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‘Moda modesta’: jovens usam roupas longas no AC para ‘valorizar mulher’ e rebatem rótulo de radicais

Antes de aderir ao estilo, as jovens tinham no guarda-roupa calças compridas, shorts e saias curtas. Porém, afirmam que já se sentiam incomodadas

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‘Mulher não é só um corpo’, diz jovem que encabeça movimento. Apesar de incentivarem o uso de roupas que escondam o corpo, elas evitam entrar em polêmicas e dizem que o assédio não está ligado apenas à vestimenta.

Natáli, Annem e Lara aderiram a moda modesta como forma de valorização do corpo da mulher e também de tradição e virtudes católicas (Foto: Arquivo pessoal)

Por Quésia Melo, G1- Acre

Há dois anos um grupo de jovens católicas que vive em Xapuri, no interior do Acre, resolveu adotar como vestimenta apenas roupas longas, com mangas, folgadas, sem transparência e que não revelem coxas, barrigas ou seios.

Elas defendem o que chamam de ‘movimento moda modesta’ e buscam a ‘valorização’ da mulher pela forma de agir e pensar e não pela exposição do corpo.

No município de pouco mais de 16 mil habitantes, o movimento é encabeçado pela bióloga de 25 anos, Annem Monteiro. Ela, a irmã Isís Monteiro, e outras duas primas, a química Natália Rodrigues Lima, de 22 anos, e a estudante Lara Monteiro, de 20, adotaram o estilo ‘recatada’ de se vestir e querem incentivar outras jovens a fazer o mesmo. O movimento, elas garantem, existe em todo o Brasil.

“Fomos conhecendo mais sobre essa virtude e quis aderir ao jeito de se vestir modestamente. O significado dela [moda modesta] para a gente é que a mulher se valorize, que não é só um corpo, mas tem uma alma, mente e valores. É uma maneira de valorizar o corpo, mas sem mostrar o corpo da mulher”, esclarece a bióloga.

Jovens usam véus durante as missas dominicais e se vestem com decoro e pudor para serem reconhecidas por valores e forma de agir (Foto: Arquivo pessoal)

Antes de aderir ao estilo, as jovens tinham no guarda-roupa calças compridas, shorts e saias curtas. Porém, afirmam que já se sentiam incomodadas em usar tops ou peças muito curtas e até evitavam.

Os biquínis também estão entre as peças que sumiram do armário delas. Quando frequentam banhos, procuram usar roupas que sejam mais leves, ou de tecidos apropriados, mas que cubram o corpo. No entanto, reconhecem que ainda é difícil encontrar peças desse tipo e acabam improvisando.

“Também procuramos lugares ou dias em que [os banhos] sejam menos frequentados, pois, como falamos, a modéstia não depende só da maneira de vestirmos, depende também da maneira como olhamos para os outros”, afirma Annem.

Jovens católicas lembram que viam modelos de roupas na internet e pediam que costureiras fizessem iguais (Foto: Arquivo pessoal)

Os biquínis também estão entre as peças que sumiram do armário delas. Quando frequentam banhos, procuram usar roupas que sejam mais leves, ou de tecidos apropriados, mas que cubram o corpo. No entanto, reconhecem que ainda é difícil encontrar peças desse tipo e acabam improvisando.

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“Também procuramos lugares ou dias em que [os banhos] sejam menos frequentados, pois, como falamos, a modéstia não depende só da maneira de vestirmos, depende também da maneira como olhamos para os outros”, afirma Annem.

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As primas desenvolvem atividades na igreja católica, na catequese, e também com músicas, mas afirmam que não é necessário ser ou ter a intenção de freira, nem mesmo ser um religioso para aderir.

“É mais fácil [aderir a moda modesta] quando você está na igreja porque você tem um objetivo. Você quer fazer aquilo porque agrada ao nosso senhor. Mas, se você não faz parte dela, também é convidado a viver a moda modesta para se sentir melhor, mais elegante”, convida Natália.

Pensamento radical

Por pensarem assim, as jovens são tidas como conservadoras e radicais até mesmo pelos próprios católicos. Mas, seguem enfrentando as pessoas contrárias ao movimento.

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“É uma coisa que a gente realmente encontra dificuldade, pois os leigos não conhecem sobre a modéstia, sobre as virtudes da sua igreja, então, nós somos vistas como pessoas que querem ser radicais, sendo que na verdade é uma coisa natural da igreja católica”, lamenta.

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Apesar de incentivarem o uso de roupas que escondam o corpo, elas evitam entrar em polêmicas sobre o tema e avaliam que o assédio contra as mulheres não está ligado apenas à vestimenta.

“Podemos citar alguns fatores como sair na madrugada ou com desconhecidos. Podemos observar essa cultura do assédio até mesmo na literatura. Esses fatores facilitam sim, mas o maior problema do Brasil continua sendo a segurança pública”, destaca.

Dificuldades para achar roupas

Por morarem numa cidade pequena, elas encomendam roupas de costureiras e até pela internet. Elas afirmam que já tiveram mais dificuldade para encontrar vestimentas adequadas, mas com a chegada da moda “midi” a situação melhorou. Além disso, algumas lojas já começaram a trabalhar com o estilo de roupas mais longas.

Quanto às cores das vestimentas, elas costumam optar por tons mais sóbrios, mas sem esconder a personalidade de quem as veste.

“A modéstia, apesar de ser algo que nos cubra, é algo que vai muito da nossa personalidade. Então, cada uma escolhe as suas cores, é lógico, tudo com a devida prudência de estar ornando. Mas tudo de acordo com a sua própria personalidade, não tem algo obrigatório, quem determina é você”, destaca Natália.

Grupo atua na catequese e também trabalha com música na igreja, mas diz que isso não é obrigatório para aderir a modéstia (Foto: Arquivo pessoal)

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Acre ocupa 7ª posição no Norte e 26º lugar nacional em Sustentabilidade Ambiental, aponta ranking do CLP

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Estado caiu três posições no pilar em 2025 e ficou à frente apenas do Maranhão; Amazonas lidera regionalmente

O Acre ocupa a 7ª posição na Região Norte no pilar de Sustentabilidade Ambiental do Ranking de Competitividade dos Estados 2025, levantamento elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Foto: captada 

O Acre figura na 7ª posição entre os estados da Região Norte no pilar de Sustentabilidade Ambiental do Ranking de Competitividade dos Estados 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). No resultado nacional, o estado ocupa a 26ª colocação geral entre as 27 unidades da federação, à frente apenas do Maranhão.

O indicador mede o desempenho das políticas de preservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais, considerando critérios como emissões de gases poluentes, níveis de desmatamento, tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos, transparência no combate ao desmatamento e manejo de recursos hídricos.

No recorte regional, o ranking é liderado pelo Amazonas (8º nacional), seguido por Amapá (12º), Roraima (13º), Rondônia (20º), Tocantins (23º) e Pará (24º). O Acre fecha a lista dos estados do Norte avaliados no indicador.

De acordo com o levantamento, o estado registrou queda de três posições em relação a 2024, influenciada principalmente pelo recuo de seis posições no subindicador “Transparência das Ações de Combate ao Desmatamento”. Apesar do resultado negativo, o Acre apresentou avanços pontuais em emissão de CO₂ (+4 posições), tratamento de esgoto (+6), reciclagem de lixo (+2) e recuperação de áreas degradadas (+2).

O pilar de Sustentabilidade Ambiental tem peso de 9,2% na composição do Ranking de Competitividade dos Estados e avalia a capacidade das unidades federativas de conciliar crescimento econômico com preservação ambiental.

Posição do Acre no Pilar de Sustentabilidade Ambiental

Conforme os dados oficiais do CLP e corroborado por múltiplas fontes, a posição do Acre é a seguinte:

Recorte Geográfico Posição Observação
Região Norte 7º lugar À frente apenas do Amapá (8º)
Brasil 26º lugar Entre 27 unidades da federação.
Sobre o pilar:
  • Peso no ranking geral: 9,2%.

  • O que mede: Emissões de poluentes, níveis de desmatamento, tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e manejo de recursos hídricos.

O Acre no Ranking de Competitividade 2025

Os resultados do pilar ambiental não podem ser vistos isoladamente. Eles refletem uma tendência de fragilidade institucional e de gestão que o CLP identificou no estado.

Ranking Geral:
  • O Acre é o 26º estado mais competitivo do Brasil, à frente apenas do Amapá (27º).

O Acre, de fato, ocupa as últimas posições nacionais no pilar ambiental, um reflexo direto de défices históricos em saneamento básico e da dificuldade de conciliar a fronteira agrícola com políticas de preservação efetivas. Foto: captada 

Desempenho nos 10 Pilares (Destaques Críticos e Positivos):
Pilar Posição (BR) Análise
Educação 27º (último) Ponto de colapso. Nota zero na metodologia do ranking. Crise agravada desde 2022.
Sustentabilidade Ambiental 26º Crítico. Reflete problemas históricos em saneamento e pressão sobre biomas.
Infraestrutura 26º Deficiências em logística, energia e saneamento.
Sustentabilidade Social 23º Desafios em indicadores de saúde e desigualdade.
Solidez Fiscal 23º Equilíbrio fiscal delicado.
Eficiência da Máq. Pública 22º Necessidade de modernização da gestão.
Inovação 20º Posição mediana, mas insuficiente para transformação.
Capital Humano 15º Positivo. Qualificação da força de trabalho em evolução.
Segurança Pública 12º Melhor desempenho do estado.
Potencial de Mercado Destaque nacional. Capacidade de expansão econômica e atração de negócios.
Análise e Interpretação dos Dados
1. O contraste interno do Acre

O dado mais relevante para a sua análise é o contraste entre o fraco desempenho ambiental (26º) e o excelente Potencial de Mercado (6º). O CLP aponta que o Acre tem alta capacidade de crescimento econômico e demográfico, mas não consegue converter esse potencial em políticas efetivas de preservação e infraestrutura.

2. O peso do saneamento

Embora o pilar ambiental englobe diversos fatores, os dados do IBGE/PNAD (também mencionados nas análises do CLP) indicam que o Acre tem um dos piores índices de tratamento de esgoto do país. Em 2024, 57,4% dos domicílios não tinham ligação com a rede geral de esgoto. Este é um fator determinante para a baixa pontuação.

3. O que explica a 7ª posição no Norte?

A região Norte sofre com problemas ambientais e de infraestrutura generalizados. O Acre fica à frente do Amapá (27º geral), que enfrenta desafios ainda mais severos de isolamento e gestão. Lideram a região: Amazonas (1º no Norte; 17º no BR) e Rondônia (13º no BR).

4. Comparativo Regional (Norte) no Ranking Geral:
  1. Rondônia (13º BR)

  2. Amazonas (17º BR)

  3. Tocantins (19º BR)

  4. Roraima (24º BR)

  5. Pará (25º BR)

  6. Acre (26º BR)

  7. Amapá (27º BR)

Diagnóstico
Afirmação Verificação
Acre é 7º no Norte em Sustentabilidade Ambiental? VERDADEIRO.
Acre é 26º no Brasil em Sustentabilidade Ambiental? VERDADEIRO.
O pilar tem peso de 9,2%? VERDADEIRO.
Existem dados sobre esgoto que explicam o resultado? SIM. 57,4% dos domicílios sem rede de esgoto em 2024.

O Acre, de fato, ocupa as últimas posições nacionais no pilar ambiental, um reflexo direto de défices históricos em saneamento básico e da dificuldade de conciliar a fronteira agrícola com políticas de preservação efetivas, apesar de um mercado interno em expansão.

Entre os critérios considerados estão emissões de gases poluentes, níveis de desmatamento, tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e manejo de recursos hídricos. Foto:captada 

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Empreendedores do Acre podem levar suas criações para o Paraguai e a Colômbia em jornada internacional 

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Com o apoio da ApexBrasil e Sebrae, iniciativa prevê treinamentos e consultorias especializadas sobre o mercado internacional

Empreendedores acreanos do setor de bijuterias e joias folheadas têm uma grande oportunidade de conquistar o mercado internacional. Estão abertas, até 18 de fevereiro, as inscrições para a Jornada Exportadora Bijuterias e Joias Folheadas – Paraguai e Colômbia 2026, iniciativa que vai preparar e levar micro, pequenas e médias empresas para rodadas de negócios e agendas técnicas em Assunção (Paraguai) e Bogotá (Colômbia), entre os dias 6 e 10 de abril de 2026.

A ação é organizada pela ApexBrasil, em parceria com o Sebrae e com apoio do Instituto Brasileiro de Gemas & Metais Preciosos (IBGM), e tem como foco empresas que ainda não exportam ou que estão dando os primeiros passos no comércio exterior. Ao todo, são 20 vagas, com inscrições gratuitas e seleção baseada em critérios técnicos.
Além da missão internacional, os participantes terão acesso a uma preparação completa, que inclui encontros técnicos online, curso de negociação e aspectos culturais em espanhol, seminários, visitas técnicas e rodadas de negócios nos países-alvo.
De acordo com o gestor do Projeto de Internacionalização do Sebrae no Acre, Aldemar Maciel, a jornada representa uma chance estratégica de mostrar ao mundo a criatividade e a identidade do estado. O Acre se destaca pela produção artesanal que une design, cultura, sustentabilidade e o uso consciente de insumos da floresta, como sementes, fibras e materiais naturais, transformados em verdadeiras joias.
“O Acre é um verdadeiro celeiro de talentos. Cada peça carrega história, tradição, cultura e, principalmente, respeito à sustentabilidade. Essa é a oportunidade de transformar o talento local em negócio global e colocar o Acre no mapa da moda e do design internacional”, frisou.

Confira o edital completo e acesse o formulário para inscrição no link: https://click.apexbrasil.us/FP1MO

 

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Governo estabelece pontos facultativos no período de Carnaval e mantém serviços essenciais

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PCAC reforça efetivo para garantir segurança durante o Carnaval 2026 na capital e no interior do Acre. Foto: arquivo/ PCAC

Por Aniely Cordeiro

O governo do Estado do Acre estabeleceu pontos facultativos nas repartições públicas estaduais durante o período de Carnaval, conforme calendário divulgado no Diário Oficial do Estado (DOE) referente ao mês de fevereiro de 2026. A medida abrange os órgãos da administração direta e indireta do Poder Executivo estadual.

De acordo com o calendário, os pontos facultativos ocorrerão nos dias 16 (segunda-feira), 17 (terça-feira) e 18 de fevereiro (quarta-feira). Durante esse período, o funcionamento das secretarias estaduais e demais órgãos administrativos permanecerá suspenso.

Mesmo com a suspensão do expediente nas repartições administrativas, os serviços públicos considerados essenciais continuarão sendo ofertados normalmente à população. Permanecem em funcionamento as unidades de Saúde, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), além das delegacias em todo o estado, garantindo a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência.

O atendimento regular nas secretarias estaduais e demais órgãos do Poder Executivo será retomado na quinta-feira, 19 de fevereiro.

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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