Conecte-se conosco

Cotidiano

Ex-prefeito e ex-secretária são condenados pelo TCU por irregularidades em compra de testes de Covid em Sena Madureira

Publicado

em

Mazinho Serafim e Nildete Lira do Nascimento, ambos de Sena Madureira, devem pagar multa individual de R$ 20 mil. Empresa contratada não possuía autorização da Anvisa

O órgão aponta também que é desconhecida a motivação da busca de cotação dos preços com a empresa que atuava no setor de engenharia. Foto: captada 

Por Pâmela Celina

O ex-prefeito de Sena Madureira, interior do Acre, Mazinho Serafim, e a ex-secretária municipal de Saúde, Nildete Lira do Nascimento, foram condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por irregularidades na aquisição de testes rápidos IGG/IGM de antígeno de Sars-CoV-2, durante a pandemia de Covid-19. Ambos devem pagar uma multa de R$ 20 mil cada.

A investigação teve início a partir de denúncias que apontaram irregularidades entre dois contratos firmados pela prefeitura com a empresa B&F Brasil Ltda, em 2025.

Os contratos somaram mais de R$ 2,5 milhões e previam a aquisição de testes rápidos. O reportagem entrou em contato com os envolvidos e aguarda retorno.

Segundo a análise do órgão, foram identificadas duas irregularidades: o superfaturamento e a ausência de autorização de funcionamento da empresa.

  • Na primeira irregularidade, o TCU identificou que a compra dos testes foi feita a preços superiores aos praticados no mercado na mesma época, principalmente na região Norte. Em alguns casos, os testes tinham o preço estimado entre R$ 95 e R$ 100, mas foram adquiridos por valores que chegaram até R$ 230, o que gerou um sobrepreço estimado em mais de R$ 700 mil;
  • A segunda irregularidade, que o órgão considera a mais grave, a empresa contratada não possuía a Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de não possuir a licença sanitária estadual. A AFE foi obtida somente em dezembro de 2021, meses após o encerramento dos contratos.

Conforme o entendimento do TCU, a ausência da autorização compromete a regularidade do fornecimento, principalmente no contexto de emergência sanitária, pois não há garantia de que os produtos que foram entregues ao município atenderam as exigências sanitárias legais.

“Tal situação não se comprovou nos autos, tornando imprestáveis os testes fornecidos, além de causar riscos diversos à população do ente federativo ocasionados por potenciais erros da testagem de pacientes suspeitos de terem contraído a doença”, detalhou parte do relatório.

O tribunal também identificou ausência de dados na documentação fiscal apresentada pela empresa, impedindo a verificação sobre as etapas da cadeia logística.

O órgão aponta também que é desconhecida a motivação da busca de cotação dos preços com a empresa que atuava no setor de engenharia.

“São desconhecidos os fatos que ensejaram a busca de uma cotação de preços para uma empresa recém-constituída cujo o ramo principal de atividade era a prestação de serviços de engenharia, além de não cumprir os requisitos legais aplicáveis para a comercialização de testes de Covid, ou seja, sem ter autorização de funcionamento e licença da vigilância sanitária”, descreve o relatório.

Em janeiro de 2026, a Polícia Fedral deflagrou a Operação Graco que investiga desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, conhecidas como emendas Pix. Foto: captada 

Defesa e multa

De acordo com a decisão do TCU, o ex-prefeito de Sena Madureira e a ex-secretária de Saúde, além da empresa contratada, foram responsabilizados. Mazinho não apresentou defesa durante o prazo legal, sendo considerado revel, o que permitiu que o julgamento prosseguisse. Já Nildete Lira apresentou alegações de defesa.

O TCU concluiu que os prazos não haviam sido ultrapassados e entendeu que a contratação foi realizada de forma irregular e que houve erro grave na aquisição dos produtos de uma empresa sem autorização.

Com a decisão, o órgão aplicou multa individual no valor de R$ 20 mil a Mazinho Serafim e Nildete Lira do Nascimento, com prazo fixo de 15 dias, contados a partir da notificação, para que comprovem o recolhimento das dívidas aos cofres do Tesouro Nacional.

Polêmicas envolvendo o ex-prefeito

Ao longos dos quatro anos de mandato à frente da Prefeitura de Sena Madureira, entre 2017 e 2024, Mazinho Serafim já foi investigado cerca de três vezes, a maioria envolvendo sua administração com os recursos públicos.

O ex-gestor se envolveu em várias polêmicas. Ele foi acusado de usar sua posição para tentar se livrar de uma blitz. Também discutiu com um deputado, usando palavras ofensivas.

Em 2020, o ex-prefeito foi preso em flagrante por fazer boca de urna durante as eleições. Segundo a Polícia Federal, ele pedia votos nas ruas e distribuía santinhos no dia da votação.

Também em 2020, Mazinho foi chamado para explicar uma suspeita de compra de votos. No mesmo ano, ele e a esposa, a deputada Meire Serafim (União Brasil), foram denunciados por fazerem um churrasco durante a quarentena. Isso aconteceu no período mais grave da pandemia, quando a orientação era ficar em casa.

Já em 2021, ele foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), a devolver mais R$ 230,9 mil aos cofres públicos, após serem encontradas irregularidades em um pregão que ocorreu em 2018. E mesmo após o fim de sua gestão, o ex-prefeito ainda está envolvido em escândalos.

Em janeiro de 2025, a Promotoria de Justiça Cível de Sena Madureira instaurou uma investigação para apurar uma possível dívida de R$ 146 milhões deixada por Mazinho Serafim.

Em janeiro de 2026, a Polícia Fedral deflagrou a Operação Graco que investiga desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, conhecidas como emendas Pix, usados na contratação de três shows da Exposena Rural Show 2024. Mazinho é um dos alvos da apuração.

O tribunal também identificou ausência de dados na documentação fiscal apresentada pela empresa, impedindo a verificação sobre as etapas da cadeia logística. Foto: captada 

Comentários

Continue lendo
Publicidade

Cotidiano

Maior produtor de soja do Acre e filho se filiam ao PSDB e reforçam projeto de Bocalom ao governo

Publicado

em

Jorge Moura e Marcelo Moura assinaram ficha de filiação na noite desta segunda-feira; Marcelo deve integrar chapa do partido como pré-candidato a deputado federal

O ato fortalece o projeto “Produzir para Empregar”, liderado pelo pré-candidato ao Governo do Acre. Foto: captada 

Produtores rurais se filiam ao PSDB e fortalecem chapa de Bocalom ao governo

O maior produtor de soja do Acre e pecuarista, Jorge Moura, e seu filho, Marcelo Moura, assinaram ficha de filiação ao PSDB na noite desta segunda-feira (30). O ato fortalece o projeto “Produzir para Empregar”, liderado pelo pré-candidato ao Governo do Acre e prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom.

A filiação reforça a estratégia do partido, pelo qual Bocalom disputará o governo do Estado, de montar uma chapa competitiva com candidatos a deputado federal e estadual. O evento aconteceu na sede do PSDB, na Rua Rio Grande do Sul, no mesmo dia em que Jorge e Marcelo Moura visitaram a indústria de leite de soja, que será inaugurada na manhã desta terça-feira (31), logo após o prefeito Tião Bocalom ter inaugurado a nova sede própria da Câmara Municipal de Rio Branco.

A filiação reforça a estratégia do partido, pelo qual Bocalom disputará o governo do Estado. Foto: captada 

Marcelo Moura deve disputar vaga na Câmara Federal

Marcelo Moura deve integrar o grupo de candidatos a deputado federal do PSDB nas próximas eleições, com a expectativa de contribuir para a eleição de um a três parlamentares. Em sua declaração, ele destacou a confiança na gestão de Bocalom e a necessidade de o Acre avançar na produção e na autonomia econômica.

“O Bocalom é um guerreiro que tem história e trabalho neste estado. Já mostrou que sabe cuidar bem do dinheiro público, tem visão de futuro e capacidade de gestão. O Acre precisa deixar de depender de programas sociais e de outros estados para se alimentar. Somos trabalhadores, sabemos produzir, e precisamos de um governador com essa visão do Tião Bocalom para que o Acre ande com as próprias pernas”, afirmou Marcelo Moura.

Bocalom intensifica articulações antes de saída da prefeitura

Tião Bocalom, que se afasta da Prefeitura no próximo dia 3 de abril, segue com uma agenda de inaugurações e articulações políticas visando as eleições. Segundo ele, até o dia 4 estará com um grupo fortalecido para a disputa rumo ao Palácio Rio Branco, à Assembleia Legislativa e ao Congresso Nacional.

“Com a chegada de Jorge e Marcelo Moura, o projeto ‘Produzir para Empregar’ se fortalece ainda mais. Eles sempre acreditaram na nossa proposta e agora vêm somar para concretizar o sonho de chegarmos ao governo e reorganizarmos o nosso estado. Tenho confiança de que, com um time comprometido e preparado, vamos mudar para melhor a história do povo acreano”, declarou Bocalom.

Marcelo Moura deve integrar o grupo de candidatos a deputado federal do PSDB nas próximas eleições. Foto: captada 

Comentários

Continue lendo

Cotidiano

Acre tem tendência de queda nos casos de dengue em 2026, aponta projeção da FGV e Fiocruz

Publicado

em

Estado deve registrar cerca de 6,5 mil casos prováveis na temporada 2025-2026, número inferior ao do ano anterior; cenário nacional ainda preocupa com 1,8 milhão de casos esperados

A principal forma de prevenção continua sendo o combate aos criadouros do mosquito. Foto: captadas

Acre acompanha redução nacional de dengue, mas especialistas alertam para prevenção

O Acre está entre os estados com tendência de queda nos casos de dengue durante a temporada 2025-2026, segundo projeção do sistema InfoDengue-Mosqlimate, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com o levantamento, o Acre deve registrar cerca de 6.478 casos prováveis da doença em 2026, número inferior ao observado na temporada anterior. A redução também é prevista para unidades como Amapá, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Apesar da queda em algumas regiões, o cenário nacional ainda preocupa. A estimativa é de aproximadamente 1,8 milhão de casos de dengue em todo o país no período entre outubro de 2025 e outubro de 2026. Embora elevado, o número representa uma redução significativa em relação a 2024, quando o Brasil ultrapassou 6,5 milhões de notificações.

Cenário atual e variação entre estados

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que, somente em 2026, o país já acumula mais de 175 mil casos prováveis. Em 2025, foram registrados mais de 1,6 milhão de casos e 1.821 mortes confirmadas.

Os dados mais recentes do MS indicam, somente em 2026, o país já acumula mais de 175 mil casos. Foto: captada 

O estudo também aponta que o comportamento da doença varia entre os estados. Enquanto há previsão de aumento em unidades como Distrito Federal, Minas Gerais e Santa Catarina, outras regiões devem apresentar estabilidade ou redução nos índices.

Prevenção e vacinação

A dengue é uma doença viral transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti e pode variar de quadros leves a formas graves. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dores no corpo, dor de cabeça, náuseas e manchas vermelhas na pele.

A principal forma de prevenção continua sendo o combate aos criadouros do mosquito, com a eliminação de água parada em recipientes domésticos. Além disso, o Brasil disponibiliza vacina contra a doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando as estratégias de enfrentamento à arbovirose.

O Acre está entre os Estados com tendência de queda nos casos de dengue durante a temporada 2025-2026. Foto: art

Comentários

Continue lendo

Cotidiano

Semana Santa aquece comércio de pescados no Acre; peixarias ampliam horário e vendem até 20 toneladas

Publicado

em

Tradição católica impulsiona procura por peixe na Quaresma; na Ceasa de Rio Branco, Peixaria Rio Purus atende clientes das 4h às 22h e reforça equipe para dar conta da demanda

Durante a Semana Santa que a demanda atinge seu ponto mais alto. Foto: captada 

Com Domingo de Ramos, comércio de pescado no Acre se prepara para maior movimento do ano

Com a chegada do Domingo de Ramos, o comércio de pescados no Acre entra em um dos períodos mais importantes do ano. A tradição católica de evitar carne vermelha durante a Quaresma e a Semana Santa impulsiona o consumo de peixe, aumentando significativamente a movimentação nas peixarias em todo o estado.

Ao longo dos 40 dias que antecedem a Páscoa, a procura cresce de forma gradual, mas é na Semana Santa que a demanda atinge o pico, refletindo diretamente nas vendas e na rotina dos comerciantes, que precisam se adaptar para atender o fluxo de clientes.

Um dos principais pontos de venda em Rio Branco é a Peixaria Rio Purus, localizada na Ceasa. Com mais de uma década de atuação, o local amplia o horário de funcionamento para até 18 horas por dia, começando às 4h da manhã e seguindo até a noite, além de reforçar a equipe para dar conta da demanda.

O negócio carrega forte tradição familiar. O empresário Flávio Santos, que comanda a peixaria ao lado da esposa Samira Sales, segue os passos do pai e do avô, que já trabalhavam com pescado. A experiência acumulada ao longo de três gerações se tornou um diferencial na qualidade dos produtos oferecidos, consolidando a fidelidade dos clientes.

Tambaqui é o carro‑chefe

Entre os produtos mais procurados na Ceasa, o tambaqui se destaca como o carro-chefe. O peixe é vendido diariamente em diferentes cortes e com preparo personalizado, garantindo praticidade para os consumidores. Durante o período, a peixaria chega a comercializar cerca de 20 toneladas de pescado, com expectativa de até 8 toneladas apenas na Semana Santa.

Os produtos mais procurados, o tambaqui se destaca. O peixe é vendido diariamente em diferentes cortes. Foto: captada 

Para atender à alta demanda, a logística é intensificada desde o início da Quaresma. A equipe praticamente dobra de tamanho e o abastecimento é reforçado, com os peixes sendo armazenados adequadamente até a Sexta-feira Santa. Além do atendimento ao consumidor final, o negócio também fornece para restaurantes e marmitarias nas regionais do estado.

Desafios e importância do período

Apesar do crescimento nas vendas, os comerciantes ainda enfrentam desafios, como a dificuldade em obter algumas espécies mais procuradas. Mesmo assim, o período é visto como essencial para o setor. Além de fortalecer o faturamento, a Semana Santa também ajuda a consolidar o hábito de consumo de pescado ao longo de todo o ano, garantindo continuidade para o negócio mesmo após o período religioso.

Os comerciantes ainda enfrentam desafios, como a dificuldade em obter algumas espécies mais procuradas. Foto: captada 

Comentários

Continue lendo