Encontro ocorreu entre os dias 8 e 10 de janeiro. Ao todo, 26 presos fugiram do Complexo Penitenciário de Rio Branco na madrugada da segunda (20) e oito foram recapturados.

Por Iryá Rodrigues, G1 AC

Os detentos do pavilhão L do Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco, participaram de um encontro religioso uma semana antes da fuga em massa, onde 26 presos deixaram a unidade. O evento, que ocorreu entre os dias 8 e 10 de janeiro, foi autorizado pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen).

Dos foragidos, oito foram recapturados e os outros 18 seguem livres. A fuga em massa ocorreu na madrugada de segunda-feira (20). Os detentos fugiram do pavilhão L, onde cumpriam pena em regime fechado.

Um dos presos que fugiram da unidade chegou a ser entrevistado por uma equipe da Rede Amazônica durante o encontro religioso. Ariclene Firmiano da Silva tinha reencontrado a mãe, que não via há dez anos, desde que foi condenado por latrocínio e roubo.

Em entrevista o secretário de Segurança Pública do Acre, Paulo César, falou sobre a polêmica da liberação do encontro religioso ter ocorrido no mesmo pavilhão da fuga em massa.

“As igrejas são grandes parceiras no processo de desconstrução da juventude que está enveredada no crime e nós não podemos penalizar a atuação de uma igreja nesse momento. Todas as vertentes que foram veiculadas na mídia estão sendo objeto do inquérito, que está sendo conduzido de forma responsável pelo delegado, a fim de definir as responsabilidades pela fuga”, afirmou o secretário.

Em nota, a Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Acre (Asspen) criticou o fato de o Iapen ter autorizado a realização do evento.

“No mesmo pavilhão da fuga, o diretor presidente do Iapen autorizou a realização de um culto religioso na parte noturna do plantão, mesmo sabendo que a segurança estava fragilizada. Essa liberação é coisa que jamais aconteceu em outras gestões durante à noite. A direção da Asspen solicita providências necessárias da Secretaria de Segurança Pública”, disse a associação.

Fuga

Para escapar do presídio, os detentos fizeram um buraco na parede da cela e improvisaram cordas com lençóis. Os presos são da facção criminosa denominada Bonde dos 13, aliada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua em vários estados brasileiros.

Após a fuga, a Polícia Rodoviária Federal do Acre (PRF-AC) e militares do 4° BIS do Exército Brasileiro reforçaram as barreiras policiais nas rodovias federais na capital e do interior do Acre.

Em coletiva, o secretário de Segurança em exercício, Ricardo dos Santos, não descartou uma possível ligação entre a fuga em massa no Complexo Penitenciário e o caso dos 76 detentos que fugiram de um presídio no Paraguai, no domingo (19).

Vinte e seis presos fugiram do Complexo Penitenciário de Rio Branco, na segunda-feira (20) — Foto: G1 Reprodução

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