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Randolfe Rodrigues propõe fim do voto duplo ao Senado, desafiando estratégias eleitorais no Acre
Em entrevista, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que fim do voto duplo ao Senado seria benéfico. A proposta gerou forte resistência na oposição, que acusou o senador de casuísmo, argumentando que a medida prejudicaria candidatos de direita nas eleições de 2026,

Para Randolfe, bolsonaristas focam em eleger a maior bancada do Senado para chegar ao quórum necessário para medidas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Augusto Tenório/Metrópolis
O modelo de votação para o Senado, previsto na Constituição de 1988, está no centro de um novo debate político. Com mandatos de oito anos e eleições alternadas a cada quatro anos, o sistema permite a renovação de um terço ou dois terços das 81 cadeiras da Casa. No entanto, as chamadas “eleições em dobradinhas” para o Senado têm gerado críticas, com possíveis implicações para as chapas políticas do Acre em 2026.
Em 2018, no estado, a chapa do então governador Gladson Cameli elegeu os senadores Sérgio Petecão (reeleito) e Márcio Bittar (em seu primeiro mandato). Agora, essa estratégia pode se repetir em 2026, com Cameli (PP) e Bittar (possivelmente pelo PL) concorrendo ao Senado, enquanto apoiam nomes como Alan Rick (UB) ou Mailza Assis (PP) para o governo. Pela oposição, Sérgio Petecão (PSD) e Jorge Viana (PT) podem formar outra dobradinha, buscando uma aliança com um candidato ao governo ainda não definido.
Pelo projeto do senador, o qual pretende incluir em uma possível reforma eleitoral em 2025, cada eleitor passaria a votar em apenas um candidato, diminuindo as chances de postulantes com o mesmo viés ideológico serem eleitos em “dobradinha”.
Proposta de Randolfe Rodrigues
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo Lula no Senado, questiona o sistema atual e defende o fim do voto duplo para o Senado, no qual eleitores escolhem dois candidatos para o mesmo mandato. Pela proposta, cada eleitor passaria a votar em apenas um candidato, reduzindo a possibilidade de dobradinhas ideológicas.
“Em democracias modernas, como nos EUA e na Argentina, o princípio é ‘um homem, um voto’. Essa ideia de dois votos para o Senado é uma invenção brasileira”, declarou Randolfe, citando modelos de parlamentos bicamerais em outros países.
O projeto foi retirado pelo próprio senador após forte repercussão na oposição. Parlamentares da direita, que focam na eleição para o Senado em 2026, afirmaram que se tratava de casuísmo para impedir que dois senadores do mesmo espectro político sejam eleitos. Para o líder do governo, as críticas são infundadas.
“Se eles acham isso [que a direita está melhor preparada para disputar o Senado], eles deveriam apoiar nosso projeto, porque é uma proposta para fortalecer o voto de opinião, o voto de quem tem posição. A política é feita por posições que se assumem, seja de direita, de esquerda, de centro, de centro esquerda. Eu acho um conforto indevido ficar sem tomada de posições na política”, argumentou o líder.
É disse mais. “A democracia moderna possui alguns documentos fundantes. Um deles é um livro da fundação dos Estados Unidos da América, chamado ‘Os federalistas’. Lá estava estabelecido um princípio chamado ‘um homem, um voto’. Nos EUA temos também um Parlamento bicameral, na Argentina também… Lá cada um dos cidadãos tem direito a ter um voto para o Senado, a modificação de ter dois votos é uma invenção, uma jabuticaba brasileira”, disse Randolfe em entrevista à coluna.
O congressista afirmou que retirou o projeto para que a ideia seja discutida em 2025, no âmbito da reforma eleitoral que deve entrar em pauta no Legislativo. “Eu acho que nós temos muito que debater na reforma do Código Eleitoral. Esse é o ambiente mais adequado para esse debate ser trazido. Estamos à disposição para voltar a esse debate ano que vem. Eu acho um debate que temos que travar para aperfeiçoar a nossa democracia”, completou.
Para Randolfe, bolsonaristas focam em eleger a maior bancada do Senado para chegar ao quórum necessário para medidas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Se aprovado, o projeto pode impactar diretamente estratégias eleitorais em estados como o Acre, onde as dobradinhas têm sido fundamentais para garantir a eleição de senadores aliados.
Com Cris Meneses
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Petrobras retoma perfuração na Margem Equatorial após autorização e disputa judicial
MPF pede suspensão da licença por riscos ambientais; atividade havia sido interrompida após vazamento em janeiro
A Petrobras confirmou a retomada da perfuração exploratória na Margem Equatorial, no bloco FZA-M-59, após reunião realizada na última quarta-feira (18), em Macaé (RJ). A decisão ocorre em meio a disputas judiciais, já que o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ações na quinta (19) e sexta-feira (20) pedindo a suspensão da licença, sob alegação de riscos ambientais e ausência de consulta a comunidades tradicionais.
A perfuração no poço Morpho havia sido interrompida em 4 de janeiro, após o vazamento de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa, a cerca de 2,7 mil metros de profundidade, durante operação em um navio-sonda.
A retomada foi autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em fevereiro de 2026, condicionada ao cumprimento de protocolos de segurança. Para reiniciar as atividades, a Petrobras apresentou relatórios técnicos e realizou a substituição de equipamentos da sonda.
Em nota, a estatal afirmou que está cumprindo todas as exigências do licenciamento ambiental e que o incidente foi controlado com uso de material biodegradável, com validação da ANP.
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Tocantins supera 11 milhões de cabeças de gado e avança na pecuária nacional
Crescimento de 39,2% em seis anos coloca estado entre os maiores rebanhos do país e amplia exportações de carne
O rebanho bovino do Tocantins cresceu 39,2% entre 2018 e 2024, colocando o estado na sexta posição nacional em expansão, segundo dados do IBGE divulgados pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec).
Atualmente, o estado soma mais de 11 milhões de cabeças e figura entre os dez maiores rebanhos do país, com crescimento acima de regiões tradicionalmente consolidadas na pecuária.
A produção também avançou. Em 2024, foram abatidos cerca de 1,3 milhão de bovinos, o maior volume já registrado. A projeção mais recente aponta para mais de 1,4 milhão de animais, com produção estimada em 381 mil toneladas de carne, sendo aproximadamente um terço destinado à exportação.
No mercado externo, o Tocantins embarcou cerca de 125 mil toneladas de carne bovina em 2025. Os principais destinos são países da Ásia, além de mercados no Oriente Médio, África, América do Norte e Europa.
Segundo a Adapec, o desempenho é resultado da disponibilidade de áreas, condições climáticas favoráveis e acesso a recursos hídricos, especialmente nas bacias dos rios Tocantins e Araguaia. A adoção de sistemas mais eficientes, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), também tem impulsionado
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PGR se manifesta a favor de domiciliar para Bolsonaro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou nesta segunda-feira (23) a favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Após novo pedido protocolado pela defesa, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), remeteu os laudos médicos do ex-presidente à PGR (Procuradoria-Geral da República) e solicitou a manifestação. A decisão final, porém, cabe a Moraes.
Na manifestação, Gonet destaca que a “evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime”.
“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, afirmou.
Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado no Complexo da Papudinha, em Brasília. Ele está internado há mais de uma semana em hospital particular após ser diagnosticado com pneumonia.
Até então, Gonet havia se posicionado contra outros pedidos da defesa no mesmo sentido. Desde novembro do ano passado, Moraes rejeitou quatro recursos pela prisão domiciliar humanitária.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, chegou a se reunir na semana passada com Moraes para reforçar o pedido apresentado pelos advogados de Bolsonaro.
Ao visitar Moraes e endossar o apelo ao ministro, Flávio repetiu o que fizeram, nos últimos meses, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

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