Deputado Luiz Gonzaga cobrou duramente esclarecimentos por parte do Governo /Foto: Reprodução
O deputado Luiz Gonzaga (PSDB) pediu na manhã desta terça-feira (25), a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as obras da BR-364 e denunciou suposto superfaturamento de R$ 443 milhões em dois trechos da rodovia no interior do Estado. “Foi-nos dito que iria depender de uma decisão do Tribunal de Justiça do Acre, a decisão foi dada e até agora não se tem notícias da instalação da CPI”, diz Gonzaga.
Segundo o deputado tucano, “o Estado do Acre todo clama por essa CPI, porque os recursos vieram. R$ 2 bi para fazer uma estrada que não existe. Uma tomada de contas especial feita pelo Dnit constatou que em dois trechos da BR entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá, o Dnit está cobrando R$ 443 milhões dos responsáveis pela obra e do Deracre, atualizados até março de 2016. Se em dois trechos tem desvio, imagine nos demais”.
Gonzaga destaca que o TCU foi quem determinou que o Dnit não aprovasse as contas do Deracre, se a obra não fosse entregue com qualidade. “E esta obra nunca foi entregue ao Dnit porque não tem qualidade. Se o governo federal pagou ao governo do Acre para construir a BR, o governo do Acre deveria entregar uma estrada de qualidade. Está aqui mais um exemplo de bandalheira do governo do PT no Estado. E estamos falando de apenas dois contratos”.
De acordo com o oposicionista, os gastos incluíram ainda empréstimos feito junto ao Banco Mundial, “que ninguém sabe para onde foram. Como é que vamos pagar um empréstimo de algo que não existe. A CGU também constatou desvios de recursos nos trechos que fiscalizou. Esta casa não pode de forma alguma ficar calada diante de tantas situações graves. Portanto, eu estou aqui pedindo que a mesa diretora, urgentemente, faça a instalação da CPI”.
O deputado afirma que em todos os locais que anda no Estado, as pessoas o questionam pela CPI. “Precisamos dar uma resposta à sociedade. É um direito do povo e um dever desta Casa como órgão de fiscalização instalar a CPI e dar condições para que a comissão funciona. Isso é um absurdo, R$ 2 bi para construir uma rodovia que não existe. A sociedade clama por uma resposta de seus representantes neste poder”, finaliza Luiz Gonzaga.
O presidente da Aleac, deputado Ney Amorim (PT) informou que, “nós temos pelo menos cinco pedidos de CPI protocolados nesta Casa. Três do deputado Daniel Zen, a CPI da BR e a CPI da Sehab. A mesa vai cumprir todos os rituais e vai dar condições para que as CPI’s possam acontecer de forma transparente e responsável, seguindo o Regimento interno da Casa e todos os requisitos legais para entrar me funcionamento”, destaca Amorim.
Líder do governo na Aleac afirma que a BR-364 “vai ficar para o rabo da fila”
Deputado Daniel Zen, do PT.
O líder do governo na Aleac, deputado Daniel Zen (PT) ironizou o apelo do deputado Luiz Gonzaga (PSDB) para instalar a Comissão de Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as obras da BR-364. O petista afirma que o tucano precisa aprender a fazer contas e faltou as aulas de matemática, quando o assunto é o cálculo de R$ 2 bilhões que teriam sido investidos na estrada.
“Ele tem que aprender a fazer conta. Ele falou às aulas de matemática. Não foi dois bilhões, mas 1,7 bilhão, incluindo as pontes e travessias de cursos de rios. Se fizer a distribuição não tem nenhum valor que destoe da realidade. Sobre a CPI, tem pelo menos seis pedidos de CPIs antes da sua. O senhor vive viajando, não participa dos trabalhos não sabe do que acontece aqui”, diz Zen.
Na tentativa de desqualificar Gonzaga, Daniel Zen afirma que “se eu fosse seu suplente já teria pedido o mandado pelo seu excesso de faltas. Antes de instalar as CPIs, eu vou também fiscalizar para seja cumprida a ordem sequencial dos pedidos de CPI. Se a da Sehab for instalada, as minhas também vão ser, e a sua vai ficar para o rabo da fila”, dispara o líder de Sebastião Viana.
Luiz Gonzaga voltou a tribuna e rebateu Zen. “Deputado, sou um homem casado. Não entendo essa sua preocupação comigo. Se não tem argumento para defender seu governo que fique calado, mas não venha com ofensas pessoais. Eu não venho fazer denúncias sem provas. E tem mais, o senhor passa a imagem de professor de matemática aqui, só quem sabe fazer contas é o senhor, mas não computa os recursos dos empréstimo de 80 milhões de dólares que foi feito, mas o professor de matemática não soma essas coisas”, finaliza.
Faleceu nesta quarta-feira (31), aos 71 anos, em Rio Branco, Gilberto Bezerra de Farias, conhecido como Gil Trotamundos. Natural de Sena Madureira, ele se tornou um dos mais conhecidos ciclistas aventureiros do Brasil ao realizar três voltas ao mundo de bicicleta, percorrendo aproximadamente 500 mil quilômetros e visitando 142 países ao longo de mais de 45 anos de viagens.
Gil ganhou projeção internacional por suas jornadas sobre duas rodas, que lhe renderam reconhecimento no meio do cicloturismo e da aventura. Ao longo da carreira, publicou 12 livros em quatro idiomas e produziu 17 filmes, entre eles nove documentários sobre suas viagens — como a série Pedal da Liberdade — e outros oito voltados à história de seus antepassados no Acre.
Entre as homenagens recebidas, foi escolhido para conduzir a tocha olímpica em Rio Branco durante os Jogos Olímpicos de 2016 e também participou do revezamento da tocha nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.
Em entrevistas, Gil relatava ter filhos em diferentes países, reflexo de sua vida itinerante ao redor do mundo. Nos últimos meses, enfrentava um câncer e havia se mudado para Santa Catarina em busca de tratamento e para tentar se estabelecer junto à família.
A morte de Gil Trotamundos encerra uma trajetória considerada histórica para o cicloturismo acreano e brasileiro, marcada por espírito aventureiro, produção cultural e promoção do Acre no exterior.
A Prefeitura de Rio Branco entregou, na manhã desta quarta-feira (31), a nova Ponte do Caipora, uma obra histórica e muito aguardada pelos moradores da região. A entrega contou com a presença do prefeito Tião Bocalom, do vice-prefeito Alysson Bestene, do presidente da Câmara Municipal Joabe Lira, secretários municipais, lideranças comunitárias e moradores beneficiados.
A nova estrutura representa um avanço significativo para a mobilidade e a segurança da população, encerrando um longo período de isolamento enfrentado por centenas de famílias, especialmente durante o inverno amazônico, quando as cheias impediam o deslocamento e o acesso a serviços essenciais.
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a obra simboliza mais do que infraestrutura: representa liberdade, dignidade e cuidado com as pessoas. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a obra simboliza mais do que infraestrutura: representa liberdade, dignidade e cuidado com as pessoas.
“Até o ano passado, as comunidades daqui ficavam isoladas. Teve ano em que não tinha comida, porque ninguém conseguia sair. Agora, eles vão poder ir e vir com segurança. Essa ponte representa liberdade e dignidade para todo mundo. A prefeitura colocou quase dois milhões em contrapartida, porque nosso objetivo é cuidar bem do nosso povo”, destacou o prefeito.
O vice-prefeito Alysson Bestene reforçou o impacto social da obra, ressaltando o compromisso da gestão municipal em atender quem mais precisa. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O vice-prefeito Alysson Bestene reforçou o impacto social da obra, ressaltando o compromisso da gestão municipal em atender quem mais precisa.
“É uma obra de grande impacto. Quando garantimos que as famílias possam se deslocar com tranquilidade e segurança, quem ganha é a comunidade. A prefeitura tem buscado chegar a quem mais precisa”, afirmou.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, a entrega da Ponte do Caipora integra um amplo programa de investimentos em infraestrutura rural e urbana.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, a entrega da Ponte do Caipora integra um amplo programa de investimentos em infraestrutura rural e urbana. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“Estamos concluindo cerca de 100 pontes de batisteca, e esta já é a sexta ponte de concreto desta gestão. É um compromisso com a infraestrutura e com a melhoria da vida da população”, explicou.
A ponte foi construída com recursos federais, somados à contrapartida da Prefeitura de Rio Branco. Para os moradores, a obra encerra décadas de dificuldades e garante acesso permanente a serviços como saúde, educação e abastecimento.
Moradora do Projeto Moreno Maia há 28 anos, Claucilene Oliveira destacou a importância histórica da entrega. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Moradora do Projeto Moreno Maia há 28 anos, Claucilene Oliveira destacou a importância histórica da entrega.
“Essa ponte representa a nossa liberdade, o direito de ir e vir e a melhoria da qualidade de vida. Durante muitos anos, nas enchentes, ficávamos isolados e dependentes da ajuda do poder público. Agora esse problema não vai mais existir. É um sonho antigo dos moradores, aguardado por mais de 30 anos.”
O morador Pedro de Souza Marcial também celebrou a conquista. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O morador Pedro de Souza Marcial também celebrou a conquista.
“Essa ponte representa um bem muito grande pra nós. A gente ficava ilhado, tinha época que não tinha nada em casa porque não dava pra ir à cidade. O Bocalom está de parabéns. É um bem precioso pra toda a vida.”
Mais investimentos em infraestrutura rural
Ainda nesta quarta-feira, o prefeito Tião Bocalom e sua equipe seguiram para o Ramal Piçarreira, na região do Calafate, onde foi entregue mais uma ponte construída integralmente com recursos próprios do município. A obra beneficia diretamente moradores e produtores rurais, facilitando o escoamento da produção agrícola e fortalecendo a economia local.
O prefeito e sua equipe seguiram para o Ramal Piçarreira, na região do Calafate, onde foi entregue mais uma ponte construída integralmente com recursos próprios do município. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“O último dia do ano foi dedicado à entrega de obras. Estivemos na ponte do Caipora, uma obra notável, e agora entregamos outra bela ponte no Ramal Piçarreira. Essa era uma reivindicação de mais de vinte ou trinta anos.
Investimos recursos próprios, mostrando que a prefeitura tem capacidade de realizar. Isso é apoio direto aos trabalhadores e produtores rurais que colocam alimento na mesa da nossa população”, concluiu o prefeito.
Com essas ações, a Prefeitura de Rio Branco reafirma seu compromisso com o desenvolvimento, a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida, especialmente nas áreas que por décadas conviveram com o isolamento e a falta de infraestrutura.
“Nada melhor do que concluir o ano, em um dia de feriado, trabalhando e mostrando nosso compromisso com a população”, disse Joabe. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Presidente da Câmara Joabe Lira que acompanhou o prefeito nas agendas, ressaltou o memento especial para os moradores da zona rural.
“Um dia especial, o último do ano, 31 de dezembro. Estamos encerrando o ano, e não há melhor maneira de celebrar do que entregando obras. Isso demonstra o compromisso e a dedicação do prefeito, que também compartilhamos na Câmara, com a população de Rio Branco. Nada melhor do que concluir o ano, em um dia de feriado, trabalhando e mostrando nosso compromisso com a população”.
Chuvas agravaram crateras, erosões e deslizamentos; trechos entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó são os mais afetados. DNIT e PRF atuam em interdições parciais
Ao longo de 2025, a rodovia acumulou reclamações por más condições de trafegabilidade, e as fortes chuvas das últimas semanas pioraram ainda mais o cenário. Foto: captada
A BR-364, única ligação terrestre entre o Vale do Juruá e a capital Rio Branco, permanece em situação crítica e continua gerando preocupação entre moradores, motoristas e transportadores. Em 2025, a rodovia foi alvo de constantes críticas devido às más condições e, com as fortes chuvas recentes, o cenário piorou: crateras, erosões e deslizamentos têm tornado trechos intrafegáveis, especialmente entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó.
Nas últimas semanas, um trecho próximo à Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, foi parcialmente interditado após o asfalto ceder com o transbordamento de um igarapé. Equipes do DNIT e da PRF atuam no local para controlar o tráfego e reduzir riscos. Motoristas relatam que o percurso de aproximadamente 635 quilômetros, que antes levava de sete a oito horas, agora pode durar de 12 a 16 horas, causando aumento no consumo de combustível, desgaste mecânico e elevação dos custos de frete.
A rodovia segue essencial para o abastecimento e a economia regional, mas a precariedade estrutural impacta diretamente a mobilidade, a segurança e a rotina dos moradores do Juruá.
Problemas recentes:
Interdição parcial próximo à Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, após o asfalto ceder com o transbordamento de um igarapé;
Crateras, erosões e deslizamentos de pista em vários trechos, especialmente entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó;
Atuação conjunta do DNIT e da PRF para controle do tráfego e redução de riscos.
A situação precária já havia sido apontada pela CNT como uma das piores do país. Foto: captada
Impactos no tráfego:
O percurso de 635 km, que antes levava 7 a 8 horas, agora pode durar 12 a 16 horas ou mais, devido às manobras para evitar buracos e às condições climáticas.
Prejuízos econômicos:
Aumento no consumo de combustível;
Desgaste acelerado de pneus, suspensão e componentes mecânicos;
Elevação dos custos de frete e manutenção, impactando o abastecimento e a economia regional.
Motoristas relatam que a viagem se tornou “lenta e perigosa”, exigindo atenção constante para não danificar os veículos. Muitos evitam viajar à noite devido à falta de sinalização e iluminação em trechos críticos.
A BR-364 é vital para o isolado Vale do Juruá, sendo a única via para transporte de mercadorias, acesso a saúde, educação e outros serviços na capital. A situação precária já havia sido apontada pela CNT como uma das piores do país.
O DNIT afirma que está monitorando os pontos críticos e realizando intervenções emergenciais, mas obras de recuperação estrutural ainda não têm data para início. Enquanto isso, a população local cobra uma solução definitiva para o problema crônico da rodovia.
A deterioração da BR-364 reflete a vulnerabilidade logística do Acre e escancara a dependência de uma única via para integração regional – cenário que se agrava a cada temporada de chuvas.
O percurso de 635 km, que antes levava 7 a 8 horas, agora pode durar 12 a 16 horas ou mais, devido às manobras para evitar buracos e às condições climáticas. Foto: captada
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