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Acre

Em 16 anos, carne e grãos desafiam hegemonia do extrativismo e redesenham a economia acreana

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Por Marky Brito e Joquebede Oliveira*

A economia acreana passou por uma transformação profunda nos últimos 16 anos, deixando para trás a histórica dependência do extrativismo e abrindo espaço para uma agropecuária cada vez mais competitiva. É o que revela o recém-lançado relatório da Seplan, Panorama do Comércio Exterior do Acre: Evolução e Tendências (2010–2025), que detalha como carne e grãos passaram a redesenhar a estrutura produtiva e o perfil exportador do estado.

Carne bovina, carne suína e soja passaram a liderar a pauta exportadora, impulsionando um ciclo de crescimento que reposiciona o Acre no cenário do comércio internacional. Nesse período, o estado acumulou US$ 490 milhões em superávit e registrou crescimento médio anual de 11% nas exportações — quase três vezes a média brasileira.

O ponto de partida, no entanto, foi desafiador. Entre 2010 e 2014, ainda sob os efeitos da crise financeira global, o Acre enfrentou retração média de 23,2% ao ano nas exportações. A pauta era altamente concentrada: madeira e castanha respondiam por 85% das vendas externas, e o Reino Unido absorvia quase metade de tudo o que o estado exportava. A queda abrupta das exportações madeireiras expôs a fragilidade desse modelo e abriu caminho para uma reestruturação que ganharia força nos anos seguintes.

A partir de 2015, o estado iniciou um processo de diversificação, com a entrada gradual das proteínas animais. Mas a virada decisiva ocorreu entre 2020 e 2022, quando a soja registrou crescimento médio anual de 242%, saltando de US$ 1,2 milhão para US$ 14,3 milhões. Esse avanço marcou a transição definitiva de uma economia baseada em produtos florestais para uma matriz agropecuária mais robusta e integrada às cadeias globais.

O triênio mais recente consolidou essa mudança. Entre 2023 e 2025, as exportações cresceram 46,9% ao ano, alcançando o recorde histórico de US$ 98,9 milhões em 2025. A carne bovina assumiu a liderança da pauta, seguida pela soja e pela carne suína. O desempenho do último trimestre reforça essa tendência: outubro registrou US$ 8,86 milhões em vendas; novembro, mesmo com retração sazonal, já superava todo o acumulado de 2024; e dezembro encerrou o ano com alta de 20,9%, impulsionado pela castanha e pela carne bovina.

Outro aspecto marcante é a interiorização da atividade exportadora. Em 2010, Rio Branco concentrava 61% das vendas externas. Em 2025, o mapa mudou: Brasileia assumiu a liderança, com US$ 26,66 milhões, impulsionada pela carne suína e pela castanha; Senador Guiomard tornou-se o principal polo da carne bovina; e Rio Branco passou a ocupar a terceira posição, com uma pauta mais diversificada. O movimento indica que o desenvolvimento econômico deixou de se concentrar na capital e avançou para áreas de fronteira e municípios estratégicos.

A geografia comercial também se redesenhou. O Acre deixou de mirar prioritariamente a Europa e passou a se conectar com mercados mais próximos e dinâmicos. O Peru tornou-se o principal destino anual das exportações, com 27,2% do total, funcionando tanto como comprador quanto como corredor logístico para outros mercados. Emirados Árabes Unidos e Turquia consolidaram-se como compradores da carne bovina acreana, ampliando a presença do estado no Oriente Médio.

No campo logístico os avanços são significativos. A participação da via rodoviária nas exportações saltou de 2,2% em 2010 para 27,6% em 2025, impulsionada pela atuação da unidade da Receita Federal de Assis Brasil e pela consolidação do corredor para o Pacífico. Embora a via marítima ainda responda pela maior parte do escoamento, o futuro acesso ao porto de Chancay, no Peru, abre uma oportunidade histórica para o Acre se conectar diretamente ao mercado asiático e à costa oeste dos Estados Unidos.

Apesar dos avanços, persistem gargalos que limitam o potencial de expansão. A BR-364 e a BR-317 seguem como pontos críticos, com trechos vulneráveis e manutenção insuficiente. A modernização aduaneira nas fronteiras com Peru e Bolívia é urgente, assim como obras estruturantes, como o Anel Viário de Brasileia. A ferrovia planejada para conectar o Brasil ao Pacífico via Acre surge como solução estratégica para superar as fragilidades das rodovias federais e reduzir custos logísticos.

A trajetória da balança comercial entre 2010 e 2025 mostra um estado que começa a transformar sua localização estratégica em vantagem competitiva. O Acre deixa de ser periferia econômica e passa a se posicionar como corredor logístico e comercial da Amazônia, peça-chave da Rota de Integração Quadrante Rondon.

Neste cenário, o superávit recorde de US$ 93,72 milhões em 2025 aponta para a possibilidade de um ciclo duradouro de desenvolvimento, desde que os investimentos em infraestrutura e facilitação comercial avancem. O desafio para 2026 será consolidar essa virada, garantindo que o “Feito no Acre” chegue cada vez mais longe, com mais competitividade e maior valor agregado, possibilitando maior distribuição de renda entre os acreanos.

Acesse aqui o relatório Panorama do Comércio Exterior do Acre: Evolução e Tendências: 2010-2025.

*Marky Brito é engenheiro florestal (UFRA), com MBA em Gestão de Projetos (FGV), e é diretor de Desenvolvimento Regional (DIRDR/Seplan)

Joquebede Oliveira, é economista (Ufac) e chefe da Divisão de Estatísticas e Monitoramentos de Indicadores (Dimei/Seplan).

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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Homem é baleado em bairro de Cobija e socorrido por populares

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Vítima foi levada ao hospital e não corre risco de morte

Um homem foi atingido por disparo de arma de fogo na noite de sábado (28), no bairro Mapajo, em Cobija.

De acordo com relatos de pessoas que passavam pela região, um disparo foi ouvido por volta das 23h30. Equipes policiais foram acionadas e, ao chegarem à rua Manuripi, encontraram manchas de sangue no local.

A vítima foi socorrida por populares e levada em um veículo particular até o Hospital Roberto Galindo Terán, onde recebeu atendimento médico.

Segundo informações iniciais, o homem está fora de perigo, já que o disparo não atingiu órgãos vitais.

As circunstâncias do caso ainda são desconhecidas e devem ser investigadas pelas autoridades locais.

Informações de Kike Navala

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Acre

Assis Brasil volta a ser a principal porta de saída das exportações acreanas após 9 anos

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Por Marky Brito e Joquebede Oliveira*

O desempenho da balança comercial do Acre em fevereiro de 2026 consolida uma mudança de paradigma na logística de exportação do estado, ao mesmo  tempo em que sinaliza a resiliência da produção local diante de um cenário  global de incertezas. Segundo dados do mais recente Boletim de Comércio Exterior, divulgado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), o mês registrou um superávit comercial de US$ 8,27 milhões, mantendo a série ininterrupta de saldos positivos que caracteriza a economia externa acreana.

O destaque técnico mais relevante do período foi a inversão dos canais de escoamento. Pela primeira vez desde 2016, a via rodoviária superou a marítima, tornando-se o principal canal de saída das exportações, com 65,1% de  participação (US$ 5,5 milhões). Esse avanço está intrinsecamente ligado à  intensificação das trocas comerciais com o Peru, que absorveu 60,4% das  vendas mensais do estado. A Unidade da Receita Federal (URF) de Assis Brasil consolidou-se como o eixo estratégico desse movimento, respondendo sozinha por 60,8% do escoamento estadual, especialmente de castanha e carne suína.

A pauta exportadora de fevereiro apresentou uma alteração importante na  liderança: a castanha ultrapassou a carne bovina, concentrando 42,2% das vendas (US$ 3,55 milhões). A carne bovina (21,3%) e a carne suína (17,5%)  completam o tripé de sustentação. No âmbito municipal, Brasileia reafirmou sua  hegemonia, ao exportar US$ 5,19 milhões, impulsionada pelo comércio  fronteiriço, seguida por Senador Guiomard e Epitaciolândia.

Apesar dos avanços logísticos para o Pacífico, persistem entraves técnicos que  limitam a competitividade regional. A manutenção da BR-364 permanece como  um ponto crítico devido à sua vulnerabilidade sazonal, elevando os custos de frete dos produtos oriundos do Vale do Juruá. Adicionalmente, as estruturas  alfandegárias nas fronteiras com Peru e Bolívia ainda carecem de maior digitalização e agilidade operacional para evitar gargalos no tempo de despacho. A conclusão de obras como o Anel Viário de Brasileia é apontada como fundamental para a fluidez das cargas pesadas.

O desempenho acreano ocorre em um momento de extrema instabilidade internacional. O agravamento das tensões e o estado de guerra entre Irã, Estados  Unidos e Israel impõem desafios diretos ao comércio global, afetando os custos  de combustíveis, seguros marítimos e a estabilidade das moedas. No Acre, as  especulações e a alta no preço dos combustíveis pesam ainda mais sobre a economia local, agravando o cenário de um estado que já enfrenta um dos maiores custos de transporte do país.

O cenário reforça a importância estratégica da integração sul-americana e da rota rodoviária como alternativa às incertezas das rotas transoceânicas. A  diversificação de parceiros, com foco nos mercados andino e asiático, funciona como um mecanismo de proteção contra oscilações bruscas em mercados tradicionais da Europa e do Oriente Médio.

Em termos acumulados, os dois primeiros meses de 2026 somam US$ 17,52 milhões em exportações, um crescimento de 15,6% sobre o mesmo período de 2025. A manutenção do crescimento dependerá da continuidade dos investimentos em infraestrutura e da modernização aduaneira, garantindo que o  dinamismo observado em fevereiro se transforme em um ciclo de  desenvolvimento sustentável de longo prazo.

Acesse aqui o Boletim do Comércio Exterior de fevereiro/2025.

*Marky Brito é engenheiro florestal (UFRA) com MBA em Gestão de Projetos (FGV); é diretor de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan)

*Joquebede Oliveira é economista (Ufac); é chefe da Divisão de Estatísticas e Monitoramento de Indicadores da  Seplan

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Acre é reconhecido nacionalmente por excelência na gestão da assistência social

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O estado do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), foi destaque durante o 3º Encontro Nacional de Fundos de Assistência Social, realizado em Brasília, entre os dias 25 e 27 de março, ao receber uma comenda pelo êxito na realização do projeto Fundo Nacional de Assistência Social “FNAS pelo Brasil”, etapa realizada em Rio Branco no ano de 2025.

Acre foi destaque durante o 3º Encontro Nacional de Fundos de Assistência Social. Foto: Arquivo pessoal

A honraria reconhece a parceria e o sucesso na execução do 2º FNAS pelo Brasil, iniciativa considerada inovadora por promover encontros técnicos entre os entes federativos, com foco no fortalecimento da gestão dos fundos no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O projeto tem como público-alvo gestores, conselheiros, trabalhadores e técnicos da área financeira e orçamentária da assistência social.

A vice-governadora e secretária da SEASDH, Mailza AAssis, afirmou que o reconhecimento nacional enche o estado de orgulho e reforça a responsabilidade com o povo. Foto: Ingrid Kelly/secom.

A vice-governadora, que também é secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, afirmou que o reconhecimento nacional enche o estado de orgulho e reforça a responsabilidade com o povo. Ela disse que a comenda mostra que o Acre tem se destacado pelo compromisso sério com a boa gestão dos recursos públicos e pela implementação de políticas sociais que realmente chegam a quem mais precisa.

“Seguiremos trabalhando com dedicação, transparência e sensibilidade, fortalecendo a assistência social e garantindo melhores condições de atendimento à nossa população. Esse prêmio é de toda a nossa equipe, que é comprometida, e, principalmente, do povo do Acre, que é a razão de tudo o que fazemos”, enfatizou.

Durante a edição realizada no Acre, o estado alcançou 100% da meta estabelecida, garantindo a participação de todos os municípios acreanos — um marco que reforça o compromisso com a integração e o fortalecimento da política pública de assistência social.

Além da comenda, o Acre também foi contemplado com o Selo FNAS, reconhecimento concedido a estados que se destacam por boas práticas e pelo cumprimento das normativas do SUAS, especialmente no que se refere à gestão eficiente dos recursos públicos. Entre os critérios avaliados, estava a organização do Quadro de Detalhamento da Despesa (QDD) do Fundo Estadual de Assistência Social (FEAS), evidenciando investimentos estratégicos nos blocos de proteção e gestão.

Reconhecimento é resultado de um trabalho coletivo aliado à sensibilidade da gestão estadual. Foto: Arquivo pessoal

Para a chefe do Departamento de Gestão do FEAS, da SEASDH, Regiane Ferreira, o reconhecimento é resultado de um trabalho coletivo aliado à sensibilidade da gestão estadual.

“Esse reconhecimento é fruto do trabalho e da priorização da nossa secretária Mailza, que também é nossa vice-governadora, que é sempre sensível quando se trata do reflexo das políticas públicas na população em situação de vulnerabilidade. A boa gestão financeira no SUAS inclui a regularidade e continuidade nos repasses do cofinanciamento dos serviços socioassistenciais, e isso tem sido uma marca desde que ela assumiu a pasta”, destacou.

A comenda foi recebida pela equipe técnica da SEASDH, representada por André Crespo, assessor de Gestão; Regiane Ferreira, chefe do Departamento de Gestão do FEAS; Juvino Netto, chefe de divisão; e Rachel Calid, também chefe de divisão do departamento.

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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