“A Difusora é o coração do nosso Acre, a mãe de todas as emissoras”, assim Elizeu Rodrigues de Almeida, de 88 anos, tenta resumir as oito décadas de história da rádio mais longeva do estado: a Difusora Acreana. Morador do Projeto Oriente, na Transacreana, zona rural de Rio Branco, ele relembra como esse meio de comunicação desempenhou um papel social importante para as comunidades no meio da floresta amazônica, cumprindo sua missão de ser a voz das selvas há 80 anos.
Fundada em 25 de agosto de 1944, a Rádio Difusora Acreana foi, por muitos anos, o único meio de comunicação, especialmente durante as décadas de 1940 e 1950, quando essas comunidades dependiam única e exclusivamente do rádio para saber não só das notícias do estado e do mundo, mas para ter acesso às informações de familiares.
Além de contar histórias e repassar notícias, a Difusora Acreana desempenhou um papel importante na área do entretenimento, e, acima de tudo, social, não só narrando as histórias, mas construindo uma narrativa que se confunde com a do povo acreano. Neste dia 25, data em que se celebra os 80 anos dessa rádio, vamos ouvir histórias de quem guardou na memória as vozes inconfundíveis que se faziam entender nas comunidades mais distantes. Um alcance que chega a mais de 700 comunidades de difícil acesso.
Elizeu não pretende desapegar do companheiro de muitos anos: o rádio. Foto: Marcos Vicentti/Secom
“Desde criança, quando eu ainda acompanhava meu pai cortando seringa, escuto a Difusora Acreana, que é mãe de todas as emissoras, ela quem manda em tudo. Amava as mensagens, os programas do J. Conde, Franco Silva e Jorge Cardoso. Muitas vezes fui para o programa do Franco Silva passar mensagens para o meu pessoal no projeto Oriente”, relembra Elizeu.
Sua memória mais pulsante é das datas comemorativas, inclusive da própria Difusora. “Quando era aniversário da rádio, eles informavam e tinha a programação especial em datas comemorativas, como Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados, e o inesquecível Mundo Cão”, pontua bem humorado, ao afirmar que o rádio é seu fiel companheiro e que pretende ouvi-lo até o dia da sua morte. “Quando eu morrer, se quiser colocar o rádio na minha cova, pode colocar junto comigo”, disse.
Entre os imortalizados por suas vozes estão Campos Pereira, referência na crônica esportiva; Jorge Cardoso, à frente do Ritmo Rural; Franco Silva, embalando o Forró Cidade Sertão; J. Conde, que apresentava o Miscelânea Musical; Reginaldo Cordeiro, o famoso “Rei do Brega”, comandava o Carrossel Musical que levava centenas de pessoas ao estúdio da Difusora, que lotavam a área na frente do prédio e tinham a liberdade de falar nos microfones da rádio. Tem também o mais famoso, o Estevão Bimbi, com o programa Mundo Cão, e Nilda Dantas, a dama do rádio acreano, e que está no ar ainda hoje sendo a voz do povo.
Maria Alcinda lembra que foi pelo rádio que conseguiu ficar sabendo da morte do irmão. Foto: Marcos Vicentti/Secom
De colocação para colocação
Atualmente ir e voltar para a Transacreana, a 144 km do Centro de Rio Branco, é um trajeto feito em poucas horas. Porém, quando as estradas de seringas foram abertas naquela área, essa viagem durava alguns dias. Sem a facilidade da comunicação que hoje temos com o avanço da tecnologia, as mensagens da rádio enviadas aos seringais informavam a todos como foi uma viagem, se o problema foi resolvido e até se fazia pedido de entrega de dentadura.
Moradora da Colônia Capivara, Maria Alcinda Paiva, de 84 anos, ficou sabendo por um aviso na rádio que seu irmão havia morrido. Só assim ela teve tempo de ir ao velório e enterro. “A gente ficava sabendo de tudo pela rádio e fazia amizades. Jorge Cardoso é meu ‘cumpadi’, padrinho da minha filha. Naquela época só pela rádio que a gente recebia as notícias e quem não tinha rádio ia avisando aos outros”, relembra.
Aos 73 anos, Francisca das Graças de Oliveira relembra que ia muitas vezes à sede da Difusora Acreana para mandar recado àqueles que a aguardavam na cidade: “Eu ia lá na rádio passar um alô para o meu pessoal quando eu estava na cidade e até hoje eu escuto as notícias pela rádio”.
Ao longo da Transacreana são 1,5 mil famílias que ainda mantêm o hábito de ouvir as informações pelas ondas do rádio. Maria Jocilene Novais, de 54 anos, moradora da Colônia Capivara, nasceu em Feijó e se mudou para Rio Branco ainda na infância.
“Meu pai, de manhã cedo, ainda em Feijó, ligava o rádio antes de ir cortar a seringa. A gente só ouvia Difusora Acreana e todo mundo com rádio se comunicava rapidinho. A memória mais forte é que quando minha mãe adoeceu, no Seringal Bom Destino, meu pai foi pra rua e avisou que minha mãe havia falecido, e os familiares foram para lá. Essa é minha memória mais forte”, relembra.
Mas, há ainda lembranças boas musicais. Muitos cantores que hoje Maria Jocilene gosta, ela conheceu pela programação da Difusora Acreana: “Teixeirinha, Evaldo Freire, Reginaldo Rossi e Roberto Carlos. Todos eles conheci pela rádio. Faz parte da história de muita gente, porque quando a gente era criança os pais da gente já ouviam a Difusora, e isso era música boa. Naquele tempo era muito bom”.
Por muitos anos, apenas o rádio era a forma de se comunicar em algumas comunidades do estado. Foto: Marcos Vicentti/Secom
‘Mensageiros da Amazônia’ no Jô
De forma unânime, as memórias afetivas dos ouvintes estão guardadas por meio do programa “Correspondente Difusora”, que abria os microfones para a população. Era um programa feito pelo povo e para o povo, de forma a atender às demandas sociais e cumprindo seu papel democrático na área da comunicação. Foi esse elo com o público que fez o saudoso radialista Edmar Bezerra, ao lado do seu colega, Pedro Araújo, ter destaque nacional no programa “Jô Onze e Meia”, em 1997. Os dois arrancaram gargalhadas do apresentador e da plateia ao ler as mensagens que transmitiam, sendo os mensageiros de uma ponta a outra. Foi por meio de cartas que um dos apresentadores mais famosos do país ficou sabendo do programa acreano.
Na época, Edmar Bezerra revelou, ainda, que muitos iam até o programa em busca de uma companheira. “Muitas pessoas nos procuram em busca de uma mulher, anunciando a solteirice, dá as características, e, de repente, aparece. Aceitam mulher até três filhos e vivem em colônias distantes”, contou na época.
Durante todo o programa, os radialistas destacam os nomes das colocações e como era importante não mudar a linguagem das mensagens para que pudessem se fazer entender pelos seringueiros na época. Os avisos irreverentes e, em sua grande parte, até íntimos revelaram como era a comunicação no estado acreano.
Sebastião de Oliveira ficou sabendo, pela Difusora, que o homem tinha ido à lua. Na época, ele tinha 10 anos. Foto: Marcos Vicentti/Secom
O homem foi à lua
Nas andanças pela Transacreana, local de maior audiência da emissora, não era difícil ouvir que a Difusora Acreana não tinha fronteiras. O alcance era para além do território acreano, chegando a outros países. A prova disso está no acervo de cartas no museu da unidade, que reúne correspondências enviadas por ouvintes dos Estados Unidos, Rússia, Chile, Japão e Canadá.
Levando informações do Acre para o mundo e do mundo para quem estava no Acre acompanhando tudo pela frequência da rádio octogenária. “Neste 20 de julho, o homem chegou à lua” . Foi deitado em um banco de madeira após levar algumas quedas para tentar sintonizar o rádio, que ficava em uma parte alta da casa, que Sebastião Tavares de Oliveira, aos 10 anos, lá do Seringal Sacado, em Feijó, ficou sabendo da missão Apollo 11 da Nasa, que levou o homem à lua.
A notícia foi a que mais o marcou porque atiçou ainda mais a imaginação daquela criança, que, em meio à Amazônia, soube que o Acre não era longe, a lua talvez, mas o homem tinha chegado até ela naquele dia. Hoje, aos 65 anos, ainda é possível acessar aquele garoto em seus olhos enquanto ele conta a história, entusiasmado.
O hábito de ouvir a rádio, segundo ele, foi passado pelo pai, que morreu aos 104 anos, sendo um ouvinte assíduo. “Uma coisa que me marcou muito foi a notícia do homem indo à lua. Lembro de estar deitado e ouvir aquilo. Eu pegava muita queda para sintonizar, porque meu pai colocava o rádio alto e eu subia para ligar na Difusora”, relembra.
Os nomes dos seringais que ouvia no programa na Difusora Acreana também o acompanharam ao decorrer de sua vida e, anos depois, agora morador do Ramal Jarinal, pôde conhecer os locais que ouvia pelas vozes dos mensageiros da Amazônia. “A rádio faz parte da história desses seringais, porque, realmente, quando eu escutava os nomes desses locais não imaginei que um dia ia conhecer todos eles”, contou.
Manoel da Silva, aos 63 anos, escuta o rádio enquanto cumpre os afazeres de casa. Para ele, não há melhor meio de comunicação, mesmo com tantos avanços nessa área. “Escuto desde que tinha 10 anos, desde menino, quando gostava de ouvir as mensagens e as notícias. Aqui era estrada de seringa, então era como a gente tinha contato com o mundo”, completa.
Manoel da Silva não perdia as mensagens transmitidas pela rádio. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Herança cultural e memória afetiva
É difícil encontrar um acreano que não tenha uma boa história com a Rádio Difusora. Com uma programação voltada para as comunidades, a história da emissora é contada em cada memória afetiva dos ouvintes. Muitos fazem uma pausa saudosa antes de contar uma história e terminam com um sorriso nostálgico dos bons tempos em que a “voz das selvas” era o único telefone de muitos.
Maria das Graças de Lima, de 67 anos, conta que aos três anos foi morar em Plácido de Castro e a única maneira que os pais tinham de manter contato com os familiares era pelo rádio, porque toda a família morava em Rio Branco.
“Meu pai não perdia por nada desse mundo as mensagens. O único meio de se comunicar era a Difusora. A estrada era muito ruim, os caminhões passavam dias e dias e meu pai ficava ligado direto para ouvir as mensagens dos parentes. Quando o pai dele ficou doente, passaram uma mensagem informando que não tinha nenhum caminhão para levá-lo, então ele colocou a roupa na mochila e foi andando. Passou três dias, caminhava de dia e à noite dormia nas casas, na beira da estrada. E foi assim que ele ainda conseguiu ver o pai dele com vida”, relata.
Ouvintes relatam com carinho história com a Difusora Acreana. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Outra lembrança que ela tem da Difusora é sobre as melodias. Ao falar sobre as músicas, ela lembra de um casal vizinho que adorava dançar as músicas transmitidas na época. “Não esqueço nunca da imagem deles dois dançando, porque esperavam o horário das melodias para dançar e ficavam assim até o fim do programa”, revela. E, atualmente, ela ainda mantém contato com alguns ouvintes pelos próprios programas. Sem conhecer pessoalmente, no seu ciclo de amizade está quem divide a paixão pela rádio. “Até hoje eu passo alô para os ouvintes”, completa.
Sobre os 80 anos da Difusora, o que mais precisa ser enaltecido nessa trajetória, segundo ela, é o serviço social prestado à população, oferecendo as condições para algo básico da cidadania: comunicar-se. “Quero parabenizar a rádio Difusora pelos 80 anos, uma rádio de muita serventia, uma rádio dos pobres, daqueles que ficam nos locais bem longe, que não têm acesso à cidade e que, por meio da Difusora, ficam se atualizando, porque sabemos que hoje a tecnologia foi longe demais, mas a Difusora chega mais longe ainda. E eu mesma tenho um rádio que fica do lado da minha pia e quando vou lá pra trás da casa, levo ele também, pra não perder nada”, ressaltou.
Maria das Graças ainda escuta diariamente a Difusora Acreana. Foto: cedida
Ouvir rádio foi hábito que Dira Brasil herdou dos pais ainda criança. Hoje, aos 70 anos, ela mora em Rio Branco, mas morava em Tarauacá, época em que começou a ouvir o programa Espaço do Povo, comandado por Nilda Dantas.
“O que mais me encanta na rádio são os funcionários que trabalham nela, porque nunca deixam de dar ouvidos às pessoas que buscam informação e até encontrar seus familiares, porque era muito comum as famílias se reencontrarem por meio das mensagens da rádio. É muito grande a importância da Difusora, de ondas longas que chegam até as colônias, seringais, ribeirinhos e informam os fatos a todos. Até hoje escuto todos os acontecimentos da Rádio Difusora Acreana”, enfatizou.
Luciane de Carvalho Silva é de Sena Madureira. Começou a ouvir a rádio devido à programação evangélica que tinha em sua grade, um programa infantil apresentado pela irmã dela, Lucinaira Silva, conhecida como tia Naira.
“O meu programa favorito ainda é a hora das notícias, porque quem é dona de casa não tem como ficar com o celular na mão, mas quando estamos com o rádio, estamos ouvindo as notícias enquanto lavamos a roupa, arrumamos a casa e fazemos a comida. Na minha visão, o rádio, independente de outros meios tecnológicos, continua sempre em primeiro lugar, porque tem muita gente distante da cidade que não tem luz, e no rádio basta uma pilha para você conseguir saber das notícias. Ainda temos o programa de aviso da cidade para o interior, e todos os dias ainda escuto. Quero parabenizar pelos 80 anos da Rádio Difusora Acreana. Nós precisamos de você e você precisa de nós”, enfatiza ao dizer que atualmente o seu filho também é locutor da rádio em Sena Madureira, demonstrando que a rádio faz parte da história da família.
O rádio vive e resiste
E se alguém considera que a rádio ficou para trás com o avanço da tecnologia, está enganado. Os outros meios chegaram para somar e potencializar a Difusora, aumentando o alcance e ressignificando as formas de informar seus ouvintes. A prova disso é a dona de casa Marfiza de Queiroz Melo, que, mesmo fora do estado, se mantém informada pela rádio dos acreanos.
Natural de Xapuri, seringal Porto Manso, ela cresceu vendo o pai ouvir a rádio e foi se encantando e adquirindo o mesmo costume. “Naquela época ninguém sonhava com internet e nós escrevíamos cartas aos locutores. Era muito bom. E até hoje ainda escuto a rádio. Estou fora do meu Rio Branco, mas meu Rio Branco veio comigo, porque acompanho a Difusora pela internet. Isso pra mim é maravilhoso”, detalha.
O objetivo dessas mudanças é integrar o jornalismo das 11 emissoras do sistema de comunicação do governo do Acre, localizadas em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Xapuri, Sena Madureira, Feijó e Brasileia.
Além de ouvir assiduamente o Gente em Debate e toda a programação da Difusora, o jovem Rikelmi Costa de Souza,17 anos, que mora na comunidade São Miguel, no Rio Purus, mostra como a rádio está inserida em seu dia a dia. No seu perfil nas redes sociais, ele mostra que a programação da Difusora é a trilha sonora da família inteira, enquanto estão na casa de farinha e fazendo o trabalho na roça.
“Desde os meus três anos de idade meus pais me influenciaram a gostar de ouvir rádio. Aqui, antes não tínhamos acesso à internet e todos ouvíamos rádio e continuo ouvindo, porque gosto e sei que a rádio ainda é o melhor meio de comunicação. Me encanta que, mesmo com muitos anos, a rádio ainda continua levando a comunicação para milhares de pessoas”, reforça.
O jovem diz, ainda, que sempre que está conectado ao rádio, é uma forma de manter-se informado de tudo o que está ocorrendo: “Todos os anos quando estamos quebrando castanhas, o rádio é o nosso único meio de comunicação, pois no lugar que quebramos castanhas não tem internet e nem outro meio de comunicação. Muitas vezes acontece algo e sabemos pelo rádio ou alguns comunicados chegam por meio do rádio, por isso é muito importante para a minha comunidade”.
Nilda Dantas está há 35 anos na Rádio Difusora Acreana. Foto: Cleiton Lopes/Secom
Porta-voz da Amazônia
Dos 80 anos de Difusora Acreana, em 35 a radialista Nilda Dantas se mantém na programação da emissora, abrindo espaço para a comunidade. Como características fortes da apresentadora estão a desenvoltura, criatividade e independência em manter o programa no ar.
“Tive o privilégio de ser, na maioria das vezes, locutora, animadora, apresentadora. Era assim que nos chamavam. Então, com a frequência de cartas, a partir daí travei um espaço bem gigantesco da minha área de atuação, construindo amizades com essas pessoas que escreviam cartas. A maior parte dos meus amigos conheci por meio do meu trabalho como comunicadora, em específico com o pessoal que escrevia cartas”, relembra ao afirmar que as cartas sempre foram um combustível para a sua atuação.
Sobre as outras mídias que apareceram com o surgimento da internet e das redes sociais, a experiente radialista vê os avanços como uma forma de fortalecer as mídias tradicionais. “A internet veio para enriquecer mais ainda, contribuir com nosso conhecimento e acelerar até algumas ações que a gente foi descobrindo aos poucos. Me sinto feliz em ter esses ouvintes que nos acompanham e nos dão esse privilégio de sempre estarem nos incentivando”, reconhece.
O diretor da Rádio Difusora, Raimundo Fernandes, fortalece a missão social da rádio ao relembrar que foi por meio dela que foram feitos muitos casamentos, batizados, encontros, entre outros serviços. “O juizado sempre utilizou nossa frequência para batizar, pastores para realizar culto, de manter essa interação entre o ribeirinho, o homem do campo ou as pessoas que moram no centro ou zona rural. Somos uma espécie de porta-voz, daí vem o nome ‘A voz das selvas’, porque ocupamos tudo isso e temos o maior respeito por essas pessoas”, completa.
Diretor da Difusora, Raimundo Fernandes, diz que tecnologia veio para potencializar o alcance da rádio. Foto: Cleiton Lopes/Secom
Ele destaca, que mesmo em um mundo digital, ainda há locais da Amazônia onde a internet não chega. “Nós exercemos um papel social grande, porque as pessoas ainda acham que vir para a cidade e mandar uma mensagem por meio da rádio para alguém que está em uma comunidade é importante”, disse.
A Difusora traça novos rumos, mas sem perder sua essência e fazer jus à missão que a pôs no ar. Jefson Dourado, coordenador de Jornalismo das rádios, enfatiza que a rádio ainda é um dos principais meios de comunicação no estado.
“O rádio é um dos principais veículos de comunicação no mundo. Ao contrário do que muitos pensavam, ele aproveitou as novas tecnologias e se aprimorou. Hoje, além das transmissões tradicionais, também está em todas as plataformas da internet. Sua audiência e a sua credibilidade são gigantes nas cidades e na zona rural. O rádio não se comunica apenas para nichos, mas para todos. A Difusora Acreana é um exemplo disso. Aos 80 anos continua sendo a principal fonte de informação, serviço e entretenimento a milhares de pessoas diariamente”, frisou.
‘Voz das Selvas’ faz parte da história de muitos acreanos. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Comunicação: pilar da democracia
Para a secretária de Comunicação do Estado, Nayara Lessa, o marco de 80 anos da emissora é assinalado por investimentos em equipamentos, reforma do prédio e reconhecimento dos serviços prestados. “A Difusora fornece informações relevantes, oferece entretenimento significativo para as pessoas, fortalece o senso de nossa comunidade e dá voz para as pessoas comuns dos locais mais distantes, isolados do nosso estado, promovendo diálogo e participação. O governo do Estado do Acre tem trabalhado nesses últimos cinco anos para fortalecer ainda mais o nosso sistema público de comunicação”, pontuou.
A titular da pasta disse, ainda, que a Difusora é uma família que tem se mantido no foco de chegar aos locais que os outros meios ainda não conseguem alcançar: “Queria muito enfatizar o trabalho de todos esses profissionais da nossa Rádio Difusora, que têm dado a vida mesmo pela rádio ao longo desses anos. Então, esse agradecimento é estendido a todas essas pessoas. E agradecer também ao nosso governador Gladson Cameli, por investir na comunicação”.
Para o governador Gladson Cameli, o investimento em comunicação é sinônimo de transparência e proximidade daqueles que estão em locais mais distantes.
“Como um defensor da democracia, acredito que a comunicação é um pilar imprescindível para a manutenção dela. Fico feliz e orgulhoso dessa trajetória de 80 anos da Difusora Acreana, que tem sido não apenas a voz do povo acreano, mas uma ferramenta de acesso a serviços de cidadania, como já foi citado, e também de suporte social a todos nós. Temos vozes de grandes personalidades imortalizadas pela nossa rádio, por acreanos que nos ajudaram a documentar nossa história com uma linguagem simples e assertiva. No que depender de mim, a Difusora continuará sendo fortalecida, dando continuidade para potencializar a comunicação do nosso povo. Parabéns a todos os que fazem parte deste sistema e que levam informação, entretenimento e cidadania a qualquer canto do nosso estado”, ressaltou.
São 80 anos de história e as mensagens aos seringueiros fizeram com que a rádio fosse destaque nacional. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Essa história que envolve tantos acreanos, de vozes eternizadas na memória afetiva de quem já partiu e de quem vive hoje, ainda acompanhando essa gigante da comunicação, não poderia terminar diferente. Sebastião Tavares de Oliveira, aquele que ficou sabendo que o homem foi à lua pela Difusora Acreana, pediu para declamar uma poesia em homenagem aos 80 anos da rádio que fez e faz parte da sua vida. Dessa vez, ele será a voz que vai representar os ouvintes em uma homenagem justa aos mensageiros da Amazônia.
“Falo da ecologia com bastante atenção, para que o planeta terra se livre desta poluição.
As matas são tão lindas, todas esverdeadas, tem coisas importantes e também muito engraçadas.
Amigo, eu te digo, e preste atenção, não queime o verde, pois causa poluição,
Traz consequência para você adoecendo teu pulmão.
Se duvida do que eu digo, faça o seu querer, pois sei que é errado e não devo fazer,
Pois nossa vida é muito valiosa, várias pessoas entendem, mas outras são teimosas.
Amigo, lute e se apresse, pense no futuro, não faça do planeta um entulho, que as futuras gerações te agradecem”.
A Prefeitura de Epitaciolândia realizou, na tarde desta terça-feira, 10, na Biblioteca Municipal, uma reunião estratégica para apresentação e alinhamento do Projeto Hospeda Alto Acre, iniciativa que visa o mapeamento, credenciamento e divulgação de meios de hospedagem formais e alternativos no município e em toda a região do Alto Acre.
A apresentação do projeto foi conduzida pela Secretária Municipal de Planejamento – SEPLAN, Neiva Tessinari, que destacou a importância da organização da rede de hospedagem diante do fortalecimento do calendário cultural, turístico e esportivo do município, com destaque para o Circuito Country 2026, além de feiras, shows e eventos institucionais.
O projeto tem como objetivo organizar a oferta de hospedagem, garantindo acolhimento adequado a visitantes, turistas, artistas, equipes técnicas e participantes de grandes eventos, além de fortalecer a economia local, fomentar o turismo regional, gerar renda e valorizar a hospitalidade da população.
Durante a reunião, foram discutidas as etapas do projeto, que incluem a publicação de edital de chamada pública, período de inscrições, análise das informações, consolidação de um banco de dados atualizado e a divulgação institucional das hospedagens credenciadas nos canais oficiais do município.
Participaram da reunião o prefeito Sérgio Lopes, acompanhado do vice-prefeito Sérgio Mesquita; a secretária municipal de Planejamento, Neiva Tessinari; a secretária municipal de Cultura, Francisca de Oliveira; o secretário municipal de Turismo, Jonas Cavalcante; a secretária municipal da Mulher, Jamiele Albuquerque; e a chefe de Gabinete, Lucineide Aparecida, Marcelo Galvão Secretário Municipal de Esportes e Francisco Rodrigues Secretário de Finanças.
A Prefeitura de Epitaciolândia reforça que o Projeto Hospeda Alto Acre representa mais um avanço no planejamento estratégico do município, preparando a cidade para receber grandes públicos com organização, qualidade e segurança, consolidando Epitaciolândia como um destino turístico acolhedor e preparado para o desenvolvimento sustentável.
A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), tem intensificado os trabalhos de manutenção viária em diferentes regiões da capital, com foco na recuperação de ruas e na melhoria da mobilidade urbana. Nesta terça-feira (10), as equipes estiveram concentradas na Rua São José, no bairro Floresta Sul, executando serviços de recomposição do pavimento.
A intervenção inclui a retirada do solo saturado, material comprometido pela umidade e a substituição por insumos adequados para garantir maior durabilidade da via. O processo técnico envolve ainda a aplicação de material bruto, o tratamento da camada de subbase, a preparação da base e, por fim, o revestimento asfáltico.
Segundo o encarregado Francenildo Cacau, os serviços seguem o planejamento, sujeito às condições climáticas. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
De acordo com o encarregado da obra, Francenildo Cacau, os serviços seguem um cronograma condicionado às condições climáticas. “Estamos realizando a recomposição do pavimento com a troca do solo, substituindo o material saturado. Depois entra o material bruto, fazemos o tratamento da subbase, em seguida a base e, por fim, preparamos tudo para receber o revestimento. Trabalhamos conforme o clima permite, porque o período de inverno pode interromper as atividades. Com sol, seguimos normalmente”, explicou.
Trabalhos atuam simultaneamente nas regionais da cidade, com serviços de pavimentação, remendo profundo e drenagem. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Além da Rua São José, outras frentes de trabalho atuam simultaneamente nas regionais da cidade, com serviços de pavimentação, remendo profundo e drenagem. A iniciativa busca atender diversos bairros de forma contínua, garantindo mais segurança e conforto para motoristas e pedestres.
No bairro Vitória, na estrada São Francisco, outra equipe realiza serviços de tapa-buracos e recapeamento asfáltico. O responsável pela obra, Pedro Henrique, destacou que a ação contempla toda a extensão da via.
No bairro Vitória, na estrada São Francisco, outra frente de trabalho executa serviços de tapa-buracos e recapeamento do asfalto. Segundo o responsável pela obra, Pedro Henrique, as intervenções abrangem toda a extensão da via. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“Nessa localidade, estamos fazendo tapa-buracos, retirando o material saturado que está mole e colocando asfalto de qualidade. Também há serviço de recapeamento, e esse trabalho seguirá por toda essa via, até a entrada do Quixadá”, afirmou.
A Prefeitura reforça que os trabalhos fazem parte de um cronograma permanente de manutenção viária, com o objetivo de melhorar a trafegabilidade, reduzir riscos de acidentes e promover mais qualidade de vida à população.
João Carlos Catoquina foi atingido na perna ao buscar ervas medicinais; liderança acusa invasores e pede investigação urgente
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma operação de retirada de invasores na Terra Indígena Campinas Katukina, no Acre. Foto: captada
Com Juruá 24horas e Ibama
Um indígena foi baleado na perna após acionar uma armadilha improvisada com arma de fogo na Terra Indígena Campinas-Katukina, em Cruzeiro do Sul, no último domingo. A vítima, João Carlos Catoquina, estava na mata coletando ervas medicinais para tratar o neto quando o disparo ocorreu. O projétil atingiu a panturrilha, mas não atingiu o osso, evitando ferimentos mais graves.
A denúncia foi feita pela liderança Puá Nuke Koí, que afirmou que o uso de armadilhas com armas não faz parte da cultura do povo Nuke Koí. “Essa armadilha foi colocada por alguém de fora, do entorno da terra indígena”, declarou. No mesmo dia, outro disparo na área matou o cachorro de um parente e quase atingiu a esposa do cacique.
Após o acidente, João Carlos foi atendido pela equipe de saúde indígena, socorrido pelo Samu e encaminhado para Cruzeiro do Sul. Puá Nuke Koí esteve na cidade para registrar a ocorrência e cobrar investigação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Polícia Federal e outros órgãos. “O que aconteceu representa um risco real à vida do nosso povo”, concluiu.
Equipes federais destruíram acampamentos temporários utilizados por ocupantes ilegais e apreenderam equipamentos empregados no desmatamento, como motosserras, lonas, ferramentas e estruturas de apoio às práticas ilícitas. Foto: Ibama/AC
No último mês de novembro de 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma operação de retirada de invasores na Terra Indígena Campinas Katukina, Cruzeiro do Sul, no Acre. A ação, foi realizada durante o feriado da Proclamação da República, ocorreu em cooperação com a Polícia Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF).
A iniciativa integra a segunda fase da Operação Xapiri AC, que atua no enfrentamento a crimes ambientais em territórios indígenas no acre. Feriados e fins de semana costumam ser aproveitados por invasores para avançar sobre áreas protegidas.
Durante a fiscalização, as equipes federais destruíram acampamentos temporários utilizados por ocupantes ilegais e apreenderam equipamentos empregados no desmatamento, como motosserras, lonas, ferramentas e estruturas de apoio às práticas ilícitas. O objetivo das ações é desarticular a logística da ocupação e impedir a continuidade da degradação ambiental, principalmente em terras indígenas.
A ação ocorreu após levantamentos do Grupo de Combate ao Desmatamento do Ibama no Acre, que identificou focos de desmatamento e ocupações ilegais na porção sudoeste da Terra Indígena. Na primeira fase da operação, houve prisões em flagrante e multas que somam cerca de R$ 390 mil.
Segundo o coordenador, um grupo interinstitucional de comando e controle foi estabelecido para monitorar os envolvidos. As investigações preliminares indicam que o objetivo dos invasores era lucrar com a grilagem para futura implantação de atividades agropecuárias.
A Operação Xapiri AC reforça o compromisso do Estado brasileiro com a proteção dos povos indígenas, a preservação da Amazônia e o combate às ocupações ilegais em áreas de relevante interesse socioambiental.
Acampamento ilegal é destruído durante operação integrada na Terra Indígena Campinas Katukina, no Acre. Foto: Ibama/AC
Diante da gravidade dos fatos envolvendo o indígena João Carlos Catoquina, que foi baleado na perna, a liderança geral do povo da aldeia Katukina, Puá Nuke Koíesteve esteve em Cruzeiro do Sul para registrar oficialmente a denúncia e cobrar providências das autoridades que recentemente estiveram nas terras dos Campinas Katikinas em uma ação. Ele informou que busca apoio de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Polícia Federal e outras instituições responsáveis.
“Viemos às autoridades para que esse caso seja devidamente investigado e esclarecido. O que aconteceu foi dentro do nosso território e representa um risco real à vida do nosso povo”, concluiu.
Um indígena acabou caindo em uma armadilha com arma de fogo, que atingiu sua perna, na altura da panturrilha. Segundo o líder Puá, o disparo não chegou a atingir o osso. Foto: captada
Terra Indígena Campinas-Katukina, município de Cruzeiro do Sul
Para contextualizar a importância da Terra Indígena Campinas/Katukina, é fundamental compreender quem é o povo que habita esse território e a relação histórica que mantém com a região.
O povo Noke Ko’í, também conhecido como Katukina, pertence ao tronco linguístico Pano e soma atualmente cerca de 895 pessoas, segundo dados da Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). As comunidades vivem em duas terras indígenas: a TI Campinas/Katukina, com aproximadamente 32.633 hectares, e a TI Rio Gregório, que se estende por cerca de 187.400 hectares. Esses territórios estão localizados nos municípios de Tarauacá e Cruzeiro do Sul, no Acre.
A história do povo Noke Ko’í é profundamente ligada aos rios e à floresta. De acordo com sua tradição oral, a origem do povo remonta a um mito ancestral que narra o surgimento dos primeiros Noke Ko’í a partir de uma oca situada à beira do mar, semelhante a uma teia de aranha. Sem conseguir sair, eles clamaram por ajuda até que Deus os ouviu, abriu uma porta e permitiu que seguissem seu caminho. Na travessia de um grande rio, um jacaré teria servido de ponte. Embora o mito mencione o mar, os próprios Noke Ko’í afirmam que sua origem está ligada à região do rio Juruá, onde vivem até hoje, especialmente às margens do rio Campinas.
O primeiro contato intenso com a população não indígena ocorreu durante o ciclo da borracha. Os Katukina passaram a trabalhar nos seringais para garantir a própria sobrevivência, cortando seringa em troca de alimentos e outros itens básicos. Além disso, realizavam trabalhos braçais, como o preparo e o cultivo de roças. Naquele período, tanto indígenas quanto não indígenas viviam sem posse formal da terra, deslocando-se conforme a oferta de trabalho, a presença de peixes nos rios e a abundância de caça na mata.
Ao longo desse processo, os Noke Ko’í viveram em diferentes seringais da região, como o Seringal Rio Branco, no rio Tauarí, o Seringal Sete Estrelas, no rio Gregório, e, por fim, o Seringal Campina, área que deu origem à atual Terra Indígena Campinas/Katukina.
A luta pela garantia territorial ganhou força a partir da atuação do sertanista Antônio Macedo e do antropólogo Terri Valle de Aquino, que, à época, integravam a Comissão Pró-Indígenas do Acre. O trabalho resultou na demarcação da Terra Indígena em 1984, com homologação oficial em 1993. As principais lideranças envolvidas nesse processo histórico foram Francisco de Assis da Cruz e André Rodrigues de Souza.
Hoje, a Terra Indígena Campinas/Katukina representa não apenas um espaço físico, mas um território de memória, identidade cultural e sobrevivência para o povo Noke Ko’í, cuja relação com a floresta e os rios permanece central para seu modo de vida.
De acordo com Puá Nuke Koí, liderança geral do povo, o caso aconteceu por volta das 11 horas da manhã, na aldeia Katukina. A vítima foi João Carlos Catoquina, seu tio. Foto: captada
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