Marcelo Odebrecht anexou troca de e-mails em processo em que o ex-presidente Lula é ré (Foto: Ueslei Marcelino e Rodolfo Buhrer / Reuters)

Um laudo divulgado pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (27) aponta que são autênticos os e-mails apresentados pela defesa de Marcelo Odebrecht em um dos processos em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu na Operação Lava Jato.

A ação apura o pagamento de propina da Odebrecht para o ex-presidente por meio de um apartamento em São Bernardo do Campo e da compra de um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula, em São Paulo. Lula nega todas acusações.

Segundo a defesa, as mensagens reforçam o que Marcelo afirmou na delação premiada a respeito da compra, pela Odebrecht, do terreno que abrigaria a sede do Instituto Lula.

Os peritos dizem ter localizado todas as mensagens eletrônicas, exatamente iguais, nos discos rígidos do notebook de Odebrecht, que estão depositados na PF.

Em uma das mensagens, o ex-executivo da Odebrecht Paulo Melo pede que o setor de propinas do grupo programe três pagamentos e solicita que Marcelo os autorize.

Os mesmos valores aparecem na planilha Italiano, relacionados à linha “prédio IL”. De acordo com a Lava Jato, Italiano é uma referência ao ex-ministro Antônio Palocci, que admitiu gerenciar pagamentos ilícitos.

Quando os e-mails foram anexados ao processo, o advogado do ex-presidente Cristiano Zanin, afirmou que, de acordo com a lei, os novos documentos deverão ser retirados do processo. Para ele, a iniciativa é um factoide.

Zanin também disse que os e-mails não mudam a “realidade de que Lula jamais solicitou ou recebeu a propriedade ou a posse de qualquer imóvel para o Instituto Lula”. O G1 tenta novo contato com a defesa do ex-presidente.

O juiz Sérgio Moro autorizou o reinterrogatório de Marcelo Odebrecht no dia 11 de abril para ser questionado especificamente sobre os e-mails anexados ao processo.

Na ação, o juiz Sérgio Moro já ouviu as testemunhas de defesa e de acusação e também todos os réus na ação, incluindo o ex-presidente Lula. Não há data para que o juiz dê a sentença do caso.

Comentários