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MDB Mulher prepara recurso para barrar Dado Dolabella no partido

A presidente nacional do MDB Mulher, Kátia Lôbo, afirmou nesta quinta-feira (5/3) que pretende apresentar um recurso contra a filiação do ator Dado Dolabella ao partido. Segundo ela, o pedido de impugnação deverá ser protocolado em breve.
Kátia disse ao Metrópoles que o recurso deverá ser analisado pela direção estadual do partido no Rio de Janeiro. A dirigente avaliou que a filiação do ator não está de acordo com o estatuto da legenda.
O documento que rege o funcionamento do partido estabelece que filiações podem ser indeferidas em algumas hipóteses, como conduta pessoal indecorosa ou incompatibilidade com os “postulados e a orientação política” do MDB.
Dado Dolabella acumula condenações por agressões contra mulheres. A primeira ocorreu em 2010, quando foi condenado por lesão corporal contra uma ex-namorada e uma camareira. Ele admitiu ter cometido as agressões.
No ano passado, em outro caso, o ator foi condenado por tapas e socos contra o rosto de outra ex-namorada. A pena fixada foi de dois anos e quatro meses de detenção, em regime aberto. A defesa de Dolabella recorreu.
“Equilíbrio da família”
O ator se filiou ao MDB na última terça-feira (3/3) com a promessa de disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026 pelo Rio de Janeiro. Ao lado do presidente estadual do partido, Washington Reis, ele afirmou que pretende “restabelecer o equilíbrio na família”. Pouco depois, em suas redes sociais, Dolabella se classificou como um “injustiçado” e vítima do “sistema”.
A presidente do MDB Mulher afirmou que a filiação do ator é uma notícia que “revolta e contraria tudo o que o MDB Mulher quer transmitir às mulheres”.
“Estamos trabalhando para isso [barrar a entrada de Dado no partido]. É um clamor de mulheres e homens. Há manifestações de todos os lados, dentro e fora do partido, e em todo o país”, declarou Kátia Lôbo ao Metrópoles.
Segundo a dirigente, os setores contrários à filiação de Dado Dolabella estão “amparados pelo estatuto do partido”.
O Metrópoles procurou o presidente do MDB do Rio de Janeiro, Washington Reis, mas ele não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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CGU aponta sobrepreço de 560% e pagamentos sem comprovação em convênios de R$ 10 milhões no Acre
Auditoria identificou irregularidades em projetos da Associação Moriá com Ministério do Esporte e Ministério da Saúde; Jogos Estudantis Digitais e sistema de vigilância estão sob suspeita

A CGU avaliou que os projetos apresentaram baixa efetividade social e pedagógica em relação aos recursos aplicados. Foto: captada
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou possíveis irregularidades na aplicação de quase R$ 10 milhões destinados a projetos executados no Acre por meio de convênios com a Associação Moriá. Os relatórios, divulgados nesta quinta-feira (5), apontam sobrepreço em contratos, pagamentos sem comprovação de serviços e falhas no controle da execução, levando o órgão a recomendar a abertura de processos para apurar responsabilidades e garantir o ressarcimento de eventuais prejuízos aos cofres públicos.
Jogos Estudantis Digitais sob suspeita
No Termo de Fomento nº 942707, firmado com o Ministério do Esporte, foram destinados R$ 3,1 milhões para os Jogos Estudantis Digitais (JEDIS-Acre). A auditoria identificou sobrepreço de até 560% na locação diária de computadores, o que pode ter causado um dano estimado em R$ 778 mil apenas em equipamentos. Além disso, não houve comprovação suficiente de que o evento foi efetivamente realizado no estado.
Falhas em projeto de vigilância em saúde
Outro contrato analisado foi o Convênio nº 952894/2023, firmado com o Ministério da Saúde, no valor de R$ 6,7 milhões, para implantação do sistema SISVECTOR em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Os auditores apontaram sobrepreço de R$ 1,9 milhão no desenvolvimento de software, pagamentos sem comprovação que somam R$ 3,6 milhões e aquisição de itens sem evidência de entrega, como armadilhas para mosquitos (R$ 600 mil) e uniformes (R$ 40 mil).
A investigação também revelou que a entidade responsável não possuía estrutura própria no Acre, tendo subcontratado integralmente a infraestrutura e a equipe necessárias para execução do projeto. Diante dos indícios, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão da iniciativa. Mesmo com devoluções voluntárias de algumas empresas, a CGU calcula risco de prejuízo de R$ 2,8 milhões.
Baixa efetividade e recomendações
Ao concluir a auditoria, a CGU avaliou que os projetos apresentaram baixa efetividade social e pedagógica em relação aos recursos aplicados. O órgão recomendou a abertura de Tomadas de Contas Especial (TCE) para identificar os responsáveis e assegurar o ressarcimento integral dos valores que possam ter sido desviados.
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Homem aluga carro em hotel de Cruzeiro do Sul e tenta vendê-lo a pastor por R$ 22 mil; polícia investiga golpe
Suspeito se hospedou para conseguir locar veículo e não o devolveu; pastor pagou R$ 11 mil de entrada e empresário localizou carro em supermercado, mas golpista fugiu

Dias depois, um pastor procurou o proprietário do veículo em busca de informações sobre a documentação do carro. Foi então que a situação veio à tona. Foto: captada
Um possível golpe envolvendo a locação e a negociação irregular de um veículo está sendo investigado pela Polícia Civil em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá. O caso teria provocado prejuízos a um empresário do setor de locação de automóveis e a um pastor morador do bairro Miritizal.
Segundo as informações obtidas pela reportagem, o suspeito, identificado pelas iniciais M.S.M., natural do município de Guajará (AM), teria utilizado uma hospedagem em um hotel da cidade como forma de conseguir alugar um veículo. A locadora funciona no próprio hotel e realiza contratos apenas com hóspedes do estabelecimento.
A estratégia do golpe
Após se hospedar entre os dias 16 e 17 de fevereiro, o homem teria formalizado a locação de um carro pertencente ao empresário Arlindo Queiroz. O problema começou quando o automóvel não foi devolvido na data prevista.
Dias depois, um pastor procurou o proprietário do veículo em busca de informações sobre a documentação do carro. Foi então que a situação veio à tona. O religioso relatou que havia negociado a compra do automóvel com o suspeito pelo valor de R$ 22 mil e chegou a pagar R$ 11 mil como entrada, acreditando estar adquirindo o veículo de forma legítima.
De acordo com o relato, o suposto vendedor afirmou que ainda precisava utilizar o carro por alguns dias para finalizar alguns compromissos e prometeu realizar a entrega definitiva na semana seguinte, o que acabou não acontecendo.
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Tríplice fronteira do Acre é apontada como rota do garimpo ilegal e do tráfico de mercúrio na Amazônia
Estudo da Abin, FBSP e Ministério do Meio Ambiente aponta que região de Assis Brasil, Bolpebra e Iñapari está inserida em dinâmicas transnacionais da mineração ilegal; 40 mil garimpeiros atuam no lado peruano

O relatório aponta que áreas próximas ao território acreano estão inseridas nas dinâmicas transnacionais da mineração ilegal e do tráfico do metal utilizado na extração de ouro. Foto: captada
A região da tríplice fronteira do Acre com a Bolívia e o Peru, especialmente na área dos municípios de Assis Brasil (Acre), Bolpebra (Bolívia) e Iñapari (Peru), aparece no contexto regional de expansão do garimpo ilegal e da circulação clandestina de mercúrio na Amazônia, segundo estudo elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O relatório aponta que áreas próximas ao território acreano estão inseridas nas dinâmicas transnacionais da mineração ilegal e do tráfico do metal utilizado na extração de ouro.
Intitulada “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança” e publicada em outubro de 2025, o estudo analisa as rotas internacionais do mercúrio, os impactos ambientais da mineração ilegal e as redes criminosas que operam na região amazônica.
Madre de Dios: polo de mineração ilegal
De acordo com o estudo, um dos principais polos de mineração ilegal na Amazônia está no leste do Peru, na região de Madre de Dios, área que faz fronteira direta com o Acre, nas proximidades do município de Assis Brasil. Essa região também mantém conexões logísticas com cidades acreanas da faixa de fronteira, como Brasiléia e Epitaciolândia, que funcionam como portas de entrada e circulação de pessoas e mercadorias entre os dois países.

As paisagens de mineração de ouro no sul do Peru e nos Yungas bolivianos. Esquerda: Minas industriais e garimpos. Direita: Minas industriais e garimpos de áreas protegidas e terras indígenas. Foto: captada
Segundo o relatório, cerca de 40 mil garimpeiros informais atuam na região peruana, sendo responsáveis por aproximadamente 70% da produção ilegal de ouro do país. A atividade ocorre majoritariamente fora de qualquer controle estatal e gera forte pressão ambiental sobre toda a faixa de fronteira amazônica.
Acre inserido no contexto regional
A proximidade geográfica com municípios acreanos faz com que o estado esteja inserido no contexto regional das cadeias logísticas da mineração ilegal, que envolvem circulação de trabalhadores, equipamentos e insumos entre países da Amazônia. O estudo destaca que a presença do mercúrio, amplamente utilizado no garimpo para separar o ouro dos sedimentos, representa grave risco à saúde das populações ribeirinhas e indígenas, além de contaminar os rios da bacia amazônica.
Estima-se que 3 mil toneladas de mercúrio tenham contaminado rios da Amazônia nas últimas duas décadas
A contaminação por mercúrio na Amazônia acende alerta para os graves impactos ambientais e sanitários na região de fronteira do Acre com Peru e Bolívia. De acordo com o estudo “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança”, cerca de 3 mil toneladas do metal foram despejadas nos rios da região de Madre de Dios, no Peru, ao longo das últimas duas décadas.

Estima-se que cerca de 3 mil toneladas do metal tenham sido despejadas nos rios da região de Madre de Dios ao longo de duas décadas, contaminando ecossistemas e comunidades locais. Foto: captada
O mercúrio é amplamente utilizado no garimpo ilegal para separar o ouro dos sedimentos, mas possui alta toxicidade. No ambiente aquático, o metal pode se transformar em metilmercúrio, substância que se acumula na cadeia alimentar e chega aos seres humanos principalmente por meio do consumo de peixe contaminado.
Risco às populações tradicionais
Populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia estão entre as mais vulneráveis à contaminação, devido à dependência do pescado como principal fonte de alimentação. A exposição prolongada ao metilmercúrio pode causar danos neurológicos, problemas de desenvolvimento em crianças e complicações de saúde em adultos.
A proximidade geográfica com os municípios acreanos de Assis Brasil, Brasiléia e Epitaciolândia coloca essas comunidades na rota dos impactos socioambientais da mineração ilegal, ainda que a atividade não ocorra em território brasileiro. O estudo reforça a necessidade de políticas integradas de monitoramento e controle na faixa de fronteira para mitigar os danos à saúde e ao meio ambiente.

O relatório mostra ainda que o Brasil não possui produção própria de mercúrio, o que faz com que praticamente todo o metal utilizado no país seja importado ou contrabandeado. Foto: captada
Rotas clandestinas na Bolívia e Guiana abastecem garimpos ilegais com mercúrio contrabandeado, aponta estudo
O estudo “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança” revela a existência de uma cadeia internacional que abastece garimpos ilegais na região amazônica com mercúrio contrabandeado. O relatório, elaborado pela Abin, FBSP e Ministério do Meio Ambiente, aponta que o Brasil não possui produção própria do metal, o que torna o país dependente de importações e vulnerável ao desvio para atividades criminosas.
De acordo com o estudo, entre os principais pontos de entrada do mercúrio contrabandeado estão Bolívia e Guiana, que funcionam como centros de redistribuição do metal para garimpos ilegais em diferentes regiões da Amazônia brasileira. No caso do material produzido ou transportado pela Bolívia, a rota mais frequente ocorre por balsas no Rio Madeira e em locais de exploração em Mato Grosso, próximos à fronteira, a exemplo da Terra Indígena Sararé.

O estudo aponta que o mercúrio frequentemente passa por países como Emirados Árabes Unidos, Índia e Rússia antes de chegar à América do Sul. Foto: captada
Essas rotas fazem parte de uma cadeia internacional complexa, que envolve produtores e intermediários globais. O estudo aponta que o mercúrio frequentemente passa por países como Emirados Árabes Unidos, Índia e Rússia antes de chegar à América do Sul, onde é direcionado para mercados ilegais ligados à mineração de ouro.
Desafios para o controle
A ausência de produção nacional de mercúrio e a dificuldade de rastreamento do metal após sua entrada legal no continente criam desafios significativos para as autoridades de fiscalização. O comércio internacional do mercúrio é legal em diversas jurisdições, mas o desvio para atividades ilegais ocorre com frequência na região amazônica, alimentando o garimpo e agravando os impactos socioambientais.
O estudo reforça a necessidade de cooperação internacional e políticas integradas de monitoramento para combater o contrabando do metal e reduzir os danos à saúde das populações ribeirinhas e indígenas, além da contaminação dos ecossistemas aquáticos.

O mercúrio é utilizado para separar o ouro do sedimento, mas possui alta toxicidade, a substância se acumula na cadeia alimentar e chega aos seres humanos principalmente por meio do consumo de peixe. Foto: captada

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