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Acre

Solo de 16 municípios do Acre está contaminado por DDT, diz pesquisa

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Resíduos do pesticida foram encontrados em casas ainda habitadas.
Ao todo, foram coletadas 320 amostras de solo durante dois anos de projeto.

G1

Pesquisadores coletaram solo ao redor de casas onde DDT era aplicado e também onde foi armazenado (Foto: Divulgação)

Pesquisadores coletaram solo ao redor de casas onde DDT era aplicado e também onde foi armazenado (Foto: Divulgação)

Apontado como o responsável pela morte de pelo menos 240 ex-guardas da extinta Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam), o pesticida Diclorodifeniltricloroetano (DDT), usado na década de 70 a 90 para o controle mosquito da malária na região amazônica, foi encontrado no solo de 16 municípios do Acre.  É o que revela uma pesquisa feita pelo professor do Instituto Federal do Acre (IFAC), Luis Pedro de Melo Plese.  O estudo avaliou o solo de 17 municípios do estado e durou dois anos.

Segundo o professor, o objetivo da pesquisa era identificar essas áreas para que fossem realizadas ações de descontaminação.  O DDT era aplicado por ex-servidores da Sucam, que atualmente lutam na Justiça para serem reconhecidos e terem atendimento prioritário na saúde pública. A Associação DDT e Luta Pela Vida estima ao menos 247 mortes de ex-agentes pela contaminação do pesticida.

Foram analisados os municípios de Rio Branco, Bujari, Plácido de Castro, Acrelândia, Porto Acre, Capixaba, Senador Guiomard, Xapuri, Epitaciolândiax, Assis Brasilx, Brasileia, Sena Madureirax, Manoel Urbanox, Feijóx, Tarauacáx, Cruzeiro do Sulx e Mâncio Lima. Desses, somente no Bujarinão foi detectada a contaminação.

O projeto coletou 320 amostras de solos com profundidade de 0 a 10 centímetros ao redor das casas onde o produto foi aplicado e também nos locais onde eram armazenados. Segundo Plese, muitas dessas residências ainda são habitadas e mesmo assim, ainda são encontrados traços do DDT na madeira dessas moradias.

“Não precisamos coletar um solo tão profundo, porque esse produto tem a característica de ser pouco móvel e tende a ficar fixo em solos como argila e matéria orgânica. Ficamos um pouco assustados devido ao tempo que o DDT foi aplicado nesses locais e continua permanecendo no solo, alguns lugares tiveram aplicação há mais de 10 anos. Existem relatos de locais em que foi aplicado há mais de 20 anos e ainda podem ser encontrados resíduos”, explicou.

De acordo com pesquisador, muitas casas ainda são habitadas e moradores correm risco de contaminação (Foto: Divulgação)

De acordo com pesquisador, muitas casas ainda são habitadas e moradores correm risco de contaminação (Foto: Divulgação)

De acordo com Plese, o DDT é um pesticida que faz parte da classe dos organoclorados com característica bioacumulativas que podem persistir por décadas. As amostras foram encaminhadas para análise em um laboratório de Recife (PE). Somente o município de Bujari ficou com o teor de contaminação abaixo do que é definido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Porém, os municípios que apresentaram maior teor residual médio foram Brasileia 3,41 mg/kg, Plácido de Castro 1,17 mg/kg, Rio Branco 1,12 mg/kg, Xapurix 0,91 mg/kg e Capixabax 0,71 mg/kg.

“A metodologia utilizada por esse laboratório só detectava como contaminação um teor presente de DDT acima de 0,02 mm por quilo de solo e alguns lugares ficaram abaixo. Entretanto, houveram outros valores que deram muito acima, alguns chegaram a 54mg/kg de solo, outros lugares deram 15mg/kg, 8mg/kg ou 3mg/kg, mas todos muito altos”, destacou.

Ciclo de Contaminação
A equipe que participou da pesquisa contou com o apoio do ex-guarda da Sucam e presidente da Associação DDT e Luta Pela Vida , Aldo Moura, de 63 anos. Segundo Plese, Moura e outros trabalhadores mostraram locais onde o DDT foi aplicado mais de 16 vezes. Ele destacou ainda que assim como os funcionários que tiveram contato direto com o produto hoje enfrentam doenças, as pessoas que ainda residem em locais onde há resíduos do pesticida podem enfrentar um ciclo de contaminação.

“Essa pessoa pode criar uma simples galinha no quintal que consome aquele material, depois ela vai consumir o animal e a pessoa acaba sendo contaminada. Outro aspecto que percebemos, é que existem resíduos em áreas próximas do rio, como temos grandes cheias no períodos das chuvas, muitos desses solos são levados pelo escoamento para o rio. Nesse caso, possivelmente contaminam os peixes que serão consumidos, gerando um ciclo de contaminação. Por isso, além do solo, precisaríamos coletar amostras na água, sedimento que fica na água e cadeia alimentar do rio”, disse.

Plantas e bactérias são alternativas para recuperação do solo
De acordo com Plese, o processo de recuperação seria diferente para cada município por causa da diferença do teor de DDT. Segundo ele, os locais que não foram considerados contaminados, segundo a medição do Conama, não precisam do processo de descontaminação. Entretanto, nos outros poderiam ser usadas bactérias e plantas para absorver o pesticida.

“Poderíamos usar várias tipos diferentes de tecnologias de recuperação. Algumas alternativas que já são usadas, são bactérias ou plantas que absorveriam esses resíduos, esse seria uma técnica mais viável e barata. É claro, existem outras técnicas mais sofisticadas só que com valor bem mais alto, mas tudo isso precisaria de um estudo para determinar a forma mais eficaz de descontaminação”, finalizou.

‘Fila de Morte’
A Associação, montada pelo ex-agente Aldo Moura, contabiliza ao menos 243 mortes de ex-servidores da Sucam pelo contato direto com o pesticida. Atualmente, esses homens esperam uma decisão da Justiça por indenização e uma assistência prioritária. A última morte registrada foi no dia 14 de abril.

O MPF-AC aguarda decisão da justiça sobre a ação, que está parada no Tribunal Regional Federal, da 1º região, desde agosto 2013.

Os homens que tiveram contato com o pesticida DDT, se queixam de dores nas articulações,  coceira no corpo e, em seguida, disfunção de órgãos como rins e coração.

Em matéria publicada pelo G1 no dia 12 de fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde afirma que a contaminação não é comprovada. Já, o toxicologista de São Paulo, Anthony Wong, explica que os ex-funcionários estão intoxicados, não só pelo contato com o DDT, mas pelos solventes à base de petróleo usados na mistura para obter o veneno.

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Socorristas do SAMU reanima criança de 1 ano após afogamento em caixa d’água na Cidade do Povo

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Menino ficou desacordado e foi socorrido em estado gravíssimo ao Pronto-Socorro de Rio Branco

Uma criança de 1 ano e 5 meses foi vítima de afogamento na tarde desta sexta-feira (6), em uma residência localizada na Rua Maria Elza Castelo, Quadra 14, nas proximidades da creche José Maria Maciel, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.

De acordo com testemunhas, a mãe estava em casa com o menino e os outros filhos quando, após cerca de 30 minutos, percebeu a ausência da criança. Ao iniciar as buscas, ela encontrou o filho dentro da caixa d’água, desacordado, e o retirou imediatamente.

Moradores acionaram o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que enviou duas ambulâncias, sendo uma de suporte básico e outra de suporte avançado. As equipes médicas realizaram os primeiros socorros e iniciaram as manobras de reanimação cardiopulmonar. Após cerca de 30 minutos, a criança foi reanimada, colocada na ambulância de suporte avançado e encaminhada ao Pronto-Socorro de Rio Branco, em estado de saúde gravíssimo.

A Polícia Civil esteve no local e acompanhou os procedimentos. O caso será investigado para apurar as circunstâncias do ocorrido.

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Prefeitura de Rio Branco Celebra Fortalecimento da Defesa Civil e Destaca Legado de Proteção à Vida

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O fortalecimento da Defesa Civil Municipal tornou-se uma das marcas da atual gestão da Prefeitura de Rio Branco. Ao relembrar a trajetória de organização do órgão, o prefeito de Rio Branco Tião Bocalom destacou que a estruturação da unidade não foi apenas uma decisão administrativa, mas uma missão pautada na experiência prática e no compromisso inegociável com a segurança da população.

A sensibilidade para a importância de uma Defesa Civil atuante surgiu ainda em 2005. Naquele ano, diante de uma crise de queimadas sem precedentes que atingiu o estado, o atual gestor, então prefeito no interior, foi o único a decretar situação de emergência, mesmo enfrentando resistências políticas à época. A decisão permitiu a chegada de reforços, como o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, e resultou na preservação da histórica Fazenda Bonal, salvando centenas de hectares de seringueiras e pupunha, além de proteger a economia e o meio ambiente da região.

Desafios e Transformações

Ao assumir a gestão da capital, o cenário encontrado era de uma Defesa Civil que existia apenas formalmente. “Eu senti na pele o que é a função da Defesa Civil e procurei organizar o que praticamente não existia em Rio Branco”, afirmou o prefeito. Para liderar esse processo de transformação, a gestão investiu na valorização técnica do órgão, com a atuação do coordenador municipal da Defesa Civil, tenete-coronel Cláudio Falcão, cuja trajetória de dedicação foi fundamental para estruturar e consolidar a unidade.

Atualmente, a Defesa Civil de Rio Branco conta com equipes capacitadas, logística de resposta rápida, estrutura adequada e foco permanente na prevenção e no monitoramento de riscos, o que tem garantido maior eficiência no atendimento à população em momentos de emergência.

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“Eu senti na pele o que é a função da Defesa Civil e procurei organizar o que praticamente não existia em Rio Branco”, afirmou o prefeito. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

O principal indicador desse trabalho é a preservação de vidas. Mesmo diante de eventos climáticos severos e enchentes históricas registradas nos últimos anos, Rio Branco mantém um dado expressivo em comparação a outros centros urbanos do país: zero óbitos decorrentes de desastres naturais.

“Estou muito feliz de ver um grupo de pessoas comprometidas em salvar vidas. Em qualquer lugar do Brasil, eventos dessa magnitude costumam registrar óbitos, mas aqui não tivemos nenhum. Isso é fruto de uma Defesa Civil preparada e que trabalha com foco na prevenção”, ressaltou o prefeito.

Integração e Reconhecimento Nacional

De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, Cláudio Falcão, a atuação integrada da gestão municipal foi determinante para garantir o atendimento às famílias atingidas pelas enchentes, incluindo o acolhimento daquelas que precisaram ser encaminhadas para o abrigo público instalado pela Prefeitura de Rio Branco.

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Segundo o coordenador da Defesa Civil, Cláudio Falcão, a ação conjunta da Prefeitura foi essencial para garantir o atendimento e o acolhimento das famílias afetadas pelas enchentes. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“Defesa Civil é fundamental. Nenhuma prefeitura, especialmente de capital, pode funcionar sem uma Defesa Civil estruturada. Mas isso só acontece com o apoio direto do chefe do Executivo. Em Rio Branco, temos o respaldo do prefeito Tião Bocalom para avançar cada vez mais, seja com equipamentos, viaturas, estrutura física ou capacitação. A Defesa Civil do município cresceu exponencialmente nas duas gestões e hoje é referência, com reconhecimento nacional e até internacional”, destacou Falcão.

Com uma estrutura sólida e em constante aprimoramento, a Prefeitura de Rio Branco reafirma que a Defesa Civil é mais do que um órgão de resposta a emergências: é um instrumento essencial de proteção à vida e de apoio direto ao cidadão nos momentos de maior vulnerabilidade.

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Fonte: Conteúdo republicado de PREFEITURA RIO BRANCO

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Prefeitura de Rio Branco lança Programa de Integridade Pública no Poder Executivo Municipal

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Com o objetivo de fortalecer a transparência, a ética e a integridade na administração pública, a Prefeitura de Rio Branco lançou, na manhã desta sexta-feira (6), no auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Programa de Integridade Pública do Poder Executivo Municipal. A iniciativa é voltada ao aprimoramento da gestão e à correta aplicação dos recursos públicos, em benefício da população rio-branquense.

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Iniciativa é voltada ao aprimoramento da gestão e à correta aplicação dos recursos públicos, em benefício da população rio-branquense. (Foto: Anderson Oliveira/Secom)

Idealizador do programa, o prefeito Tião Bocalom destacou que a principal finalidade da ação é o combate à corrupção, ressaltando que a consolidação de uma cultura organizacional ética depende do engajamento de todos os servidores públicos.

“A coisa pública precisa ter o máximo de transparência. É necessário cuidar com zelo do dinheiro público para que ele renda e gere mais benefícios à sociedade. Cada servidor precisa cuidar bem da sua área, trabalhar com responsabilidade e buscar resultados, porque quando todos cuidam corretamente dos recursos, não há espaço para a corrupção”, enfatizou o prefeito.

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Segundo o controlador-geral Oscar Vareda Moreira Neto, o Programa de Integridade fortalece a transparência e aproxima a gestão municipal da população. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

Segundo o controlador-geral do município, Oscar Vareda Moreira Neto, o Programa de Integridade representa um avanço significativo na aproximação entre a administração pública e a população, ao ampliar os mecanismos de transparência e controle social.

“O programa envolve princípios como transparência, gasto ético e gasto eficiente. Quando a população compreende como os recursos estão sendo utilizados, ela pode acompanhar, fiscalizar e cobrar seus gestores. Isso garante mais confiança e segurança de que o dinheiro público está sendo aplicado de forma correta”, explicou.

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Durante o evento, o prefeito Tião Bocalom assinou a Declaração de Compromisso com a Integridade, ao lado de secretários e dirigentes, reafirmando o apoio da Prefeitura à implantação do programa. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

Durante o evento, foi realizada a assinatura da Declaração Pública de Compromisso com a Integridade, momento em que o prefeito Tião Bocalom fez questão da presença de todos os secretários municipais e dirigentes de autarquias. Na ocasião, o gestor reafirmou o apoio institucional da Prefeitura para a implantação do programa.

“Manifestamos o compromisso de apoiar a estruturação e implementação do Programa de Integridade e Gestão de Riscos no âmbito do município de Rio Branco, garantindo prioridade política e administrativa às ações previstas e assegurando suporte às unidades envolvidas”, destacou.

Com a iniciativa, a Prefeitura de Rio Branco reforça seu compromisso com uma gestão pública responsável, ética e transparente, voltada à eficiência administrativa e à confiança da sociedade.

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Lancamento do programa de Integridade 12
Lancamento do programa de Integridade 10
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Lancamento do programa de Integridade 5
Lancamento do programa de Integridade 4
Lancamento do programa de Integridade 3
Lancamento do programa de Integridade 2
Lancamento do programa de Integridade 1

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Fonte: Conteúdo republicado de PREFEITURA RIO BRANCO

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