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Com equipamento criado no estado, governador do Acre envia equipe para prestar socorro às vítimas de enchentes que atingem o Rio Grande do Sul

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O governo do Acre enviou, na manhã desta quinta-feira, 9, uma equipe de especialistas em salvamento para prestar socorro às vítimas das enchentes que atingem o Rio Grande do Sul. Além dos bombeiros, o Estado também está enviando embarcação, motor e equipamentos para resgate, entre eles o cespu xavier de salvamento, criação de uma bombeira do Acre e produto inédito do estado.

Os quatro militares saíram do Comando-Geral em Rio Branco com destino ao estado sulista, que sofre com inundações que já mataram 107 pessoas em 425 cidades.

O governador do Acre, Gladson Cameli, acompanhou a saída dos militares. Para ele, essa é mais uma demonstração de que o Estado está disposto a ajudar em qualquer que seja a situação.

Equipe dos Bombeiros leva ajuda humanitária para o Rio Grande do Sul. Foto: Neto Lucena/Secom

“É uma forma de tentar ajudar com todas as medidas possíveis. É o momento em que o Brasil está unido em ajudar o Rio Grande Sul. É uma situação realmente de calamidade e de emergência. E cabe a nós unir nossas forças”, disse.

O chefe de Estado reforçou que mais uma vez o Acre atua como forma de referência, já que passa periodicamente por cheias recorrentes, tendo, inclusive, sido a segunda maior registrada este ano.

“É o Norte dando as mãos para o Sul. Quero agradecer ao Corpo de Bombeiros, ao Conselho Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil [Ligabom], que está coordenando essa movimentação de estrutura para dar uma força. Eu, como governador, determinei que tudo aquilo que for possível, aquilo que a gente puder fazer, seja feito”, afirmou.

E lembrou que, recentemente, quando o Acre teve 19 dos seus 22 municípios em emergência por conta da cheia, o Rio Grande do Sul também se colocou à disposição. “Então é o momento de ajudar os nossos irmãos brasileiros que ali se encontram. Peço a Deus que ilumine eles, que dê força e esperança. Que isso sirva para que a gente possa estar mais unido, pensando em ter paz, tranquilidade, porque o que nós estamos precisando é disso. Agradeço a minha equipe governamental do Corpo de Bombeiros, que está se disponibilizando para contribuir com aquilo que eles mesmos juraram no dia da sua posse. Esses guerreiros salvam vidas e vão ajudar a diminuir esse prejuízo no Sul”, destacou Cameli.

Governador destaca que o momento é de união. Foto: Neto Lucena/Secom

Acre à disposição

O coronel Eden Santos, comandante-geral, em exercício, do Corpo de Bombeiros do estado, disse inicialmente que serão quatro militares enviados, porém todos os especialistas ficam à disposição, caso sejam acionados.

“Estamos aqui com especialistas que serão encaminhados com recursos de viatura, barcos e equipamentos de salvamento para dar a atenção devida na resposta. São especialistas na área de salvamento aquático, águas rápidas, e também de ambientes colapsados, altamente técnicos, que vão, com certeza, contribuir com esse momento difícil que o povo gaúcho está sofrendo”.

Ele ressaltou ainda que o equipamento criado pela capitã Ruana Casas vai ser um apoio importante nos resgates que necessitam de aeronaves. “Com certeza vai ser necessária também a utilização dele, porque muitas aeronaves estão no local fazendo vários tipos de resgates”, disse.

Criado por bombeira do Acre, equipamento vai ser usado nas enchentes do Rio Grande do Sul. Foto: Neto Lucena/Secom

O cespu é um equipamento que consiste basicamente no uso de um cesto e um pulsar. O projeto foi criado enquanto ela fazia um treinamento em Goiás e foi posto em prática no Acre, tornando o estado pioneiro no novo método. Ele foi apresentado também no Seminário Nacional de Bombeiros (Senabom).

Inicialmente, os testes do aparelho foram feitos com resgate de animais, mas, atualmente, também é usado no resgate de crianças. O protótipo industrial do aparelho está sendo criado para que seja comercializado.

“Tenho certeza que ele pode ser empenhado em toda e qualquer missão. Inclusive, também para o transporte de cães [de resgate], onde serão transportados para locais de difícil acesso. É possível também fazer o transporte desses animais de resgate para os locais onde será feito o salvamento das pessoas e animais”, disse o coronel.

Bombeiros enviados são especialistas em salvamento e cenários colapsados. Foto: Neto Lucena/Secom

Desafios

A equipe está sendo comandada pelo capitão Marcos Correa, que atualmente é comandante do batalhão de Tarauacá. “Estamos indo ajudar e prestar nossa solidariedade, nosso serviço, que diz respeito a busca e salvamento. Estamos levando materiais, equipamentos, e o sentimento é de solidariedade, ajudar a população gaúcha, representando o nosso estado. A gente pretende realizar a missão da melhor forma possível, trabalhando com profissionalismo e também com dignidade, atendendo sempre as pessoas”, informa.

O comandante destacou ainda que, apesar de o Acre passar por grandes cheias, o cenário no Sul é diferente. Porém, ressalta que a experiência nas cheias vai ser o diferencial levado pela equipe acreana. “Nossas inundações acontecem periodicamente, já no Rio Grande do Sul são até incomuns. E a gente espera receber um feedback muito bom, tanto da população gaúcha quanto das pessoas que iremos atender. O gabinete de gestão também entrou em contato conosco e, ao chegarmos ao local, vai nos direcionar para as frentes de operações”, explicou.

Para prestar ajuda humanitária, a equipe vai atravessar o Brasil via terrestre. A viagem deve durar de cinco a sete dias.

O governo também colocou à disposição dois binômios credenciados pelo Comitê de Busca, Resgate e Salvamento de Cães (Conabresc).

Binômio é o termo utilizado para identificar cada bombeiro militar cinotécnico condutor e seu cão de resgate. Esses binômios são testados em provas de busca de pessoas desaparecidas em matas, provas de busca em desastre de estruturas colapsadas e de habilidades fundamentais.

Governador recebeu homenagem dos militares promovidos. Foto: Neto Lucena/Secom

Homenagem

Na mesma ocasião, os militares do Corpo de Bombeiros promovidos recentemente fizeram um homenagem ao governador. Eles agradeceram o posicionamento do governador diante da alteração do decreto n° 114, de 10 de abril de 1975, que trata das promoções dos oficiais da Polícia Militar (PMAC) e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre. Com a mudança, o tempo de promoção dos oficias foi reduzido.

Os bombeiros fizeram uma fala de agradecimento e, mais uma vez, o governador fez questão de destacar que tem respeito pelas corporações e uma gestão voltada para a valorização desses miliares. “O que importa é o nosso brasão e nossa bandeira, que temos que lapidar. Meu maior desejo é, quando eu não estiver mais governador, poder afirmar que fiz o que pude fazer, porque desafio é o que mais gosto na minha vida”, afirmou.

Cenário no Sul

Segundo o mais recente boletim da Defesa Civil do Rio Grande do Sul,  subiu para 107 o número de mortos em razão dos temporais que atingem o estado. A atualização desta quinta-feira, 9, aponta que há um óbito sendo investigado. O estado registra 136 desaparecidos e 374 feridos.

Há 232,6 mil pessoas fora de casa. Desse total, são 67.563 em abrigos e 165.112 desalojados (pessoas que estão nas casas de familiares ou amigos).

O Rio Grande do Sul tem 428 dos seus 497 municípios com algum relato de problema relacionado ao temporal, com 1.482.006 milhão de pessoas afetadas.

Fonte: Governo AC

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Sexto lote do seguro-defeso será disponibilizado na terça-feira

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O sexto lote do Seguro Desemprego do Pescador Artesanal, o seguro-defeso, será paga na terça-feira (24) para 110.904 trabalhadores do ramo, cadastrados e em conformidade com as exigências do programa.

Estes trabalhadores receberão R$ 179,7 milhões. Os cinco lotes anteriores somaram 269.372 beneficiados, com as parcelas sendo sido liberadas semanalmente, totalizando R$ 616,3 milhões.

O valor do benefício equivale a um salário mínimo mensal, fixado em R$ 1.621. O seguro é pago a pescadores artesanais durante a paralisação da pesca (defeso), no período de reprodução de cada espécie, e pode durar até cinco meses, dependendo do calendário regional de proibição.

A maior parte do público beneficiado teve sua atividade impactada no período entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou o compromisso da pasta com a correta concessão do benefício.

“O MTE tem trabalhado para garantir o pagamento de todos os pedidos de seguro-defeso que passaram por análise criteriosa, assegurando o direito de quem realmente vive da pesca.”

Troca de gestão

Em novembro do ano passado, a gestão do seguro-defeso foi reformulada passando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O objetivo da medida é diminuir o pagamento de benefícios indevidos – para pescadores que tem outras fontes de renda, por exemplo –, além de evitar fraudes.

O esforço de saneamento do programa também uniu a Controladoria Geral da União (CGU) e o MTE. Embora uma parcela relativamente pequena de benefícios tenha sido fraudada, o impacto das fraudes é considerável pois o programa já atendeu mais de 2 milhões de cadastrados em seu período de maior alcance.

Entre as alterações previstas na Medida Provisória (MP) nº 1.323, foi revisada a lista de documentos necessários para manter os cadastros ativos. Atualmente, as exigências incluem inscrição no Cadastro Único (CadÚnico), ter cadastro biométrico, entregar o Relatório do Exercício da Atividade Pesqueira (Reap), morar em município incluído no período de defeso e participar das entrevistas realizadas pela Fundacentro nos estados onde já ocorre a piracema (período de reprodução dos peixes), que são Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Amazonas. Nestes locais a Fundação registrou 514.127 atendimentos em 126 municípios.

Entre 1º de novembro de 2025 e 14 de março deste ano, o MTE recebeu 1.198.473 requerimentos individuais do benefício. As solicitações estão passando por triagem. Os estados com maior número de solicitações são Pará (351.502), Maranhão (336.803), Amazonas (106.632), Bahia (81.765) e Piauí (63.025).

Ficaram de fora dos lotes os pescadores que não apresentaram o Reap. Também foram excluídos aqueles que possuem vínculo empregatício, recebem aposentadoria, estão com o registro de pesca cancelado, atuam em atividades não previstas ou recebem benefício assistencial contínuo, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

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Do Acre para o mundo: como políticas ambientais pioneiras ajudam o Brasil a cumprir o Acordo de Paris

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A crise climática global exige respostas concretas e estruturais dos governos. Nesse contexto, experiências subnacionais têm ganhado relevância estratégica na implementação de políticas capazes de reduzir emissões, conservar florestas e promover desenvolvimento sustentável. Entre essas experiências, o estado do Acre, na Amazônia brasileira, destaca-se como um dos territórios mais inovadores do mundo na construção de políticas públicas voltadas à valorização da floresta em pé.

A trajetória do Acre demonstra como políticas públicas integradas podem contribuir diretamente para que o Brasil cumpra os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e avance no cumprimento de sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

Ao ratificar o acordo climático global em 2016, o Brasil assumiu metas ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), comprometendo-se a reduzi-las em até 67% até 2035, com base nos níveis registrados em 2005, quando o país emitia cerca de 2,1 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Entre os compromissos assumidos está a eliminação do desmatamento ilegal até 2030 e a restauração de 12 milhões de hectares de florestas, o que poderá evitar a emissão de aproximadamente 700 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera.

A dinâmica do desmatamento e os desafios da Amazônia

A evolução da taxa de desmatamento na Amazônia Legal entre 2005 e 2025 revela um cenário de avanços e retrocessos. Ao longo desse período, os dados indicam oscilações significativas, com momentos de queda seguidos por novos ciclos de aumento do desmatamento.

Essa tendência também se reflete no estado do Acre. Entre 2018 e 2021, por exemplo, houve um aumento de 73% na taxa de desmatamento, com o ano de 2021 registrando o maior nível de pressão sobre a floresta.

Estudos indicam que a pandemia de COVID-19 exerceu impacto relevante nesse processo. Pesquisas conduzidas por Brancalion et al. (2020) apontam que, no primeiro mês após a adoção de medidas restritivas para conter a propagação do vírus, foi observado o dobro de desmatamento nas florestas tropicais em comparação com 2019, evidenciando os efeitos indiretos de crises globais sobre os sistemas ambientais.

Acre: um território amazônico com 85% de floresta preservada

Mesmo diante desse cenário, o Acre mantém um dos patrimônios florestais mais importantes da Amazônia. Com 164.173,43 km² de território — o equivalente a aproximadamente 16,4 milhões de hectares — o estado ainda preserva cerca de 85% de sua cobertura original de floresta nativa.

Dados recentes do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, indicam que a taxa de desmatamento no estado vem apresentando redução nos últimos três anos, resultado direto da combinação entre políticas públicas ambientais, instrumentos de monitoramento e estratégias de desenvolvimento sustentável.

Estratégia integrada para enfrentar o desmatamento

Diante do aumento do desmatamento observado entre 2018 e 2021, o governo do Acre adotou uma série de medidas estruturais para fortalecer as ações de prevenção e o controle das atividades ilegais.

Entre essas medidas, está a articulação interinstitucional coordenada pelo Gabinete de Crise e pelo Grupo Operacional de Comando e Controle (GOCC), que reúne órgãos estaduais, municipais e federais em ações integradas de planejamento, monitoramento e fiscalização.

Outro marco importante ocorreu em 29 de dezembro de 2025, quando o governo do estado criou o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SIMAMC) e o Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (CIGMA).

Essas estruturas ampliam a capacidade do Estado de produzir inteligência ambiental, de fortalecer o monitoramento territorial e de aprimorar as estratégias de combate ao desmatamento e à degradação florestal.

PPCDQ: metas claras para reduzir o desmatamento

Outra iniciativa estratégica foi a atualização dos Planos Estadual e Municipais de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ).

O plano estabelece uma meta ambiciosa: reduzir o desmatamento em 50% até 2027, tomando como referência a média registrada entre 2017 e 2022.

A partir de 2023, com as medidas adotadas, o desmatamento passou a apresentar queda contínua no estado. Informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) indicam que o Estado registrou desempenho acima das metas estabelecidas para o ano florestal de 2024–2025, período compreendido entre agosto de 2024 e julho de 2025.

Os resultados mostram que o Acre superou em 43% a meta de controle do desmatamento prevista para 2025 no Plano de Prevenção, Controle de Desmatamento e de Queimadas do Acre (PPCDQ). Enquanto o plano projetava um limite de aproximadamente 572 km² de área desmatada, o monitoramento registrou cerca de 320 km², representando uma redução de 252 km² em relação ao patamar estabelecido.

O resultado evidencia a eficácia das políticas públicas implementadas no Estado e reforça o papel do PPCDQ como instrumento estratégico de planejamento ambiental, orientando ações integradas de monitoramento, fiscalização e governança territorial voltadas à redução consistente do desmatamento e das queimadas na Amazônia acreana.

Políticas públicas estruturais para a floresta em pé

A redução do desmatamento no Acre não é resultado apenas de ações de fiscalização. Ela reflete uma estratégia mais ampla baseada em políticas públicas estruturais que conciliam conservação ambiental e desenvolvimento econômico.

Um dos pilares dessa estratégia é o programa jurisdicional de REDD+, o ISA Carbono, criado pela Lei nº 2.308/2010, que instituiu o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA).

O programa integra instrumentos de conservação florestal, de incentivos econômicos e de mecanismos de repartição de benefícios para populações tradicionais (ribeirinhos, extrativistas, agricultores familiares) e povos indígenas, que vivem e protegem a floresta.

Além do ISA Carbono, o Estado implementa outras políticas complementares, entre elas:

  • a execução do programa internacional REDD for Early Movers (REM)
  • a implementação da estratégia Agenda Acre 10 Anos, lançada em 2023
  • ações para redução do passivo ambiental previstas no Código Florestal Brasileiro – Lei nº 12.651/2012
  • o fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Plano de Regularização Ambiental (PRA)

O estado também apoia iniciativas voltadas à produção sustentável, como:

  • Projetos de Incremento Produtivo Comunitário (IPCs)
  • Planos de Gestão Territorial e Ambiental Indígena (PGTIs)
  • concessões florestais sustentáveis
  • manejo florestal madeireiro e não madeireiro nas florestas estaduais

Todas essas ações são orientadas pelo Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre (ZEE), instrumento que organiza o uso do território e orienta políticas de desenvolvimento sustentável.

Fortalecimento do ISA e do REDD+ jurisdicional

Os avanços registrados no Estado decorrem de um processo institucional construído ao longo de mais de 15 anos.

O atual governo vem investindo no aprimoramento e fortalecimento do REDD+ jurisdicional do SISA, com iniciativas voltadas à atualização de instrumentos fundamentais de governança ambiental.

Entre essas iniciativas destacam-se:

  • processo de atualização do Sistema de Salvaguardas Socioambientais
  • processo de atualização do Sistema de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV)
  • fortalecimento das instâncias de governança do Sisa
  • reforço na proteção dos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais, por meio das Salvaguardas Socioambientais do Sisa
  • aprimoramento da Estratégia de Repartição de Benefícios do ISA Carbono/Sisa, programa jurisdicional de REDD+

Caminho para créditos de carbono de alta integridade

Como resultado desse processo de fortalecimento institucional, o Acre permanece habilitado para avançar rumo ao padrão internacional ART/TREES, considerado um dos sistemas mais rigorosos do mundo para certificação de créditos de carbono jurisdicionais.

A obtenção desse padrão permitirá ao Estado gerar créditos de carbono de alta integridade ambiental, ampliando sua capacidade de atrair investimentos internacionais destinados à expansão das políticas de conservação, da sociobiodiversidade e das ações de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas, incluindo eventos extremos.

Governança participativa e compromisso climático

Um dos elementos centrais do modelo acreano é a governança participativa.

O governo do Estado, por meio do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), atua em conjunto com a sociedade civil em processos amplos de participação e transparência.

Essas instâncias acompanham e validam todas as etapas de planejamento e implementação dos programas e projetos jurisdicionais de REDD+, garantindo integridade e legitimidade às políticas públicas.

Uma experiência amazônica com impacto global

A experiência do Acre demonstra que a proteção das florestas tropicais pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento econômico e a inclusão social.

Ao combinar monitoramento ambiental, governança participativa e incentivos econômicos para a conservação, o Estado construiu um modelo pioneiro que contribui diretamente para o cumprimento dos compromissos climáticos do Brasil.

Mais do que uma política regional, o Sisa tornou-se uma referência internacional para territórios que buscam soluções concretas para enfrentar a crise climática global.

 

Jaksilande Araújo de Lima
Presidente do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais – IMC

Ângela Rodrigues de Oliveira
Assessora Especial – Secretaria de Estado do Meio Ambiente, portariada para o IMC

Elsa Renee Huaman Mendoza
Pesquisadora e especialista em política ambiental

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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Informar também é construir confiança: o papel da comunicação pública no Acre

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Por Verônica Pimentel*

Vivemos em um tempo em que a atenção se tornou um dos recursos mais disputados da sociedade. A cada instante, somos expostos a uma grande quantidade de conteúdos, muitos deles pensados para gerar engajamento imediato, despertar emoções rápidas e manter o público conectado por mais tempo. Esse cenário desafia diretamente a forma como a informação circula e como é percebida pelas pessoas.

Esse contexto se intensificou a partir da pandemia da Covid-19, quando a comunicação passou a ocupar um papel central na relação entre Estado e sociedade. Informações sobre vacinação, saúde pública e prevenção precisaram chegar com rapidez, clareza e credibilidade. Ao mesmo tempo, a circulação de desinformação evidenciou que não basta apenas informar, sendo necessário construir confiança e garantir que a informação seja reconhecida como fonte segura.

Do ponto de vista da neurociência, a atenção e a tomada de decisão são fortemente influenciadas por estímulos emocionais e pela busca por recompensas rápidas. Cada curtida, comentário ou visualização ativa mecanismos ligados à dopamina, associados à motivação e ao engajamento. Esse comportamento ajuda a explicar por que determinados conteúdos ganham mais visibilidade nas plataformas digitais e passam a fazer parte da rotina das pessoas.

Nesse ambiente, a comunicação pública enfrenta um desafio relevante: como disputar atenção sem abrir mão da responsabilidade, da precisão e do compromisso com a verdade. Diferentemente de conteúdos voltados exclusivamente ao entretenimento, à informação pública precisa cumprir um papel social, garantindo acesso, orientação e transparência para a população.

No Acre, esse desafio vem sendo enfrentado por meio da consolidação, estruturação e integração do Sistema Público de Comunicação do governo do Acre, que atua de forma articulada em diferentes frentes, incluindo o jornalismo e a publicidade institucional, o marketing digital e a radiodifusão pública. Trata-se de uma engenharia de comunicação voltada a garantir acesso à informação, promovendo transparência e fortalecendo a relação entre governo e sociedade em diferentes formatos e canais.

Os resultados dessa atuação podem ser observados de forma integrada. A Agência de Notícias do Acre, principal guarda-chuva de informações institucionais, ultrapassa 74 mil matérias publicadas, com crescimento de 17,9% apenas em 2025. Esse volume expressivo demonstra não apenas capacidade produtiva, mas, sobretudo, consistência na oferta de informação pública, garantindo atualização permanente e presença contínua no cotidiano da população.

Nas redes sociais, o governo do Acre reúne mais de 247 mil seguidores nas plataformas digitais, com crescimento de 33,9%, além de um ecossistema de mais de 48 contas institucionais que atuam de forma integrada entre secretarias e autarquias. Somente em 2025, foram produzidos 874 vídeos institucionais e educativos, realizadas 99 transmissões ao vivo de eventos oficiais e publicadas 5.947 peças institucionais, evidenciando uma estratégia digital baseada em frequência, diversidade de formatos e proximidade com o cidadão.

Paralelamente, a radiodifusão pública mantém um papel fundamental na democratização do acesso à informação. Com estrutura presente em seis municípios, além da capital Rio Branco, as rádios Aldeia e Difusora alcançam 75,3% da população acreana, o equivalente a mais de 680 mil pessoas. Esse alcance inclui 738 comunidades isoladas, onde o rádio segue como principal meio de acesso à informação pública.

Mais do que números, esses dados revelam consistência, presença e estratégia. Do ponto de vista do comportamento humano, a repetição e a frequência são elementos centrais na formação de memória e na construção da confiança. Quanto mais presente a informação está no cotidiano, maiores são as chances de ela ser reconhecida, compreendida e incorporada.

Nesse sentido, a atuação integrada do Sistema Público de Comunicação potencializa não apenas o alcance, mas também o engajamento qualificado. A produção contínua, aliada à diversidade de formatos e canais, ativa mecanismos ligados à atenção e à motivação, contribuindo para que a informação pública deixe de ser apenas acessada e passe a ser relevante na rotina das pessoas.

Essa atuação também encontra fundamento na própria Constituição Federal. O acesso à informação é um direito assegurado pelo artigo 5º, enquanto o artigo 37 estabelece a publicidade como um dos princípios da administração pública. A Lei de Acesso à Informação, instituída pela Lei nº 12.527, de 2011, reforça esse dever ao consolidar a transparência como obrigação do Estado e direito do cidadão.

Nesse sentido, comunicar não é apenas uma escolha estratégica, mas uma responsabilidade institucional. A comunicação pública deve garantir que a informação chegue de forma clara, acessível e contínua, respeitando as diferentes realidades sociais e territoriais, especialmente em um estado com características diversas como o Acre.

Além de informar, a comunicação pública também atua na promoção de mudanças de comportamento. Campanhas relacionadas à doação de sangue, à prevenção às queimadas, à segurança no trânsito com foco no álcool zero, ao enfrentamento da violência contra a mulher e às ações de saúde pública demonstram como a informação pode impactar diretamente a vida das pessoas quando é compreendida e incorporada ao cotidiano.

Esse processo exige mais do que alcance e depende da construção de conexão com o público. É necessário que a informação faça sentido, dialogue com a realidade e esteja presente de forma contínua na rotina das pessoas. Nesse ponto, a comunicação pública se aproxima das dinâmicas do comportamento humano ao utilizar linguagem acessível, formatos diversos e presença constante para ampliar sua efetividade.

A integração entre comunicação digital e radiodifusão fortalece esse processo ao garantir que diferentes públicos sejam alcançados. Essa estratégia reconhece que o acesso à informação deve ser universal, democrático e contínuo, ampliando o alcance das políticas públicas e garantindo que elas cheguem a quem mais precisa.

Mais do que disputar atenção com conteúdos virais, a comunicação pública precisa construir relevância ao longo do tempo. Esse processo se baseia na consistência, na credibilidade e no compromisso com o interesse público, elementos fundamentais para fortalecer a relação entre Estado e sociedade.

A comunicação pública não disputa atenção apenas com conteúdo, mas com estímulos. Quando compreende o comportamento humano, é capaz de transformar informação em conexão e conexão em confiança. Em um ambiente marcado pela velocidade e pelo excesso de informação, comunicar com responsabilidade é também uma forma de cuidado com a população.

Nesse cenário, a comunicação pública se consolida como um elo essencial entre governo e sociedade. Ao informar, conectar e prestar contas, fortalece a cidadania, promove transparência e contribui para uma gestão mais próxima, acessível e confiável para todos.

*Verônica Pimentel é chefe do Departamento de Marketing e Inovação da Secretaria de Estado de Comunicação do governo do Acre (Secom); publicitária; especialista em Marketing Digital e Comportamento do Consumidor; mestranda em Comunicação Digital, com ênfase em Marketing Político.

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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