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Acre

Como o tráfico transformou a Amazônia na principal rota de exportação de cocaína

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Explorado pelos maiores cartéis do Hemisfério Sul, o negócio envolve bilhões de dólares e conta com a parceria de facções nacionais

Vigilância: a mata fechada e rios com seus milhares de braços dificultam o patrulhamento e facilitam o crime. Foto: Bruno Kelly/

Por Laryssa Borges, de Tabatinga (Rrevista/Veja)

Lago Sacambu, Amazônia peruana, março de 2025. Uma gigantesca lona azul protege das rajadas de chuva típicas do inverno na região uma carga preciosa. Lado a lado, em montes, folhas de coca são preparadas para o início do processo de maceração.

Enquanto isso, homens armados escoltam uma estufa improvisada e posam para fotos com o símbolo da facção que tomou de assalto a chamada Rota Solimões, um emaranhado de rios navegáveis em terras brasileiras que transformou a maior floresta tropical do mundo numa imensa trilha de passagem das drogas produzidas pelos grandes cartéis da Colômbia.

À espera de ordens superiores, o bando, formado em sua maioria por rapazes que não aparentam mais que 20 anos de idade, treina tiro ao alvo entre as árvores. Um deles aparece ostentando um fuzil. O laboratório de refino está em pleno funcionamento.

NA LINHA DE FRENTE - Almeida: “Precisamos de uma ação nacional para enfrentar essas quadrilhas”. Foto: Bruno Kelly/

Ao lado dele, há plantações de coca a perder de vista, como mostram imagens captadas por um drone. Em breve, toneladas de cocaína vão sair dessa “fazenda” e ingressar no Brasil em pequenos aviões, escondidas em fundos falsos de barcos ou disfarçadas, por exemplo, em botijões de gás.

A droga vai percorrer grandes distâncias até chegar aos portos e aeroportos, de onde, sem maiores problemas, embarcará para seu destino final, a Europa, fechando o ciclo de uma das atividades mais lucrativas do planeta.

Localizado no chamado Vale do Javari, Sacambu, onde ocorreu o flagrante do drone de uma autoridade local de segurança, é um dos inúmeros entrepostos dominados pelo narcotráfico na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, a chamada tríplice fronteira amazônica, um território de proporções gigantescas, coberto por vegetação densa, desabitado e inóspito.

Veja vídeo:

A fragilidade da vigilância e fiscalização das forças de segurança transformou a região na rota perfeita para os grandes cartéis escoarem sua produção com o mínimo risco. Os números deixam isso bem evidente. As autoridades estimam que as apreensões de droga na região representam apenas 10% do que é efetivamente traficado.

Ou seja: se essa projeção estiver correta, o que é impossível saber, passaram pela floresta brasileira somente no ano passado nada menos que 430 toneladas de cocaína. Se levado em consideração que 1 quilo da droga custa, em média, aos compradores europeus o equivalente a 260 000 reais, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o faturamento dos cartéis ultrapassou os 110 bilhões de reais.

Essa cifra impressionante uniu na Amazônia brasileira poderosos cartéis colombianos, organizações mafiosas europeias e o que hoje existe de mais deletério no submundo do crime nacional: as facções. É um novo desafio que precisa ser urgentemente enfrentado.

Posto de fiscalização: as paredes das palafitas estão cravejadas de balas disparadas pelos bandidos. Foto: Bruno Kelly/.

Vistos de cima, o tapete verde formado pela copa das árvores da floresta às vezes não permite avistar um único centímetro do solo e muito menos antever o fluxo de pessoas e embarcações que trafegam pelos rios, incluindo as que são usadas para transportar madeira, ouro, animais em extinção e, nos últimos anos, principalmente cocaína.

Apenas o Alto Solimões, que reúne as fronteiras seca e fluvial do Brasil com os vizinhos Colômbia e Peru, é duas vezes maior que Portugal. Fiscalizar uma área tão imensa parece impossível. Responsável pela vigilância na divisa, o Exército se desdobra com 9 500 soldados na região.

A proporção é de um homem para cada 72 quilômetros quadrados de área de fronteira. A situação é ainda mais crítica quando se observam outros números. As sete cidades que ficam na fronteira contam com inacreditáveis 150 policiais militares para cuidar da segurança de uma área de 213 000 quilômetros quadrados — uma região do tamanho da Inglaterra e da Escócia somadas. É impossível.

No período de seca (julho a novembro), os pequenos aviões respondem pelos grandes carregamentos que cruzam a fronteira. Por 60 gramas de ouro, equivalentes a 20 000 reais, é possível contratar uma aeronave para transportar qualquer coisa. Elas voam baixo e pousam em pistas clandestinas que, sem nenhuma vigilância ostensiva, são abertas na floresta da noite para o dia.

Carregamento: a polícia apreendeu 5 toneladas de cocaína que estavam escondidas no meio da floresta. Foto: Polícia Militar do Amazonas/Divulgação

É em terra firme, porém, que se tem a exata dimensão do desafio de combater o tráfico na região. Por segurança — ou ausência dela —, os traficantes preferem usar as estradas pluviais para entrar no Brasil. Alguns dos afluentes dos rios navegáveis nascem na Colômbia e no Peru e chegam aos estados do Amazonas e do Acre. Além disso, no período das chuvas (dezembro a junho), as cheias produzem ramificações que ficam completamente cobertas pela vegetação. Elas são usadas pelas quadrilhas como rotas alternativas. São milhares de pequenas estradas que nem sequer constam nos levantamentos cartográficos, o que dificulta a vigilância que já inexiste.

Para patrulhar a tríplice fronteira, a PM que cuida da fronteira, além dos míseros 150 homens, conta com uma única lancha blindada (que, há duas semanas, estava estragada), uma cota mínima de combustível e um estoque de munição que não resiste a um rápido tiroteio. Pelo lado dos traficantes, a situação é oposta. Eles usam armas capazes de abater um helicóptero, dispõem de embarcações à prova de balas, fuzis de última geração e até submarinos improvisados. VEJA visitou o Vale do Javari e as cidades de Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Letícia — os principais municípios da fronteira.

No trajeto, não é raro detectar drones dos grupos criminosos sobrevoando e mapeando a movimentação das forças de segurança, inclusive do Exército. “Precisamos de uma ação nacional para enfrentar essas quadrilhas”, diz Vinicius Almeida, secretário de Segurança Pública do Amazonas. “O que o governo do estado pode fazer tem feito, mas nós somos muito pequenos em relação ao crime”, completa.

Tabatinga, na divisa com a Colômbia, é um exemplo das mudanças provocadas na região pela cocaína. Por mais que incomode, a cidade não consegue se livrar do estigma de capital do narcotráfico amazônico. Há olheiros de facções criminosas em cada esquina. No movimentado porto do município, a fiscalização das embarcações e dos transeuntes é praticamente nula.

Não existem rodovias. Por isso, as lanchas e canoas são responsáveis pelo transporte de suprimentos oriundos de Manaus e dos países vizinhos. O movimento é frenético. As autoridades sabem que grandes quantidades de drogas passam por ali, mas falta braço para a polícia reprimir de forma séria o negócio. “Em uma cebola pequena, cabem 50 ou 60 gramas de droga, mas imagina num saco de 20 quilos de cebola.

Agora estão também recheando tambaqui com cocaína e armazenando em frigoríficos. Congelado, não tem cão farejador que descubra”, explica um policial. Também não há cães farejadores para tanta demanda. As vistorias, quando ocorrem, são apenas por amostragem.

Até pouco tempo atrás, o município de 70 000 habitantes era palco de uma violenta disputa pela exclusividade do transporte de drogas na região. Execuções de rivais faziam parte da rotina da cidade. “Nas brigas de facções, os mortos acabavam desmembrados e jogados no rio para apagar os vestígios”, diz Jonatas Soares, comandante do 8º Batalhão da PM em Tabatinga.

Tabatinga: a “capital” da tríplice fronteira vive rotina de medo com a presença das facções. Foto: Bruno Kelly/

Em 2020, o Comando Vermelho assumiu o controle das rotas fluviais da Amazônia depois de uma guerra sangrenta com outras organizações. Com a consolidação do monopólio, as mortes violentas em Tabatinga, que atingiram o índice de 74 para cada 100 000 habitantes, uma das mais altas do país, diminuíram.

Em contrapartida, o tráfico explodiu. Em uma das dezenas de ruas esburacadas e malcuidadas da cidade, delegados, policiais militares, o juiz e o chefe do Ministério Público moram todos em um único condomínio de muros altos e monitorado por câmeras. Questão de segurança. Na esquina do endereço mais sensível do município, porém, uma pichação com o símbolo do “CV” deixa claro quem dá as cartas na região. A facção, aliás, tem seu próprio capo na fronteira. Trata-se de Kellison Rego da Silva, conhecido como “Loirinho” ou “Itália”. Reza a lenda que foi ele quem comandou o extermínio dos grupos rivais há alguns anos.

Jurado de morte, o traficante usa o nome falso de Emilio Gonzales da Silva e se esconde em Letícia, cidade colombiana separada de Tabatinga apenas por uma rua. Os inimigos — os que restaram — oferecem uma recompensa de 500 000 reais por informações sobre o paradeiro dele. O prêmio também será pago, diz o cartaz, se alguém entregá-lo morto.

Garavito: “Antes, tínhamos Pablo Escobar. Hoje os chefes são mais discretos”. Foto: Bruno Kelly

O que se passa em Tabatinga, hoje, Letícia já experimentou há mais de três décadas. A cidade colombiana também abrigou um cartel que usava os rios brasileiros como corredor para levar cocaína à Europa.

A diferença agora é que naquela época eram carregamentos esporádicos, em volumes menores e os personagens que comandavam as operações eram outros. Chamava a atenção na cidade as dezenas de casas de câmbio e o sofisticado comércio de bebidas importadas e produtos eletrônicos que destoavam do perfil de pobreza dos moradores.

Em Tabatinga, esse consumo sofisticado ainda não é tão nítido, mas, recentemente, foi percebido um crescimento fora do normal de grandes lojas varejistas. No ano passado, a polícia prendeu empresários da cidade por suspeitas de lavar dinheiro do tráfico para o Comando Vermelho.

Os novos comandantes vêm ampliando suas conexões. Nos arquivos da polícia colombiana há registros de que a facção brasileira estabeleceu uma parceria com dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que abandonaram a guerrilha, se juntaram aos cartéis e atualmente administram plantações de coca na fronteira.

“Os traficantes em geral não ficam aqui na região da tríplice fronteira. Eles vêm, fecham os negócios e vão embora”, diz Santiago Garavito, comandante da Polícia Nacional da Colômbia em Letícia. “Antes, tínhamos personalidades como Pablo Escobar. Hoje, os chefes têm perfil mais discreto”, acrescenta. Uma curiosidade: no auge do poderio do cartel de Medellín, nos anos 1980, Letícia chegou a abrigar duas casas usadas pelo próprio Escobar. Trinta anos depois de sua morte, ainda é possível identificar as ruínas de uma delas, curiosamente instalada próxima ao prédio da Polícia Nacional.

PROCURA-SE - Kellison: o traficante é apontado como o capo do Comando Vermelho na fronteira com a Colômbia. Foto Art

Sem condições de se contrapor aos novos comandantes que vêm ampliando suas conexões e poderio, as autoridades, às vezes, precisam contar com a sorte. Em agosto do ano passado, os cartéis sofreram um duro golpe. Em Benjamin Constant, cidade a 20 quilômetros de Tabatinga, a polícia apreendeu numa única tacada 5 toneladas de cocaína pura.

A droga pertencia a um grupo colombiano e estava no fundo falso de embarcações construídas no meio da floresta. Em uma situação normal, ninguém encontraria o local no meio da selva. O ruidoso barraco provocado por um desentendimento amoroso entre os traficantes, no entanto, levou a polícia amazonense até onde os barcos estavam sendo preparados. Lá, para surpresa geral, encontraram 3 toneladas de cocaína.

Já seria uma das maiores apreensões de todos os tempos no estado, mas havia mais. A equipe se preparava para retornar quando um dos policiais resolveu se afastar do grupo, à procura de lugar mais reservado, uma moita. No caminho, viu o que parecia ser uma caixa coberta por uma lona. Havia lá mais 2 toneladas da droga.

A maior carga de cocaína já apreendida na selva abalou os alicerces da quadrilha. “Combater o crime na floresta é um desafio. Como é impossível colocar um policial em cada metro da fronteira, enfrentamos os criminosos com inteligência”, diz Humberto Freire, diretor da Amazônia e do Meio Ambiente da Polícia Federal, que trabalha para tirar do papel o Centro de Cooperação Policial Internacional, que reunirá em Manaus investigadores dos nove países que compõem a Amazônia Legal.

Pichação do CV: para deixar claro quem dá as cartas em Tabatinga. Foto: Silvia Izquierdo/AP/Imageplus

A PF, por questões de segurança, não revela o tamanho de seu efetivo na Amazônia. Os federais têm uma delegacia em Tabatinga, usam informações de satélite para tentar localizar laboratórios, acionam as Forças Armadas para, se preciso, abater aviões de traficantes e dar apoio logístico às operações, mas também não têm estrutura suficiente para fazer frente aos bandidos. O tráfico, o contrabando, o garimpo, a exploração clandestina de madeira e a pesca ilegal se misturam na floresta.

O Lago Sacambu, na Amazônia peruana, por exemplo, está na região onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados, em junho de 2022, enquanto investigavam crimes ambientais. A poucos quilômetros do local da tragédia fica um dos quatro postos de fiscalização fluvial que existem ao longo do Rio Javari. É uma palafita cravejada de balas que não deixa os fiscais da Funai, os policiais e os soldados do Exército esquecerem que os criminosos que cruzam o rio costumam atirar primeiro.Continua após a publicidade

A expansão do grande tráfico na floresta tem produzido sequelas visíveis e invisíveis. A mais notória é o fortalecimento do Comando Vermelho. Com ramificações em 24 estados da federação, estima-se que a facção movimente algo em torno de 30 bilhões de reais por ano. Além de partilhar os rendimentos do tráfico internacional, ela recolhe pedágios das embarcações, alicia indígenas e comunidades ribeirinhas e não hesita em eliminar quem atravessar seu caminho.

INTELIGÊNCIA - Em breve: Centro Internacional vai reunir em Manaus investigadores de nove países. Foto: Polícia Federal/Divulgação

Os métodos que estão dando certo na floresta foram importados do Rio de Janeiro e se alastram pelo país. No Amazonas, as autoridades identificaram uma comunidade indígena que foi escravizada pela facção. Os índios fazem pequenos trabalhos para os traficantes em troca do oxi, um subproduto da cocaína com poder de destruição superior ao crack. Quase 80% de todos os 1 049 homicídios registrados no estado têm relação com o comércio de drogas. Para que as engrenagens funcionem em benefício das quadrilhas, a corrupção também marca presença.

Recentemente, a Polícia Federal prendeu um agente da própria instituição que facilitava a passagem dos carregamentos no aeroporto de Manaus. “A droga por onde passa vai deixando um rastro de destruição. A tríplice fronteira vive uma realidade que nós todos brasileiros olhamos de costas”, adverte Vinicius Almeida.

Veja vídeo:

O caso é reconhecido como de altíssima gravidade também entre as autoridades do Ministério da Justiça em Brasília. A droga transportada pela chamada “hidrovia do crime” na Amazônia atravessa o país em direção aos portos e gera lucros estratosféricos para as facções organizadas, as mesmas que espalham o terror hoje pelas grandes metrópoles do Brasil.

A omissão do poder público durante anos a esse movimento vai cobrar um preço caro: será preciso um esforço inédito para enfrentar de verdade essa chaga no meio da floresta. Não vai ser à base de um soldado para cada 72 quilômetros quadrados de área de fronteira que a guerra contra o crime será vencida.

ISFARCE - Flagrante: os botijões de gás escondiam tabletes de cocaína. Foto: Polícia Militar do Amazonas/Divulgação

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Acre

STF derruba lei do Acre que permitia privatização de áreas em florestas públicas estaduais

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Por unanimidade, Corte considerou inconstitucional dispositivo que concedia título definitivo de terras após dez anos de ocupação; decisão atinge cinco unidades de conservação e reacende debate ambiental na Amazônia

A Constituição proíbe a aquisição de bens públicos por usucapião. Para o relator, a regra criada pelo Acre instituía mecanismo semelhante à aquisição originária da propriedade com base na posse prolongada

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é possível transformar áreas de florestas públicas do Acre em propriedade privada após dez anos de ocupação ou concessão de uso. Por unanimidade, os ministros derrubaram um trecho da lei estadual que abria caminho para a titulação definitiva de áreas localizadas dentro de florestas públicas estaduais.

Para a Corte, a norma contrariava a Constituição ao criar uma espécie de regularização que resultava, na prática, na privatização de terras públicas inseridas em áreas protegidas. O entendimento reforça que florestas públicas só podem ter sua destinação alterada mediante critérios rigorosos e legislação específica.

O ministro Nunes Marques também afirmou que a medida viola o artigo 225 da Constituição, que garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Para ele, a desafetação automática com base apenas no decurso de prazo, sem estudos técnicos prévios e sem avaliação dos impactos ambientais, representa redução do nível de proteção ambiental.

O voto do relator invoca o princípio da vedação ao retrocesso ambiental, segundo o qual o legislador não pode enfraquecer conquistas já consolidadas na tutela do meio ambiente.

Outro fundamento apontado foi a ofensa ao regime jurídico dos bens públicos. A alienação de imóveis públicos, destacou o ministro, exige autorização legislativa específica e, em regra, licitação, conforme as normas gerais federais. Além disso, a Constituição proíbe a aquisição de bens públicos por usucapião. Para o relator, a regra criada pelo Acre instituía mecanismo semelhante à aquisição originária da propriedade com base na posse prolongada, o que é vedado pelas normas federais.

Florestas Atingidas e Mecanismo Anulado

A decisão impede a titulação definitiva de terrenos em cinco Florestas Estaduais (FES) do Acre:

  • FES do Rio Gregório

  • FES do Rio Liberdade

  • FES do Mogno

  • FES do Antimary

  • FES do Afluente do Complexo do Seringal Jurupari

A regra agora anulada, que alterava a Lei Estadual nº 1.787/2006, permitia que produtores de agricultura familiar ou extrativistas recebessem o título definitivo da área após dez anos de uso ou posse. Com o registro em cartório, a área seria automaticamente retirada da condição de floresta pública.

A Floresta Estadual do Antimary foi criada em 7 de fevereiro de 1997 com uma área total de 57.629,00 hectares, entre os municípios de Bujari e Sena Madureira. Foto: captada 

Ação e Argumentos

A ação que levou à decisão foi movida pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas, que argumentou que a medida representava risco ao meio ambiente e afrontava regras constitucionais sobre terras públicas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também questionou a lei, classificando-a como uma forma de “privatizar” áreas de domínio público dentro das Florestas Estaduais.

O ministro relator, Nunes Marques, fundamentou seu voto em três pilares principais:

  1. Violação de normas gerais da União: A norma estadual contrariava a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e a Lei de Gestão de Florestas Públicas, que determinam que florestas públicas devem permanecer sob domínio público, admitindo-se concessão de uso, mas não a transferência da propriedade a particulares.

  2. Princípio da vedação ao retrocesso ambiental: A desafetação automática da área, sem estudos técnicos prévios e avaliação de impactos ambientais, representou uma redução do nível de proteção ambiental, ferindo o artigo 225 da Constituição.

  3. Ofensa ao regime jurídico dos bens públicos: A alienação de imóveis públicos, como no caso, exigiria autorização legislativa específica e licitação. A regra criada pelo Acre foi considerada similar à aquisição de terras públicas por usucapião, o que é proibido pela Constituição.

Consequências

Com a decisão, o Estado do Acre não pode mais conceder títulos definitivos com base no dispositivo anulado, nem retirar essas áreas do regime de floresta pública.

É importante notar que, após a aprovação da lei estadual em 2024, as florestas estaduais do Acre apresentaram um aumento expressivo nas taxas de desmatamento. Dados do Imazon de agosto de 2025 mostraram que a FES do Rio Gregório, a FES do Mogno e a FES do Rio Liberdade estiveram entre as 10 unidades de conservação mais desmatadas naquele mês.

A FES do Rio Gregório, por exemplo, perdeu uma área equivalente a 200 campos de futebol. O julgamento do STF, realizado em sessão virtual entre 13 e 24 de fevereiro de 2026, encerra essa possibilidade legal e reacende o debate entre preservação ambiental e regularização fundiária na Amazônia acreana.

Ramal de acesso aos moradores da Unidade de Gestão Ambiental Integrada (Ugai), da floresta do Antimary, em Sena Madureira. Foto: captada 

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Prefeitura de Rio Branco empossa novos conselheiros e reforça compromisso com políticas públicas para as mulheres

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A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, deu posse na manhã desta segunda-feira (2), aos novos conselheiros municipais dos Direitos das Mulheres, que atuarão no triênio 2026/2029. A solenidade foi realizada na Casa Rosa Mulher, localizada no Segundo Distrito da capital.

Foto da solenidade d eposse na Casa Rosa Mulher
Prefeitura de Rio Branco dá posse aos novos conselheiros municipais dos Direitos das Mulheres. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom reforçou o compromisso de sua gestão com o fortalecimento das políticas públicas para as mulheres, destacando que o respeito a elas deve ser uma prática constante, e não apenas uma prioridade no mês de março.

Foto do Prefeito Tião Bocalom
Prefeito Tião Bocalom reforça compromisso de sua gestão com o fortalecimento das políticas públicas para as mulheres. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“O que queremos demonstrar é que o respeito pela mulher é algo permanente e vamos continuar com essa valorização em todas as esferas da nossa gestão”, afirmou o prefeito.

O gestor ainda elogiou o papel das mulheres na sociedade, ressaltando sua atuação em áreas como transporte e construção civil, que tradicionalmente eram dominadas por homens.

Prefeito de Rio Branco Tião Bocalom
O prefeito ainda elogiou o papel das mulheres na sociedade, ressaltando sua atuação em muitas áreas profissionais. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“Hoje, as mulheres desempenham funções que antes eram exclusivas dos homens, como motoristas de ônibus e caminhão, e até na construção civil, como pintoras. Elas são guerreiras e merecem ser reconhecidas”, frisou.

Suelen Araújo, diretora de Direitos Humanos, destacou a importância do conselho, especialmente no combate à violência contra a mulher.

Foto de Suelen
Suelen Araújo mencionou que as 14 novas conselheiras representam diversos órgãos, secretarias e a sociedade civil. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“O conselho tem como função garantir a segurança e dignidade das vítimas, assegurando que os casos de violação sejam denunciados e encaminhados aos órgãos competentes”, afirmou Suelen, acrescentando que fazia mais de cinco anos que o cargo de conselheiras não era preenchido. Ela também mencionou que as 14 novas conselheiras representam diversos órgãos, secretarias e a sociedade civil.

A vereadora Lucilene Vale, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Rio Branco, enfatizou a crescente preocupação com a violência contra a mulher no estado.

Foto da Vereadora Lucilene Vale
“A violência contra a mulher é uma luta de todos. Temos discutido muito isso na Câmara, com projetos e apoio às mulheres violentadas”, afirmou a vereadora. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“A violência contra a mulher é uma luta de todos. Temos discutido muito isso na Câmara, com projetos e apoio às mulheres violentadas. A cada dia, a violência só aumenta, e é uma grande preocupação para a nossa comunidade e as autoridades”, afirmou a vereadora.

Foto da Posse de novos conselheiros
Durante o mês de março, a Prefeitura de Rio Branco realizará uma série de homenagens e ações voltadas para as mulheres. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

Durante todo o mês de março, a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, realizará uma série de homenagens e ações voltadas para as mulheres, com encontros, debates e fóruns que tratarão de temas como igualdade de direitos e enfrentamento à violência. A programação busca destacar as trajetórias das mulheres, fortalecer as políticas públicas voltadas para elas e ampliar o diálogo sobre seus direitos.

Solenidade de Posse de novos conselheiros Fotos Marcos Araujo 19
Solenidade de Posse de novos conselheiros Fotos Marcos Araujo 12

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Fonte: Conteúdo republicado de PREFEITURA RIO BRANCO

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Câmara aprova urgência para venda de remédios em supermercados

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Malorny/Getty Images
medicamentos

A Câmara dos Deputadosaprovou, nesta segunda-feira (2/3), o requerimento de urgência de um projeto de lei que autoriza a venda de medicamentos em supermercados. A proposta pode agora ser analisada diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas.

A proposta determina que varejistas interessados em vender os remédios deverão instalar um espaço específico, semelhante a um quiosque de farmácia, dentro de seus estabelecimentos. Pelo texto, a venda deverá ser feita obrigatoriamente sob a responsabilidade de um farmacêutico.

O texto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado em setembro de 2025. Como tinha caráter terminativo no colegiado, seguiu diretamente ao plenário.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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