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Tecnologia no cotidiano: como o digital facilita a vida em regiões distantes

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A transformação digital deixou de ser um privilégio das grandes metrópoles para se tornar realidade também em regiões remotas do Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua revelam que o país conectou 6,1 milhões de novos usuários à internet entre 2022 e 2024, atingindo 89,1% da população com 10 anos ou mais. As regiões Norte e Nordeste lideram essa expansão, com crescimento de 18,2% e 17,2% respectivamente, acima da média nacional e reduzindo significativamente as desigualdades regionais de conectividade.

Para o Acre e toda a Amazônia Legal, essa evolução representa oportunidade concreta de inclusão social e desenvolvimento econômico. O programa Norte Conectado, que implantará 3.170 quilômetros de cabos de fibra óptica nos leitos dos rios amazônicos, têm potencial para beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas em 70 municípios dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará. Com investimento estimado em R$ 1,3 bilhão e capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo, a iniciativa promete conectar áreas que historicamente enfrentam exclusão digital devido às dificuldades geográficas e de infraestrutura.

A tecnologia digital não apenas conecta pessoas, mas transforma rotinas administrativas, acesso a serviços públicos, educação, saúde e oportunidades de trabalho. Em regiões distantes, onde deslocamentos podem consumir dias inteiros e recursos financeiros escassos, ferramentas digitais representam ganho tangível de qualidade de vida e eficiência operacional.

Como a conectividade impacta diretamente a qualidade de vida em áreas remotas

O acesso à internet em regiões distantes modifica estruturalmente a forma como serviços essenciais são entregues à população. Segundo pesquisa do IBGE, em 2024, 81% dos domicílios rurais possuíam acesso à internet, aumento significativo em relação aos 78,1% registrados em 2023. Embora o percentual permaneça 13,1 pontos percentuais abaixo da média urbana, a expansão tem sido mais rápida em áreas rurais, reduzindo gradualmente a diferença que em 2016 chegava a 40 pontos percentuais.

Essa conectividade crescente viabiliza telemedicina em comunidades que antes precisavam viajar centenas de quilômetros para consultas médicas. Dados do Ministério da Saúde indicam que o Programa SUS Digital alcançou adesão de 99,9% dos municípios na primeira etapa, com objetivo de integrar tecnologia, informação e saúde. Atualmente, cerca de 90% das Unidades Básicas de Saúde utilizam o Prontuário Eletrônico do Cidadão, com mais de 180 mil profissionais capacitados. Para populações ribeirinhas, indígenas e de áreas de difícil acesso, a possibilidade de teleconsultas reduz custos com transporte, tempo de deslocamento e acelera diagnósticos.

Na educação, o Ministério das Comunicações ampliou em até 150% o programa Gesac, que leva internet para escolas públicas, postos de saúde e órgãos públicos em localidades remotas, como comunidades ribeirinhas, quilombolas, aldeias indígenas e assentamentos. O investimento previsto é de R$ 3 bilhões, expandindo o atendimento de 10,9 mil para até 28 mil pontos de acesso. Essa infraestrutura permite que estudantes em regiões isoladas acessem conteúdos educacionais online, participem de aulas à distância e tenham oportunidades antes restritas a centros urbanos.

O acesso a serviços bancários digitais elimina a necessidade de deslocamentos para agências físicas, muitas vezes inexistentes em municípios menores. Aplicativos de transporte, delivery e e-commerce estendem conveniências urbanas a áreas remotas. Mesmo em regiões com infraestrutura limitada, o telefone celular tornou-se ferramenta essencial: a PNAD Contínua aponta que 98,9% dos usuários de internet acessam a rede pelo celular, dispositivo cuja presença nos domicílios brasileiros alcançou 96,7% em 2023.

Indicador de conectividade 2016 2023 2024 Variação 2016-2024
População com acesso à internet 66,1% 88,0% 89,1% +23,0 p.p.
Domicílios urbanos com internet 83,8% 94,1% 94,5% +10,7 p.p.
Domicílios rurais com internet 49,2% 78,1% 81,0% +31,8 p.p.
Expansão Norte (2019-2024) N/D N/D 18,2% 18,2%
Expansão Nordeste (2019-2024) N/D N/D 17,2% 17,2%

Fonte: PNAD Contínua TIC / IBGE e Ministério das Comunicações

Os dados demonstram que a expansão do acesso à internet foi proporcionalmente maior em áreas rurais, com crescimento de 31,8 pontos percentuais em oito anos, contra 10,7 pontos percentuais em áreas urbanas. Esse movimento evidencia o esforço deliberado de políticas públicas em reduzir desigualdades históricas. As regiões Norte e Nordeste, que concentram grande parte das áreas remotas do país, lideram o crescimento recente, sinalizando que investimentos em infraestrutura estão atingindo territórios tradicionalmente excluídos.

Ferramentas digitais que transformam o cotidiano em comunidades isoladas

A transformação digital em regiões distantes manifesta-se através de ferramentas específicas que atendem necessidades concretas dessas populações. Aplicativos de mensageria instantânea, especialmente WhatsApp, tornaram-se canais primários de comunicação, organização comunitária e até comercialização de produtos. Pesquisa do Sebrae citada em debate no Senado Federal revelou que quase 90% dos pequenos negócios usavam celulares em 2023, embora menos de 40% utilizassem propagandas pagas em redes sociais ou navegadores de internet.

Plataformas de armazenamento em nuvem como Google Drive e Dropbox permitem que documentos importantes sejam acessados de qualquer local, eliminando a dependência de arquivos físicos sujeitos a deterioração ou perda. Para empreendedores, professores, agentes comunitários de saúde e gestores públicos, essa mobilidade documental representa ganho operacional significativo. Um gestor municipal em região remota pode acessar processos administrativos sem necessitar de deslocamento até a sede administrativa, economizando tempo e recursos públicos.

Ferramentas de gestão de projetos e colaboração em documentos ganharam relevância com trabalho remoto. Segundo levantamento, 70% dos funcionários afirmaram que a tecnologia digital melhorou a colaboração. Plataformas como Trello, Asana e Monday permitem que equipes distribuídas geograficamente coordenem atividades em tempo real. Para organizações do terceiro setor, cooperativas e associações comunitárias em áreas remotas, essas ferramentas viabilizam gestão profissional de projetos sociais, captação de recursos e prestação de contas a financiadores.

O uso estratégico de documentos em formato PDF facilita trocas formais que exigem preservação de formatação e segurança. Contratos, propostas, relatórios e documentos oficiais tramitam digitalmente sem perda de integridade visual. A possibilidade de assinatura digital certificada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira garante validade jurídica, eliminando necessidade de impressão, reconhecimento de firma e envio físico. Para comunidades distantes de cartórios e serviços notariais, essa simplificação representa redução expressiva de custos e tempo.

Ferramentas de videoconferência como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams democratizaram acesso a eventos, capacitações e reuniões. Profissionais em municípios remotos participam de congressos, cursos e workshops sem custos de viagem e hospedagem. Organizações comunitárias realizam assembleias virtuais, ampliando participação de membros dispersos geograficamente. Durante a pandemia de COVID-19, pesquisa do Sebrae identificou crescimento no uso de canais digitais, com índice de empresas utilizando pelo menos um canal digital passando de 59% em maio de 2020 para 69% em março de 2021.

Sistemas de gestão empresarial, mesmo em versões simplificadas, auxiliam pequenos empreendedores a controlar estoque, fluxo de caixa, emissão de notas fiscais e relacionamento com clientes. A digitalização de processos administrativos permite que negócios em regiões distantes operem com padrões de eficiência comparáveis aos de centros urbanos, ampliando competitividade e sustentabilidade.

Desafios específicos da digitalização em regiões remotas

A transformação digital em áreas distantes enfrenta obstáculos que vão além da simples disponibilidade de internet. Pesquisa do PayPal divulgada em 2025 revelou que 70% dos empreendedores brasileiros não confiam totalmente nas ferramentas digitais, o que reduz a adoção de soluções inovadoras e dificulta a expansão dos negócios. Essa desconfiança é particularmente acentuada em regiões remotas, onde a população pode ter menor familiaridade com tecnologias digitais.

O letramento digital representa uma barreira significativa. Dados da PNAD Contínua mostram que 32,6% dos domicílios sem internet em 2024 alegaram que nenhum morador sabia usar a rede. Esse percentual é especialmente relevante em áreas rurais e remotas, onde o acesso à educação formal pode ser limitado e oportunidades de capacitação tecnológica são escassas. Programas como Computadores para Inclusão, do Ministério das Comunicações, oferecem capacitações em informática básica e uso de celular, mas ainda não alcançam toda população necessitada.

A infraestrutura de telecomunicações permanece um desafio crítico. Embora programas como Norte Conectado e Wi-Fi Brasil estejam expandindo a cobertura, ainda existem áreas sem qualquer acesso à internet. Dados da PNAD Contínua indicam que em áreas rurais, 12,1% dos domicílios sem internet em 2024 apontaram falta de disponibilidade do serviço na área como motivo, contra apenas 0,9% em áreas urbanas. A qualidade da conexão também varia significativamente, com muitas localidades contando apenas com redes móveis instáveis ou conexões de baixa velocidade.

O custo dos serviços digitais constitui uma barreira econômica concreta. Em 2024, 27,6% dos domicílios sem internet citaram serviço caro como motivo principal. Para famílias de baixa renda em regiões remotas, onde oportunidades econômicas são limitadas, o custo mensal de internet pode representar parcela significativa do orçamento. Embora programas governamentais ofereçam conexão gratuita em pontos específicos, o acesso domiciliar permanece financeiramente inacessível para muitos.

A segurança cibernética é uma preocupação crescente, mas pouco endereçada em áreas remotas. Pesquisa sobre transformação digital em micro, pequenas e médias empresas revelou que 50% das empresas declararam já ter sofrido ciberataques entre 2021 e 2022. Em regiões distantes, onde conhecimento sobre segurança digital é limitado e suporte técnico escasso, as vulnerabilidades tendem a ser maiores. Golpes digitais, invasão de contas e roubo de dados representam riscos que podem desencorajar adoção de ferramentas digitais.

A intermitência de energia elétrica em algumas áreas remotas compromete uso contínuo de tecnologias digitais. Equipamentos dependentes de recarga constante tornam-se inviáveis em localidades com fornecimento irregular de eletricidade. Soluções como energia solar ganham relevância como complemento à infraestrutura digital, tendência que deve crescer segundo análises sobre intersecção entre inovação tecnológica e práticas sustentáveis.

O papel estratégico da gestão documental digital

Em regiões distantes, a gestão eficiente de documentos assume importância amplificada devido às dificuldades logísticas de armazenamento físico e transmissão de informações. Associações comunitárias, cooperativas, escolas rurais e postos de saúde frequentemente operam com espaço físico limitado e recursos escassos, tornando o arquivamento adequado de documentos desafio operacional significativo.

A digitalização de documentos elimina necessidade de arquivos físicos volumosos, vulneráveis a umidade, pragas e deterioração acelerada em climas tropicais. O Decreto nº 10.278 de março de 2020 estabeleceu que documentos digitalizados possuem mesmo valor probatório do original em papel quando observados procedimentos técnicos adequados. Essa equivalência legal permite que organizações em áreas remotas mantenham registros exclusivamente digitais, liberando espaço físico e reduzindo riscos de perda documental.

A acessibilidade remota a documentos digitais adquire valor particular em contextos geográficos desafiadores. Um agente comunitário de saúde que visita aldeias distantes pode acessar prontuários, protocolos de atendimento e fichas de vacinação armazenados em nuvem, sem necessidade de transportar documentos físicos. Professores em escolas rurais acessam planos de aula, registros de notas e materiais didáticos de qualquer localidade com conexão à internet.

Para gestão de projetos sociais, ambientais e de desenvolvimento comunitário, estratégias como usar PDFs estratégicos para gerenciar projetos facilitam controle de cronogramas, orçamentos, relatórios técnicos e comunicação com financiadores. Organizações não governamentais que atuam em regiões remotas coordenam equipes distribuídas, prestam contas a múltiplos doadores e documentam atividades de campo com eficiência comparável a grandes instituições urbanas.

A capacidade de compartilhar documentos instantaneamente elimina atrasos logísticos que caracterizam regiões distantes. Um processo administrativo que levaria semanas tramitando fisicamente entre municípios pode ser resolvido em dias ou horas quando digitalizado. Editais públicos, licitações, solicitações de licenças ambientais e documentação fundiária beneficiam-se dramaticamente dessa agilidade.

Sistemas de backup automatizado protegem documentos digitais contra perdas catastróficas comuns em áreas remotas, como enchentes, incêndios e infestações. Enquanto arquivos físicos são únicos e sua perda irreversível, documentos digitais com cópias de segurança em múltiplos servidores permanecem acessíveis mesmo após desastres locais. Essa resiliência é particularmente relevante na Amazônia, onde eventos climáticos extremos e riscos ambientais são frequentes.

Quais são as perspectivas futuras para tecnologia em áreas remotas do Brasil

As projeções para expansão digital em regiões distantes sinalizam continuidade e intensificação dos investimentos em infraestrutura. O Ministério das Comunicações estabeleceu meta de universalizar o acesso à internet até 2026, conforme declarações oficiais. Embora essa meta seja ambiciosa dadas as dimensões continentais do Brasil e a complexidade geográfica da Amazônia, programas estruturantes como Norte Conectado e Gesac demonstram comprometimento governamental com inclusão digital.

A implantação de tecnologia 5G em áreas remotas permanece um desafio futuro. Leilões de espectro realizados incluíram obrigações de cobertura em municípios, estradas e áreas remotas, mas a efetivação dessa cobertura dependerá de viabilidade econômica e superação de obstáculos técnicos. A tecnologia 5G pode revolucionar aplicações como telemedicina, agricultura de precisão, monitoramento ambiental e educação à distância, mas sua chegada a regiões remotas provavelmente ocorrerá anos após consolidação em centros urbanos.

Tendências em inteligência artificial podem beneficiar especificamente regiões distantes. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com investimentos previstos de R$ 23 bilhões até 2028, contempla uso de IA em atendimento à saúde em regiões remotas e na educação básica, segundo debate no Senado Federal. Sistemas de IA podem compensar escassez de profissionais especializados em áreas remotas, auxiliando em diagnósticos médicos, tutoria educacional personalizada e otimização da gestão pública.

A interoperabilidade entre sistemas de informação governamentais promete simplificar acesso a serviços públicos. A Rede Nacional de Dados em Saúde e o Prontuário Digital Integrado buscam facilitar o compartilhamento seguro de informações entre diferentes níveis federativos e instituições de saúde. Para populações remotas que transitam entre diferentes municípios e estados em busca de atendimento, essa integração pode reduzir a burocracia e melhorar a continuidade do cuidado.

A digitalização de serviços públicos essenciais tende a acelerar. Emissão de documentos, solicitação de benefícios sociais, declaração de impostos e consulta a processos judiciais migram progressivamente para plataformas digitais. Essa transformação beneficia particularmente populações remotas, que historicamente enfrentam custos proibitivos para acesso presencial a serviços governamentais.

Parcerias público-privadas em saúde digital e educação podem expandir alcance de soluções inovadoras. A aproximação entre empresas de tecnologia e governo, observada na transformação digital do SUS, tende a se intensificar. Startups focadas em soluções para mercados de base da pirâmide podem desenvolver produtos específicos para contextos de regiões remotas, combinando viabilidade comercial com impacto social.

Desafios de sustentabilidade financeira dos programas de conectividade permanecem. Investimentos iniciais em infraestrutura são elevados, e modelos de negócio para manutenção de serviços em áreas de baixa densidade populacional ainda são incertos. A dependência de subsídios governamentais pode limitar a velocidade e a escala de expansão digital.

A tecnologia digital transformou-se em ferramenta essencial para redução de desigualdades entre regiões metropolitanas e áreas remotas do Brasil. Dados do IBGE comprovam avanço significativo na conectividade, com 89,1% da população brasileira com 10 anos ou mais acessando a internet em 2024, crescimento de 23 pontos percentuais desde 2016. As regiões Norte e Nordeste lideram expansão recente, evidenciando que investimentos em infraestrutura estão alcançando territórios historicamente excluídos.

Para o Acre e toda Amazônia Legal, programas como o Norte Conectado representam oportunidade inédita de desenvolvimento social e econômico. A implantação de 3.170 quilômetros de fibra óptica subfluvial conectará 70 municípios, beneficiando cerca de 7,5 milhões de pessoas com internet de alta velocidade. Essa infraestrutura viabilizará telemedicina, educação à distância, gestão pública digital e empreendedorismo em localidades que antes operavam em isolamento informacional.

Ferramentas digitais cotidianas, desde aplicativos de mensageria até plataformas de gestão documental, modificam concretamente rotinas em regiões distantes. A possibilidade de acessar serviços bancários, realizar consultas médicas, participar de capacitações e gerir negócios sem deslocamentos físicos representa ganho tangível de qualidade de vida e eficiência operacional. A gestão documental digital, particularmente através de PDFs com assinatura eletrônica, elimina barreiras burocráticas que historicamente penalizam populações remotas.

Reconhecer limitações é fundamental para políticas públicas eficazes. Embora 81% dos domicílios rurais possuem internet, a diferença de 13,1 pontos percentuais em relação a áreas urbanas persiste. Desafios como letramento digital, custo de serviços, intermitência de energia e segurança cibernética exigem abordagens complementares à expansão de infraestrutura. Programas de capacitação, subsídios para acesso, integração com energia renovável e educação sobre segurança digital são essenciais para aproveitamento pleno das tecnologias disponibilizadas.

Os dados apresentados baseiam-se majoritariamente em estatísticas nacionais, com informações específicas sobre Acre e outras regiões remotas da Amazônia ainda escassas. Estudos longitudinais que acompanhem o impacto concreto da conectividade em indicadores sociais, econômicos e educacionais dessas regiões são necessários para avaliação precisa dos resultados de políticas de inclusão digital.

Caminhos para aprofundamento incluem monitoramento contínuo de indicadores de conectividade regional, avaliação de impacto de programas como Norte Conectado e Gesac em beneficiários diretos, desenvolvimento de capacitações em alfabetização digital culturalmente adaptadas a contextos amazônicos, e fomento a ecossistemas de inovação local que desenvolvam soluções tecnológicas específicas para desafios de regiões remotas. A transformação digital em áreas distantes não é processo automático, mas construção coletiva que exige infraestrutura, capacitação, políticas públicas e protagonismo das próprias comunidades na definição de prioridades e usos das tecnologias disponibilizadas.

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BC impõe sigilo de 8 anos sobre documentos da liquidação do Master

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Michael Melo/Metrópoles

O Banco Central (BC) decidiu manter sob sigilo, por oito anos, os documentos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master. A classificação foi definida em novembro de 2025, à época da liquidação, pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Com isso, os registros só poderão ser divulgados a partir de novembro de 2033. Conforme apurado pelo Metrópoles, o prazo segue regras já previstas em norma do BC e varia conforme o porte da instituição bancária. No caso do Banco Master, enquadrado no segmento 3 (S3), o período estabelecido é de oito anos.


Entenda o caso

  • A liquidação extrajudicial do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro, foi decretada pelo BC em novembro de 2025.
  • À época, a autoridade monetária identificou fragilidades estruturais na instituição, incluindo uma grave crise de liquidez e violações relevantes às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Segundo o BC, a divulgação imediata das informações relacionadas ao caso poderia representar risco ao interesse público, especialmente devido a possíveis impactos na estabilidade financeira, econômica e monetária do país.

O órgão também aponta a necessidade de proteger investidores. A exposição de dados poderia atingir instituições que não tiveram relação direta com eventuais irregularidades do banco Master.

Outro argumento é o de que a liberação dos documentos pode comprometer atividades de inteligência em andamento, como investigações e ações de fiscalização voltadas à prevenção e repressão de infrações no sistema financeiro.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Autismo: mulheres são as principais cuidadoras, revela pesquisa

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Haja emoção nos olhos da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, quando presenciou o filho, João, de 18 anos, chegar a uma faculdade em Brasília, no Distrito Federal. “Era o sonho dele fazer o curso de jornalismo”.

Tamanha foi a realização que a mãe também resolveu se matricular e viver, com ele, a experiência da sala de aula. Ser parceirona de João em tudo é a razão da vida de Anaiara, muito antes do diagnóstico de autismo (de leve a moderado) no filho.

O laudo, que ele só teve com 8 anos de idade, foi a confirmação do que ela percebia no dia a dia e das necessidades principais do menino. Desde que João tinha dois anos de idade, Anaiara passou a correr diariamente por consultas de diferentes especialistas.

A mãe resolveu pedir demissão do trabalho e viver como autônoma para poder dar mais suporte ao menino. Trabalha noites, feriados e finais de semana para dar conta de tudo.
“Nada faria sentido se não fosse para ver a felicidade dele, e o seu crescimento, ver onde ele já chegou hoje”.

A vida impôs a ela mais desafios ainda depois que veio o divórcio do pai de João. A cuidadora da pessoa com autismo ser uma mulher, como no caso de Anaiara, é uma realidade brasileira. Esse é um dos resultados do Mapa do Autismo no Brasil que traz respostas de 23.632 pessoas de todos os estados.

Pesquisa

Os dados detalhados só serão publicados oficialmente na próxima quinta-feira, dia 9, uma semana após o dia de conscientização sobre o autismo, hoje (2). Dessas respostas, 18.175 são de pessoas responsáveis por uma pessoa autista, 2.221 são as responsáveis e também estão dentro do espectro. A pesquisa teve ainda 4.604 respostas de pessoas autistas acima dos 18 anos de idade.
O mapeamento inédito em cenário nacional foi uma iniciativa do Instituto Autismos, que é uma organização não governamental.

“A maior parte das cuidadoras são mulheres. E grande parte dessas mulheres não estão no mercado de trabalho. Isso fala muito sobre o cuidado”, adiantou a presidente do instituto, a musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf, em entrevista à Agência Brasil.

Diagnóstico precoce

No entanto, um dos dados que ela antecipou foi uma situação diferente da realidade de Anaiara Ribeiro com seu filho João, que teve o diagnóstico apenas com 8 anos. É uma novidade positiva para o país.

“A média da idade do diagnóstico tem sido igual ao dos padrões internacionais: em torno dos 4 anos de idade”, enfatiza Ana Carolina Steinkopf. Ela explica que quanto mais jovem for a pessoa diagnosticada, melhor será o caminho para os tratamentos e cuidados necessários para estímulo.

Os dados detalhados só serão publicados oficialmente na próxima quinta-feira, dia 9, uma semana após o dia de conscientização sobre o autismo. Foto: captada 

Um fator de alerta que o levantamento vai trazer é que as famílias gastam mais de R$ 1 mil com as terapias necessárias. “A maior parte tem usado planos de saúde para conseguir ter acesso às terapias”. Ana Carolina acrescenta que as famílias do Norte e Nordeste utilizam mais da estrutura do sistema público de saúde do que as outras regiões.

Sistema público

Em relação aos desafios do atendimento de pessoas com autismo no sistema público, o governo federal emitiu nota garantindo que ampliou a assistência a pessoas com transtorno do espectro autista com investimento de R$ 83 milhões.

O Ministério da Saúde anunciou que vai habilitar 59 novos serviços, que incluem Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado. As portarias serão assinadas nesta quinta-feira.

“Estamos estruturando uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no SUS, desde a identificação precoce na atenção primária até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na nota.

Recomendações

A respeito dos resultados do mapeamento, a pesquisadora acrescentou que o poder público federal e de cada estado vai receber recomendações de melhoria no atendimento com base nesses dados. Não obstante, ela entende que tem aumentado, ano a ano, a sensibilização e a conscientização sobre o autismo.

Não invisibilizar a doença é importante, por exemplo, para que existam mais pesquisas e especialistas em autismo. No Brasil, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 2,4 milhões de pessoas sejam autistas.

Quanto mais cedo vier o diagnóstico, maior é a possibilidade de que as famílias procurem seus direitos, que vão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a ações de inclusão na educação, saúde e bem-estar, por exemplo.

Direitos

Assim como foram conquistas de Anayara e João. “A inclusão, por exemplo, em todos os espaços de lazer, em que a pessoa com autismo não paga ingresso e a acompanhante tem 50% de desconto”, diz a mãe.

A advogada, depois do divórcio, reconstruiu a família. Ela se casou novamente e tem uma filha desse novo relacionamento.

“Sou uma exceção. A maioria das mães que eu conheço continuam solteiras ou separadas. Os pais abandonaram, seja fisicamente e financeiramente, mas eu tive a sorte de encontrar um parceiro que assumiu a paternidade do João. Somos muito felizes”.

Desde que João tinha dois anos de idade, Anaiara passou a correr diariamente por consultas de diferentes especialistas. Foto: ilustrativa 

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Carro capota e pega fogo após discussão entre casal em Rio Branco; motorista dirigia sem CNH e alcoolizado

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Condutor perdeu controle do veículo durante briga com companheira na Alameda Hungria; ambos saíram ilesos, mas teste do etilômetro apontou consumo de bebida

De acordo com o relato do condutor, ele estava no veículo acompanhado da companheira e ambos discutiam no momento do acidente. Foto: captada 

Durante a abordagem, os policiais militares constataram que o condutor apresentava sinais de embriaguez e confirmou ter ingerido bebida alcoólica

Um veículo Ford Fiesta, cor verde e placa KDG-8779, ficou completamente destruído após um acidente registrado na madrugada desta segunda-feira (6) , na rua Alameda Hungria, nas proximidades da Cidade da Justiça, em frente ao prédio do IMAC (anexo ao CIEPS), em Rio Branco.

Segundo informações repassadas ao Centro de Operações da Polícia Militar (190), equipes do Batalhão Ambiental foram acionadas. Ao chegarem, os militares encontraram o automóvel capotado e em chamas, após ter colidido contra um poste de iluminação pública.

De acordo com o relato do condutor, ele estava no veículo acompanhado da companheira e ambos discutiam no momento do acidente. Durante o desentendimento, um movimento brusco no volante teria feito com que ele perdesse o controle da direção, provocando a colisão. Após o impacto, o carro capotou e foi rapidamente tomado pelo fogo.

O motorista conseguiu retirar a mulher do interior do veículo antes que as chamas se intensificassem. Nenhum dos ocupantes sofreu ferimentos.

A guarnição acionou a equipe de trânsito para dar continuidade aos procedimentos e apurar as circunstâncias. Durante a verificação, foi constatado que o condutor não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele também foi submetido ao teste do etilômetro, que indicou consumo de bebida alcoólica antes da condução do veículo.

O caso segue sob investigação da polícia. O motorista poderá responder por direção sem habilitação e embriaguez ao volante, além de danos ao patrimônio público.

Logo após o impacto, o automóvel começou a pegar fogo. O motorista conseguiu retirar a companheira de dentro do veículo antes que as chamas se alastrassem. Captada 

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