O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Cumulativa de Acrelândia, inaugurou nesta segunda-feira, 13, o projeto “Guardião: Acrelândia monitorada em tempo real”, que tem como objetivo reforçar a prevenção contra a criminalidade organizada no município, através da instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos da cidade.
A iniciativa é de autoria do promotor de Justiça Vanderlei Batista Cerqueira, que respondia pela Promotoria de Acrelândia na concepção do projeto. Inicialmente, foram instaladas 9 câmeras que transmitem imagens em tempo real, e um drone foi adquirido para uso em operações ostensivas. O equipamento foi obtido por meio de uma parceria com o Poder Judiciário, que destinou recursos do fundo de penas pecuniárias. Além disso, a execução do projeto conta com o apoio da Polícia Militar, Polícia Civil e Energisa.
Durante a cerimônia, o procurador-geral de Justiça, Danilo Lovisaro do Nascimento, destacou os benefícios do monitoramento para a comunidade, auxiliando na prevenção de delitos e na eficácia das investigações penais. Ele ressaltou que os esforços conjuntos para implementar o projeto estão em consonância com o que determina a Constituição Federal sobre a responsabilidade compartilhada pela segurança pública.
“A Constituição Federal estabelece a segurança pública como responsabilidade de toda a sociedade. Portanto, vejo essa cerimônia como um chamado à conscientização sobre essa causa tão crucial para todos nós. O projeto que está sendo inaugurado possui algo muito importante, que é a conjunção de esforços, fundamental para que uma sociedade possa evoluir em todos os seus aspectos. Certamente, com essa gama de informações que serão obtidas através das imagens, podem-se definir estratégias de atuação no enfrentamento à criminalidade. Parabenizo o Dr. Vanderlei por essa excelente iniciativa e tenho certeza de que o Dr. Daisson dará continuidade a ela com todo o seu comprometimento e dedicação. Agradeço a todos que cooperaram para esse grande projeto”, disse.
Vanderlei Cerqueira enfatizou a relevância do projeto devido à localização de Acrelândia, que a torna rota para crimes específicos, como o furto de veículos. Ele explicou que a iniciativa visa não apenas prevenir esses crimes, mas também facilitar a investigação de ocorrências. “Diante dessa realidade, percebeu-se a necessidade de adotar medidas adicionais para contribuir com a segurança. Foi então que surgiu a ideia deste projeto. O objetivo é abranger os pontos principais da cidade, não apenas para prevenir crimes, mas também para facilitar a apuração das ocorrências”, afirmou o promotor, atualmente titular da Promotoria de Capixaba.
Representando o TJAC, o juiz de Direito Caique Cirano elogiou o projeto por estimular parcerias entre órgãos, resultando em ações eficazes para a sociedade. “Se uma iniciativa como essa for replicada para outros municípios, representará um ganho imenso para a sociedade. Em nome do Poder Judiciário, afirmo que estaremos sempre dispostos a esse diálogo interinstitucional, que é fundamental”, ressaltou.
O comandante-geral da PMAC, coronel Luciano Dias Fonseca, também enfatizou a relevância do projeto. “Com medidas como estas, estamos transformando o ambiente em algo mais hostil para aqueles que decidirem cometer crimes. Devemos adotar medidas que possam dificultar ações criminosas”, afirmou.
Também estiveram presentes o promotor de Justiça titular da Promotoria de Acrelândia, Daisson Gomes Teles, que reforçou a intenção da unidade ministerial para a continuidade e expansão do projeto, além do secretário da Casa Civil do Município, Kássio Botelho, o presidente da Câmara de Vereadores, Rozeno Melo, o comandante da PMAC em Acrelândia, capitão Abel Apolinário, o delegado de Polícia Civil, Dione dos Anjos Lucas, além de membros da Associação de Empresários do Município.
Na oportunidade, as autoridades presentes fizeram uma visita ao Centro Integrado de Segurança Pública de Acrelândia, que recebe as imagens em tempo real das câmeras, as quais funcionam em tempo integral. “O município está de parabéns, pois essa iniciativa certamente contribuirá para a redução da criminalidade. Estamos aqui para dar continuidade a este projeto fantástico, que certamente não se limitará apenas a Acrelândia”, destacou Daisson Gomes Teles.
Texto: Hudson Castelo Fotos: Deyvisson Gomes Agência de Notícias do MPAC
Por unanimidade, Corte considerou inconstitucional dispositivo que concedia título definitivo de terras após dez anos de ocupação; decisão atinge cinco unidades de conservação e reacende debate ambiental na Amazônia
A Constituição proíbe a aquisição de bens públicos por usucapião. Para o relator, a regra criada pelo Acre instituía mecanismo semelhante à aquisição originária da propriedade com base na posse prolongada
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é possível transformar áreas de florestas públicas do Acre em propriedade privada após dez anos de ocupação ou concessão de uso. Por unanimidade, os ministros derrubaram um trecho da lei estadual que abria caminho para a titulação definitiva de áreas localizadas dentro de florestas públicas estaduais.
Para a Corte, a norma contrariava a Constituição ao criar uma espécie de regularização que resultava, na prática, na privatização de terras públicas inseridas em áreas protegidas. O entendimento reforça que florestas públicas só podem ter sua destinação alterada mediante critérios rigorosos e legislação específica.
O ministro Nunes Marques também afirmou que a medida viola o artigo 225 da Constituição, que garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Para ele, a desafetação automática com base apenas no decurso de prazo, sem estudos técnicos prévios e sem avaliação dos impactos ambientais, representa redução do nível de proteção ambiental.
O voto do relator invoca o princípio da vedação ao retrocesso ambiental, segundo o qual o legislador não pode enfraquecer conquistas já consolidadas na tutela do meio ambiente.
Outro fundamento apontado foi a ofensa ao regime jurídico dos bens públicos. A alienação de imóveis públicos, destacou o ministro, exige autorização legislativa específica e, em regra, licitação, conforme as normas gerais federais. Além disso, a Constituição proíbe a aquisição de bens públicos por usucapião. Para o relator, a regra criada pelo Acre instituía mecanismo semelhante à aquisição originária da propriedade com base na posse prolongada, o que é vedado pelas normas federais.
Florestas Atingidas e Mecanismo Anulado
A decisão impede a titulação definitiva de terrenos em cinco Florestas Estaduais (FES) do Acre:
FES do Rio Gregório
FES do Rio Liberdade
FES do Mogno
FES do Antimary
FES do Afluente do Complexo do Seringal Jurupari
A regra agora anulada, que alterava a Lei Estadual nº 1.787/2006, permitia que produtores de agricultura familiar ou extrativistas recebessem o título definitivo da área após dez anos de uso ou posse. Com o registro em cartório, a área seria automaticamente retirada da condição de floresta pública.
A Floresta Estadual do Antimary foi criada em 7 de fevereiro de 1997 com uma área total de 57.629,00 hectares, entre os municípios de Bujari e Sena Madureira. Foto: captada
Ação e Argumentos
A ação que levou à decisão foi movida pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas, que argumentou que a medida representava risco ao meio ambiente e afrontava regras constitucionais sobre terras públicas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também questionou a lei, classificando-a como uma forma de “privatizar” áreas de domínio público dentro das Florestas Estaduais.
O ministro relator, Nunes Marques, fundamentou seu voto em três pilares principais:
Violação de normas gerais da União: A norma estadual contrariava a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e a Lei de Gestão de Florestas Públicas, que determinam que florestas públicas devem permanecer sob domínio público, admitindo-se concessão de uso, mas não a transferência da propriedade a particulares.
Princípio da vedação ao retrocesso ambiental: A desafetação automática da área, sem estudos técnicos prévios e avaliação de impactos ambientais, representou uma redução do nível de proteção ambiental, ferindo o artigo 225 da Constituição.
Ofensa ao regime jurídico dos bens públicos: A alienação de imóveis públicos, como no caso, exigiria autorização legislativa específica e licitação. A regra criada pelo Acre foi considerada similar à aquisição de terras públicas por usucapião, o que é proibido pela Constituição.
Consequências
Com a decisão, o Estado do Acre não pode mais conceder títulos definitivos com base no dispositivo anulado, nem retirar essas áreas do regime de floresta pública.
É importante notar que, após a aprovação da lei estadual em 2024, as florestas estaduais do Acre apresentaram um aumento expressivo nas taxas de desmatamento. Dados do Imazon de agosto de 2025 mostraram que a FES do Rio Gregório, a FES do Mogno e a FES do Rio Liberdade estiveram entre as 10 unidades de conservação mais desmatadas naquele mês.
A FES do Rio Gregório, por exemplo, perdeu uma área equivalente a 200 campos de futebol. O julgamento do STF, realizado em sessão virtual entre 13 e 24 de fevereiro de 2026, encerra essa possibilidade legal e reacende o debate entre preservação ambiental e regularização fundiária na Amazônia acreana.
Ramal de acesso aos moradores da Unidade de Gestão Ambiental Integrada (Ugai), da floresta do Antimary, em Sena Madureira. Foto: captada
A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, deu posse na manhã desta segunda-feira (2), aos novos conselheiros municipais dos Direitos das Mulheres, que atuarão no triênio 2026/2029. A solenidade foi realizada na Casa Rosa Mulher, localizada no Segundo Distrito da capital.
Prefeitura de Rio Branco dá posse aos novos conselheiros municipais dos Direitos das Mulheres. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom reforçou o compromisso de sua gestão com o fortalecimento das políticas públicas para as mulheres, destacando que o respeito a elas deve ser uma prática constante, e não apenas uma prioridade no mês de março.
Prefeito Tião Bocalom reforça compromisso de sua gestão com o fortalecimento das políticas públicas para as mulheres. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“O que queremos demonstrar é que o respeito pela mulher é algo permanente e vamos continuar com essa valorização em todas as esferas da nossa gestão”, afirmou o prefeito.
O gestor ainda elogiou o papel das mulheres na sociedade, ressaltando sua atuação em áreas como transporte e construção civil, que tradicionalmente eram dominadas por homens.
O prefeito ainda elogiou o papel das mulheres na sociedade, ressaltando sua atuação em muitas áreas profissionais. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“Hoje, as mulheres desempenham funções que antes eram exclusivas dos homens, como motoristas de ônibus e caminhão, e até na construção civil, como pintoras. Elas são guerreiras e merecem ser reconhecidas”, frisou.
Suelen Araújo, diretora de Direitos Humanos, destacou a importância do conselho, especialmente no combate à violência contra a mulher.
Suelen Araújo mencionou que as 14 novas conselheiras representam diversos órgãos, secretarias e a sociedade civil. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“O conselho tem como função garantir a segurança e dignidade das vítimas, assegurando que os casos de violação sejam denunciados e encaminhados aos órgãos competentes”, afirmou Suelen, acrescentando que fazia mais de cinco anos que o cargo de conselheiras não era preenchido. Ela também mencionou que as 14 novas conselheiras representam diversos órgãos, secretarias e a sociedade civil.
A vereadora Lucilene Vale, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Rio Branco, enfatizou a crescente preocupação com a violência contra a mulher no estado.
“A violência contra a mulher é uma luta de todos. Temos discutido muito isso na Câmara, com projetos e apoio às mulheres violentadas”, afirmou a vereadora. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“A violência contra a mulher é uma luta de todos. Temos discutido muito isso na Câmara, com projetos e apoio às mulheres violentadas. A cada dia, a violência só aumenta, e é uma grande preocupação para a nossa comunidade e as autoridades”, afirmou a vereadora.
Durante o mês de março, a Prefeitura de Rio Branco realizará uma série de homenagens e ações voltadas para as mulheres. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Durante todo o mês de março, a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, realizará uma série de homenagens e ações voltadas para as mulheres, com encontros, debates e fóruns que tratarão de temas como igualdade de direitos e enfrentamento à violência. A programação busca destacar as trajetórias das mulheres, fortalecer as políticas públicas voltadas para elas e ampliar o diálogo sobre seus direitos.
A Câmara dos Deputadosaprovou, nesta segunda-feira (2/3), o requerimento de urgência de um projeto de lei que autoriza a venda de medicamentos em supermercados. A proposta pode agora ser analisada diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas.
A proposta determina que varejistas interessados em vender os remédios deverão instalar um espaço específico, semelhante a um quiosque de farmácia, dentro de seus estabelecimentos. Pelo texto, a venda deverá ser feita obrigatoriamente sob a responsabilidade de um farmacêutico.
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