Acre
Apesar de declarações sobre crise, repasses da União para o Acre aumentaram 11,24% em 2016
Relatório do Governo Federal derruba argumento do Governo do Estado de ter havido redução dos repasses federais. Acre recebeu R$ 329 milhões a mais que 2015
RÉGIS PAIVA, DA CONTILNET

Durante praticamente todo o ano de 2016, o governo do Estado alegou ter havido cortes nos repasses – Foto: Alexandre Lima/arquivo
Apesar do discurso oficial do Estado tem sido de uma forte redução nos repasses federais, os dados consolidados dos repasses do ano de 2016 mostraram um crescimento em cinco das seis fontes de recursos enviados pela União, com um aumento médio de 11,24% em relação ao ano de 2015.
Em valores absolutos, o Acre recebeu R$ 329,2 milhões a mais. Em termos gerais, o Estado recebeu um total R$ 2,92 bilhões do Governo Federal nos repasses obrigatórios federais. Os dois principais repasses, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), apresentaram crescimento acima da inflação.
Mesmo assim, durante praticamente todo o ano de 2016, o governo do Estado alegou durante ter havido cortes nos repasses, fato este que teria obrigado a realização de pesados cortes nas despesas públicas, contenção de gastos e a uma briga entre Poder Público e sindicatos por conta da reposição das perdas salariais para a inflação.
FPE e Fundeb, os carros chefes
O FPE em 2016 teve um acréscimo de pouco mais de R$ 276,2 milhões, com um porcentual de crescimento de 11,67% sobre 2015. O Fundeb, por sua vez, de 8,75%, com um valor a mais da ordem de R$ 48,3 milhões. A Contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre as operações realizadas com combustíveis (Cide-combustíveis), o terceiro em volume repassado, mas muito aquém do FPE e do Fundeb, teve o maior aumento percentual, com 63,76% e um valor a mais na casa de R$ 4,5 milhões.
Exportação incipiente
Os demais fundos federais: Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX), Imposto sobre Produtos Industrializados Proporcional às Exportações (IPI-Exportação) e da Lei Kandir (Lei Complementar nº 87), têm pouco impacto econômico resultaram, somados, apenas R$ 897 mil.
Ainda assim, os recursos da Lei Kandir foram os únicos nos quais os valores repassados em 2016 foram inferiores aos de 2015, mas os R$ 88,7 mil a mais são insignificantes. Mas se estes fundos não têm relevância para o Estado do Acre, isso revela a pouca importância do setor exportador para a economia nacional e local, pois são compensações por isenção de impostos para a exportação.
Eliane Sinhasique critica
A deputada Eliane Sinhasique questionou gravemente o discurso oficial da falta de recursos alegado pelo Governo do Estado. Ao ser informada da realidade econômica, a deputada não poupou críticas. “Os dados apresentados não mentem. O dinheiro dos repasses federais não faltou. Veio a mais, muito mais do que veio em 2015. Assim como também não houve redução da arrecadação própria do Estado como o alegado”, afirmou.
Para a parlamentar, o grande problema dessa administração estadual foi a falta de gestão: “A situação de dificuldades estava posta, mas quando se faz um orçamento fora da realidade para se gastar mais, é o que acontece. O problema não foi a falta de recursos, pois a realidade agora foi mostrada nos dados dos repasses federais”.
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Acre
Bocalom ironiza pesquisa que o coloca em terceiro na disputa pelo governo do Acre
Prefeito minimiza números do levantamento e diz que “pesquisa que vale é a das urnas”
Durante a inauguração do Mercado Municipal do São Francisco, na noite desta segunda-feira (23), em Rio Branco, o prefeito e pré-candidato ao governo, Tião Bocalom, reagiu com ironia aos números da mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto Delta Agência de Pesquisa.
O levantamento aponta Bocalom na terceira colocação, com cerca de 15% das intenções de voto, atrás do senador Alan Rick, que lidera com mais de 40%, e da vice-governadora Mailza Assis, que ultrapassa os 20%.
Ao comentar o cenário, o prefeito evitou aprofundar a análise e voltou a questionar a credibilidade das pesquisas eleitorais. “Comentar pra quê? Eu a vida inteira fui vítima de pesquisa. Me mostra qual pesquisa dizia, antes da eleição, que o Bocalom tinha chance de ganhar. Nenhuma”, afirmou.
A declaração contrasta com levantamentos anteriores. Em agosto de 2025, também em pesquisa do Instituto Delta, Bocalom aparecia com 19,62% das intenções de voto, ocupando a segunda colocação, enquanto Mailza tinha 13,63%.
Na comparação com o cenário atual, os dados indicam queda de aproximadamente quatro pontos percentuais para o prefeito, além da inversão de posições com a vice-governadora, que agora aparece à frente.
Apesar disso, Bocalom reforçou que não considera pesquisas como fator determinante. “Se eu fosse olhar pesquisa, nem candidato eu teria sido. Pra mim, pesquisa é o povo na rua, conversando. E no dia da eleição. Essa é a pesquisa que vale”, declarou.
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62,52% dos acreanos aprovam a gestão de Cameli
O Instituto Delta Agência de Pesquisa, contratado pela TV Gazeta, divulgou nesta segunda-feira, 23, uma pesquisa sobre a avaliação da gestão do governador Gladson Cameli, que deixará o cargo no dia 2 de abril para concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo Acre.
De acordo com o levantamento, 62,52% dos acreanos aprovam a gestão de Cameli, 28,03% desaprovam, e 9,44% não souberam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 1.006 eleitores em 18 cidades do Acre entre os dias 16 e 21 de março. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com confiabilidade de 95%. O registro da pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral do Acre é AC-08354/2026.
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“Sementes de Resistência”: força das mulheres da Transacreana ganha voz em documentário que estreia em Rio Branco
Documentário de curta-metragem sobre protagonismo de mulheres rurais da Transacreana será lançado no dia 26 de março, às 10h, no Museu dos Povos Acreanos
O documentário de curta-metragem “Sementes da Resistência” será lançado no próximo dia 26 de março, às 10h, no auditório Florentina Esteves, localizado no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco. O evento integra as ações do mês da mulher e contará com a participação de trabalhadoras rurais da região da Transacreana.
A produção destaca o papel fundamental das mulheres na conservação da agrobiodiversidade ao longo da Rodovia AC-90, conhecida como Transacreana. O documentário evidencia a atuação dessas trabalhadoras na preservação de sementes e na manutenção de práticas agrícolas sustentáveis na Amazônia acreana.
O curta-metragem é resultado do projeto de pós-doutorado da professora Rosana Cavalcante, ex-reitora do Instituto Federal do Acre (Ifac), desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Acre (Ifac) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A produção foi construída em colaboração com mulheres agricultoras da região, reconhecidas como guardiãs de saberes tradicionais.
Documentário valoriza papel das mulheres – Segundo a professora Rosana Cavalcante, o documentário retrata trajetórias marcadas pela resistência e pelo protagonismo feminino no campo. “A produção apresenta agricultoras que, por meio de conhecimentos ancestrais, preservam sementes, fortalecem a segurança alimentar e enfrentam os desafios das mudanças climáticas com sabedoria”, destacou.
Produzido pela Orna Audiovisual, o documentário aborda temas como agrobiodiversidade, sustentabilidade, agricultura familiar, protagonismo feminino, políticas públicas e a invisibilidade das mulheres rurais, além da valorização de práticas intergeracionais.
O lançamento contará com a presença de protagonistas da obra, como as produtoras rurais e líderes de associação conhecidas da região: Roselina Queiroz Leite (Dona Rosa, moradora do Barro Alto) e Maria da Natividade Oliveira Cordeiro (Dona Lôra, que atua com plantas medicinais no Km 14 e vende no Mercado Elias Mansour), além da presidente da Cooperativa Beija-Flor, do Km 72 da Transacreana, Layane Furtado Mello.
A vice-governadora do Acre, Mailza Assis Cameli, também participará do evento falando da roda de conversa que teve com as protagonistas durante a gravação do documentário, onde abordou temas importantes como as demandas das agricultoras e políticas públicas voltadas para a região.
Serviço
Evento: Lançamento do documentário curta-metragem “Sementes da Resistência”
Data: 26 de março de 2026
Horário: 10h
Local: Auditório Florentina Esteves – Museu dos Povos Acreanos
Endereço: Av. Epaminondas Jácome, 2792, Centro, Rio Branco (AC)
Fotos: Neto Lucena/Secom






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