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Manifestação “Em Luto, na Luta” cobra justiça por Macio e Carpegiane nesta quinta-feira em frente à PRF

Na manhã desta quinta-feira, 1º de maio de 2025, Dia do Trabalhador, familiares, amigos e apoiadores dos jovens Macio Pinheiro e Carpegiane realizarão um ato público em memória dos dois, que morreram em circunstâncias ainda não esclarecidas. Intitulado “Em luto, na luta”, o protesto será realizado a partir das 7h, em frente à sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Avenida Epaminondas Jácome, no centro da cidade.
Com o lema “Se suas mortes são razão de luto, suas vidas são razão de luta!”, o ato tem como principal objetivo pressionar as autoridades por respostas e justiça. Segundo os organizadores, as mortes de Macio e Carpegiane seguem sem um esclarecimento satisfatório, o que tem gerado crescente indignação entre familiares e membros da comunidade.

Para garantir a participação de moradores do município de Bujari, será disponibilizado transporte gratuito. Um ônibus sairá da praça em frente ao Bar do Josimar, também às 7h, com retorno previsto para o fim da manifestação.
A escolha da data, marcada simbolicamente pelo Dia do Trabalhador, reforça o compromisso da mobilização com a luta por direitos, justiça e dignidade. Os organizadores pedem que os participantes compareçam vestidos de preto, em sinal de luto, solidariedade e resistência.
A manifestação deve reunir um número expressivo de pessoas e se soma a outras iniciativas que vêm sendo promovidas por familiares das vítimas em busca de visibilidade e responsabilização dos envolvidos.

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‘Momento intenso e de acolhimento’, diz ex-primeira-dama após denunciar prefeito por violência em Xapuri
MP-AC também acompanha o caso por meio do Centro de Atendimento à Vítima (CAV). Caso repercutiu após Ana Carla Oliveira publicar prints onde acusa Maxsuel Maia de agressões físicas e psicológicas

Ana Carla Oliveira de 29 anos, denunciou nas redes sociais o prefeito de Xapuri, Maxsuel Maia (PP) de agressões físicas e psicológicas. Foto: Reprodução/Instagram
Por Jhenyfer de Souza, g1 AC — Rio Branco
Após a repercussão da denúncia da ex-primeira-dama Ana Carla de Oliveira, de 29 anos, contra o prefeito de Xapuri, Maxsuel Maia (PP), por agressões físicas e psicológicas, Ana Carla contou que recebeu orientação jurídica por parte do Centro de Atendimento à Vítima (CAV), do Ministério Público do Acre (MP-AC).
Ana Carla tornou públicas acusações de agressões que, segundo ela, ocorreram ao longo do casamento de três anos com Maxsuel. Ela afirmou que viveu episódios de controle, xingamentos, isolamento social e três situações de agressão física, sendo uma delas no Réveillon, quando diz ter temido pela própria vida.
Ainda de acordo com Ana Carla, as medidas para formalização da denúncia estão sendo adotadas.
“Tenho recebido inúmeras mensagens desde que relatei o que aconteceu. São muitas manifestações de apoio, muitos relatos e muitas mulheres dizendo que se identificam com a minha história. Tem sido um momento muito intenso, mas também de acolhimento”, disse.
O MP havia informado, por meio de nota, que adotou medidas para apurar o caso. De acordo com a coordenadora do CAV, Bianca Bernardes, o caso segue em sigilo para preservar a vítima. Ela afirmou ainda que o CAV está prestando todo o auxílio necessário e que todas as medidas judiciais pertinentes serão adotadas.
Em nota divulgada na última segunda-feira (2), o MP fala sobre o compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e com o enfrentamento à violência de gênero e informa que, “no presente caso, tem adotado todas as medidas cabíveis, de modo célere”.
Além do relato, a ex-primeira-dama compartilhou prints de conversas e áudios atribuídos ao prefeito. A reportagem do g1 teve acesso a gravações nas quais ele admite episódios de agressão.
Em nota divulgada também na segunda (2), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) repudiou qualquer forma de violência contra a mulher e ressaltou que o cargo de prefeito é incompatível com o exercício da advocacia, conforme o Estatuto da entidade.
Procurado anteriormente pela reportagem, Maxsuel Maia informou que, diante da repercussão do caso, não pretende se manifestar neste momento.
Entenda o caso
Ana Carla destacou que os comportamentos abusivos começaram no início do relacionamento, mas que não os percebia dessa forma. Ela afirmou também que precisou trocar o número de telefone e evitar determinadas pessoas, sob a justificativa de preservar a imagem pública do casal.
“Desde os primeiros meses já existiam comportamentos de controle, eu deixei de sair com amigos, me afastei de familiares, mudei todo o meu guarda-roupa, passei a ser criticada pela forma de me vestir e pela cor do batom”, relatou.
Ela ocupava o cargo de secretária municipal da Mulher e foi exonerada após o fim do casamento, ocorrido no ano passada. Ana Carla também explicou que permaneceu em silêncio durante o relacionamento por medo e dependência emocional.
Ainda de acordo com Ana, o primeiro episódio de agressão física ocorreu ainda nos primeiros meses, após uma crise de ciúmes. Segundo ela, houve monitoramento de telefone, xingamentos e agressões.

Ana Carla Oliveira de 29 anos, denunciou nas redes sociais o prefeito de Xapuri, Maxsuel Maia (PP) de agressões físicas e psicológicas. Foto: Reprodução/Instagram
Ela disse ainda outros dois episódios considerados mais graves, um durante um evento de carnaval e outro no Réveillon, dentro de casa.
“No Réveillon houve agressões que colocaram minha integridade física em risco. Foi nesse momento que eu realmente temi pela minha vida e pensei que poderia nunca mais ver meu filho novamente”, afirmou.
A ex-primeira-dama descreveu o relacionamento como um ciclo de tensão, agressão e reconciliação. “Não eram todos os dias ruins. Havia períodos de carinho intenso, promessas, pedidos de desculpa. Depois vinha novamente a agressão. Esse ciclo cria uma dependência muito forte”, afirmou.

Ana Carla Oliveira de 29 anos, denunciou nas redes sociais o prefeito de Xapuri, Maxsuel Maia (PP) de agressões físicas e psicológicas. Foto: Reprodução/Instagram
Agressões físicas
Em um dos prints das mensagens, ela relembra episódios de agressões físicas, como tapas, arremesso de objetos e uma situação em que afirma ter sido estrangulada. As imagens foram expostas nas redes sociais.
Em resposta, ele escreve que lembrava de tudo, que vinha tentando controlar o ciúme e que não tinha amantes. Já em outro trecho das conversas divulgadas, há registros de ofensas e termos pejorativos direcionados a Ana Carla, além de discussões relacionadas a crises de ciúmes e acusações de traição.

Ana Carla Oliveira de 29 anos, denunciou nas redes sociais o prefeito de Xapuri, Maxsuel Maia (PP) de agressões físicas e psicológicas. Foto: Reprodução/Instagram
Ana Carla afirmou que, ao longo da relação, passou a viver um processo de isolamento e perda de identidade.
“Eu estava emocionalmente fragilizada e presa a uma dinâmica de dependência. Muitas situações eu silenciei por estar envolvida. Depois do fim, eu entendi que permanecer calada já não era mais maturidade, era anulação”, disse.
Ela também relatou que, mesmo cinco meses após o término, ainda teve conhecimento de que seu nome continuava sendo mencionado de forma pejorativa em espaços públicos e privados.
“Eu me questionei por que continuava em silêncio e, de certa forma, protegendo alguém que não demonstrava o mesmo cuidado com o meu nome e com a minha imagem”, completou.

Ana Carla Oliveira de 29 anos, denunciou nas redes sociais o prefeito de Xapuri, Maxsuel Maia (PP) de agressões físicas e psicológicas. Foto: Reprodução/Instagram
Leia na íntegra a nota do MP-AC
Diante das informações veiculadas pela imprensa acerca de denúncia de violência doméstica e familiar supostamente praticada contra a ex-primeira-dama do Município de Xapuri, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) reafirma o seu compromisso institucional com a defesa intransigente dos direitos humanos das mulheres e com o enfrentamento a toda e qualquer forma de violência baseada em gênero.
A violência contra a mulher, seja física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual, constitui grave violação de direitos fundamentais, afrontando a dignidade da pessoa humana e a integridade física e emocional da vítima. Tais condutas são inadmissíveis no Estado Democrático de Direito e devem ser rigorosamente apuradas pelas autoridades competentes, com observância ao devido processo legal e às garantias constitucionais.
No presente caso, o Ministério Público tem adotado todas as medidas cabíveis, de modo célere.
Por fim, esta instituição reafirma seu compromisso com a promoção da igualdade de gênero, reconhecendo que o enfrentamento à violência contra a mulher exige atuação articulada e permanente do Poder Público e da sociedade.
Centro de Atendimento à Vítima – CAV/Observatório de Gênero do MP-AC.
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Atraso na conclusão do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia trava logística de exportação na BR-317
Empresas que utilizam a Transoceânica para escoar produtos ao Pacífico enfrentam gargalo na ponte metálica; obra de R$ 60 milhões promete desviar tráfego pesado do centro urbano

Falta de conclusão do anel viário entre Brasiléia e Epitaciolândia trava logística de exportação na fronteira, estimativas indicam que mais de 17 mil veículos circulam pela região central de Brasiléia e Epitaciolândia. Foto: captada
A falta de conclusão do anel viário entre as cidades de Brasiléia e Epitaciolândia, na regional do Alto Acre, continua sendo apontada como um dos principais gargalos logísticos para o transporte de cargas que seguem para exportação pela tríplice fronteira entre Assis Brasil (Acre), Bolpebra (Bolívia) e Iñapari (Peru). O problema foi destacado por Rafael Pimpão, representante da empresa Micheport Andina Internacional Ltda, ao comentar as dificuldades enfrentadas por caminhões que utilizam a rota internacional da BR-317.
Empresário destaca potencial da Transoceânica
Rafael Lopes Pimpão é representante da Micheport Andina Internacional Ltda. Paulista de nascimento, está no Acre desde setembro de 2010, quando veio para uma experiência de transportar máquinas e equipamentos pela Transoceânica. A empreitada deu tão certo que ele está no estado até hoje e já não sabe mais se retornará à terra natal.
A Micheport é parte de um grupo de empresas que já utilizam a rodovia que liga Assis Brasil ao Porto de Illo, no Peru. Desde que instalou uma base operacional naquele município, a empresa já movimentou milhões e pretende transportar mais de 600 máquinas para o Peru e Equador.

Obra estratégica da BR-317, com investimento de R$ 60 milhões, deveria desviar tráfego pesado do centro urbano de Brasiléia, mas atraso força caminhões a buscarem rotas alternativas, como a ponte metálica. Foto: art
Pimpão explica que a Transoceânica não é utilizada apenas pelas belezas naturais. Antes da estrada ser uma realidade, gastava-se do Rio de Janeiro (local da fábrica dos chassis) até o Equador cerca de vinte dias de viagem. Agora, são doze dias, economizando não apenas tempo, mas também dinheiro.
Depois da base operacional em Assis Brasil, a intenção da empresa é abrir uma filial no estado. “Pela Transoceânica, temos uma economia no transporte dos equipamentos que chega a 17%, isso sem falar no tempo, em que economizamos quase uma semana de viagem”, informa.
Gargalo logístico na ponte metálica
Nesta quinta-feira (4), um vídeo que circula pelas redes sociais mostra a intensidade do fluxo de veículos na região e a realidade que grandes empresas enfrentam diariamente na BR-317. Devido ao gargalo, os problemas se concentram na ponte Metálica José Augusto, que divide os municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, onde veículos permanecem parados durante horas.
Segundo Pimpão, a estrutura atual não comporta o volume crescente de veículos pesados que cruzam a região, obrigando motoristas a buscar rotas alternativas. “Quem quiser passar tem que entrar na Bolívia para sair em Brasiléia. Vou ter mais dessas cargas em exportação pelo Acre”, afirmou.

O grande gargalo logístico é a falta da entrega do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia. Como o anel não está pronto, a ponte metálica atual não comporta o fluxo de caminhões. Foto: captada
Ele explica que o principal entrave é justamente a ausência do contorno viário definitivo, projetado para retirar o tráfego pesado do centro urbano das duas cidades. “Hoje o grande gargalo logístico é a falta da entrega do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia. Como o anel não está pronto, a ponte atual não comporta o fluxo de caminhões”, disse.
Obra estratégica para integração regional
O anel viário é considerado uma obra estratégica para a integração logística da região. O projeto prevê cerca de 10,3 quilômetros de estrada contornando os dois municípios, além de uma ponte de aproximadamente 251 metros sobre o rio Acre, ligando as duas margens e permitindo o desvio do tráfego de carga da área urbana.

Ponte do anel viário já foi concluída, mas ainda falta a instalação dos acessos. Foto: Secom
Com investimento superior a R$ 60 milhões, financiado pelo governo federal por meio do DNIT, a obra foi planejada para facilitar o transporte de mercadorias pela Rodovia Interoceânica (BR-317), que conecta o Acre aos portos do Peru no Pacífico e abre caminho para o comércio com mercados da Ásia.
Além de melhorar a logística internacional, o contorno viário deve retirar caminhões pesados do centro das cidades, que hoje registram intenso movimento. Estimativas indicam que mais de 17 mil veículos circulam pela região, impactando diretamente a mobilidade urbana e a infraestrutura local.
“A Transoceânica já se transformou em um novo endereço dos negócios no Brasil e os empresários acreanos também têm que voltar o olhar para esta nova realidade, onde o Acre é está na rota desses grandes negócios”, afirmou um dos empresários.

O anel viário de Epitaciolândia e Brasileia é considerado uma obra estratégica para o tráfego na Rodovia Interoceânica, no acesso ao Peru. Foto: captada
Veja vídeos:
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STF mantém decisão que considerou ilegal eliminação de candidato com hepatite B em concurso da Polícia Penal do Acre
Segunda Turma, por unanimidade, negou recurso do Estado e entendeu que exclusão foi discriminatória, baseada apenas no diagnóstico, sem comprovação de incapacidade para o cargo

O ministro ressaltou que rever o entendimento das instâncias anteriores exigiria reexaminar provas e fatos do processo. Foto: captada
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, negar provimento a um agravo regimental interposto pelo Estado do Acre em um processo que discute a eliminação de um candidato diagnosticado com hepatite B em concurso público para o cargo de policial penal. A decisão foi proferida no âmbito do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) nº 1.572.259, relatado pelo ministro Gilmar Mendes.
O governo acreano buscava reverter decisão anterior que havia considerado ilegal a exclusão do candidato do certame. No entanto, os ministros da Segunda Turma entenderam que não houve erro na decisão anterior e mantiveram o entendimento da Justiça de origem.
Segundo os autos, o candidato foi eliminado do concurso após ser diagnosticado com hepatite tipo B. Apesar disso, ele apresentou laudo médico atestando plena capacidade física para o exercício das funções e comprovou que realizava acompanhamento médico contínuo.
Discriminação e ilegalidade
A Corte de origem havia concluído que a exclusão ocorreu de forma genérica e discriminatória, uma vez que a decisão administrativa se baseou apenas no diagnóstico da doença, sem demonstrar que a condição seria incompatível com as atribuições do cargo de policial penal.
Ao analisar o recurso, o relator Gilmar Mendes destacou que o agravo regimental apresentado pelo Estado do Acre não trouxe argumentos capazes de demonstrar erro na decisão anterior, limitando-se a reiterar inconformismo com o entendimento já adotado.
Além disso, o ministro ressaltou que rever o entendimento das instâncias anteriores exigiria reexaminar provas e fatos do processo, o que não é permitido em recurso extraordinário, conforme estabelece a Súmula 279 do STF.
Com a decisão unânime da Segunda Turma, permanece válido o entendimento de que a eliminação do candidato do concurso público foi ilegal por caracterizar discriminação baseada exclusivamente na existência da doença, sem comprovação de incapacidade para o exercício do cargo.

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