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Rio Branco registra deflação e custo de vida recua em julho, mas alta acumulada de preços é de quase 10% em um ano
Por Edmilson Ferreira
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho foi -0,92% em Rio Branco em julho em comparação ao resultado de junho (0,81%). Apesar da deflação de julho, a inflação acumulada em 2022 é de 4,20% e de 9,61% nos últimos doze meses.
O item Alimentação segue em alta em Rio Branco, especialmente o leite e seus derivados, frutas e produtos panificados. Passagens aéreas, óleo diesel e outros produtos não alimentícios mantém trajetória de inflação.
Por outro lado, gasolina, etanol, energia elétrica e outros bens cujos impostos tem sido alvo de ações do poder público, contribuíram para deflacionar o custo de vida.
No País, a inflação recuou 0,68%, ante 0,67% em junho. Foi a menor taxa registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980. No ano, o IPCA acumula alta de 4,77% e, nos últimos 12 meses, de 10,07%, abaixo dos 11,89% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2021, a variação havia sido de 0,96%
Em nível nacional, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram deflação em julho, enquanto os outros sete tiveram alta de preços. O resultado do mês foi influenciado principalmente pelo grupo dos Transportes que teve a queda mais intensa (-4,51%), e contribuiu com o maior impacto negativo (-1,00 ponto percentual) no índice de julho.
Além disso, também houve recuo nos preços do grupo Habitação (-1,05%), com impacto de -0,16 p.p. A maior variação positiva, por sua vez, veio de Alimentação e bebidas (1,30%), que acelerou em relação a junho (0,80%), contribuindo com 0,28 p.p. Vestuário (0,58%) e Saúde e cuidados pessoais (0,49%) seguiram movimento inverso, desacelerando em relação ao mês anterior (quando registraram 1,67% e 1,24%, respectivamente).
Os demais grupos ficaram entre o 0,06% de Educação e o 1,13% de Despesas pessoais, segunda maior variação positiva em julho. O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 30 de junho a 28 de julho de 2022 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de maio a 29 de junho de 2022 (base).
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Atraso na conclusão do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia trava logística de exportação na BR-317
Empresas que utilizam a Transoceânica para escoar produtos ao Pacífico enfrentam gargalo na ponte metálica; obra de R$ 60 milhões promete desviar tráfego pesado do centro urbano

Falta de conclusão do anel viário entre Brasiléia e Epitaciolândia trava logística de exportação na fronteira, estimativas indicam que mais de 17 mil veículos circulam pela região central de Brasiléia e Epitaciolândia. Foto: captada
A falta de conclusão do anel viário entre as cidades de Brasiléia e Epitaciolândia, na regional do Alto Acre, continua sendo apontada como um dos principais gargalos logísticos para o transporte de cargas que seguem para exportação pela tríplice fronteira entre Assis Brasil (Acre), Bolpebra (Bolívia) e Iñapari (Peru). O problema foi destacado por Rafael Pimpão, representante da empresa Micheport Andina Internacional Ltda, ao comentar as dificuldades enfrentadas por caminhões que utilizam a rota internacional da BR-317.
Empresário destaca potencial da Transoceânica
Rafael Lopes Pimpão é representante da Micheport Andina Internacional Ltda. Paulista de nascimento, está no Acre desde setembro de 2010, quando veio para uma experiência de transportar máquinas e equipamentos pela Transoceânica. A empreitada deu tão certo que ele está no estado até hoje e já não sabe mais se retornará à terra natal.
A Micheport é parte de um grupo de empresas que já utilizam a rodovia que liga Assis Brasil ao Porto de Illo, no Peru. Desde que instalou uma base operacional naquele município, a empresa já movimentou milhões e pretende transportar mais de 600 máquinas para o Peru e Equador.

Obra estratégica da BR-317, com investimento de R$ 60 milhões, deveria desviar tráfego pesado do centro urbano de Brasiléia, mas atraso força caminhões a buscarem rotas alternativas, como a ponte metálica. Foto: art
Pimpão explica que a Transoceânica não é utilizada apenas pelas belezas naturais. Antes da estrada ser uma realidade, gastava-se do Rio de Janeiro (local da fábrica dos chassis) até o Equador cerca de vinte dias de viagem. Agora, são doze dias, economizando não apenas tempo, mas também dinheiro.
Depois da base operacional em Assis Brasil, a intenção da empresa é abrir uma filial no estado. “Pela Transoceânica, temos uma economia no transporte dos equipamentos que chega a 17%, isso sem falar no tempo, em que economizamos quase uma semana de viagem”, informa.
Gargalo logístico na ponte metálica
Nesta quinta-feira (4), um vídeo que circula pelas redes sociais mostra a intensidade do fluxo de veículos na região e a realidade que grandes empresas enfrentam diariamente na BR-317. Devido ao gargalo, os problemas se concentram na ponte Metálica José Augusto, que divide os municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, onde veículos permanecem parados durante horas.
Segundo Pimpão, a estrutura atual não comporta o volume crescente de veículos pesados que cruzam a região, obrigando motoristas a buscar rotas alternativas. “Quem quiser passar tem que entrar na Bolívia para sair em Brasiléia. Vou ter mais dessas cargas em exportação pelo Acre”, afirmou.

O grande gargalo logístico é a falta da entrega do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia. Como o anel não está pronto, a ponte metálica atual não comporta o fluxo de caminhões. Foto: captada
Ele explica que o principal entrave é justamente a ausência do contorno viário definitivo, projetado para retirar o tráfego pesado do centro urbano das duas cidades. “Hoje o grande gargalo logístico é a falta da entrega do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia. Como o anel não está pronto, a ponte atual não comporta o fluxo de caminhões”, disse.
Obra estratégica para integração regional
O anel viário é considerado uma obra estratégica para a integração logística da região. O projeto prevê cerca de 10,3 quilômetros de estrada contornando os dois municípios, além de uma ponte de aproximadamente 251 metros sobre o rio Acre, ligando as duas margens e permitindo o desvio do tráfego de carga da área urbana.

Ponte do anel viário já foi concluída, mas ainda falta a instalação dos acessos. Foto: Secom
Com investimento superior a R$ 60 milhões, financiado pelo governo federal por meio do DNIT, a obra foi planejada para facilitar o transporte de mercadorias pela Rodovia Interoceânica (BR-317), que conecta o Acre aos portos do Peru no Pacífico e abre caminho para o comércio com mercados da Ásia.
Além de melhorar a logística internacional, o contorno viário deve retirar caminhões pesados do centro das cidades, que hoje registram intenso movimento. Estimativas indicam que mais de 17 mil veículos circulam pela região, impactando diretamente a mobilidade urbana e a infraestrutura local.
“A Transoceânica já se transformou em um novo endereço dos negócios no Brasil e os empresários acreanos também têm que voltar o olhar para esta nova realidade, onde o Acre é está na rota desses grandes negócios”, afirmou um dos empresários.

O anel viário de Epitaciolândia e Brasileia é considerado uma obra estratégica para o tráfego na Rodovia Interoceânica, no acesso ao Peru. Foto: captada
Veja vídeos:
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STF mantém decisão que considerou ilegal eliminação de candidato com hepatite B em concurso da Polícia Penal do Acre
Segunda Turma, por unanimidade, negou recurso do Estado e entendeu que exclusão foi discriminatória, baseada apenas no diagnóstico, sem comprovação de incapacidade para o cargo

O ministro ressaltou que rever o entendimento das instâncias anteriores exigiria reexaminar provas e fatos do processo. Foto: captada
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, negar provimento a um agravo regimental interposto pelo Estado do Acre em um processo que discute a eliminação de um candidato diagnosticado com hepatite B em concurso público para o cargo de policial penal. A decisão foi proferida no âmbito do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) nº 1.572.259, relatado pelo ministro Gilmar Mendes.
O governo acreano buscava reverter decisão anterior que havia considerado ilegal a exclusão do candidato do certame. No entanto, os ministros da Segunda Turma entenderam que não houve erro na decisão anterior e mantiveram o entendimento da Justiça de origem.
Segundo os autos, o candidato foi eliminado do concurso após ser diagnosticado com hepatite tipo B. Apesar disso, ele apresentou laudo médico atestando plena capacidade física para o exercício das funções e comprovou que realizava acompanhamento médico contínuo.
Discriminação e ilegalidade
A Corte de origem havia concluído que a exclusão ocorreu de forma genérica e discriminatória, uma vez que a decisão administrativa se baseou apenas no diagnóstico da doença, sem demonstrar que a condição seria incompatível com as atribuições do cargo de policial penal.
Ao analisar o recurso, o relator Gilmar Mendes destacou que o agravo regimental apresentado pelo Estado do Acre não trouxe argumentos capazes de demonstrar erro na decisão anterior, limitando-se a reiterar inconformismo com o entendimento já adotado.
Além disso, o ministro ressaltou que rever o entendimento das instâncias anteriores exigiria reexaminar provas e fatos do processo, o que não é permitido em recurso extraordinário, conforme estabelece a Súmula 279 do STF.
Com a decisão unânime da Segunda Turma, permanece válido o entendimento de que a eliminação do candidato do concurso público foi ilegal por caracterizar discriminação baseada exclusivamente na existência da doença, sem comprovação de incapacidade para o exercício do cargo.
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Servidor do TCE-AC é flagrado agredindo mulher em via pública; órgão encaminha caso à Corregedoria
Imagens mostram homem perseguindo e dando tapa no rosto da vítima em Rio Branco; presidente do Tribunal afirma que não compactua com violência e garante apuração rigorosa

Após a agressão, pessoas que estavam nas proximidades intervêm para conter o homem e evitar que a situação evolua para novas agressões. Foto: captada
Um homem identificado como servidor efetivo do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) foi flagrado por câmeras de segurança agredindo uma mulher em via pública, em Rio Branco. O episódio, que teria ocorrido no último domingo, dia 1º, passou a circular em grupos de mensagens e provocou reação imediata do órgão, que informou ter encaminhado o caso à Corregedoria para apuração disciplinar.
As imagens mostram o momento em que o homem discute com a mulher na rua. Em seguida, a vítima se afasta do local, mas é perseguida pelo servidor. Pouco depois, ele a alcança e desfere um tapa no rosto dela. Após a agressão, pessoas que estavam nas proximidades intervêm para conter o homem e evitar que a situação evolua para novas agressões. A mulher não foi identificada nas imagens divulgadas.
Nota oficial do TCE-AC
O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) informou em nota pública que determinou o imediato encaminhamento à Corregedoria da instituição para apuração da conduta atribuída ao servidor. A decisão foi tomada pela Presidência do Tribunal tão logo a instituição tomou conhecimento das imagens que passaram a circular.
De acordo com a Presidência do TCE-AC, o objetivo da medida é garantir a apuração rigorosa dos fatos e das circunstâncias relacionadas ao ocorrido, por meio da abertura de procedimento disciplinar. O processo seguirá os trâmites legais, assegurando a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
O Tribunal ressaltou que não compactua com qualquer forma de violência e que todas as condutas atribuídas a seus servidores são tratadas com a seriedade e o rigor que a situação exige.
A presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, destacou ainda que a instituição mantém compromisso permanente com os princípios da ética, da legalidade e do respeito à dignidade humana.
O Tribunal de Contas reafirmou que acompanhará o andamento do procedimento disciplinar no âmbito da Corregedoria, garantindo a apuração responsável dos fatos.

A gravação, no entanto, não mostra com clareza o início da discussão nem todo o contexto do conflito. Maurício Drago afirmou que também teria sido agredido durante a confusão e que registrou um boletim de ocorrência. Foto: captada
Em entrevista na tarde desta quinta-feira, 5, Maurício Drago afirmou que também teria sido agredido durante a confusão e que registrou um boletim de ocorrência. Ele disse ainda ter realizado exame de corpo de delito para constatar lesões.
“Quando revidei com um tapa já tinha sido agredido, estou com escoriações e arranhões no peito e braços e dedo da mão bem machucado. Registrei um boletim de ocorrência e fiz corpo de delito, onde evidenciei que respondi à agressão sofrida. Na sequência do vídeo ela continuou tentando chegar a mim e continuar a agressão, enquanto eu conversava com quem estava tentando apaziguar a confusão”, declarou.
O servidor também afirmou que teria sido puxado durante a discussão e que os ferimentos teriam sido causados nesse momento. “O que evidencio é que respondi à agressão sofrida, e que a vizinha em questão é acostumada a resolver problemas com violência. Se você ver com atenção verá que sou puxado por ela, e nesse momento ela usou as unhas para fazer arranhões e hematomas, que estão devidamente qualificados no exame de corpo de delito. Eu não a toco antes dela me puxar. O vídeo é cortado depois da separação, e na sequência veria ela surtada, tentando voltar e continuar a agressão. O boletim de ocorrência foi feito logo em seguida, e o exame de corpo de delito na segunda-feira”, disse.

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