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Filha de envolvido em morte de missionária Dorothy Stang tem quase R$ 1 milhão em multas por crimes ambientais no Acre
Patrícia Coutinho da Cunha foi multada três vezes e recebeu três embargos de área por desmatar a Floresta Estadual Antimary. Defesa alega que jovem está sendo injustiçada por ser filha de Amair Feijoli da Cunha, o Tato.

Família de Amair Feijoli, o Tato, se mudou para o Acre em 2020 e teriam adquirido terras em unidade de conservação ambiental – Foto: Reprodução/Rede Social
Por Aline Nascimento
A psicóloga Patrícia Coutinho da Cunha, filha de Amair Feijoli da Cunha, o Tato, apontado como responsável pela contratação dos pistoleiros que mataram a missionária norte-americana Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, recebeu pelo menos três multas que juntas somam quase R$ 1 milhão, por desmatamento na Floresta Estadual Antimary (FEA), na BR-364 entre Sena Madureira e Bujari, interior do Acre.
Além das multas, Patrícia recebeu três embargos da área. As primeiras multas e embargos foram aplicados em janeiro deste ano, quando o Batalhão Ambiental e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac); a segunda multa em fevereiro e, a mais recente, na quinta-feira (24) após nova operação contra crimes ambientais na região. A área desmatada ultrapassa os 193 hectares.
Nos mapas abaixo, aparecem a área completa da unidade de conservação e a área onde foi identificado o desmatamento. Na imagem à esquerda, aparece a Floresta Estadual Antimary, a Área de Manejo Florestal (AMF) e a Unidade de Produção Anual (UPA). Já na imagem à direita, é possível ver o que o desmatamento identificado pelos órgãos ambientais e pelo qual Patrícia já foi multada está dentro da floresta estadual.

Mapas com a área total da FEA (esq.) e local de desmatamento idetificado recentemente (dir.) – Foto: Reprodução
O pai da psicóloga, Amair Feijoli, é investigado pelos ministérios públicos estadual e federal do Acre por também desmatar uma área de 600 hectares, além de criar gado e ameaçar moradores da unidade de conservação ambiental. Ele também é alvo da Polícia Civil de Sena Madureira, do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), Imac e Secretaria de Meio Ambiente Estadual (Sema).
Amair foi condenado a 18 anos por intermediar a morte de Dorothy Stang. Segundo a Justiça do Pará, foi ele quem contratou os pistoleiros Rayfran e Clodoaldo Carlos Batista para assassinar a missionária a mando de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Pereira Galvão.

Missionária Dorothy Stang foi assassinada em 2005 – Foto: Divulgação.
O fazendeiro e a família se mudaram para o Acre em 2020. Contudo, por causa do processo que responde pela morte da missionária, ele continua mantendo residência no Pará, onde também teria terras. A defesa da família nega as acusações e diz que tudo se trata de injustiça.
O advogado Ayres Neylor, que presenta a família, alegou que as multas aplicadas contra Patrícia são ilegais, que ela vai comprovar a inocência e ainda vai pedir indenização por danos morais e materiais. Naylor voltou a afirmar que as pessoas responsáveis pelas denúncias são as mesmas que invadiram a área.
Ainda segundo a defesa, Patrícia adquiriu uma terra na região em 2020, que pertencia a um pastor. Porém, a documentação é datada de mais de 100 anos e seria legalizada. Ele nega que a cliente tenha invadido a propriedade.
“Ela adquiriu, comprou e pagou uma área que está no Amazonas, no município de Boca do Acre. Até isso é um problema de geografia, o estado deixa muito a desejar e é muito lamentável tudo isso. Mas, a Patrícia vai tomar as providencias cabíveis para que a injustiça não impere em nome de interesse que a gente não conhece ainda. Vai tomar as providências dentro daquilo que a Justiça prevê e permite para que sejam ceifados esses atos que, em verdade, mancham o bom nome e a imagem da Patrícia”, defende.
Autuações
O G1 apurou que o Imac e o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) já detectaram uma área desmatada de 111 hectares este ano na localidade comprada por Patrícia. Além disso, a Polícia Civil e o MP-AC receberam informações de que a família tem aberto ilegalmente estradas de terra, quebrado pontes e, desde que se mudaram para a área, ameaçado e impedido moradores de recolher castanha no local.
Segundo as investigações, a fazendeira recebeu as seguintes autuações:
- 19 de janeiro – multa simples e embargo por desmate de uma área de 30,39 hectares no valor de R$ 151.950 mil;
- 20 de fevereiro – multa simples e embargo por desmate de área de 51,98 hectares no valor de de R$ 259,9 mil;
- 24 de junho – multa simples e embargo de por desmate de 111,59 hectares no valor de de R$ 557.963,50.
A defesa de Patrícia confirmou que ela já entrou com recursos contra as duas primeiras autuações. Já sobre as últimas multas Naylor afirmou que ainda não tiveram acesso. Porém, a defesa também deve recorrer.
Somadas, as autuações aplicadas por desmate ilegal na área chegam a quase R$ 1 milhão. Após a aplicação, os autuados têm 20 dias para recorrer junto ao Imac. Com o fim dos prazos e recursos, é dado mais dez dias para as alegações finais.

Polícia Ambiental e Imac faz operações contra crime ambiental na unidade de conservação ambiental na quinta (24) e sábado (26) – Foto: Arquivo/Batalhão de Policiamento Ambiental
A Floresta Estadual Antimary foi arrendada pela União em 22 de junho de 2005. O decreto foi publicado no decreto no Diário Oficial da União (DOU). Em 2014, a Secretaria de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis acre (Sedens), publicou um decreto dos Planos de Manejo das Florestas Estaduais do Rio Gregório, do Rio Liberdade, do Mogno e do Antimary.
A unidade de conservação ambiental permite a presença de moradores no seu interior. Em 2019, eram 50 moradores assentados regulamente, atualmente são 53 famílias que vivem do manejo florestal da coleta da castanha, açaí, agricultura, pecuária de corte, criação de aves, de porcos, carneiros e venda de frutas e verduras. Há ainda a presença de invasores na localidade.
Em janeiro, após denúncias de invasões, a Sema refez o cadastramento das 53 famílias que vivem na unidade, inclusive com instalação de pontos de GPS nas moradias, e notificou o MP-AC e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-AC) sobre os fatos.
A assessoria de comunicação da PGE-AC informou que há um processo em análise para tomar as medidas cabíveis.
Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema) afirmou que ‘continua articulando as missões integradas de Meio Ambiente para coibir os crimes ambientais nas Unidades de Conservação (UCs) estaduais. Mediante a articulação da Sema, que preside o Comitê de Ações Integradas de Meio Ambiente, várias instituições vêm atuando nas missões, entre elas o Batalhão de Policiamento Ambiental, Polícia Civil, o Instituto de Meio Ambiente (Imac), Exército Brasileiro, Força Nacional e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer)’.
A pasta destacou também que a Floresta Estadual do Antimary (FEA) sofre invasões ao longo dos anos e que, desde 2019, são feitas diversas ações de fiscalizações. Sobre a questão fundiária, a Sema acrescentou que ‘a PGE tem solicitado celeridade nos processos relacionados à Floresta Estadual do Antimary’. (Veja nota na íntegra abaixo).

Floresta Estadual do Antimary passa por fiscalizações e ações constantemente contra invasões de terras e desmatamento – Foto: Arquivo/Polícia Civil
Operações e fiscalizações
A operação do Imac e do Batalhão de Proteção Ambiental (BPA), na quinta-feira (24), não conseguiu flagrar nenhuma retirada e derrubada ilegal de madeira na localidade. Contudo, as equipes detectaram mais hectares desmatados, aplicaram uma nova autuação e embargo da área em nome de Patrícia Coutinho da Cunha, fizeram o boletim de ocorrência e entraram na delegacia de Sena Madureira, no interior.
“Não conseguimos flagrar o crime, não tinha ninguém praticando na hora, como a Polícia Civil pegou. Não tinha materialidade. Foi multada no administrativo e a parte criminal foi informada na delegacia de Sena Madureira, foi entregue um boletim de ocorrência comunicando o crime para investigação”, confirmou o comandante do BPA, major Kleison Albuquerque.

Foram achadas árvores derrubadas para abertura de estrada de terra, segundo a Polícia Civil – Foto: Arquivo/Polícia Civil
Com o material entregue pela polícia ambiental e o Imac, a Polícia Civil, que já planejava ir até a região após receber denúncias de ameaças, fez uma fiscalização na Floresta Estadual do Antimary na sexta (25). As equipes percorreram cerca de 60 quilômetros e encontraram um trator que estaria sendo usado para abrir um ramal ilegalmente, pontes quebradas e árvores, inclusive castanheiras, no chão.
A polícia conversou com uma pessoa no local, identificada apenas como Patrick. Segundo a Polícia Civil, o rapaz também é filho da Amair Feijoli e é conhecido na localidade como ‘fazendeiro’. Na conversa, Patrick falou para as equipes que comprou uma propriedade dentro de um projeto de assentamento (PA) e que teria o título da área datado de 1963.

Polícia Civil achou um trator que estaria sendo usado para abrir um ramal dentro da Floresta Estadual do Antimary – Foto: Arquivo/Polícia Civil
“Conversamos com alguns moradores, que informaram que essa pessoa destruiu algumas pontes e ameaçava algumas pessoas na região porque não poderia ficar no local, encontramos duas pontes cerradas na localidade e ainda um trator que estaria abrindo uma passagem, um ramal dentro da unidade de conservação”, contou o delegado responsável pelo caso, Marcos Frank.
Ainda segundo Frank, as investigações apontam que os dois filhos de Amair têm propriedade dentro da unidade de conservação. Ele disse que já foi aberto um inquérito policial para investigar grilagem de terras, desmatamento e ameaça.
“Ao que tudo indica, e o que apuramos, é que impede a movimentação das pessoas, que antes colhiam açaí e castanha na localidade e agora são impedidas por essa pessoa. Nossas funções são um pouco limitadas e clamamos a ajuda dos demais sistemas que compõem os órgãos ambientais para que nos socorra. Podemos fazer a parte criminal, mas existem outros elementos no que desrespeita as penalidades administrativas quem merece ser avaliadas”, pediu.

Imagem de satélite captada pelo Batalhão de Policiamento Ambiental mostra um novo desmate em área de 35 hectares – Foto: Reprodução
Flagrante
Com imagens de satélites capturadas na noite de sexta-feira (25), o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) percebeu que havia uma nova área desmatada na Floresta Estadual do Antimary (FEA). Em cinco dias, essas imagens mostraram que houve derrubada de árvores e abertura dentro da mata em 35 hectares.
O major Kleison Albuquerque destacou que as equipes do Batalhão de Policiamento Ambiental receberam recursos do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), com computadores, as imagens de satélites são processadas quase que em tempo real.
“Então, quando o satélite passa a gente já baixa a imagem e consegue acessar. Antes, a gente não tinha computador para fazer isso, não tinham capacidade. Antes não dava, era por denúncia, indo a pé e era difícil para caramba e por isso estamos pegando muita coisa”, complementou.
Com as informações, equipes do BPA e do Imac foram novamente até a localidade e prenderam duas pessoas e levaram para a delegacia de Sena Madureira. O boletim de ocorrência foi feito por causar danos a unidade de conservação ambiental.
Foi achado um pequeno acampamento, um facão e equipamentos de georreferencimento com a dupla. À Polícia Civil, os trabalhadores alegaram que faziam georreferenciamento da terra e foram liberados.
Os equipamentos ficaram apreendidos para apuração se há ligação com o desmate na região. Sobre a condução dos trabalhadores, o advogado Ayres Naylor afirmou que ‘não tinha crime nenhum. Foi abuso de autoridade’.
Nota da Sema na íntegra:
O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), continua articulando as missões integradas de Meio Ambiente para coibir os crimes ambientais nas Unidades de Conservação (UCs) estaduais.
Mediante a articulação da Sema, que preside o Comitê de Ações Integradas de Meio Ambiente, várias instituições vêm atuando nas missões, entre elas o Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar (BPA/PMAC), Polícia Civil, o Instituto de Meio Ambiente (Imac), Exército Brasileiro, Força Nacional e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
A Floresta Estadual do Antimary (FEA) vem sofrendo pressão de invasões ao longo de vários anos. Desde o ano de 2019 vem sendo realizadas diversas ações de fiscalização. Importante destacar que o processo de invasão de florestas públicas tem sido extremante dinâmico com alta rotatividade de pessoas, via de regra com fins especulatórios.
As ocupações irregulares nas florestas têm sido investigadas e todas as informações são repassadas à Procuradoria Geral do Estado (PGE), Ministério Público Estadual (MPAC) e Ministério Público Federal (MPF). O Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) tem apoiado as investigações, fornecendo imagens de satélite e dados georreferenciados sobre desmatamento e focos de calor.
Em relação a questão fundiária, de competência do Instituto de Terras do Acre (Iteracre), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, bem como da Secretaria do Patrimônio da União – SPU, a PGE tem solicitado celeridade nos processos relacionados à Floresta Estadual do Antimary.
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Polícia Civil encontra moto abandonada que pode ter sido usada em crimes na zona rural de Brasiléia
Veículo foi localizado em ramal da BR-317 e pode estar ligado a furtos registrados na região
Agentes da Polícia Civil do Acre localizaram uma motocicleta de cor vermelha abandonada no ramal do km 18 da BR-317, conhecida como Estrada do Pacífico, na zona rural de Brasiléia.
De acordo com informações da polícia, o veículo possui as mesmas características de uma motocicleta que estaria sendo utilizada por suspeitos envolvidos em furtos e roubos registrados em ramais da região.
Após moradores procurarem a delegacia para relatar os crimes, uma equipe de investigadores iniciou diligências na área rural do município. Durante as buscas, os agentes encontraram a motocicleta abandonada.
A suspeita é de que o veículo tenha apresentado problemas na parte elétrica e sido deixado no local pelos possíveis autores dos crimes.
Como a moto não possui identificação inicial do proprietário, a Polícia Civil divulgou imagens do veículo e pede que qualquer pessoa que tenha informações ou reconheça a motocicleta entre em contato para auxiliar na identificação do dono.
Caso seja confirmada a procedência, o veículo deverá ser devolvido ao legítimo proprietário. As investigações continuam para tentar identificar e localizar os suspeitos envolvidos nos furtos e roubos na zona rural do município.
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Em ação inédita, TCE-AC, ONU e IRI levam prefeitos do Acre a centros científicos para fortalecer resposta a eventos climáticos
Uma iniciativa liderada pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais no Brasil (IRI Brasil), com apoio da Associação dos Municípios do Acre (AMAC), promoveu uma visita técnica de prefeitos e gestores acreanos ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), nos dias 10 e 11 de março.
A agenda reuniu representantes de municípios, especialistas e instituições públicas para discutir estratégias de enfrentamento aos eventos climáticos extremos que vêm impactando a Amazônia e, em especial, o estado do Acre.
A iniciativa integra as ações do termo de cooperação firmado em 2024 entre o TCE-AC e o IRI Brasil, organismo vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com o objetivo de aproximar gestores públicos do conhecimento científico, das tecnologias de monitoramento ambiental e de políticas públicas voltadas à prevenção e à mitigação de desastres naturais.
A programação reuniu cerca de 18 cientistas e pesquisadores de referência nacional nas áreas de meteorologia, monitoramento ambiental, gestão de riscos e políticas públicas climáticas, configurando-se como um dos mais relevantes encontros de capacitação voltados à gestão municipal diante dos desafios das mudanças climáticas.
Integração entre ciência e gestão pública
Durante a visita técnica, prefeitos e gestores tiveram acesso a apresentações especializadas, oficinas técnicas e visitas guiadas aos centros operacionais responsáveis pelo monitoramento climático e ambiental em todo o território nacional.
No CEMADEN, os participantes conheceram de perto o funcionamento do sistema nacional de monitoramento de desastres, incluindo:
▪ redes de observação meteorológica e hidrológica
▪ sistemas de alerta para eventos climáticos extremos
▪ equipamentos de campo utilizados na prevenção de desastres
▪ metodologias de análise de risco
▪ estratégias para construção de cidades resilientes
A agenda incluiu ainda visita à sala de situação do centro, responsável pelo acompanhamento em tempo real de fenômenos meteorológicos e hidrológicos que podem representar riscos à população.
No segundo dia de atividades, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os gestores tiveram contato com importantes iniciativas de monitoramento ambiental por satélite, como o Programa Queimadas, o Sistema Biomas BR e a plataforma Adapta Brasil, voltada ao planejamento de políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.
A programação também incluiu visita ao Centro de Controle e Rastreio de Satélites, responsável por acompanhar operações espaciais que geram dados fundamentais para estudos climáticos e ambientais em todo o país.
Capacitação para fortalecer a gestão municipal
A presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, destacou que a iniciativa representa um passo importante para aproximar os municípios acreanos de instituições científicas de excelência e ampliar o acesso a ferramentas estratégicas para a gestão pública.
Segundo ela, a mobilização contou com apoio direto da AMAC, garantindo ampla participação dos municípios.
“É uma iniciativa ímpar que o Tribunal de Contas realiza em associação com os municípios acreanos. Estamos reunindo aqui cientistas do CEMADEN e do INPE que estão entre os mais preparados do país. Essa troca de conhecimento fortalece a capacidade dos gestores municipais de responder aos eventos climáticos adversos e oferece ferramentas concretas para o planejamento e a prevenção de desastres”, afirmou.
A conselheira destacou ainda que, além das discussões técnicas, foram apresentados produtos e iniciativas voltadas à educação ambiental, formação de mediadores e planejamento preventivo, que podem contribuir diretamente com a gestão municipal.
“Temos aqui um conjunto de conhecimentos e serviços que podem ser utilizados pelos municípios em diversas áreas. Nosso agradecimento a todos os prefeitos e equipes que participaram, especialmente ao prefeito Tião Bocalom, presidente da AMAC, pela parceria nesse momento tão importante para a sociedade acreana”, acrescentou.
Municípios destacam importância da iniciativa
O prefeito de Rio Branco e presidente da Associação dos Municípios do Acre (AMAC), Tião Bocalom, avaliou a agenda como extremamente positiva para os gestores municipais.
“Foi um encontro muito importante aqui em São José dos Campos. Viemos a convite da presidente Dulce e aprendemos muito sobre as mudanças climáticas. Muitos municípios enfrentam enchentes em determinadas épocas do ano e, em outras, períodos de seca severa. Por isso é fundamental buscar conhecimento técnico e conhecer experiências que possam nos ajudar a agir com mais eficiência nos momentos de crise”, afirmou.
Segundo ele, a aproximação com instituições científicas como o INPE contribui diretamente para fortalecer a capacidade de prevenção dos municípios.
“Conhecer de perto o trabalho do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais é muito importante. Eles já nos ajudam na prevenção de problemas relacionados às cheias, às ondas de calor e também às queimadas. Essa interação entre os municípios e os centros de pesquisa é fundamental para melhorar nossa capacidade de resposta”, destacou.
O prefeito de Assis Brasil, Jerry Correia, ressaltou que o contato direto com cientistas e especialistas amplia a capacidade de planejamento dos municípios.
“Foi uma oportunidade muito importante para os prefeitos do Acre. Nem todos puderam vir, mas tivemos uma boa representatividade dos municípios. A partir dessa articulação feita pela conselheira presidente do Tribunal de Contas, tivemos a oportunidade de conhecer importantes instituições e tratar especialmente sobre as mudanças climáticas e os impactos que os municípios do Brasil sofrem em relação às cheias e às secas extremas”, afirmou.
Segundo ele, o diálogo direto com especialistas fortalece a tomada de decisões.
“Ouvimos isso diretamente de especialistas, doutores e cientistas que palestraram durante esses dois dias. Também conhecemos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, muitas vezes chamado de ‘NASA do Brasil’, com tanta tecnologia disponível. Tivemos acesso a diversas ferramentas, inclusive de fácil utilização pelos municípios. O CEMADEN também trouxe muitas informações relevantes. Foi uma experiência muito enriquecedora. Saímos daqui com um compromisso ainda maior com a causa ambiental e também com mais conhecimento para a tomada de decisões”, destacou.
O prefeito de Acrelândia, Olavo Francelino de Rezende (Olavinho), também enfatizou a relevância da agenda para os municípios acreanos.
“Tivemos a oportunidade de vivenciar algo muito interessante e necessário para os municípios. Essas agendas contribuem muito com os prefeitos, secretários e todos que participaram. O nosso estado hoje é muito vulnerável às situações climáticas e aqui pudemos conhecer e aprender experiências que, colocadas em prática, certamente vão beneficiar muito os municípios”, afirmou.
Ele também agradeceu a articulação institucional que possibilitou a participação dos gestores.
“Gratidão à conselheira que nos convidou para estar aqui. Tenho certeza de que essa viagem vai fazer muita diferença nas nossas vidas e também na forma como vamos conduzir as políticas públicas nos nossos municípios”, acrescentou.
Representando o IRI Brasil, Carlos Vicente destacou que a aproximação entre ciência e gestão pública é fundamental para enfrentar os desafios climáticos contemporâneos.
“A iniciativa do Tribunal de Contas do Estado do Acre em promover a visita técnica ao CEMADEN e ao INPE é de grande importância para ajudar prefeitos e suas equipes a acessar conhecimentos científicos de ponta, especialistas de renome mundial e instituições de excelência”, afirmou.
Segundo ele, essa articulação contribui para fortalecer a gestão pública e melhorar a qualidade de vida da população.
“Essa aproximação fortalece a gestão pública e promove melhores condições de vida para as pessoas, especialmente neste contexto de aumento dos desastres climáticos e de seus impactos sobre a saúde, o meio ambiente e a economia”, destacou.
Acre enfrenta aumento de desastres naturais
A visita ocorre em um contexto de crescente preocupação com os impactos das mudanças climáticas na região amazônica.
Dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil indicam que o Acre registrou 167 ocorrências de desastres naturais entre 2015 e 2024, sendo os eventos mais frequentes:
▪ 56 episódios de seca
▪ 53 registros de inundações
▪ 44 ocorrências de incêndios florestais
Os registros apontam que todos os municípios acreanos enfrentaram algum tipo de desastre nesse período, com impactos que incluem prejuízos à infraestrutura urbana, perdas na produção agrícola, interrupção de serviços essenciais e aumento de problemas de saúde relacionados à poluição do ar e à contaminação da água.
Fortalecimento da governança climática
Ao aproximar prefeitos e gestores públicos de centros de pesquisa de referência nacional, a iniciativa liderada pelo TCE-AC contribui para que as políticas públicas municipais sejam cada vez mais orientadas por dados científicos, evidências técnicas e planejamento preventivo.
Além de fortalecer a elaboração de planos de contingência e estratégias de adaptação climática, o intercâmbio técnico também pode ampliar o acesso dos municípios a recursos federais e internacionais destinados à prevenção de desastres e à construção de cidades resilientes.
A expectativa é que o conhecimento adquirido durante a visita fortaleça uma agenda permanente de cooperação entre ciência, gestão pública e instituições de controle, consolidando no Acre uma estratégia mais integrada de enfrentamento aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Participaram da visita técnica
Representantes das prefeituras municipais
Acrelândia – Prefeito Olavo Francelino de Rezende
Assis Brasil – Prefeito Jerry Correia Marinho
Brasiléia – Prefeito Carlos Armando de Souza Alves
Bujari – Prefeito João Edvaldo Teles de Lima
Feijó – Secretário de Obras Claudio Eugenio Silva de Oliveira
Plácido de Castro – Prefeito Camilo da Silva
Plácido de Castro – Diretor de Planejamento Elias Oliveira de Amorim Júnior
Plácido de Castro – Secretário de Obras Antonio Vieira de Pinho
Rio Branco – Coordenador da Defesa Civil Coronel Cláudio Falcão
Rio Branco – Secretária de Meio Ambiente Flaviane Stedile Bittar
Senador Guiomard – Prefeita Rosana Gomes
Tarauacá – Diretor Municipal de Defesa Civil Sgt BM Leandro Simões
Representação jurídica municipal
Procuradoria de Cruzeiro do Sul – Procurador-geral Waner Rafael Sanson
Tribunal de Contas do Estado do Acre
Presidente – Conselheira Dulce Benício
Diretor de Inovação – Gustavo Maia
Consórcio intermunicipal
Consórcio Intermunicipal de Coleta, Destinação e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos das Regionais do Acre (CINRESOAC) – Diretor Emerson Leão Pereira da Silva
Texto: Andréia Oliveira
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Princípio de incêndio provoca evacuação de prédio da Secretaria de Saúde em Rio Branco
Fumaça começou após superaquecimento em extensão elétrica no quinto andar do edifício
Um princípio de incêndio provocou a evacuação do prédio da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) na manhã desta quarta-feira (11), na Rua Benjamin Constant, região central de Rio Branco.
De acordo com o secretário de Saúde do Estado, Pedro Pascoal, o incidente teve início no quinto andar do prédio. Uma extensão elétrica ligada a outra teria superaquecido, provocando fumaça e dando início ao princípio de incêndio.
Ao perceberem a fumaça e o fogo, servidores que estavam no local deixaram as salas e evacuaram o prédio pelas escadas de emergência. Todos permaneceram no térreo enquanto aguardavam a chegada das equipes de resgate.
O Corpo de Bombeiros Militar do Acre foi acionado e chegou rapidamente ao local, conseguindo controlar o princípio de incêndio com o uso de extintores de pó químico.
Apesar do susto, ninguém ficou ferido e não houve necessidade de atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A situação foi controlada ainda no início, sem registro de danos graves ou riscos aos servidores que estavam no prédio.











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