O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista, diz que essa medida deixa todos os órgãos mobilizados, caso seja necessário
Decreto de alerta foi publicado nesta sexta-feira, 28, no Diário Oficial do Acre. Foto: Pedro Devani/Secom
Foi publicado, em edição extra do Diário Oficial nesta sexta-feira, 28, o Decreto n° 11.647, que estabelece estado de alerta no Acre em decorrência do aumento dos índices de chuvas e dos cursos hídricos nas cidades acreanas. O documento, assinado pela governadora em exercício, Mailza Assis, justifica a decisão diante das previsões e dos números nos últimos dias. O prazo do decreto é de 30 dias.
“[…] os prognósticos de previsão climática apontam que o trimestre fevereiro-março-abril/2025 apresenta condições favoráveis para a ocorrência de precipitação de chuvas acima da média em todo o estado e que essa condição meteorológica de padrões pluviométricos elevados resulta em potencial e significativo aumento nos níveis dos rios em um curto espaço de tempo, com grande probabilidade de ocorrência de inundações e acarretamento de prejuízos sociais e econômicos consideráveis para a população”, pontua.
Decreto estabelece medidas que devem ser tomadas em caso de cheia dos rios. Foto: Pedro Devani/Secom
O documento enfatiza, ainda, que esta é uma medida que pretende agilizar tomada de decisões, caso seja necessário, tendo em vista que as alagações e alto volume de chuvas evoluem de forma gradual.
O acompanhamento é feito pelos órgãos de comando e controle, que envolvem a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDC); a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema); a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBM-AC).
A CEPDC também fica autorizada a constituir equipes multidisciplinares para articular, coordenar e atender situações emergenciais decorrentes do aumento dos índices de chuvas e dos cursos hídricos, hipótese em que cada órgão e entidade da Administração Pública estadual deverá indicar um membro titular e respectivo suplente, e suas informações para contato.
Também foram autorizadas:
A realização de despesas que se mostrarem necessárias para a instalação e manutenção de abrigos, fornecimento de insumos, equipamentos, maquinários, veículos, mão de obra e outros, visando ao suporte logístico à população afetada;
A adoção de medidas administrativas urgentes consideradas necessárias para a manutenção ou restabelecimento da capacidade de resposta do poder público para o enfrentamento da situação;
A realização de campanhas informativas a respeito da situação.
Há dois alertas para o Acre nesta sexta-feira, 28, um amarelo e outro laranja. Reprodução/Inmet
O Rio Acre na capital marcou 11,64 metros na medição de meio-dia nesta sexta-feira. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas para o estado, um amarelo e outro laranja. O primeiro prevê chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos, que podem atingir 40-60 km/h.
Já o alerta laranja, estabelece chuvas de até 100 milímetros por dia, com ventos de até 100 km/h. Neste caso, há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
Prontidão
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista, diz que essa medida deixa todos os órgãos mobilizados, caso seja necessário.
“A maioria dos nossos rios se encontra com níveis bem próximos das cotas de alerta. Há também previsão de chuva para os próximos dias, principalmente para o mês de março, então todo o sistema estadual de Proteção e Defesa Civil está em alerta total para, caso ocorra qualquer inundação ou mesmo as enxurradas dos igarapés, estejamos prontos para o rápido atendimento e apoio às prefeituras junto à Defesa Civil Municipal”, explica.
Batista destaca ainda que essa é uma maneira de fortalecer as ações e as parcerias junto aos municípios no sentido de mitigar e amenizar os impactos da população afetada.
“Esse decreto deixa em alerta todas as instituições de governo para que a gente una todas forças junto com o poder municipal, de forma bem célere, caso ocorram eventos extremos. A gente precisa dar a devida resposta com toda a seriedade necessária para evitar maiores consequências de danos e prejuízos a essas comunidades que residem em áreas de risco”, reforça.
Decreto deixa todos os órgãos de prontidão em caso de eventos extremos. Foto: Pedro Devani/Secom
Menino ficou desacordado e foi socorrido em estado gravíssimo ao Pronto-Socorro de Rio Branco
Uma criança de 1 ano e 5 meses foi vítima de afogamento na tarde desta sexta-feira (6), em uma residência localizada na Rua Maria Elza Castelo, Quadra 14, nas proximidades da creche José Maria Maciel, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.
De acordo com testemunhas, a mãe estava em casa com o menino e os outros filhos quando, após cerca de 30 minutos, percebeu a ausência da criança. Ao iniciar as buscas, ela encontrou o filho dentro da caixa d’água, desacordado, e o retirou imediatamente.
Moradores acionaram o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que enviou duas ambulâncias, sendo uma de suporte básico e outra de suporte avançado. As equipes médicas realizaram os primeiros socorros e iniciaram as manobras de reanimação cardiopulmonar. Após cerca de 30 minutos, a criança foi reanimada, colocada na ambulância de suporte avançado e encaminhada ao Pronto-Socorro de Rio Branco, em estado de saúde gravíssimo.
A Polícia Civil esteve no local e acompanhou os procedimentos. O caso será investigado para apurar as circunstâncias do ocorrido.
O fortalecimento da Defesa Civil Municipal tornou-se uma das marcas da atual gestão da Prefeitura de Rio Branco. Ao relembrar a trajetória de organização do órgão, o prefeito de Rio Branco Tião Bocalom destacou que a estruturação da unidade não foi apenas uma decisão administrativa, mas uma missão pautada na experiência prática e no compromisso inegociável com a segurança da população.
A sensibilidade para a importância de uma Defesa Civil atuante surgiu ainda em 2005. Naquele ano, diante de uma crise de queimadas sem precedentes que atingiu o estado, o atual gestor, então prefeito no interior, foi o único a decretar situação de emergência, mesmo enfrentando resistências políticas à época. A decisão permitiu a chegada de reforços, como o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, e resultou na preservação da histórica Fazenda Bonal, salvando centenas de hectares de seringueiras e pupunha, além de proteger a economia e o meio ambiente da região.
Desafios e Transformações
Ao assumir a gestão da capital, o cenário encontrado era de uma Defesa Civil que existia apenas formalmente. “Eu senti na pele o que é a função da Defesa Civil e procurei organizar o que praticamente não existia em Rio Branco”, afirmou o prefeito. Para liderar esse processo de transformação, a gestão investiu na valorização técnica do órgão, com a atuação do coordenador municipal da Defesa Civil, tenete-coronel Cláudio Falcão, cuja trajetória de dedicação foi fundamental para estruturar e consolidar a unidade.
Atualmente, a Defesa Civil de Rio Branco conta com equipes capacitadas, logística de resposta rápida, estrutura adequada e foco permanente na prevenção e no monitoramento de riscos, o que tem garantido maior eficiência no atendimento à população em momentos de emergência.
“Eu senti na pele o que é a função da Defesa Civil e procurei organizar o que praticamente não existia em Rio Branco”, afirmou o prefeito. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O principal indicador desse trabalho é a preservação de vidas. Mesmo diante de eventos climáticos severos e enchentes históricas registradas nos últimos anos, Rio Branco mantém um dado expressivo em comparação a outros centros urbanos do país: zero óbitos decorrentes de desastres naturais.
“Estou muito feliz de ver um grupo de pessoas comprometidas em salvar vidas. Em qualquer lugar do Brasil, eventos dessa magnitude costumam registrar óbitos, mas aqui não tivemos nenhum. Isso é fruto de uma Defesa Civil preparada e que trabalha com foco na prevenção”, ressaltou o prefeito.
Integração e Reconhecimento Nacional
De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, Cláudio Falcão, a atuação integrada da gestão municipal foi determinante para garantir o atendimento às famílias atingidas pelas enchentes, incluindo o acolhimento daquelas que precisaram ser encaminhadas para o abrigo público instalado pela Prefeitura de Rio Branco.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, Cláudio Falcão, a ação conjunta da Prefeitura foi essencial para garantir o atendimento e o acolhimento das famílias afetadas pelas enchentes. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“Defesa Civil é fundamental. Nenhuma prefeitura, especialmente de capital, pode funcionar sem uma Defesa Civil estruturada. Mas isso só acontece com o apoio direto do chefe do Executivo. Em Rio Branco, temos o respaldo do prefeito Tião Bocalom para avançar cada vez mais, seja com equipamentos, viaturas, estrutura física ou capacitação. A Defesa Civil do município cresceu exponencialmente nas duas gestões e hoje é referência, com reconhecimento nacional e até internacional”, destacou Falcão.
Com uma estrutura sólida e em constante aprimoramento, a Prefeitura de Rio Branco reafirma que a Defesa Civil é mais do que um órgão de resposta a emergências: é um instrumento essencial de proteção à vida e de apoio direto ao cidadão nos momentos de maior vulnerabilidade.
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