Brasil
‘Bolsonaro está mudando o país. É natural a indignação da esquerda’
Para o empresário Leandro Ruschel, defensor do governo nas redes sociais, o ritmo é lento, mas o Brasil está no caminho certo

Leandro Ruschel faz sucesso com vídeos no YouTube
Frame/YouTube
Marcos Rogério Lopes, do R7
Leandro Ruschel é um gaúcho com 39 anos que alterna sua vida entre Brasil e Estados Unidos e é sócio-fundador de duas empresas: a Liberta Global, que ensina brasileiros a operar no mercado de ações americano, e o Grupo L&S, que já treinou mais de 40.000 investidores. Mas ele atingiu mais de 300 mil seguidores no Twitter e vídeos no YouTube com mais de um milhão de visualizações por outros motivos.
Ruschel tornou-se conhecido nas redes sociais por abominar o PT e os petistas, por citar o pensador Olavo de Carvalho e por críticas ásperas à imprensa. Para ele, jornalistas atacam tudo o que está relacionado ao governo federal e ao presidente Jair Bolsonaro, e fazem isso porque são de esquerda. Assim como os professores, principalmente os de universidades públicas.
É a favor das pautas liberais e de muitos pontos da chamada agenda de costumes do governo.
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Mais importante do que os tropeços é o caminho, acredita. “Bolsonaro mudou todos os paradigmas, está mudando o país. É natural a indignação e frustração da esquerda.”
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Acha que o Brasil segue o rumo certo nas mãos de Bolsonaro e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes. “Mas podia estar num ritmo mais acelerado. Talvez por tantas dificuldades criadas pelo Congresso, as coisas demorem a acontecer. De qualquer forma, estou otimista.”
O empresário se mostrou favorável à investigação do senador Flávio Bolsonaro, mas defendeu o vereador Carlos, o outro filho do presidente, pela postagem recente que foi considerada um risco à democracia. “Ele só foi mal interpretado.”
Veja mais trechos da entrevista:
R7 – As mudanças prometidas pelo governo na área econômica estão acontecendo, e no ritmo que você esperava?
Ruschel – Eu esperava um ritmo bem mais acelerado, mas se perde muito tempo na tramitação das reformas na Câmara, com a tentativa de passar emendas o tempo todo que só servem para adiar a aprovação. Assim que se aprovar definitivamente a Previdência no Senado, mesmo com a redução do impacto nas contas menor do que o proposto pelo governo, vão entrar outras mudanças bem positivas. A MP da Liberdade Econômica, por exemplo, é uma reforma de base importante essencial para as empresas privadas. Assim como a reforma tributária.
R7 – Não lhe parece haver uma constante indecisão do governo sobre o que pretende fazer na economia? O caso da nova CPMF não é um exemplo disso? Uma hora o governo não a aceita, logo em seguida a anuncia.
Ruschel – Há duas coisas a levar em conta no caso da CPMF. É, sim, uma intenção do ministro Paulo Guedes, que considero equivocada por não combinar com uma economia liberal, mas também é uma medida com enorme carga impopular, o que explica o presidente não admiti-la. De um lado você tem uma busca de receita de um ministro e de outro o Bolsonaro pensando no quanto isso pode afetar sua imagem com a população. São duas forças. E o saldo, seja qual for a decisão, nunca vai ser positivo.
R7 – Você sugere que tipo de mudança tributária no país?
Ruschel – Para mim, a solução é a simplificação do regime tributário, pegando os impostos que já existem, cortando alguns e simplificando outros. Mas não acho saudável a criação de novos tributos.
R7 – Além dos impostos altos, qual seria outra frente que o governo deveria atacar para mudar a economia do país?
Ruschel – O dinheiro público é mal administrado e gasta-se muito com funcionalismo. A gente tem que lembrar que a Constituição de 1988 criou uma série de questões obrigatórias ao Estado, com percentuais para a saúde, educação, mas não deu flexibilidade para esses gastos. Então o orçamento ficou todo amarrado. O Estado é obeso, não entrega o que deveria, os servidores não são premiados por qualidade e não há qualquer incentivo para que busquem resultados. Por isso o Estado nunca foi o propulsor do desenvolvimento nacional. Cabe à iniciativa privada buscar o crescimento.
R7 – O ministro Paulo Guedes também é contra o que chama de “dinheiro carimbado” e diz que os prefeitos sabem melhor do que o governo federal onde gastar. Essa concepção não eleva o risco de darmos força e dinheiro a políticos corruptos regionais?
Ruschel – Eu, como administrador, defendo sempre as unidades locais. Eu sei que no Brasil, principalmente em regiões mais pobres, há coronéis que detêm o poder e só fazem o que querem, para beneficiar seu grupo, mas contra isso deve haver fiscalização e cobrança. Descentralizar aumenta a importância regional nas decisões. Nos Estados Unidos, por exemplo, a segurança é feita por delegados e até juízes eleitos pela comunidade, a proximidade com o poder é real e não definida pelo governo central.
R7 – Como você avalia as constantes polêmicas criadas nesse governo. Discussões como a relacionada à beleza de Brigitte Macron, esposa do presidente da França, não atrapalham o andamento das mudanças prometidas pelo governo?
Ruschel – Sinceramente, acho que não. Muitas dessas polêmicas são na verdade cortina de fumaça de pessoas que querem tirar o foco do que realmente importa para elas, como é o caso da aprovação da Lei de Abuso de Autoridade, acertada nos bastidores do Congresso enquanto o país discutia outras bobagens. Mas, claro, sou contra comentário pejorativo contra esposa de presidente, esse tipo de coisa não leva a nada. Mas muita polêmica é exagerada também, a imprensa pinça uma única declaração do presidente e deixa de lado tudo o que o governo vem fazendo.
R7 – Você acha que a imprensa erra ao cobrar o governo?
Ruschel – Não, a imprensa está no papel dela de cobrar e exigir, mas destaca coisas dispensáveis e dá pouco espaço para temas importantes como a MP da Liberdade Econômica, extremamente importante, mas muito mal divulgada. Também é inegável que há dois pesos e duas medidas. Eu escrevi inclusive que achava engraçado o peso que estavam dando às movimentações suspeitas do Flávio Bolsonaro [o ex-assessor do filho do presidente, Fabrício Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão] e do David Miranda [deputado federal do PSOL, casado com Glenn Greenwald, editor do Intercept, que teria movimentado R$ 2,5 milhões]. O Flávio, por ser filho do presidente, não sai do noticiário, e o David Miranda, mesmo movimentando o dobro, mal aparece.
R7 – Não é natural que se cobre mais de um governo que afirmou que não aceitaria nenhum tipo de corrupto? Não aconteceu o mesmo com o PT quando chegou ao governo?
Ruschel – Em parte, eu concordo, também sou favorável a toda investigação. Se o Flávio é culpado, tem que ser condenado, mas é fato que a mídia é mais de esquerda. Passou anos aceitando tudo o que o PT fazia sem questionamentos e agora se sente frustrada.
R7 – Essa reação da imprensa contra o governo não é intensificada pela postura de Bolsonaro contra alguns meios de comunicação?
Ruschel – Sem dúvida isso acontece. Ele se defende atacando. Por estar ressentido pela forma como é tratado, ataca e a imprensa também responde, e isso vira um círculo vicioso sem fim.
R7 – Muita gente vê em declarações do presidente Bolsonaro, entre as quais a defesa do regime militar, uma ameaça à democracia. Você vê algum risco?
Ruschel – Não vejo, e digo mais. Acho que o termo democracia costuma ser utilizado por muita gente que quer fazer coisas erradas e se apoia nessa palavra e na defesa das instituições para justificar sua atitude. Quando o Supremo determinou a censura a uma publicação, por exemplo, alegou risco à democracia e às instituições. O Rodrigo Maia, acusado de falsidade ideológica na Lava Jato, fala em ataque ao Congresso quando é questionado por seus crimes. E sobre esse governo, não vi uma única atitude ou medida que tenha colocado a democracia em risco.
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“Talvez ele [Bolsonaro] passe a ter uma postura mais questionadora com os outros poderes agora que a Previdência vai ser aprovada e, assim, as coisas comecem a melhorar”
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R7 – Você concorda que o Brasil está dividido: quem é contra é totalmente contra o governo, quem é a favor é totalmente a favor? Esse Fla-Flu prejudica o governo?
Ruschel – Não acho ruim o Fla-Flu. Acho que no passado o que faltou foi esse Fla-Flu, mas não havia uma segunda opinião, todos aceitaram cegamente o que a esquerda fazia no poder. O Lula era o pai dos pobres, a esquerda dominou os debates e não admitia outra opinião para rever suas posições. Essa divisão do Brasil é importante e natural, afinal estamos acordando agora. Hoje todo mundo sabe, por exemplo, todos os nomes de ministros do Supremo, as pessoas têm opinião sobre vários assuntos, e antes não tinham.
R7 – Ao vetar, por exemplo, livros didáticos que citam identidade de gênero, a direita não está também admitindo uma única visão de mundo e encerrando o debate?
Ruschel – Mas não se coloca para debater esses assuntos crianças de quatro a cinco anos…
R7 – Um caso recente de veto a livros com essa abordagem ocorreu em São Paulo, quando apostilas do oitavo ano da rede estadual foram proibidas. Eram alunos de 13 a 14 anos, não tão jovens.
Ruschel – Eu não sei detalhes desse caso, mas, de qualquer forma, eram menores de idade, não acho correto discutir sexualidade com menores.
R7 – E contra a escola sem partido? Defender que alunos denunciem professores que ensinam conteúdos de esquerda também não é um contrassenso para quem defende visões múltiplas?
Ruschel – Há uma viés de esquerda inegável nas universidades, principalmente nas públicas. Acho salutar a discussão, mas não só com um viés ideológico. Eu recebo denúncias a todo momento de perseguições a pessoas que pensam diferente. Quem questiona sofre represálias. Sou a favor do máximo de discussão, o máximo de abertura, mas para todos os temas.
R7 – Tudo o que vem da esquerda é ruim?
Ruschel – Eu sinto falta de uma esquerda moderna, que sabe dialogar com moderação e pense em desenvolvimento do país. Há uma ala no Partido Democrata dos Estados Unidos que é considerada mais moderada, que vê e combate a ineficiência do Estado e que propõe melhorias para a economia.

Entrevista com Olavo: mais de um milhão de views
Instagram/Leandro Ruschel
R7 – Você se considera um seguidor do escritor Olavo de Carvalho, conselheiro do presidente Bolsonaro?
Ruschel – Sim, eu o considero muito. Ele tem trabalhos profundos, mas muita gente se concentra nas partes polêmicas, nas declarações do dia a dia. Tem estudos sobre Aristóteles, por exemplo, cursos sobre filosofia política que as pessoas preferem ignorar. Eu fiz uma entrevista com o professor Olavo para o meu canal do YouTube em 2014 que fez muito sucesso. Nela, que já tem mais de uma milhão de views, ele antecipa tudo o que acabou acontecendo no país.
R7 – Você defende um segundo mandato para o presidente Bolsonaro?
Ruschel – Para mim as mudanças teriam de ser mais rápidas e mais profundas. Os corruptos tinham que ser presos. Temos um sistema viciado e fico preocupado com a sinalização de que a Operação Lava Jato está perdendo força . Ainda há muito a ser feito, mas hoje eu votaria, sim, num segundo mandato. Só quero mais tempo para analisar. Eu olho para o olho do Bolsonaro e sinto verdade, sinto que ele quer realmente mudar o país, mas é fato que o ritmo não é o que eu gostaria. Talvez ele passe a ter uma postura mais questionadora com os outros poderes agora que a Previdência vai ser aprovada e, assim, as coisas comecem a melhorar.
R7 – O filho do presidente, Carlos Bolsonaro, fez um post que causou polêmica no Twitter ao dizer que “pelas vias democráticas, as mudanças demoram mais”. Você concorda com ele?
Ruschel – Ele não quis dizer que defende a ditadura, ele afirmou que o ritmo vai ser lento. E demora porque o país precisa se reorganizar, é preciso afastar o totalitarismo de todas as instituições, é preciso cobrar mais de todos os poderes. Enquanto o Sergio Moro condenou 130 com a Lava Jato, o STF condenou um e cancelou a pena de duas pessoas. O Supremo não funciona e isso passa um sinal muito negativo para todos: ‘Se a Justiça não funciona, porque vou obedecer a lei?’
R7 – Você muitas vezes cita a classe política como atrasada e defensora do que há de pior no país, mas Bolsonaro ficou 27 anos no Congresso Nacional e é um representante dessa mesma classe. Você acha que ele tem o perfil para fazer as mudanças que você espera?
Ruschel – Sim, faz sentido essa análise e costumam utilizá-la para dizer que ele ficou 27 anos como deputado e não mudou nada, mas isso pode significar também que ele nunca fez parte desse jogo de fato. Quando ele se candidatou a presidente da Câmara ganhou cinco votos. O que mostra que ele nunca foi desse grupo.
R7 – Você perdeu amigos por causa de suas opiniões?
Ruschel – Como eu tenho esse perfil contestador, de defender certos pontos de vista mais conservadores, então já sofro isso há tempos. Eu criticava o Lula e era até xingado quando ele estava no auge da popularidade. Sobre as discussões, amigos se separando de amigos e familiares colocados à parte, acho inevitável que isso aconteça. A gente vem de governos que destruíram o país. O que aconteceu no governo da Dilma Rousseff foi um atentado econômico que causou muito sofrimento a todos. Então, eu entendo a indignação.
R7 – Um de seus ex-amigos era o jornalista Rodrigo Constantino?
Ruschel – Nós começamos nos distanciando em relação às propostas do Bolsonaro, mas aí veio uma matéria dizendo que militantes pró-Bolsonaro, entre os quais eu, estariam perseguindo adversários do governo e seriam liderados pelo próprio presidente. E o Constantino era fonte nessa reportagem. Um absurdo, nunca houve esse trabalho. Eu decidi acionar judicialmente o jornal que publicou o texto e fui cobrar o Constantino. Ele não gostou e passou a me criticar depois disso. Eu estou sofrendo perseguição de seguidores dele por causa dessa briga porque recentemente ele fez um post dizendo que tenho motivações pessoais para defender o Bolsonaro, coisas assim.
R7 – Você, então, é vítima de perseguições. Mas essa não é uma tática desse Fla-Flu atual, que você diz não ser tão ruim?
Ruschel – Se eu achar que alguém falou ou fez uma coisa errada, sou obrigado a dizer algo. Nunca vou estimular violência ou incitar alguém a atacar outra pessoa. Mas sempre vou dar minha opinião, de forma dura, da maneira que eu achar necessário fazer.
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Após Enamed, presidente da Comissão de Saúde na Câmara cobra MEC

Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, o deputado Zé Vitor (PL-MG), afirma que irá enviar um ofício ao Ministério da Educação (MEC) ainda nesta quarta-feira (21/1) solicitando esclarecimentos sobre cursos de Medicina que foram punidos ou avaliados negativamente por má qualidade de ensino nos exames e instrumentos oficiais da pasta.
Como mostrou o Metrópoles, cerca de 3 em 10 cursos de Medicina avaliados tiveram desempenho ruim, ficando nos conceitos 1 e 2, e devem sofrer algum tipo de sanção.
Além das cobranças ao ministério, o presidente da Comissão de Saúde diz que não descarta propor, no âmbito da Câmara, a abertura de um debate sobre a criação de um exame nacional para médicos, nos moldes do aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como forma de reforçar o controle de qualidade na formação profissional.
“Há um desafio no Brasil: garantir atendimento de saúde, para isso precisamos de médicos suficientes. Mas, obviamente, não qualquer médico. Suspender vestibulares, rediscutir a emissão de diplomas e interromper o avanço de qualquer curso que não tenha estrutura e plano pedagógico adequado para formar bons médicos. Como parte desse processo, não descarto que seja efetivado um exame como da OAB”, afirmou.

Deputado federal Zé Vitor (PL-MG)
No documento, o parlamentar afirma que os dados acendem um alerta sobre a qualidade da formação médica e justificam a necessidade de maior transparência em sua avaliação.
“Considerando que a medicina é uma profissão regulamentada com impacto direto na vida e na integridade física dos cidadãos, o baixo desempenho acadêmico de parcela significativa das instituições de ensino superior gera legítima preocupação social”, afirma o documento.
No requerimento, Zé Vitor pede que o Ministério da Educação informe os resultados detalhados das avaliações aplicadas aos cursos de Medicina, com a identificação das instituições, municípios e estados, além da forma de avaliação utilizada, especialmente nos casos de notas consideradas baixas, entre os conceitos 1 e 3.
O deputado também questiona quais critérios são levados em conta na avaliação dos cursos, como desempenho dos estudantes, qualificação do corpo docente, infraestrutura, projeto pedagógico e campos de prática e estágio. Outro ponto abordado diz respeito às medidas adotadas pelo MEC diante dos resultados, sobretudo em relação aos cursos com desempenho insatisfatório.
A divulgação dos resultados foi recebido com surpresa por membros da classe médica e representantes de associações ligadas à profissão, dado o alto número de cursos que ficaram em níveis insatisfatórios.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), contudo, admitiu que houve inconsistências em dados prévios do Enamed 2025 relacionadas à base de dados utilizada como insumo para o cálculo do conceito em que cada curso se enquadrava.
O esclarecimento foi feito em ofício encaminhado às instituições de ensino superior participantes da prova, depois que diversas instituições passaram a questionar suas respectivas notas ao MEC.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Caminhada não deve passar pela Papudinha, avisa Nikolas Ferreira

Deputados que participam da “caminhada pela liberdade“, organizada por Nikolas Ferreira (PL-MG), afirmam que o grupo não deve passar pela Papudinha, no Complexo da Papuda, local em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso no Distrito Federal. O próprio parlamentar alertou sobre o fato.
Encabeçado por Nikolas, o grupo saiu do interior de Minas Gerais na segunda-feira (19/1) em direção a Brasília. O ato foi convocado como uma reação contra a prisão de Bolsonaro e em defesa dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A programação prevê que o grupo deve chegar à capital federal no próximo domingo (25/1). Aliados do ex-presidente e participantes da caminhada têm convocado uma manifestação para o mesmo dia.
Nikolas Ferreira afirmou ao Metrópoles que decidiu não alongar o trajeto do ato e evitar a passagem pelo complexo penitenciário. Segundo parlamentares que acompanham o mineiro, os detalhes do ato de domingo ainda estão sendo definidos junto ao governo do Distrito Federal.
A expectativa, no entanto, é que o grupo não se aproxime da Esplanada dos Ministérios em razão de outros eventos agendados para o entorno, como a Copa Brasil de Marcha Atlética.
“Eu preferi não passar por lá [Papuda] porque é uma área de segurança nacional e também alongaria mais o trecho. O trajeto a gente está fazendo ainda, mas o destino final com certeza é a Praça do Cruzeiro”, afirmou Nikolas.
Em uma rede social, . O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que o GDF tem ajudado a definir qual será o melhor trajeto.
Segundo um aliado de Nikolas, o último planejamento do grupo prevê, no entanto, que eles sigam até a Praça do Cruzeiro pela Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) — sem passar pelo complexo da Papuda.
O ato de Nikolas Ferreira deve percorrer mais de 200 km. Em seu terceiro dia, a caminhada tem atraído políticos e simpatizantes do grupo aliado de Bolsonaro. O entorno do parlamentar mineiro espera reunir um número ainda maior de manifestantes no domingo, com a chegada de caravanas de outros estados.
Parlamentares de direita têm convocado manifestantes pelas redes sociais. Ex-líder da oposição na Câmara e pré-candidato ao Senado no Rio Grande do Sul, Zucco (PL) disse que o “destino final” da caminhada será uma “grande manifestação por liberdade, justiça e pelo Brasil”.
A “caminhada pela liberdade” começou em Paracatu (MG) e segue em direção a Brasília. A previsão é que o grupo percorra cerca de 200 km até a capital federal.
Nas redes, os aliados de Bolsonaro têm afirmado que o ato é contra as “prisões injustas” do 8 de janeiro e pelo que avaliam ser uma “perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ato encabeçado por Nikolas Ferreira conta com a participação de um dos filhos do ex-presidente, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL). Também estão ao lado do mineiro os deputados Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE), Zucco (PL-RS) e Zé Trovão (PL-SC), e os senadores Márcio Bittar (PL-AC) e Magno Malta (PL-ES).
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Psol aciona STF contra ‘gratificação faroeste’ para policiais
O artigo chegou a ser integralmente vetado pelo governador Cláudio Castro, sob a justificativa de ausência de previsão orçamentária para os pagamentos, mas o veto acabou derrubado dm dezembro pela Assembleia Legislativa o Rio de Janeiro

Policiais civis em operação de combate ao tráfico de drogas: governo do Rio criou gratificação por bandido morto. Foto: Erlon Rodrigues/PC-AM
O Diretório Nacional do Psol acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (20) contra a chamada “gratificação faroeste”, um bônus de produtividade criado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro para premiar, entre outros critérios, o policial civil que tenha se destacado por matar criminosos.
A relatoria do caso foi designada para o ministro Alexandre de Moraes, por prevenção, devido à relação do tema com a chamada ADPF das Favelas, ação de descumprimento de preceito fundamental que trata da letalidade policial no Rio de Janeiro.
O partido de oposição ao governo fluminense pede uma liminar (decisão provisória e urgente) para suspender de imediato a gratificação. “O dispositivo é inconstitucional na forma e no conteúdo”, afirma o Psol, que chamou o bônus de “incentivo financeiro à violência policial”.
Para a sigla, a gratificação é inconstitucional desde a partida, uma vez que foi criada por iniciativa do Legislativo, e não do Executivo, que detém a exclusividade para apresentar propostas que criam despesas de pessoal.
Entenda
Aprovada em outubro de 2025, a Lei Estadual nº 11.003/2025 trata da reestruturação do quadro de servidores da Secretaria Estadual de Polícia Civil, e em seu artigo 21 prevê uma bonificação entre 10% a 150% do salário em casos como os de vitimização em serviço, apreensão de armas de grosso calibre ou, ainda, quando ocorrer a chamada “neutralização de criminosos”.
O artigo chegou a ser integralmente vetado pelo governador Cláudio Castro, sob a justificativa de ausência de previsão orçamentária para os pagamentos, mas o veto acabou derrubado dm dezembro pela Assembleia Legislativa o Rio de Janeiro. Na ocasião, o próprio líder do governo, deputado Rodrigo Amorim (União), defendeu a derrubada do veto
Diversos órgãos também se manifestaram pela ilegalidade e inconstitucionalidade da gratificação faroeste. Ainda antes da aprovação da lei, a PDU (Defensoria Pública da União), por exemplo, divulgou nota técnica que classificou a medida como um estímulo aos confrontos letais entre policias e bandidos.
Segundo a Defensoria, o próprio termo “neutralização”, usado na lei, é impreciso e por si só viola a dignidade da pessoa humana.

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