Uma ação integrada das forças de segurança desarticulou, na noite de quarta-feira (18), um grupo suspeito de articular crimes a partir de uma área rural de difícil acesso na região do Juruá. A ofensiva resultou na prisão de cinco pessoas e na apreensão de armas, drogas e equipamentos de comunicação utilizados, segundo a investigação, para coordenar delitos em Cruzeiro do Sul.
A operação foi conduzida pelo Grupo Especial de Fronteira, em conjunto com a Polícia Civil do Acre, a Polícia Militar do Acre e forças de segurança do Amazonas. A incursão ocorreu no Ramal da Amargurada, área adjacente ao Ramal do Gama, já monitorada por inteligência policial.
Segundo o tenente do Gefron, Fabrício Machado, a ação é parte de uma estratégia mais ampla de combate à criminalidade na região. “A equipe deu continuidade à Operação Protetor da Divisa, integrada à Operação Sinergia, Água de Março, coordenada pela Secretaria de Segurança. É uma resposta à crescente onda de furtos e roubos no Juruá”, afirmou.
A atuação integrada também foi reforçada pelo tenente da PM, atualmente no Gefron, Jeferson, que destacou o reforço enviado da capital para apoiar as operações no interior. “A Secretaria de Segurança, por meio do Gefron, vem intensificando as ações em todas as regionais, e aqui no Juruá não é diferente. Viemos de Rio Branco com determinação do comando para apoiar essas operações, que são sempre integradas”, explicou.
Segundo ele, a ação teve início a partir de informações levantadas pela Polícia Civil. “Recebemos a informação de que havia foragidos na região entre Gama e Guajará, possivelmente armados. A partir disso, foi montada uma operação com apoio da Polícia Militar do Amazonas, inteligência da Sejusp, do 6º Batalhão e do Gefron”, relatou.
A chegada ao ponto investigado exigiu uma logística complexa. Foram mais de 40 quilômetros percorridos por estrada e outros cinco em patrulhamento terrestre. “É uma área de difícil acesso, ainda mais com as condições climáticas. Utilizamos caminhonetes e quadriciclos para chegar até a residência indicada”, detalhou Fabrício Machado.
No local, os agentes encontraram cinco pessoas. Após a identificação, foi constatado que ao menos dois eram foragidos da Justiça — um deles ligado a uma fuga registrada em 2025 e outro que havia rompido monitoramento eletrônico. “Também havia um indivíduo responsável pela parte financeira da organização. Os demais davam suporte às atividades criminosas”, disse.
Durante as buscas, foram apreendidas duas armas de fogo — uma pistola calibre .40 com numeração raspada e um rifle adaptado — além de entorpecentes, dinheiro em espécie e seis celulares. “A gente conseguiu fazer a prisão de cinco indivíduos, com apreensão de armas, drogas, celulares e uma quantia em dinheiro”, reforçou Jeferson.
A abordagem ocorreu de forma rápida, sem reação armada. “Houve tentativa de fuga dentro da casa, uma correria, mas sem confronto. A equipe atua sempre para evitar riscos e garantir uma ação segura”, completou Machado.
As investigações apontam que, mesmo isolados, os suspeitos mantinham conexão com a cidade. “Eles utilizavam internet para mapear ações em Cruzeiro do Sul e repassar ordens para execução de crimes”, revelou o tenente. Um dos presos, segundo ele, possui histórico criminal extenso e é investigado por participação em diversos homicídios.
O delegado da Polícia Civil do Acre em Cruzeiro do Sul, Heverton Carvalho, destacou que a operação foi resultado direto de trabalho de inteligência. “Identificamos que esses indivíduos estavam por trás de crimes registrados no município. A partir disso, localizamos o esconderijo e acionamos o Gefron para a captura”, explicou.
De acordo com o delegado, há indícios de envolvimento do grupo em roubos e assassinatos. “Alguns já tinham mandados em aberto, e outros podem responder por novos crimes conforme o avanço das investigações”, afirmou.
A escolha de áreas rurais como refúgio, segundo Carvalho, é uma estratégia recorrente. “Esses criminosos se escondem em locais afastados, com pouca presença do Estado, mas continuam atuando nas cidades. Isso gera medo tanto na zona urbana quanto nas comunidades rurais”, disse.
Os presos foram encaminhados à delegacia no Amazonas, devido à jurisdição da área onde ocorreu a ação, mas devem responder também por crimes praticados em Cruzeiro do Sul.
A operação reforça o papel da integração entre forças de segurança no combate ao crime organizado na região do Juruá e evidencia uma dinâmica cada vez mais sofisticada, em que grupos utilizam áreas isoladas como base para ações coordenadas nos centros urbanos.