Instituto de Criminalística colheu impressões digitais encontradas no freezer onde o medicamento estava guardado. Medicação sumiu de dentro do Hospital da Criança, em Rio Branco.

Instituto de Criminalística colheu impressões digitais encontradas no freezer onde medicamento estava guardado — Foto: Acervo/Polícia Civil
Por G1 AC — Rio Branco

O Instituto de Criminalística da Polícia Civil fez perícia na farmácia do Hospital da Criança, em Rio Branco, de onde foi furtado medicamento Spinraza usado no tratamento de Atrofia Muscular Espinhal (AME).

Ao todo, sumiram duas doses da medicação, que custam R$ 300 mil cada uma. O remédio é usado no tratamento de Maria Eduarda, de 10 anos, e do primo dela, Otávio Yankee Moura, de 1 ano e 4 meses. O tratamento das crianças foi suspenso por conta do furto.

As crianças receberiam a quarta dose do remédio na segunda-feira (9), mas os pais, a equipe médica e a direção da unidade descobriram que a medicação foi furtada minutos antes da aplicação, quando os pacientes estavam na sala de cirurgia.

Peritos fizeram vários procedimentos em busca de pistas para se chegar a autoria do furto. Segundo a polícia, foram colhidas impressões digitais encontradas no freezer onde o medicamento estava guardado, além de outros materiais que serão periciados.

As investigações estão sendo conduzidas pelo delegado Alcino Ferreira Junior, titular da Delegacia de Combate à Corrupção e aos Crimes Contra a Ordem Tributária e Financeira (DECCOR).

“Já ouvimos seis pessoas nesse caso, a perícia foi ao local e a gente está correndo atrás. A Polícia Federal também está tratando do assunto. A gente não tem a data exata de quando esses medicamos sumiram, porque foi constatado no dia da aplicação. A última vez que foi aplicada a dose foi no final de janeiro, então tem um delay (atraso) grande até o sumiço”, afirmou o delegado.

Polícia faz perícia em farmácia de hospital do AC após furto de medicamento de mais de R$ 300 mil — Foto: Acervo/Polícia Civil

Possível boicote

O delegado disse que nenhuma hipótese foi descartada ainda com relação ao sumiço das medicações. Segundo ele, existe, além do furto, a possibilidade de um boicote por parte de servidores.

“Pode estar acontecendo também um boicote contra a atual gestão, no sentido de não ter acontecido um furto e sim a pessoa ter trocado de lugar ou escondido a medicação. Mas, são linhas ainda e nenhuma está descartada. Estamos tentando rastrear a questão do acesso de pessoas ao local onde estavam acondicionados”, declarou.

Pedido de investigação ao MPF

O Ministério Público Federal no Acre (MPF-AC) recebeu, na terça-feira (10), um pedido de investigação sobre o furto de remédios. O pedido foi entregue pelo deputado estadual Jenilson Leite (PSB).

A assessoria de comunicação do MPF-AC informou que um procurador vai analisar a documentação e decidir como será o encaminhamento.

“É uma coisa inadmissível porque não estão nos tirando apenas cifras, mas o direito das crianças poderem viver e ter uma melhor condição de vida. Uma das crianças não andava e a outra não respirava sem ajuda de aparelhos. Ganharam na Justiça o direito do medicamento, começaram a receber as doses e tiveram uma melhora. Vamos acompanhar de perto porque é um crime”, afirmou o deputado.

Investigação

Em nota, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) reafirmou que já acionou o Ministério da Saúde, em Brasília, para o envio de um novo lote do remédio. Garantiu também que o crime é investigado pelas polícias Civil e Federal.

“Todas as medidas investigativas estão sendo tomadas por partes das polícias. A Sesacre não aponta culpados e suspeitos, sendo esse o papel dos órgãos investigativos”.

Maria Eduarda e Otávio Yankee Moura iam tomar a quarta dose do remédio para o tratamento de AME — Foto: Arquivo da família

‘Absurdo’, diz mãe

Em entrevista, na última segunda, a secretária Neiva Eliane, mãe de Maria Eduarda, disse que ficou chocada com a situação e que teme pelo tratamento da filha e do primo. Sem o remédio, o tratamento das crianças foi suspenso.

“O tratamento do Otávio, que está internado e respira com ajuda de aparelhos, e da Maria Eduarda foi suspenso porque furtaram a medicação. Não tem no hospital, simplesmente sumiu. A gente lutou tanto para eles tomarem a medicação e, na última dose, acontece isso. É um absurdo”, criticou.

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