Conecte-se conosco

Brasil

Regulamentação das redes sociais é prioridade do Executivo, com atuação da Fazenda e AGU

Publicado

em

Regulamentação das redes é prioridade do governo
Marcello Casal Jr/Agência Brasil – Arquivo

No país, 23 casos de conduta envolvendo as big techs foram registrados, expondo dificuldades no cenário brasileiro

Do R7 com Estadão Conteúdo

A regulamentação das redes sociais é uma das prioridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para o exercício de 2025. O Executivo analisa diversas propostas, como definir regulamento para a atuação dessas empresas em território brasileiro, uma vez que não há legislação. A ideia é evitar práticas anticompetitivas.

São 23 casos de conduta envolvendo as big techs. Em outra frente, a Advocacia-Geral da União estuda uma resposta para as plataformas em eventual desrespeito às leis nacionais.

A medida é analisada pelo Ministério da Fazenda, chefiado por Fernando Haddad. Inicialmente, a ideia é a adoção de propostas legais e infralegais que visam fortalecer a regulação brasileira diante de eventuais práticas anticompetitivas das big techs, como Google, Apple, Amazon e Meta – dona do WhatsApp, Instagram e Facebook. Atualmente, não há um regulamento para a conduta dessas empresas no país.

Durante audiência pública realizada no ano passado, o governo recebeu reclamações de empresas relacionadas à cobrança de taxas e de limitação de acesso de consumidores pelas plataformas sociais. Em outubro, a Secretaria de Reformas Econômicas, comandada por Marcos Barbosa Pinto, apresentou um relatório em que aponta que 23 casos de conduta envolvendo as redes sociais foram registrados até 2023, com base em dados do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O objetivo, então, é evitar práticas predatórias das big techs ao limitar ou encarecer o acesso de consumidores a produtos e empresas. A proposta se baseia em regras aplicadas em outros países, como Inglaterra e Alemanha. Na ocasião, o governo apresentou a ideia inicial. Pelo texto, o Cade, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, passa a ser o regulador da atuação das grandes empresas, que deverão cessar algumas práticas. Uma delas é a preferência de exibição de produtos vendidos na própria plataforma ou cláusulas de exclusividade.

Essas regras, segundo a proposta, seriam definidas previamente, baseadas no faturamento das empresas, relevância no mercado, dominância em números de usuários, entre outros fatores. Os critérios devem ser estruturados posteriormente em projeto de lei endereçado ao Congresso Nacional. Há diversos textos sobre o tema em tramitação no Legislativo, e a opção de utilizar uma proposta em andamento pelos parlamentares não é descartada.

Na regulamentação do tema em nações da União Europeia, as big techs foram chamadas de “gatekeepers”, em que funcionam como a porta de entrada para consumidores e empresas. Aqui, porém, o caminho adotado deverá ser outro. Isso porque integrantes da secretaria falam em modelo intermediário, com condutas prévias adaptadas ao negócio de cada uma das plataformas e com os problemas traçados pelo Cade.

O Executivo alerta sobre a necessidade de atualizar as regras sobre as condutas anticompetitivas. Nesse caso, seria possível demandar informações da atuação das big techs no digital, em caso de aquisições e fusões. Dessa forma, é possível corrigir os parâmetros para que o alvo das propostas seja apenas as grandes plataformas, com real dominância no virtual.

Casos de conduta

O relatório da Fazenda sobre os casos de conduta envolvendo as big techs expõe o cenário no país. O primeiro foi registrado em dezembro de 2011 e o mais recente, 2022. Do total de 23 fatos, apenas três resultaram na assinatura de termo de cessação de comportamento. Segundo especialistas, as negociações são complexas e existem entraves que precisam ser superados.

“Casos antitruste são investigações ou processos conduzidos por autoridades de concorrência para identificar práticas comerciais que possam prejudicar a livre concorrência no mercado. Essas práticas podem incluir, por exemplo, monopólios, cartéis, abuso de poder econômico ou acordos entre empresas para eliminar a concorrência”, explica Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em direito digital e proteção de dados.

Questionado sobre a razoabilidade do número de casos apurados, Coelho diz que os dados refletem uma movimentação relevante, mas não necessariamente surpreendente. “O fato de apenas três casos terem resultado na assinatura de Termos de Cessação de Conduta pode indicar que as negociações são complexas e que o próprio Cade ainda está construindo expertise em relação às peculiaridades do mercado digital”, analisa.

O especialista afirma que as sugestões do governo são um “passo necessário e alinhado com tendências internacionais” para “evitar o abuso de poder econômico e garantir a concorrência legal”. Segundo Coelho, a viabilidade da proposta, porém, depende de diversos fatores, como a implementação de mecanismos de fiscalização e criação de normas que equilibrem a proteção da concorrência com a preservação da inovação.

“Há um risco de que, se a regulação for excessivamente rígida, ela possa sufocar a inovação, especialmente para startups e pequenas empresas que competem com gigantes digitais. Por outro lado, sem regulação adequada, o poder de mercado das big techs pode ser usado de forma abusiva. A questão central será encontrar esse equilíbrio. A proposta é um bom começo, mas sua eficácia dependerá da forma como ela será implementada e ajustada às realidades do mercado digital”, argumenta Coelho.

Advocacia-Geral da União

Em outra frente, o governo Lula também discute a atuação das redes sociais via AGU (Advocacia-Geral da União). Após o anúncio das mudanças na checagem de fatos pela Meta, em 7 de janeiro, o órgão realizou uma audiência para debater o tema. Foram convidados para a reunião 41 atores – a controladora do WhatsApp, Facebook e Instagram não enviou representante. Na ocasião, o ministro Jorge Messias afirmou que o Executivo não faz pré-julgamento das redes sociais, mas que preza por um ambiente seguro para a população brasileira.

O chefe da AGU explicou que a preocupação do governo é que a segurança não fique apenas em vias presenciais, mas sim com extensão para o digital. “Não podemos desconhecer que as mudanças implementadas, algumas sabemos e outras não, afetam a vida de milhões de brasileiros”, disse Messias. As informações debatidas e ideias de especialistas serão enviadas ao Supremo Tribunal Federal, para a sociedade e Congresso Nacional.

A regulamentação das redes sociais ganhou força recentemente com as mudanças da Meta, como término de checagem de fatos e autorização para publicação de conteúdos preconceituosos. Por enquanto, não há base legal para eventual suspensão das plataformas no país, de acordo com especialistas. No entanto, em caso de desrespeito às leis brasileiras, o governo vai acionar a Justiça para que as big techs se enquadrem na soberania da legislação do Brasil.

Comentários

Continue lendo
Publicidade

Brasil

Ação de vacinação em Rio Branco imuniza mais de mil pessoas

Publicado

em

A ação ocorreu em cinco pontos estratégicos da capital. As quatro Unidades de Referência de Atenção Primária (URAPs) atenderam a população das 7h às 17h, enquanto o ponto instalado no Via Verde Shopping

A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, alcançou um resultado expressivo na ação de vacinação realizada no último sábado (28), com foco no combate à meningite e na ampliação da cobertura vacinal na capital.

A mobilização resultou na imunização de 1.009 pessoas, reforçando o compromisso da gestão municipal com a prevenção de doenças e a promoção da saúde pública.

Ao todo, foram aplicadas 800 doses contra a meningite, 160 contra a Influenza e 49 contra o HPV, demonstrando a ampla adesão da população à campanha.

A ação ocorreu em cinco pontos estratégicos da capital. As quatro Unidades de Referência de Atenção Primária (URAPs) atenderam a população das 7h às 17h, enquanto o ponto instalado no Via Verde Shopping funcionou das 14h às 22h, facilitando o acesso, principalmente para trabalhadores e famílias que não conseguem ir às unidades de saúde durante a semana.

De acordo com a técnica de enfermagem da Vigilância em Saúde, Sâmmia Crystina, a grande procura demonstrou a conscientização da população sobre a importância da imunização.

“Essa ação foi muito importante porque levou a vacina para mais perto das pessoas. Muita gente aproveitou a oportunidade para se proteger contra a meningite, além da gripe e do HPV”, destacou a profissional.

Entre os vacinados estava o adolescente Nicolas Afonso, de 12 anos, que recebeu três imunizantes. Para ele, a vacinação é uma forma de se proteger contra doenças graves.

“É importante se imunizar, principalmente contra a meningite, que é uma doença perigosa. Agora sei que estou protegido”, afirmou o adolescente.

Pais e responsáveis também aprovaram a iniciativa. Lia Pessoa, mãe da adolescente Yasmim Pessoa, de 13 anos, ressaltou a importância da campanha.

“É uma ação de extrema relevância. A prefeitura está facilitando para que os pais mantenham a caderneta de vacinação dos filhos em dia”, disse a mãe.

Já a advogada Dávila Reis, mãe de Lívia Andrade, de 12 anos, destacou a praticidade da ação realizada no Via Verde Shopping.

“Fiquei sabendo pelas redes sociais e achei excelente. A gente vem ao shopping e já aproveita para vacinar. Isso protege nossos filhos e toda a população”, pontuou Reis.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, avaliou a ação como um sucesso e reforçou que novas estratégias semelhantes continuarão sendo realizadas.

“Alcançar mais de mil pessoas vacinadas mostra que estamos no caminho certo. Nosso objetivo é ampliar cada vez mais o acesso à vacinação, proteger a população e prevenir doenças que podem ser graves”, afirmou o gestor.

Comentários

Continue lendo

Brasil

Petecão acredita que PSD dará liberdade aos estados e vê dificuldade de aliança com PL no Acre: “Tentam passar que só eles são de direita”

Publicado

em

Senador afirma que legenda de Kassab não deve impor alianças; declara ser de centro e rechaça extremismos; critica vantagem da máquina estatal nas eleições acreanas

“Não acredito que o Kassab vá forçar qualquer barra; a tendência é dar liberdade para cada estado decidir seu caminho”, enfatiza o senador acreano. Foto: captada 

O senador Sérgio Petecão acredita que a direção nacional do PSD, partido dele, vai deixar seus correligionários livres nos estados para promoverem as alianças que acharem mais interessantes, na disputa deste ano .

“Não acredito que o Kassab vá forçar qualquer barra; a tendência é dar liberdade para cada estado decidir seu caminho”, enfatiza o senador acreano.

Dificuldade de aliança com o PL

Em outro trecho da fala dele, Petecão destaca que o PSD tem dificuldade de fazer aliança com o PL de Bittar e Bocalom, no Acre:

“Além disso, temos dificuldade de aliança com o PL, que tenta passar para a população que só eles são de direita, o que não corresponde à realidade”, ressalta.

Posicionamento político

Em entrevista recente ao podcast Papo Informal, Petecão disse que é de centro e rechaça qualquer extremismo, seja de direita, seja de esquerda.

Vantagem da máquina estatal

Petecão afirmou, ainda, que a máquina estatal sempre leva vantagem nas eleições, no Acre:

“Aqui é difícil, porque são poucos candidatos com estrutura, e quem está agarrado na máquina, seja da prefeitura ou do governo, sempre leva vantagem”, ressaltou ao jornal O Globo.

Comentários

Continue lendo

Brasil

Bocalom afirma que ainda não decidiu se deixa o PL; prioridade é permanecer na legenda, mas PSDB e Avante são alternativas

Publicado

em

Prefeito de Rio Branco diz que espera definição após reunião entre Valdemar da Costa Neto e senador Márcio Bittar; decisão final deve sair até 30 de março

De acordo com Bocalom, ele espera continuar no PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar o governo do Estado. Foto: captada 

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL) , afirmou durante entrevista à imprensa nesta segunda-feira (2) que ainda não definiu se sairá do PL para disputar o cargo de governador do Acre por outro partido em 2026.

De acordo com Bocalom, ele espera continuar no PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar o governo do Estado:

“Minha esperança é ainda continuar no PL, partido o qual me identifico, partido verdadeiramente de direita”, disse.

Alternativas partidárias

Bocalom afirmou ainda que, caso não continue no partido, ele vai procurar o PSDB ou o Avantepara se filiar e disputar a eleição para governador:

“Se por acaso der algum problema, evidentemente temos tanto o PSDB quanto o Avante abrindo suas portas para sermos candidato por lá. Até o dia 30 de março vamos tomar essa decisão final”, concluiu.

Contexto da negociação

A indefinição ocorre após a direção estadual do PL, liderada por Edson Bittar, divulgar carta indicando que o partido deve priorizar apenas a disputa ao Senado no Acre, o que deixaria Bocalom sem espaço na legenda para concorrer ao governo. O prefeito, no entanto, revelou que o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, “ficou perplexo” ao tomar conhecimento da carta e que não havia autorizado tal posicionamento.

Bocalom informou que teve uma conversa “muito boa” com Valdemar em Brasília e que aguarda uma reunião entre o presidente nacional e o senador Márcio Bittar (PL) para definir os rumos da legenda no estado. A expectativa é que essa conversa ocorra ainda nesta semana.

Comentários

Continue lendo