Brasil
Força-tarefa da Lava Jato denuncia Lula sob suspeita ligada à Odebrecht
FELIPE BÄCHTOLD - da Folha
A força-tarefa da Operação Lava Jato apresentou nova denúncia nesta quinta-feira (15) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob acusação de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionada à empreiteira Odebrecht.
É a terceira denúncia de Lula no âmbito da Lava Jato e a quinta dele neste ano –também foi acusado nas operações Zelotes e Janus.
É a primeira vez que o ex-presidente é acusado formalmente por relações com a Odebrecht pela força-tarefa.
Além dele, foram denunciadas oito pessoas, incluindo a ex-primeira-dama Marisa Letícia, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antonio Palocci.
Segundo os procuradores, parte das propinas pagas pela Odebrecht em contratos da Petrobras foi destinada para a aquisição de um terreno na zona sul de São Paulo onde seria construída a sede do Instituto Lula.
A denúncia também sustenta que foi adquirido com os valores um apartamento vizinho à cobertura onde mora o ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP).
O imóvel está no nome de Glaucos da Costamarques, que, para a acusação, “atuou como testa de ferro de Lula, em transação concebida por Roberto Teixeira”, advogado e compadre do ex-presidente. Os dois também foram denunciados.
A peça de acusação sustenta que a Odebrecht pagou, em 2010, R$ 7,6 milhões para a empresa DAG Construtora, que adquiriu o terreno investigado.
Diz ainda que, em buscas no sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente, foram achados papéis com um projeto de uma construção no endereço do terreno investigado. Por fim, sustenta que em uma planilha de pagamentos da empreiteira consta o item “Prédio IL”.
Sobre o apartamento em São Bernardo, a investigação aponta que Costamarques havia recebido R$ 800 mil da DAG Construtora na mesma época em que adquiriu a cobertura, por R$ 504 mil. Os procuradores sustentam que Lula e Marisa utilizavam o apartamento desde 2011, mas não pagavam aluguel a Costamarques.
Palocci é acusado pelo Ministério Público Federal de ser um dos administradores de uma “conta corrente da propina” da Odebrecht para o PT, o que incluiu benefícios ao ex-presidente.
A acusação diz que valores que somam R$ 75,4 milhões foram desviados de obras da Petrobras sob responsabilidade da Odebrecht.
A denúncia volta a apresentar argumentos já divulgados anteriormente pela equipe da Lava Jato, como a responsabilidade de Lula pela indicação de diretores na Petrobras, a proximidade com outros acusados na Lava Jato e o suposto benefício que teria obtido pela existência do esquema.
OUTRO LADO
O Instituto Lula divulgou nota afirmando que o procurador Deltan Dallagnol, que coordena a Lava Jato, inventou “nova história na sua busca obsessiva de tentar retratar o ex-presidente como responsável pelos desvios na Petrobras”.
“Após um apartamento que nunca foi de Lula no Guarujá, entra a acusação de um apartamento que também não é de Lula, pelo qual sua família paga aluguel pelo uso, e um terreno que não é, nem nunca foi, do Instituto Lula, onde aliás o atual proprietário hoje constrói uma revendedora de automóveis.”
A nota afirma que a denúncia “repete maluquices da coletiva do Power Point”, em referência a uma apresentação de slides de Dallagnol, em setembro, em que o procurador acusou o petista de chefiar o petrolão.
“[É] um festival de ilegalidades, arbitrariedades e inconformismo diante da realidade: mesmo com uma devassa completa na vida de Lula, não encontraram nenhum desvio de conduta do ex-presidente.”
A defesa sustenta que testemunhas que já depuseram na ação penal relativa ao apartamento tríplex negaram relação do ex-presidente com crimes na Petrobras.
A defesa de Palocci disse que a nova denúncia se trata de uma “manobra das forças acusatórias” para “multiplicar infinitamente factoides” e impedir a soltura dos suspeitos. “Se os tribunais superiores libertarem os réus do processo ‘A’, imediatamente se decreta a prisão no processo ‘B’, neutralizando assim a decisão superior”, afirmou, em nota.
A Odebrecht disse que não vai se manifestar sobre o tema, mas está colaborando com a Justiça.
O QUE PESA CONTRA LULA
Ex-presidente é réu em três ações penais
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Petrobras retoma perfuração na Margem Equatorial após autorização e disputa judicial
MPF pede suspensão da licença por riscos ambientais; atividade havia sido interrompida após vazamento em janeiro
A Petrobras confirmou a retomada da perfuração exploratória na Margem Equatorial, no bloco FZA-M-59, após reunião realizada na última quarta-feira (18), em Macaé (RJ). A decisão ocorre em meio a disputas judiciais, já que o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ações na quinta (19) e sexta-feira (20) pedindo a suspensão da licença, sob alegação de riscos ambientais e ausência de consulta a comunidades tradicionais.
A perfuração no poço Morpho havia sido interrompida em 4 de janeiro, após o vazamento de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa, a cerca de 2,7 mil metros de profundidade, durante operação em um navio-sonda.
A retomada foi autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em fevereiro de 2026, condicionada ao cumprimento de protocolos de segurança. Para reiniciar as atividades, a Petrobras apresentou relatórios técnicos e realizou a substituição de equipamentos da sonda.
Em nota, a estatal afirmou que está cumprindo todas as exigências do licenciamento ambiental e que o incidente foi controlado com uso de material biodegradável, com validação da ANP.
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Tocantins supera 11 milhões de cabeças de gado e avança na pecuária nacional
Crescimento de 39,2% em seis anos coloca estado entre os maiores rebanhos do país e amplia exportações de carne
O rebanho bovino do Tocantins cresceu 39,2% entre 2018 e 2024, colocando o estado na sexta posição nacional em expansão, segundo dados do IBGE divulgados pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec).
Atualmente, o estado soma mais de 11 milhões de cabeças e figura entre os dez maiores rebanhos do país, com crescimento acima de regiões tradicionalmente consolidadas na pecuária.
A produção também avançou. Em 2024, foram abatidos cerca de 1,3 milhão de bovinos, o maior volume já registrado. A projeção mais recente aponta para mais de 1,4 milhão de animais, com produção estimada em 381 mil toneladas de carne, sendo aproximadamente um terço destinado à exportação.
No mercado externo, o Tocantins embarcou cerca de 125 mil toneladas de carne bovina em 2025. Os principais destinos são países da Ásia, além de mercados no Oriente Médio, África, América do Norte e Europa.
Segundo a Adapec, o desempenho é resultado da disponibilidade de áreas, condições climáticas favoráveis e acesso a recursos hídricos, especialmente nas bacias dos rios Tocantins e Araguaia. A adoção de sistemas mais eficientes, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), também tem impulsionado
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PGR se manifesta a favor de domiciliar para Bolsonaro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou nesta segunda-feira (23) a favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Após novo pedido protocolado pela defesa, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), remeteu os laudos médicos do ex-presidente à PGR (Procuradoria-Geral da República) e solicitou a manifestação. A decisão final, porém, cabe a Moraes.
Na manifestação, Gonet destaca que a “evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime”.
“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, afirmou.
Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado no Complexo da Papudinha, em Brasília. Ele está internado há mais de uma semana em hospital particular após ser diagnosticado com pneumonia.
Até então, Gonet havia se posicionado contra outros pedidos da defesa no mesmo sentido. Desde novembro do ano passado, Moraes rejeitou quatro recursos pela prisão domiciliar humanitária.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, chegou a se reunir na semana passada com Moraes para reforçar o pedido apresentado pelos advogados de Bolsonaro.
Ao visitar Moraes e endossar o apelo ao ministro, Flávio repetiu o que fizeram, nos últimos meses, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).







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