A cultura do Acre ganhou novo fôlego na manhã desta segunda-feira, 26, quando o auditório do Museu dos Povos Acreanos foi palco de um evento histórico para o setor no estado. Em um ato que celebra a diversidade e a riqueza cultural do Acre, foram lançados dez novos editais dentro da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), instituída pela lei federal nº 14.399, totalizando o investimento de R$ 16,7 milhões, um marco que representa não apenas uma injeção financeira, mas um verdadeiro compromisso com a alma artística de um povo que se expressa por meio da música, dança, teatro, artes visuais e tantas outras manifestações culturais.
Governador e presidente da FEM anunciaram dez novos editais da Pnab, totalizando um investimento de R$ 16,7 milhões. Foto: Diego Gurgel/Secom
Com público formado por gestores estaduais e municipais de cultura, trabalhadores da arte e da cultura, além de representantes comunitários, o evento foi uma verdadeira celebração das expressões culturais do estado.
“Hoje celebramos um marco histórico para a cultura do Acre. Com mais de R$ 16 milhões em investimentos, estamos fortalecendo nossa identidade, democratizando o acesso à cultura e apoiando nossos artistas e mestres da tradição. A cultura é a alma do nosso povo e, com esses editais, garantimos que ela continue vibrante e acessível a todos”, afirmou o governador Gladson Cameli, reiterando o papel da cultura no fortalecimento da identidade acreana.
Governador Gladson Cameli, destacou o compromisso do Estado com a cultura e o bem-estar social. Foto: Diego Gurgel/Secom
Já o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Minoru Kinpara, destacou o caráter inédito do investimento. “Esse é um recurso nunca antes visto na história do Acre. Somados aos valores já repassados ao longo do ano, totalizamos R$ 38 milhões destinados à valorização dos nossos artistas e à promoção da cultura em nosso estado. É um momento histórico e estamos apenas no início de um caminho que pretende fortalecer nossa economia criativa, mobilizando toda uma cadeia produtiva que envolve desde os artistas até diversas outras áreas indiretamente, mas, principalmente, a comunidade”, declarou Kinpara.
Um salto para o futuro
O lançamento dos editais da Pnab no Acre representa a concretização de um processo que vem sendo construído há quase duas décadas, com o Sistema Nacional de Cultura, como ressaltou Flávia Burlamaqui, presidente do Conselho Estadual de Cultura.
“Estamos vivendo um momento histórico. A criação da Política Nacional Aldir Blanc é a realização de um sonho coletivo. Com essa política, asseguramos um financiamento contínuo para a cultura até 2028, algo que garante a continuidade das ações culturais em nosso estado”, afirmou.
Representando a classe dos fazedores culturais, Flávia Burlamaqui reforçou a importância do momento. Foto: Diego Gurgel/Secom
Os editais lançados contemplam uma ampla gama de áreas culturais, desde o fortalecimento dos povos originários, com um investimento de R$ 1,2 milhão, até o incentivo à manutenção de espaços e organizações culturais. Um dos destaques é o edital de premiação para Mestres da Cultura, que destina R$ 900 mil para reconhecer e valorizar aqueles que carregam e transmitem a sabedoria cultural do estado.
Além dos valores financeiros expressivos, os editais também se destacam por suas políticas afirmativas, já que 25% das vagas são destinadas a pessoas negras, 10% a pessoas indígenas e 5% a pessoas com deficiência, valorizandoa inclusão e a diversidade, sublinhando a importância de garantir que todos os segmentos da população acreana tenham acesso a esses recursos.
Além dos valores financeiros expressivos, os editais também se destacam por suas políticas afirmativas. Foto: Diego Gurgel/Secom
Fortalecendo as raízes
Um dos pontos altos do evento foi a menção ao programa Cultura Viva, que será implantado no Acre com a intenção de fortalecer a rede de pontos de cultura, promovendo a inclusão, a participação social e a cidadania cultural. “Queremos que cada canto do Acre respire cultura. Esse programa vai conectar pessoas, comunidades, e ampliar o acesso à arte e à cultura para todos os acreanos”, destacou Flávia Burlamaqui, ao representar todos os fazedores de cultura do estado.
Presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Minoru Kinpara, destacou o caráter inédito do investimento. Foto: Diego Gurgel/Secom
O lançamento dos editais da Pnab no Acre não é apenas uma ação administrativa, mas integra um movimento cultural que visa democratizar o acesso à arte, fomentar a criação de novas produções e garantir que as tradições e saberes sejam preservados e valorizados, promovendo a continuidade dessa alma continue vibrante, criativa e cheia de vida.
Conheça todos os editais
Edital de fortalecimento dos povos originários – R$ 1,2 milhão Edital de premiação para mestres da cultura – R$ 900 mil Edital de bolsa e intercâmbio nacional e internacional – R$ 696 mil Edital de formação – R$ 900 mil Edital de ações continuadas – R$ 2,5 milhões Edital de arte e patrimônio – R$ 4,1 milhões Edital de Iniciantes – R$ 200 mil Edital de subsídio e manutenção de espaços e organizações culturais – R$ 1,098 milhão Política Nacional Cultura Viva (Pontos e pontões) – R$ 2.090.345,48
Faleceu nesta quarta-feira (31), aos 71 anos, em Rio Branco, Gilberto Bezerra de Farias, conhecido como Gil Trotamundos. Natural de Sena Madureira, ele se tornou um dos mais conhecidos ciclistas aventureiros do Brasil ao realizar três voltas ao mundo de bicicleta, percorrendo aproximadamente 500 mil quilômetros e visitando 142 países ao longo de mais de 45 anos de viagens.
Gil ganhou projeção internacional por suas jornadas sobre duas rodas, que lhe renderam reconhecimento no meio do cicloturismo e da aventura. Ao longo da carreira, publicou 12 livros em quatro idiomas e produziu 17 filmes, entre eles nove documentários sobre suas viagens — como a série Pedal da Liberdade — e outros oito voltados à história de seus antepassados no Acre.
Entre as homenagens recebidas, foi escolhido para conduzir a tocha olímpica em Rio Branco durante os Jogos Olímpicos de 2016 e também participou do revezamento da tocha nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.
Em entrevistas, Gil relatava ter filhos em diferentes países, reflexo de sua vida itinerante ao redor do mundo. Nos últimos meses, enfrentava um câncer e havia se mudado para Santa Catarina em busca de tratamento e para tentar se estabelecer junto à família.
A morte de Gil Trotamundos encerra uma trajetória considerada histórica para o cicloturismo acreano e brasileiro, marcada por espírito aventureiro, produção cultural e promoção do Acre no exterior.
A Prefeitura de Rio Branco entregou, na manhã desta quarta-feira (31), a nova Ponte do Caipora, uma obra histórica e muito aguardada pelos moradores da região. A entrega contou com a presença do prefeito Tião Bocalom, do vice-prefeito Alysson Bestene, do presidente da Câmara Municipal Joabe Lira, secretários municipais, lideranças comunitárias e moradores beneficiados.
A nova estrutura representa um avanço significativo para a mobilidade e a segurança da população, encerrando um longo período de isolamento enfrentado por centenas de famílias, especialmente durante o inverno amazônico, quando as cheias impediam o deslocamento e o acesso a serviços essenciais.
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a obra simboliza mais do que infraestrutura: representa liberdade, dignidade e cuidado com as pessoas. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a obra simboliza mais do que infraestrutura: representa liberdade, dignidade e cuidado com as pessoas.
“Até o ano passado, as comunidades daqui ficavam isoladas. Teve ano em que não tinha comida, porque ninguém conseguia sair. Agora, eles vão poder ir e vir com segurança. Essa ponte representa liberdade e dignidade para todo mundo. A prefeitura colocou quase dois milhões em contrapartida, porque nosso objetivo é cuidar bem do nosso povo”, destacou o prefeito.
O vice-prefeito Alysson Bestene reforçou o impacto social da obra, ressaltando o compromisso da gestão municipal em atender quem mais precisa. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O vice-prefeito Alysson Bestene reforçou o impacto social da obra, ressaltando o compromisso da gestão municipal em atender quem mais precisa.
“É uma obra de grande impacto. Quando garantimos que as famílias possam se deslocar com tranquilidade e segurança, quem ganha é a comunidade. A prefeitura tem buscado chegar a quem mais precisa”, afirmou.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, a entrega da Ponte do Caipora integra um amplo programa de investimentos em infraestrutura rural e urbana.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, a entrega da Ponte do Caipora integra um amplo programa de investimentos em infraestrutura rural e urbana. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“Estamos concluindo cerca de 100 pontes de batisteca, e esta já é a sexta ponte de concreto desta gestão. É um compromisso com a infraestrutura e com a melhoria da vida da população”, explicou.
A ponte foi construída com recursos federais, somados à contrapartida da Prefeitura de Rio Branco. Para os moradores, a obra encerra décadas de dificuldades e garante acesso permanente a serviços como saúde, educação e abastecimento.
Moradora do Projeto Moreno Maia há 28 anos, Claucilene Oliveira destacou a importância histórica da entrega. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Moradora do Projeto Moreno Maia há 28 anos, Claucilene Oliveira destacou a importância histórica da entrega.
“Essa ponte representa a nossa liberdade, o direito de ir e vir e a melhoria da qualidade de vida. Durante muitos anos, nas enchentes, ficávamos isolados e dependentes da ajuda do poder público. Agora esse problema não vai mais existir. É um sonho antigo dos moradores, aguardado por mais de 30 anos.”
O morador Pedro de Souza Marcial também celebrou a conquista. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O morador Pedro de Souza Marcial também celebrou a conquista.
“Essa ponte representa um bem muito grande pra nós. A gente ficava ilhado, tinha época que não tinha nada em casa porque não dava pra ir à cidade. O Bocalom está de parabéns. É um bem precioso pra toda a vida.”
Mais investimentos em infraestrutura rural
Ainda nesta quarta-feira, o prefeito Tião Bocalom e sua equipe seguiram para o Ramal Piçarreira, na região do Calafate, onde foi entregue mais uma ponte construída integralmente com recursos próprios do município. A obra beneficia diretamente moradores e produtores rurais, facilitando o escoamento da produção agrícola e fortalecendo a economia local.
O prefeito e sua equipe seguiram para o Ramal Piçarreira, na região do Calafate, onde foi entregue mais uma ponte construída integralmente com recursos próprios do município. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“O último dia do ano foi dedicado à entrega de obras. Estivemos na ponte do Caipora, uma obra notável, e agora entregamos outra bela ponte no Ramal Piçarreira. Essa era uma reivindicação de mais de vinte ou trinta anos.
Investimos recursos próprios, mostrando que a prefeitura tem capacidade de realizar. Isso é apoio direto aos trabalhadores e produtores rurais que colocam alimento na mesa da nossa população”, concluiu o prefeito.
Com essas ações, a Prefeitura de Rio Branco reafirma seu compromisso com o desenvolvimento, a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida, especialmente nas áreas que por décadas conviveram com o isolamento e a falta de infraestrutura.
“Nada melhor do que concluir o ano, em um dia de feriado, trabalhando e mostrando nosso compromisso com a população”, disse Joabe. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Presidente da Câmara Joabe Lira que acompanhou o prefeito nas agendas, ressaltou o memento especial para os moradores da zona rural.
“Um dia especial, o último do ano, 31 de dezembro. Estamos encerrando o ano, e não há melhor maneira de celebrar do que entregando obras. Isso demonstra o compromisso e a dedicação do prefeito, que também compartilhamos na Câmara, com a população de Rio Branco. Nada melhor do que concluir o ano, em um dia de feriado, trabalhando e mostrando nosso compromisso com a população”.
Chuvas agravaram crateras, erosões e deslizamentos; trechos entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó são os mais afetados. DNIT e PRF atuam em interdições parciais
Ao longo de 2025, a rodovia acumulou reclamações por más condições de trafegabilidade, e as fortes chuvas das últimas semanas pioraram ainda mais o cenário. Foto: captada
A BR-364, única ligação terrestre entre o Vale do Juruá e a capital Rio Branco, permanece em situação crítica e continua gerando preocupação entre moradores, motoristas e transportadores. Em 2025, a rodovia foi alvo de constantes críticas devido às más condições e, com as fortes chuvas recentes, o cenário piorou: crateras, erosões e deslizamentos têm tornado trechos intrafegáveis, especialmente entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó.
Nas últimas semanas, um trecho próximo à Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, foi parcialmente interditado após o asfalto ceder com o transbordamento de um igarapé. Equipes do DNIT e da PRF atuam no local para controlar o tráfego e reduzir riscos. Motoristas relatam que o percurso de aproximadamente 635 quilômetros, que antes levava de sete a oito horas, agora pode durar de 12 a 16 horas, causando aumento no consumo de combustível, desgaste mecânico e elevação dos custos de frete.
A rodovia segue essencial para o abastecimento e a economia regional, mas a precariedade estrutural impacta diretamente a mobilidade, a segurança e a rotina dos moradores do Juruá.
Problemas recentes:
Interdição parcial próximo à Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, após o asfalto ceder com o transbordamento de um igarapé;
Crateras, erosões e deslizamentos de pista em vários trechos, especialmente entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó;
Atuação conjunta do DNIT e da PRF para controle do tráfego e redução de riscos.
A situação precária já havia sido apontada pela CNT como uma das piores do país. Foto: captada
Impactos no tráfego:
O percurso de 635 km, que antes levava 7 a 8 horas, agora pode durar 12 a 16 horas ou mais, devido às manobras para evitar buracos e às condições climáticas.
Prejuízos econômicos:
Aumento no consumo de combustível;
Desgaste acelerado de pneus, suspensão e componentes mecânicos;
Elevação dos custos de frete e manutenção, impactando o abastecimento e a economia regional.
Motoristas relatam que a viagem se tornou “lenta e perigosa”, exigindo atenção constante para não danificar os veículos. Muitos evitam viajar à noite devido à falta de sinalização e iluminação em trechos críticos.
A BR-364 é vital para o isolado Vale do Juruá, sendo a única via para transporte de mercadorias, acesso a saúde, educação e outros serviços na capital. A situação precária já havia sido apontada pela CNT como uma das piores do país.
O DNIT afirma que está monitorando os pontos críticos e realizando intervenções emergenciais, mas obras de recuperação estrutural ainda não têm data para início. Enquanto isso, a população local cobra uma solução definitiva para o problema crônico da rodovia.
A deterioração da BR-364 reflete a vulnerabilidade logística do Acre e escancara a dependência de uma única via para integração regional – cenário que se agrava a cada temporada de chuvas.
O percurso de 635 km, que antes levava 7 a 8 horas, agora pode durar 12 a 16 horas ou mais, devido às manobras para evitar buracos e às condições climáticas. Foto: captada
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