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Acre

Idosa que morou em Brasileia celebra os 110 anos e lamenta não poder mais trabalhar

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Por Alcinete Gadelha, g1 AC — Rio Branco

As marcas do tempo estão claras no rosto, na visão, na audição que permite pouca comunicação e nas mãos cansadas dos muitos anos de labuta. Dona Elza Margarita Castro Perna chega aos 110 anos de uma história vivida nos seringais do Acre, marcada por muito trabalho, determinação e um único e grande amor.

A idosa que nasceu no dia 9 de fevereiro de 1912, comemorou aniversário no último mês, na casa onde mora com a irmã, no município de Senador Guiomard, interior do Acre. Natural de Boca do Acre, no Amazonas, ela viveu boa parte da vida em Brasileia, também no estado acreano.

No dia Internacional da Mulher, data oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, apenas 63 anos depois de seu nascimento, ela mostra com as poucas palavras o quanto faz parte desta história pelo amor ao trabalho ao qual dedicou tantos anos de sua vida.

“Morava no seringal Sagrado de Santana. Trabalhava em todo trabalho, era na roça, plantava, criava [porcos, galinhas, capote]. Fiquei viúva, meu marido teve um problema do coração e nunca tivemos filhos. Foi um amor pra vida toda”, relembra do passado distante.

 

Irmã mais velha de 9 irmãos, Elza mora com uma das irmãs mais novas, Francisca Castro, 83 anos. É ela quem conta que a idosa ainda na juventude dizia que não queria saber de ter filhos e como casou depois dos 30, ‘fora do padrões’ da época, acabou não tendo herdeiros.

Ao perguntar sobre a vida dela na juventude, a principal lembrança e também saudade é do trabalho na roça.

Irmãs moram juntas há pelo menos 50 anos — Foto: Alcinete Gadelha/g1 AC

Elza viveu o período áureo da borracha e teve participação ativa nesse processo de extração. Ajudava o pai no colheita e defumação do látex. Por causa disso, ela é aposentada com a pensão conhecida como soldado da borracha, benefício concedido a brasileiros convocados pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta) para trabalharem na extração de borracha, na época da Segunda Guerra (1939-1945).

Acolhida

Francisca Castro é uma das irmãs mais novas de Elza. Ela diz que desde o falecimento do marido dela, quando tinha cerca de 60 anos, passou a viver junto com a irmã. Agora, as duas são viúvas, nenhuma delas casou mais e são inseparáveis desde então.

“Ela mora há muitos anos comigo, desde que o marido dela morreu que mora comigo, já faz muitos anos. Ela tinha uns 60 anos mais ou menos. Eu era casada e ela já comigo, depois meu marido morreu e ela continuou comigo. Ainda continua comigo”, conta.

Elza perdeu o movimento das pernas após cair da cama e quebrar o fêmur. Agora, depende de uma cadeira de rodas há pelo menos oito anos.

“Nestes últimos dias ela não tem dormido, grita e fala que quer ir para casa, há uns três meses teve um AVC”, acrescenta. Apesar dos problemas de saúde que tem, a idosa não teve Covid, segundo relatou a irmã e está vacinada com as três doses do imunizante. As duas contam com duas ajudantes que moram com elas e cuidam da casa, alimentação, medicamentos e higiene.

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Acre

Bocalom ironiza pesquisa que o coloca em terceiro na disputa pelo governo do Acre

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Prefeito minimiza números do levantamento e diz que “pesquisa que vale é a das urnas”

Durante a inauguração do Mercado Municipal do São Francisco, na noite desta segunda-feira (23), em Rio Branco, o prefeito e pré-candidato ao governo, Tião Bocalom, reagiu com ironia aos números da mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto Delta Agência de Pesquisa.

O levantamento aponta Bocalom na terceira colocação, com cerca de 15% das intenções de voto, atrás do senador Alan Rick, que lidera com mais de 40%, e da vice-governadora Mailza Assis, que ultrapassa os 20%.

Ao comentar o cenário, o prefeito evitou aprofundar a análise e voltou a questionar a credibilidade das pesquisas eleitorais. “Comentar pra quê? Eu a vida inteira fui vítima de pesquisa. Me mostra qual pesquisa dizia, antes da eleição, que o Bocalom tinha chance de ganhar. Nenhuma”, afirmou.

A declaração contrasta com levantamentos anteriores. Em agosto de 2025, também em pesquisa do Instituto Delta, Bocalom aparecia com 19,62% das intenções de voto, ocupando a segunda colocação, enquanto Mailza tinha 13,63%.

Na comparação com o cenário atual, os dados indicam queda de aproximadamente quatro pontos percentuais para o prefeito, além da inversão de posições com a vice-governadora, que agora aparece à frente.

Apesar disso, Bocalom reforçou que não considera pesquisas como fator determinante. “Se eu fosse olhar pesquisa, nem candidato eu teria sido. Pra mim, pesquisa é o povo na rua, conversando. E no dia da eleição. Essa é a pesquisa que vale”, declarou.

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Acre

62,52% dos acreanos aprovam a gestão de Cameli

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O Instituto Delta Agência de Pesquisa, contratado pela TV Gazeta, divulgou nesta segunda-feira, 23, uma pesquisa sobre a avaliação da gestão do governador Gladson Cameli, que deixará o cargo no dia 2 de abril para concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo Acre.

De acordo com o levantamento, 62,52% dos acreanos aprovam a gestão de Cameli, 28,03% desaprovam, e 9,44% não souberam ou não responderam.

A pesquisa ouviu 1.006 eleitores em 18 cidades do Acre entre os dias 16 e 21 de março. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com confiabilidade de 95%. O registro da pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral do Acre é AC-08354/2026.

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Acre

“Sementes de Resistência”: força das mulheres da Transacreana ganha voz em documentário que estreia em Rio Branco

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Documentário Sementes de Resistência valoriza participação feminina na Transacreana

Documentário de curta-metragem sobre protagonismo de mulheres rurais da Transacreana será lançado no dia 26 de março, às 10h, no Museu dos Povos Acreanos

O documentário de curta-metragem “Sementes da Resistência” será lançado no próximo dia 26 de março, às 10h, no auditório Florentina Esteves, localizado no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco. O evento integra as ações do mês da mulher e contará com a participação de trabalhadoras rurais da região da Transacreana.

Mulheres agricultoras são as personagens do documentário Sementes de Resistência

A produção destaca o papel fundamental das mulheres na conservação da agrobiodiversidade ao longo da Rodovia AC-90, conhecida como Transacreana. O documentário evidencia a atuação dessas trabalhadoras na preservação de sementes e na manutenção de práticas agrícolas sustentáveis na Amazônia acreana.

O curta-metragem é resultado do projeto de pós-doutorado da professora Rosana Cavalcante, ex-reitora do Instituto Federal do Acre (Ifac), desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Acre (Ifac) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A produção foi construída em colaboração com mulheres agricultoras da região, reconhecidas como guardiãs de saberes tradicionais.

Roda de conversa durante a gravação do documentário Sementes de Resistência

Documentário valoriza papel das mulheres – Segundo a professora Rosana Cavalcante, o documentário retrata trajetórias marcadas pela resistência e pelo protagonismo feminino no campo. “A produção apresenta agricultoras que, por meio de conhecimentos ancestrais, preservam sementes, fortalecem a segurança alimentar e enfrentam os desafios das mudanças climáticas com sabedoria”, destacou.

Produzido pela Orna Audiovisual, o documentário aborda temas como agrobiodiversidade, sustentabilidade, agricultura familiar, protagonismo feminino, políticas públicas e a invisibilidade das mulheres rurais, além da valorização de práticas intergeracionais.

Professora Rosana Cavalcante desenvolveu seu projeto de pós-doc na Transacreana

O lançamento contará com a presença de protagonistas da obra, como as produtoras rurais e líderes de associação conhecidas da região: Roselina Queiroz Leite (Dona Rosa, moradora do Barro Alto) e Maria da Natividade Oliveira Cordeiro (Dona Lôra, que atua com plantas medicinais no Km 14 e vende no Mercado Elias Mansour), além da presidente da Cooperativa Beija-Flor, do Km 72 da Transacreana, Layane Furtado Mello.

A vice-governadora do Acre, Mailza Assis Cameli, também participará do evento falando da roda de conversa que teve com as protagonistas durante a gravação do documentário, onde abordou temas importantes como as demandas das agricultoras e políticas públicas voltadas para a região.

Serviço
Evento: Lançamento do documentário curta-metragem “Sementes da Resistência”
Data: 26 de março de 2026
Horário: 10h
Local: Auditório Florentina Esteves – Museu dos Povos Acreanos
Endereço: Av. Epaminondas Jácome, 2792, Centro, Rio Branco (AC)

Fotos: Neto Lucena/Secom

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