Quem garante é um membro de comitê que diz que são que os interesses dos empresários e políticos desta região que atrapalham

Há mais de uma década que se fala na possibilidade da construção de uma ferrovia bioceânica ligando o Atlântico ao Pacífico passando pelo Acre, mas, até agora, nenhum projeto saiu do papel. Agora o tema volta a ser debatido com o manifesto interesse dos chineses, que veem no modal de transporte uma oportunidade para ampliar seus negócios com o Brasil, seja na importação de comoditys, seja na exportação de produtos industrializados.

Ruben Ortiz acompanha discussão sobre a ferrovia há cerca de dez anos/Foto: ContilNet

Em 2015, chegou-se a se criar uma Frente Parlamentar Mista Brasil-Peru-China Pró-Ferrovia Bioceânica para tratar com o governo chinês a elaboração de um projeto para a ferrovia. Do Acre, os então deputado federal e senador César Messias e Jorge Viana, respectivamente, faziam parte dessa frente, junto com os parlamentares de Rondônia e Mato Grosso. Com a nova legislatura na Câmara dos Deputados e Senado Federal, a frente parece ter sido abandonada e nada seguiu à diante.

Para o membro do Comitê Integrado do Comércio Exterior Brasil/Bolívia/Peru da Iniciativa Privada, Ruben Dario Suarez Ortiz, o que emperra o andamento desse projeto são os interesses dos empresários e políticos das regiões Centro, Sul e Sudeste, que defendem rotas da ferrovia passando por seus Estados.

Ruben, que também é secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Alimentos, ligado à Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), vem acompanhando as discussões sobre a ferrovia há oito anos. Ele, inclusive, já trouxe ao Estado representantes do Governo da China para discutir com o Governo do Acre parcerias para a elaboração de projetos e início das obras.

“No início do governo de Tião Viana, trouxemos ao Acre o embaixador do Peru e da China para encontro com os representantes brasileiros. Já, naquela época, começaram os investimentos em estudos de viabilidade, inclusive, para o formato do trilho, que deveria ser para formato de carga e não de passageiros, que é bem-mais estreito”, revelou Rubem. “Então, desde aquele então, esses estudos estão aí, mas os interesses do Centro, Sul e Sudeste, que têm bancadas federais muito fortes, emperram a implantação desses estudos”, completou.

De acordo com Ortiz, os Estados dessas regiões defendem dois trajetos diferentes para a ferrovia. O primeiro passaria pela Argentina e o outro pelo Paraguai e Chile.

“Essa é uma luta hercúlea que o Acre trava contra esses Estados e estamos em grande desvantagem, embora saibamos que o Governo Chinês tem dinheiro e vontade, já que tem mais de um bilhão de cidadãos chineses para alimentar.”

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