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Acre

Instituto de Meio Ambiente assina portaria para simplificar declaração e beneficiar, inicialmente, 25 mil pequenos produtores do estado

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O documento é fundamental para que o produtor tenha acesso a recursos junto às instituições financeiras, provenientes do Plano Safra e Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)

Portaria assinada vai beneficiar, inicialmente, 25 mil produtos. Foto: José Caminha/Secom

O Instituto de Meio Ambiente (Imac) assinou, nesta quinta-feira, 14, a Portaria nº 211 de 2024, que simplifica a emissão da declaração ambiental para pequenos agricultores do estado. O documento, que deve ser publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), regulamenta o parágrafo 2º do art. 13 da Resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente e Floresta (Cemaf) nº 02, de 18 de agosto de 2022.

Pela lei, o Imac pode emitir declaração ambiental para fins de constatação de apresentação de declaração de manejo para os fins que se fizerem necessários, solicitada pelo empreendedor. A medida centraliza esse serviço e possibilita que o produtor tenha acesso, por exemplo, a linhas de crédito disponibilizadas por instituições bancárias. Inicialmente, estima-se que essa desburocratização deva beneficiar 25 mil produtores.

Com a declaração, o produtor pode comprovar que está regular, sendo a comprovação para futuras movimentações. Os interessados em fazer o pedido do documento devem se dirigir à sede do Imac com os seguintes documentos:

– Requerimento de declaração ambiental, especificando a área consolidada do imóvel, em hectares (ha);

– Documentos pessoais (RG e CPF);

– Procuração pública, quando for o caso;

– Inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR);

– Relatório de análise técnica do CAR – se houver;

– Declaração de ocupação do imóvel com assinaturas reconhecidas em cartório;

– Comprovante de pagamento da taxa de serviço.

Presidente do Imac destacou que simplificação vai acelerar investimentos e garantir preservação. Foto: José Caminha/Secom

O presidente do Imac, André Luiz Hassem, disse que a decisão tem o objetivo de facilitar a vida dos produtores. “O governo está regulamentado com as áreas consolidadas, que até 2008 estão aptas a trabalhar, a fazer esses investimentos; são áreas que não serão mais desmatadas, não terão crime ambiental nenhum. A nossa portaria é para que possamos dar celeridade e atender o nosso produtor rural”, explicou.

Após a apresentação das informações e documentos previstos, o Imac realizará a análise documental e de geoprocessamento e, estando em conformidade, emitirá declaração ambiental para os fins que se fizerem necessários. Havendo pendência de informações ou de documentos que inviabilizem a análise técnica, o Imac informará o interessado formalmente, para que sejam sanadas as pendências identificadas.

“Esse é o compromisso do governo, de trabalhar com o produtor rural, incentivando, para que ele possa buscar mecanismos que evitam o desmatamento e impedem crimes ambientais. Isso é uma resposta do governo para atender toda a área rural do Acre”, reforçou.

Para imóveis acima de quatro módulos fiscais, a indicação da área consolidada levará em consideração o cálculo para fins de recomposição da área de reserva legal, de acordo com a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 (Código Florestal). A declaração ambiental terá validade de 12 meses.

Governador destacou que facilitar a vida dos pequenos produtores reforça o compromisso do governo em cuidar da população. Foto: José Caminha/Secom

O anúncio contou com a presença de autoridades, de representantes de instituições bancárias e do governador Gladson Cameli, que falou da importância do incentivo para movimentar o setor, garantindo aumento de postos de trabalho e renda no setor.

“Quero dizer a vocês que o slogan do governo, Trabalho para Cuidar das Pessoas, não foi pensando como frase de efeito ou impacto midiático, mas uma decisão genuína de quem zela pelos interesses do estado. É por isso que não posso deixar de externar minha satisfação em anunciar a publicação da portaria que simplifica a emissão da declaração ambiental para pequenos produtores que buscam crédito bancário para melhorar a vida, com mecanização agrícola e investimento no plantio de novas safras em suas propriedades”, destacou.

O documento é fundamental para que o produtor tenha acesso a recursos junto às instituições financeiras, provenientes do Plano Safra e Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Estima-se a liberação de R$ 90 milhões para os pequenos agricultores em novembro, sendo que no ano que vem o valor pode chegar a R$ 1 bilhão.

“São milhares de famílias que não precisam de mais burocracia, mas sim de ações práticas para que o Acre siga no protagonismo ambiental, sem perder de vista seu desenvolvimento. Que nossos produtores saibam que o nosso governo sempre irá apoiar suas ações em prol do desenvolvimento sustentável e dos bons negócios, cumprindo todos os requisitos da legislação vigente no país”, comprometeu-se o governador.

Produtores celebram simplificação do procedimento. Foto: José Caminha/Secom

Cameli também complementou que essa é uma maneira de estabelecer o desenvolvimento do setor em consonância com as medidas de preservação do meio ambiente.

“É uma forma de respeitar a sustentabilidade, as políticas ambientais, mas também criar oportunidades para quem precisa plantar e sustentar a sua família. A burocracia é o maior prejuízo que o Estado de Direito tem. E é uma ação conjunta a todos os servidores que estão se dedicando. E eu mantenho aquela minha política, que é tentar, de uma vez por todas, simplificar ações que venham a beneficiar a população”, destacou.

Parcerias seguem linha para fomentar setor agrícola e do agronegócio no estado. Foto: Jose Caminha/Secom

Beneficiados

Antônio Linard e Cirlene da Silva são produtores rurais de Porto Acre e estavam aguardando o documento para acessar os créditos disponíveis e investir em sua área. “A gente está dependendo só dessa declaração ambiental para levar ao banco, para que seja liberado o nosso financiamento agro, e essa medida é importante, porque nos faz sentir mais segurança”, disse.

A representante do Sindicato Rural de Rio Branco e horticultora Maria Elza Vieira vê a nova portaria como essencial para destravar alguns processos que a categoria necessita para poder investir e ampliar os serviços do setor no estado. “O produtor rural vai se sentir mais livre, com mais vontade de trabalhar, e agora vai poder empregar mais mão de obra. O produtor ter essa facilidade para acessar crédito é tudo”, comemorou.

Trabalhando com criações de gado e peixe, Euzélio Pereira já acessou, em outras oportunidades, linhas de crédito e reforçou que o recurso é fundamental para o avanço da atividade na região: “Essa licença é a nova exigência [bancária] que, graças a Deus, hoje vai se resolver. Isso vai alavancar mais ainda a economia, a pecuária, com todo o crédito que a gente vai acessar nos bancos. Vai facilitar a linha de crédito, não só para o pequeno, mas o grande, o médio; vai facilitar para todo mundo”.

Com declaração, produtores vão poder acessar linhas de crédito de instituições bancárias. Foto: Jose Caminha/Secom

A superintendente regional do Banco do Brasil no Acre, Fabiana Ferreira, frisou como a unificação de esforços impacta positivamente em áreas importantes do estado: “Este é um momento ímpar, singular e importante. O BB é um parceiro de vocês, fizemos essa ponte, buscamos o governo e os deputados, e a resposta veio rápida”.

A secretária de Meio Ambiente em exercício, Renata Souza, disse que a medida foi avaliada com todos os atores envolvidos. “Essa discussão se iniciou há um tempo; o presidente do Imac chamou a bancada dos deputados para avaliarmos juntos a decisão neste momento e apoiamos essa iniciativa, por meio dos nossos programas de regularização. A gente agradece a parceira, sempre tentando fazer o melhor para a população”, enfatizou.

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Acre

Polícia Civil identifica vítima de acidente fatal na BR-317, em Xapuri

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Motociclista morreu após colisão com caminhão boiadeiro e só foi reconhecido um dia depois por não portar documentos

A Polícia Civil identificou, nesta segunda-feira (12), a vítima do grave acidente ocorrido na tarde de domingo (11), na BR-317, nas proximidades da entrada da estrada Variante, no município de Xapuri, interior do Acre.

A vítima é Henrique Mateus de Araújo, nascido em junho de 1995, que completaria 31 anos ainda este ano. No momento do acidente, ele não portava documentos, o que impossibilitou a identificação imediata no local.

O acidente chocou moradores da região devido à violência do impacto. Henrique conduzia uma motocicleta quando colidiu contra um caminhão boiadeiro, sofrendo múltiplas fraturas expostas pelo corpo, o que deixou a vítima praticamente irreconhecível.

Segundo informações preliminares que ainda estão sendo apuradas, Henrique teria sido visto consumindo bebidas alcoólicas horas antes do acidente. No entanto, somente os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) poderão confirmar a presença de álcool no organismo. O laudo pericial deve ficar pronto dentro de aproximadamente 30 dias.

O corpo foi encaminhado ao IML para os procedimentos legais. Até o momento, não há confirmação sobre o local do sepultamento.

O caso segue sob investigação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Civil, que trabalham para esclarecer as circunstâncias do acidente.

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Polícia Civil prende três suspeitos de homicídio em Tarauacá; dois são irmãos da etnia Kaxinawá

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Crimes foram esclarecidos após mais de um mês de investigação; suspeitos confessaram participação no assassinato de Gilberlândio de Castro Souza

Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos contra M.A.O.V. e dois irmãos pertencentes à etnia Kaxinawá. Foto: captadas

A Polícia Civil do Acre prendeu, nesta segunda-feira (12), três pessoas suspeitas de envolvimento no assassinato de Gilberlândio de Castro Souza, ocorrido há mais de um mês em Tarauacá. Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos contra M.A.O.V. e dois irmãos da etnia Kaxinawá, que confessaram a participação no crime durante as investigações.

O delegado José Ronério, responsável pelo inquérito, destacou que o caso foi solucionado após diligências como oitiva de testemunhas, análises de provas e conduções à delegacia. Com base nas confissões e no conjunto de evidências, a polícia solicitou e obteve autorização judicial para a prisão preventiva dos três.

Os três suspeitos encontram-se sob custódia e permanecem à disposição da Justiça do acre, onde deverão responder pelo crime, conforme previsto na legislação penal.

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Feijó, no Acre, lidera rebanho suíno da Região Norte e sinaliza nova fase da produção de carne na Amazônia, aponta IBGE

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Dados do IBGE de 2024 mostram transição da criação de subsistência para modelo comercial; interiorização da atividade ganha força no estado e em Rondônia

Em um cenário de recordes nacionais de produção e abate, o ranking liderado por Feijó mostra que a Amazônia, aos poucos, entra no mapa da suinocultura brasileira. Foto: captada 

Feijó, município do Acre, é o maior produtor de suínos da Região Norte, superando cidades tradicionais do Pará e colocando o estado no centro da nova geografia da carne suína na Amazônia. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, processados em 2026 com base em 2024, mostram que a região vive uma virada: de criação de subsistência, avança para um perfil comercial, com investimentos em genética, manejo e organização da cadeia.

O desempenho de Feijó tem peso simbólico e econômico, acompanhado pela interiorização da produção em municípios como Porto Velho (RO), que também aparece entre os maiores rebanhos da região. Apesar de o Norte ainda representar fatia menor do total nacional comparado a estados como Santa Catarina e Paraná, a mudança de patamar é clara: produtores amazônicos começam a atuar como fornecedores regulares, abrindo espaço para frigoríficos, cooperativas e políticas de sanidade.

No Acre, o protagonismo de Feijó — somado a outros municípios locais no ranking — indica uma vocação produtiva que gera renda no campo, fortalece a agricultura familiar e reduz a dependência de carnes importadas. Em um cenário de recordes nacionais de abate, o estado deixa de ser coadjuvante para se tornar referência suinícola no Norte.

O protagonismo de Feijó não é isolado – reflete um movimento coletivo de municípios acreanos que estão redesenhando a economia rural da região. Foto: art

Mudança de patamar:
  • Do local para o regional: A produção, antes voltada para subsistência e mercado local, agora avança para um modelo comercial, com investimentos em genética, manejo, nutrição e organização da cadeia;

  • Interiorização: Além de Feijó, outros municípios acreanos e até capitais como Porto Velho (RO) começam a aparecer entre os maiores rebanhos, indicando uma diversificação produtiva fora do eixo Sul-Sudeste.

Impacto econômico e social:
  • Geração de renda no campo: A atividade fortalece a agricultura familiar e reduz a dependência de carnes importadas de outros estados;

  • Atração de investimentos: Aumenta a demanda por frigoríficos, cooperativas, crédito rural e políticas de sanidade;

  • Posicionamento estratégico: O Acre se torna referência regional em uma cadeia de valor com alto potencial de crescimento.

Apesar de o Norte ainda representar uma fatia modesta do rebanho brasileiro (ante gigantes como SC, PR e RS), a ascensão de Feijó simboliza a entrada da Amazônia no mapa nacional da suinocultura.

A Secretaria de Agricultura do Acre e entidades do setor devem estruturar políticas de fomento, incluindo assistência técnica, regularização fundiária e acesso a mercados formais.

O protagonismo de Feijó não é isolado – reflete um movimento coletivo de municípios acreanos que estão redesenhando a economia rural da região, com potencial para transformar o estado em um hub de proteína animal sustentável na Amazônia.

O avanço do município acreano indica transição para um perfil mais comercial, com produtores investindo em genética, manejo, ração e organização da cadeia. Foto: captada 

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