Portela explica como funciona o esquema, que conta com a participação de taxistas ou transportadores em geral.

Da Contilnet

O vereador do município de Epitaciolândia, Carlos Portela (PPS), usou seu perfil em uma rede social nesta terça-feira (4) para fazer graves denúncias no que diz respeito à estadia de haitianos nos municípios de Epitaciolândia e Brasiléia.

De acordo com o vereador, a exploração de haitianos no país vizinho, Peru, continua. Ele relata que em alguns casos, “policiais peruanos pegam os documentos dos haitianos e só devolvem depois que derem dinheiro”.

coiotes

O vereador explica como funciona o esquema, que conta com a participação de taxistas ou transportadores em geral.

“Os taxistas/perueiros [donos de ‘peruas’, veículos de transporte] ou vans peruanas, cobram 200 dólares pela viagem de Puerto Maldonado até o abrigo em Brasiléia; ao chegarem em Iñapari, na fronteira com Assis Brasil, geralmente à noite, já existe um grupo de taxista de Assis Brasil esperando, que na maioria das vezes pegam logo o passaporte dos haitianos e já seguram, amarrando a viagem e levando os documentos, e ainda (sic) por cima cobram novamente mais 20 dólares para levarem ao abrigo, quando quem deveriam pagar seriam os coiotes peruanos; alguns já afirmaram que os coiotes peruanos entregam, de forma escondida, os 20 dólares; já os brasileiros cobram de novo os 20”.

Ele conta que há uma distribuição do número de haitianos em grupos e que o esquema existe há mais de um ano.

“Esse grupo de taxista na manhã seguinte seleciona e faz a distribuição dos haitianos para cada um dos grupos de taxistas; se sobrar haitianos, eles dão outra viagem, pois o passaporte com o taxista fica. Os taxistas, pela manhã, vão à Polícia Federal com os haitianos; em um carro que cabe 4 passageiros eles dão para a PF os passaportes de 5, os carros que cabem 5, dão passaporte de seis, é mais ou menos isso que acontece há mais de um ano, sem que as autoridades tomem os conhecimentos devidos”.

Portela afirma que se for realizada uma conta em relação aos mais de 10 mil haitianos que chegaram em 2013 e mais os três mil que já chegaram em 2014, ou seja, cerca de 13,7 mil haitianos, o esquema já gerou mais de R$ 5,9 milhões.

“[…] multiplicados por 180 dólares a mais, isso de Puerto Maldonado até o abrigo, fica 13.780 x 180 dólares = 2.480.400 dólares; isso multiplicado por 2.40, que é o valor do [cambio] dólar, significa que os haitianos no total pagaram a mais R$ 5.952.960 milhões, quase R$ 6 milhões a qualquer forma de coiote”, relata o vereador, afirmando que, “na realidade, o preço da passagem de Maldonado ao abrigo é menos que 40 dólares”.

Portela destaca que a conta realizada não leva em consideração outros estrangeiros, como os senegaleses que imigram para o Acre, a quem “os taxistas brasileiros cobram em média 250 dólares por cada um, e trazem de forma escondida das autoridades”. Segundo o vereador “de 2013 até o início de março já ultrapassaram mil”.

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