Conecte-se conosco

Brasil

Como o estilo de vida ‘saudável’ pode te deixar cansado

Dietas desequilibradas ou muito restritivas podem causar efeito contrário ao esperado, segundo especialistas

Publicado

em

Foto: Mulher após atividade física/Getty Images

Lisa Drayer, da CNN

Deixe-me adivinhar: você está se alimentando de forma saudável, com muitas frutas e vegetais, cortando o consumo de carne e mantendo a alimentação com base em vegetais. Você também cortou pão, biscoitos e o bolo caseiro. Só há um problema: parece que você não consegue ficar acordado e alerta durante o dia.

Superficialmente, esse estilo de vida parece saudável, mas pode incluir alguns comportamentos que, na verdade, estão esgotando sua energia.

“Uma alimentação saudável, às vezes, pode se transformar em algo que não é saudável e drenar sua energia, se você estiver muito restrito”, disse Yasi Ansari, nutricionista e porta-voz da Academia de Nutrição e Dietética.

Aqui estão algumas maneiras pelas quais a chamada dieta “saudável” pode torná-lo mais letárgico – e o que você pode fazer para colocar sua energia de volta nos trilhos.

Cortar muitas calorias

“Se você está tentando perder peso e reduz suas calorias muito drasticamente, isso pode deixá-lo sem a quantidade certa de energia ou combustível de que você precisa para passar o dia”, disse a nutricionista Elizabeth DeRobertis, diretora de nutrição do Centro Scarsdale Medical Group do White Plains Hospital.

Os alimentos fornecem a energia de que você precisa para se manter focado e produtivo ao longo do dia. E embora às vezes as pessoas pensem que para perder peso devem comer o mínimo possível, isso não funciona a longo prazo, disse DeRobertis, criadora do Programa de Perda de Peso GPS, um acompanhamento online de perda de peso individualizado.

Quando alguém a pessoa se torna muito restritiva com sua ingestão de comida, o metabolismo pode ficar lento, e a ela pode se sentir sem energia. “Também acaba sentindo muita fome e comendo demais”, disse DeRobertis.

“Se você está se sentindo sem forças, verifique a quantidade de energia que está ingerindo”, disse a nutricionista Melissa Majumdar, especialista em obesidade e controle de peso. “Comece adicionando mais 30 a 60 gramas de proteína magra, meia xícara de grãos inteiros ou uma colher de sopa de gordura saudável e reanalise.”

Muito tempo sem comer

Ficar muito tempo sem comer também pode causar cansaço. “Algumas pessoas sentem sonolência ou lentidão como um sinal de comer mais, em vez dos sinais tradicionais de fome”, disse Majumdar, que também é coordenadora metabólica e bariátrica do Hospital da Universidade Emory Midtown.

“Se duas ou três horas após uma refeição você estiver com pouca energia, faça um lanche balanceado de fibras e proteínas, como frutas frescas com um punhado de nozes ou um pequeno saquinho de edamame”, sugere.

“Identificar quando seu corpo começa a ficar com fome pode ajudá-lo a entender melhor como ser mais consistente com sua nutrição e seu tempo para garantir que sua energia esteja estável ao longo do dia e que você esteja ajudando seu corpo a atender às suas necessidades”, disse Ansari.

Cortar muitos carboidratos

Ingerir baixo teor de carboidratos também pode fazer você se sentir mal. Comer poucos carboidratos não apenas pode fazer você se sentir cansado e irritado com o baixo nível de açúcar no sangue; também pode levar à desidratação, o que pode causar fadiga.

“Para cada grama de carboidrato armazenado no corpo, há aproximadamente 2 a 3 gramas de água retidos”, explicou DeRobertis. Mas quando alguém reduz sua ingestão de carboidratos muito drasticamente, a água é liberada, e é possível ficar desidratado.

“Quando alguém sente uma queda de energia à tarde, sempre penso em uma planta murcha e precisando de água”, disse DeRobertis. “Ao regarmos a planta, ela se recupera. E eu imagino o que acontece com nossas células quando não estamos bem hidratados o suficiente durante o dia.”

Cortar carboidratos, especialmente biscoitos e guloseimas açucaradas, faz sentido, mas certifique-se de não economizar em carboidratos ricos em fibras, como frutas, vegetais e grãos inteiros.

Dieta vegetariana desequilibrada

Banir as proteínas animais como parte de uma dieta vegetariana não é necessariamente prejudicial à saúde, mas é importante estar consciente de como consumir uma ingestão equilibrada de todos os nutrientes.

“Se alguém escolhe manter uma dieta vegetariana ou vegana, mas não tem o cuidado de obter vitamina B12 e ferro suficientes (de suplementos e fontes vegetais), pode acabar com anemia e uma sensação de fadiga resultante”, explicou DeRobertis.

Alimentos ricos em ferro incluem carne bovina, cereais enriquecidos com ferro, espinafre e feijão. Se você consumir fontes vegetais de ferro, é aconselhável adicionar vitamina C para aumentar a absorção. “Um exemplo pode ser uma salada de espinafre com um pequeno copo de suco de laranja ou uma sopa de lentilha com tomate picado”, disse Ansari.

Os veganos também devem estar cientes de uma possível deficiência de vitamina B12. “A deficiência de B12 pode levar anos para se desenvolver, portanto, suplementar com antecedência se você não comer alimentos de origem animal como carne, peixe, ovos e laticínios é a chave”, disse Majumdar. A levedura nutricional também pode adicionar um pouco de vitamina B12, mas precisa ser ingerida diariamente para fornecer o suficiente, acrescentou Majumdar.

Comer muitos carboidratos

Comer muitos carboidratos de uma vez também pode contribuir para a sensação de lentidão. Mesmo os carboidratos saudáveis se transformam em açúcar no corpo, e nosso pâncreas, em resposta, produz insulina para manter o açúcar no sangue estável.

“Se alguém ingere muitos carboidratos de uma vez – mesmo que sejam carboidratos saudáveis, como arroz integral, feijão, batata doce, macarrão integral ou quinoa – para algumas pessoas, muitos carboidratos podem aumentar o açúcar no sangue, e altos níveis de açúcar no sangue fazem nos sentimos cansados e letárgicos “, disse DeRobertis. (Embora isso aconteça frequentemente entre indivíduos com diabetes, pode acontecer com qualquer pessoa que ingira muitos carboidratos de uma só vez, disse ela.)

Preste atenção em como você se sente após as diferentes combinações de refeições e, se notar que se sente cansado após uma refeição rica em carboidratos, considere separar os carboidratos durante o dia, aconselhou DeRobertis.

Se exercitar muito

O excesso de exercícios também pode fazer você se sentir cansado. “O quanto é demais depende da pessoa, outras demandas em sua vida, níveis de estresse, saúde geral e níveis de condicionamento físico e os tipos de exercícios”, disse Majumdar.

Abastecimento insuficiente para um treino também pode contribuir para a fadiga. “Durante o exercício, o corpo normalmente queima uma combinação de gordura e carboidratos. Se você não está comendo carboidratos suficientes, é mais difícil abastecer o treino. Se esse padrão progredir, os carboidratos armazenados no corpo, chamados de glicogênio, não são reabastecidos”, afirma Majumdar. Isso pode deixar você se sentindo esgotado e frustrado com o seu treino, de acordo com Majumdar.

“Faça um inventário de como você se sente antes e depois das sessões de exercícios e considere adicionar carboidratos ou calorias à sua ingestão, ou reduzir seus exercícios para manter os níveis de energia equilibrados”, disse Majumdar.

Se o exercício está prejudicando a hora de dormir, isso também pode afetar os níveis de energia. Dormir uma quantidade de horas adequada não só fornece energia, mas também ajuda o corpo a reparar ativamente os músculos e tecidos usados durante o exercício, de acordo com Majumdar.

Comentários

Continue lendo
Publicidade

Brasil

Vacinação contra a Covid-19 completa cinco anos no Acre com queda de mortes e baixa adesão ao reforço

Publicado

em

Por

Dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mostram que a cobertura vacinal contra a Covid-19 no Acre apresenta forte desigualdade entre faixas etárias e um desempenho significativamente inferior na aplicação das doses de reforço

O início da vacinação ocorreu no auge da crise sanitária, momento descrito por Thor Dantas como “de muito caos, muito medo e muita gente adoecendo ao mesmo tempo”. Foto: captada 

A pandemia de Covid-19 chegou ao Acre em março de 2020 e rapidamente mudou a rotina de todos os acreanos, eram momentos de dúvidas, hospitais superlotados e restrições sanitárias. Quando as primeiras doses da vacina desembarcaram no dia 19 de janeiro de 2021, o sistema de saúde operava no limite e a população convivia com a incerteza. A vacina trouxe uma nova fase, e passou a ser a principal forma de reduzir internações e mortes por Covid-19.

Cinco anos depois, o momento segue sendo lembrado como um divisor de águas no enfrentamento da pandemia. Em entrevista, o infectologista Thor Dantas explica que a imunização alterou o curso da doença no país.

“Quando a vacina ficou disponível e as pessoas se vacinaram, o cenário da pandemia mudou completamente. Hoje a doença é uma outra doença, muito diferente, graças à vacina”, afirmou.

Entre ciência e desinformação

Ao avaliar o período, o médico destaca que a chegada da vacina enfrentou simultaneamente uma disputa narrativa e informacional, em meio às campanhas negacionistas.

“O Brasil abraçou e acolheu bem a infância com vacinação, mas uma coisa que a gente enfrenta, passando os anos, é uma onda antivacina”, afirma.

Segundo o médico, o fenômeno da desinformação criado durante a pandemia superou a Covid-19 e passou a afetar a vacinação de forma geral. “O mundo, de uma forma geral, pagou um preço por isso, com o retorno de doenças que estavam desaparecendo, como a poliomielite e o sarampo”, afirmou.

Da chegada do vírus à primeira dose

O Acre confirmou seus três primeiros casos de Covid-19 em 17 de março de 2020. Na época, se tratava de um homem de 30 anos e duas mulheres, de 50 e 37 anos, que haviam retornado de viagens a São Paulo e Fortaleza. Todos apresentavam sintomas leves e ficaram em quarentena domiciliar, sob acompanhamento da Vigilância Epidemiológica. No mesmo dia, o governador Gladson Camelí (PP) declarou situação de emergência.

No Estado do Acre, desde o início da pandemia em 2020 até o dia 6 de dezembro de 2025, foram notificados 444.878 casos de Covid-19, onde 268.632 foram descartados, 176.241 confirmados e 2.119 evoluíram para óbito.

Em 19 de janeiro de 2021, chegava ao Acre o primeiro lote de vacinas contra a Covid-19, com 40.760 doses, destinadas à aplicação da primeira e segunda etapas. Naquele momento, o estado já contabilizava mais de 44,7 mil infectados e mais de 830 mortes, com 90% de ocupação no hospital de campanha de Rio Branco.

Profissionais de saúde foram os primeiros a receber as vacinas, enquanto a população aguardava novas remessas para a ampliação dos grupos prioritários.

O ponto de virada com as vacinas

O início da vacinação ocorreu no auge da crise sanitária, momento descrito por Thor Dantas como “de muito caos, muito medo e muita gente adoecendo ao mesmo tempo”, havia a expectativa de que o imunizante mudaria o curso da pandemia.

“Era o momento de muita expectativa: quando vai chegar a vacina, quando os cientistas vão descobrir a vacina e quando a gente vai começar a virar o jogo contra esse vírus.”

Segundo o médico, o enfrentamento ao vírus coincidiu com outra epidemia: a desinformação. “Foi um momento em quando as vacinas começavam a chegar em que havia também infelizmente muita desinformação”, lembrou.

Para ele, “a epidemia de ignorância e desinformação foi gigantesca” e “a desinformação, a fake news, a ignorância matou as pessoas assim como o vírus”.

O médico enfatiza que a desinformação adoeceu e foi responsável direta pela morte de muitas pessoas, criando um cenário em que o negacionismo se tornou um inimigo tão perigoso quanto a própria doença.

O avanço da vacinação alterou de forma imediata o perfil dos casos graves e óbitos, reconfigurando a dinâmica da doença no estado. Como resume o infectologista, “quando a vacina ficou disponível e as pessoas se vacinaram, o cenário da pandemia mudou completamente”, passando a registrar casos graves e mortes exclusivamente naqueles que não se vacinaram.

O cenário atual e as lições

Passados cinco anos, a lembrança da chegada das primeiras doses reforça tanto o impacto da vacinação quanto o valor da ciência na resposta sanitária. Para Thor, o principal legado é a necessidade de insistir em informação qualificada:

“Acreditem na ciência, acreditem nos cientistas, nas pessoas que trabalham, se dedicam verdadeiramente a encontrar as soluções para o bem-estar da população. Os cientistas estão aí há muito tempo encontrando as soluções mais diversas para a nossa saúde. Descobriram o anestésico, os antibióticos, a transfusão de sangue, as vacinas, os remédios contra o infarto, tudo isso é a ciência que nos trouxe, então acreditem nos cientistas e desconfiem de pessoas que propagam informações que parecem muito atrativas na internet, mas na verdade são apenas charlatões tentando ganhar seu dinheiro ou sua atenção”, finaliza.

Cobertura vacinal

Dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mostram que a cobertura vacinal contra a Covid-19 no Acre apresenta forte desigualdade entre faixas etárias e um desempenho significativamente inferior na aplicação das doses de reforço. O levantamento considera o período de 19 de janeiro de 2021 a 29 de agosto de 2025 e adota como parâmetro ideal de cobertura o índice de 90%.

Entre crianças de 6 meses a 4 anos, a cobertura é a mais baixa do estado: apenas 26,70% receberam a 1ª dose, 13,11% a 2ª dose e somente 3,62% completaram o reforço. Na faixa de 5 a 11 anos, os percentuais sobem, mas ainda permanecem distantes da meta, com 61,84% na 1ª dose, 39,91% na 2ª e 6,98% no reforço.

Entre adolescentes de 12 a 17 anos, a vacinação apresenta melhor desempenho, com 86,50% na 1ª dose e 68,79% na 2ª, mas o reforço atinge apenas 18,74%, evidenciando queda acentuada na continuidade do esquema vacinal.

A população adulta de 18 a 59 anos é a única que alcança a meta mínima na 1ª dose, com 90,69%, e se aproxima na 2ª dose (83,78%). No entanto, o reforço cai para 43,46%, menos da metade do recomendado.

O melhor cenário é observado entre pessoas com 60 anos ou mais, grupo em que a cobertura ultrapassa 100% na 1ª (102,33%) e 2ª doses (105,66%), reflexo de estratégias prioritárias e busca ativa. Ainda assim, o reforço permanece abaixo da meta, com 80,60%.

No consolidado geral do estado, a cobertura vacinal é de 82,17% para a 1ª dose, 72,28% para a 2ª dose e apenas 35,50% para o reforço, indicando que, apesar do avanço inicial da vacinação, a adesão às doses adicionais segue como o principal desafio para a proteção contínua da população acreana contra a Covid-19.

Em 19 de janeiro de 2021, chegava ao Acre o primeiro lote de vacinas contra a Covid-19, com 40.760 doses, destinadas à aplicação da primeira e segunda etapas. Foto: captada 

Comentários

Continue lendo

Brasil

MPAC investiga desmatamento ilegal de mais de 54 hectares em Mâncio Lima

Publicado

em

O MPAC também requisitou ao Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) a realização de vistoria técnica no local para verificar a existência de Áreas de Preservação Permanente (APPs), identificar os responsáveis pelo desmatamento

O MPAC destaca que a legislação ambiental brasileira prevê responsabilidade civil objetiva, ou seja, independentemente da comprovação de culpa, nos casos de danos ao meio ambiente. Foto: captada 

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um procedimento preparatório para apurar a destruição de aproximadamente 54 hectares de floresta nativa do bioma Amazônico, ocorrida no município de Mâncio Lima, interior do Acre. A medida foi formalizada por meio da Portaria nº 138/2025, assinada pela Promotora de Justiça Manuela Canuto de Santana Farhat.

De acordo com o MPAC, o procedimento decorre da conversão de Notícias de Fato Criminal encaminhadas pela Procuradoria-Geral de Justiça, com base em Autos de Infração Ambiental lavrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As infrações apontam o desmatamento de 26,98 hectares em uma área e 27,20 hectares em outra, ambas localizadas em áreas de especial preservação ambiental.

Segundo o órgão ministerial, o dano ambiental é considerado de grande magnitude, exigindo não apenas a quantificação econômica dos prejuízos causados, mas também a elaboração de projetos técnicos para recuperação das áreas degradadas. Caso a recomposição ambiental não seja possível, poderá haver conversão da obrigação em compensação financeira.

O MPAC destaca que a legislação ambiental brasileira prevê responsabilidade civil objetiva, ou seja, independentemente da comprovação de culpa, nos casos de danos ao meio ambiente. Além disso, as condutas lesivas podem gerar sanções administrativas, civis e penais, conforme estabelece a Constituição Federal.

No âmbito do procedimento, foram determinadas diversas diligências, entre elas a notificação dos investigados, identificados pelas iniciais M.A.S. e J.S.B., para que apresentem documentos como comprovação de posse ou propriedade dos imóveis, licenças ambientais, Cadastro Ambiental Rural (CAR), adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e cronograma de recuperação das áreas degradadas.

O MPAC também requisitou ao Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) a realização de vistoria técnica no local para verificar a existência de Áreas de Preservação Permanente (APPs), identificar os responsáveis pelo desmatamento e avaliar possíveis sobreposições entre os imóveis investigados. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Cartório de Registro de Imóveis também foram acionados para fornecer informações técnicas e fundiárias.

As investigações têm como objetivo reunir elementos suficientes para subsidiar a adoção de medidas cabíveis, que podem incluir a expedição de recomendações, celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), instauração de inquérito civil ou eventual arquivamento do procedimento.

Comentários

Continue lendo

Brasil

Acre amplia base de investidores na Bolsa de Valores com alta acima da média nacional em 2025

Publicado

em

Estado registrou crescimento de 6,14% no número de pessoas físicas na B3, passando de 8.764 para 9.302 investidores no período

Apesar de ainda apresentar uma base menor em números absolutos quando comparado a estados do Sudeste e do Sul, o crescimento percentual mostra a ampliação do interesse da população acreana pelo mercado de capitais. Foto: captada 

O Acre encerrou 2025 com 9.302 pessoas físicas investindo em renda variável na Bolsa de Valores (B3), um aumento de 6,14% em relação ao ano anterior, quando tinha 8.764 investidores. O crescimento percentual superou a média nacional, que foi de 3,92%, e posicionou o estado entre as unidades da federação com expansão acima de 5%.

Apesar de ainda ter uma base absoluta menor comparada a estados do Sul e Sudeste, o desempenho reflete a tendência de interiorização e popularização do mercado de capitais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Estados como Piauí, Amazonas, Pará e Paraíba lideraram o ranking de crescimento percentual, e o Acre integra o grupo que vem ganhando espaço no cenário de investimentos.

Comparativo regional:
  • Média Brasil: +3,92%

  • Acre: +6,14%

  • Líderes nacionais: Piauí, Amazonas, Pará e Paraíba (com índices superiores a 8%)

O avanço reflete a interiorização e democratização do mercado de capitais no país, impulsionada por:

  • Facilidade de acesso via plataformas digitais de bancos e corretoras;

  • Popularização de minicontratos e fundos de investimento com aportes iniciais baixos;

  • Campanhas educativas da B3 e de influenciadores financeiros.

Perfil do investidor acreano:

Ainda predominam aplicadores de perfil conservador, com preferência por ações de grandes empresas (como Vale, Petrobras) e fundos imobiliários (FIIs), mas já há crescimento na procura por criptomoedas e ETFs.

Desafios locais:
  • Baixa renda média limita volume aplicado;

  • Acesso à internet ainda precário em áreas rurais;

  • Pouca oferta local de educação financeira especializada.

A B3 planeja ampliar parcerias com Sicredi, Bancredi e cooperativas de crédito para levar treinamentos presenciais ao interior do estado em 2026.

Apesar de representar apenas 0,1% do total de investidores pessoas físicas do Brasil, o crescimento percentual do Acre sinaliza uma mudança cultural – de uma economia historicamente baseada em funcionalismo público e aposentadorias para a busca por alternativas de renda no mercado financeiro.

Comentários

Continue lendo