que queria um filho e ele dizia que não queria, que já tinha duas filhas, mas ela queria ser mãe e ter uma família. Ela terminou com ele porque ele não queria. Era o sonho dela ser mãe”, lamentou.

Ainda segundo Andréia, as traições começaram quando a irmã dela estava grávida de seis meses. A jovem comentou com a irmã que o marido passou a tratá-la mal durante a gestação, ouvia que ele não a amava mais e chegou até expulsá-la de casa. Mesmo assim, a mulher seguia com o relacionamento por amor.

A parente relatou também que Gouveia já tinha sido denunciado na empresa onde trabalhava como corretor de imóveis por assédio. “Ele tinha sido denunciado por assédio, ele vendia imóveis. Nunca procurei saber, mas ela descobriu por acaso que ele tinha esse processo”, concluiu.

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Confira os locais das inscrições para o 2º bloco do Programa Mulheres Mil ofertado pelo Ifac nos municípios

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O Instituto Federal do Acre (Ifac), por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), iniciou nesta segunda-feira (26.01) as inscrições para o 2º bloco do 4º Ciclo do Programa Mulheres Mil. Ao todo, estão sendo ofertadas 120 vagas em cursos de qualificação profissional destinados a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

As interessadas podem se inscrever até o dia 6 de fevereiro, de forma presencial. O programa é desenvolvido em parceria com o Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), e com as prefeituras municipais.

Locais de inscrição – As inscrições devem ser realizadas presencialmente, conforme o município de oferta do curso:

Rio Branco (Escola Raimundo Gomes de Oliveira,  Conjunto Tucumã II, Avenida Central I, s/nº, no bairro Tucumã, de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 12h/Escola Doutor Mário de Oliveira, Travessa Guaporé, 296, bairro Cerâmica, em Rio Branco, de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 12h/Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) no município de Rio Branco atuará como Pólo de Apoio para atendimento às candidatas, no horário das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira – Inscrições: 26/01/2026 a 06/02/2026)

Cruzeiro do Sul (Secretaria Municipal de Promoção Social, localizada da Av. Cel. Juvêncio de Menezes, nº 267, no município de Tarauacá, de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 16h – Inscrições: 26/01/2026 a 06/02/2026)

Tarauacá (Secretaria Municipal de Promoção Social, localizada da Av. Cel. Juvêncio de Menezes, nº 267, no município de Tarauacá, de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 16h – Inscrições: 26/01/2026 a 06/02/2026)

Sena Madureira (Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social, localizada na Rua Virgulino de Alencar – 281 – Bairro Pista, de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 16h – Inscrições: 26/01/2026 a 06/02/2026)

Xapuri (Centro de Referência da Assistência Social – CRAS no município de Xapuri, situado) na Rua 24 de janeiro número 1700, bairro laranjal (variante), de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 16h – Inscrições: 29/01/2026 a 06/02/2026)

Cronograma do Processo Seletivo – Fique atenta às datas importantes desta etapa: período de Inscrições (Rio Branco/Sena Madureira/Cruzeiro do Sul e Tarauacá): 26/01 a 06/02/2026; (Xapuri: 29/01/2026 a 06/02/2026); resultado preliminar: 19/02/2026; período de recursos: 20/02/2026; resultado final: 24/02/2026; e previsão de início das aulas: 02/03/2026. As informações podem ser obtidas no site oficial do Ifac (https://editais.ifac.edu.br/) ou procurar os locais de inscrição em seus municípios.

Sobre o Programa Mulheres Mil – O Programa Mulheres Mil tem como objetivo promover a autonomia econômica, a inclusão social e o fortalecimento da cidadania feminina. Além da formação técnica, os cursos abordam temas como direitos da mulher, empreendedorismo e desenvolvimento pessoal, contribuindo para a inserção das participantes no mercado de trabalho e o fortalecimento das economias locais.

Matéria publicada no site institucional, neste link:

https://www.ifac.edu.br/noticias/2026/janeiro/inscricoes-abertas-no-ifac-para-o-2o-bloco-do-programa-mulheres-mil

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Governo do Acre mantém dois leilões eletrônicos abertos para participação

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O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Administração (Sead), mantém abertos dois leilões eletrônicos, realizados de forma totalmente online, por meio do Sistema Eletrônico de Leilões (SEL/AC). Os certames têm encerramento previsto para esta quarta-feira, 28, e segunda, 2, e destinam-se à venda de bens que não estão mais em uso pela administração pública estadual.

Estão em andamento os Leilões Eletrônicos nº16/2025 e nº18/2025, promovidos em parceria com a Fundação Elias Mansour (FEM) e a Casa Militar (Casmil). A iniciativa reforça a transparência, amplia a eficiência dos processos e estimula a participação da sociedade nos leilões promovidos pelo Estado.

O Leilão Eletrônico nº 16/2025 reúne itens eletroeletrônicos classificados como sucata, com sessões de lances realizadas das 8h às 13h. Já o Leilão Eletrônico nº 18/2025, que encerra o cronograma de leilões do mês, disponibiliza condicionadores de ar classificados como bens recuperáveis.

Para participar, os interessados devem realizar cadastro prévio no SEL/AC e apresentar a documentação exigida no edital. Podem participar pessoas físicas e jurídicas, desde que devidamente habilitadas conforme as regras do certame.

Após o encerramento da sessão pública, os arrematantes terão o prazo de três dias úteis para efetuar o pagamento, por meio do Documento de Arrecadação Estadual (DAE).

A retirada dos bens deve ser agendada previamente e realizada em até 15 dias após a confirmação do pagamento. Foto: cedida

Mais informações podem ser obtidas com a Comissão Permanente de Alienação de Bens Móveis da Sead, localizada na Rua do Aviário, nº 253, bairro Aviário, em Rio Branco, das 7h30 às 13h30, ou pelo e-mail [email protected].

Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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Acreana é presa em Rondônia transportando quase 4 quilos de haxixe

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Uma jovem natural de Rio Branco, Acre, foi presa em flagrante na última sexta-feira, 23, em Rondônia ao tentar transportar quase 4 quilos de haxixe para Brasília. A abordagem foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-364, na região de Vilhena, durante uma fiscalização de rotina.

Segundo a PRF, os agentes perceberam um forte odor de drogas vindo da bolsa de mão da passageira, que demonstrou nervosismo e deu respostas desencontradas às perguntas dos policiais. Ao vistoriar a bolsa, os agentes encontraram a droga, que estava enrolada em papel filme e coberta com pó de café, técnica comum usada para mascarar o cheiro do entorpecente.

A mulher afirmou que levava a droga para a capital federal, mas não revelou o valor que receberia pelo transporte. Ao todo, foram apreendidos 3,92 quilos de haxixe. A suspeita foi autuada por tráfico interestadual de entorpecentes e encaminhada à Polícia Civil de Rondônia para os procedimentos legais cabíveis.

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