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Curta-metragem vai mostrar como ditadura afetou crianças no Brasil

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Quando estava fazendo pesquisas para o curta de animação que está desenvolvendo, o diretor e roteirista Gustavo Amaral chegou a perder o sono. Foram algumas noites intranquilas, e a razão para isso não foi relacionada à produção do curta-metragem, mas ao tema. Isso porque o novo projeto de Amaral, chamado Câmbio, Desligo!, que está em fase de captação de recursos para desenvolvimento, mostra como a ditadura militar brasileira deixou marcas violentas também nas crianças.

Ele logo identificou o sofrimento vivenciado por essas crianças com o que poderia ser enfrentado pelos seus dois filhos, de 5 e 8 anos, caso o país ainda vivesse uma ditadura. E isso o aterrorizou. “Ele sempre conseguiu dormir a vida inteira, nunca perdeu o sono. Daí começou a embarcar nessas histórias. E eu acho que foram as únicas noites em que ele perdeu o sono”, disse Lia Calder, mulher de Gustavo Amaral.

Nas buscas sobre o tema, Amaral se deparou com dois livros: Infância Roubada – Crianças Atingidas pela Ditadura Militar no Brasil, que foi elaborado durante os trabalhos da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, e Cativeiro sem Fim: as Histórias dos Bebês, Crianças e Adolescentes Sequestrados Pela Ditadura Militar no Brasil, do escritor e jornalista Eduardo Reina.

O livro de Reina, jornalista que trabalha na Agência Brasil, traz testemunhos de cerca de 40 pessoas, que foram ouvidas durante as audiências da Comissão da Verdade e eram crianças na época da ditadura. Os relatos são de histórias reais de crianças que foram afastadas dos pais ou viram os pais serem torturados. Há também casos de crianças [inclusive bebês] que sofreram torturas físicas e psicológicas praticadas por militares. Fala também de sequestros e desaparecimentos forçados de crianças e adolescentes que foram praticados pelos agentes da repressão. Foram esses dois livros que embasaram a ideia do filme que Amaral decidiu roteirizar.

O projeto para o curta, que já conquistou três prêmios importantes no festival Animarkt Stop Motion Forum [evento dedicado para animação em stop motion], na Polônia, começou a ser concebido durante a pandemia de covid-19. Câmbio, Desligo! vai contar a história de uma mãe, dos dois filhos e do pai, que está desaparecido. “O projeto do curta foi o mais premiado da edição de 2023 do festival. Recebeu três prêmios, entre os quais, um de coprodução com um estúdio chamado Wrocław Film Studio, lá da Polônia”, contou o diretor.

O curta

Câmbio, Desligo! é um curta de animação em stop motion, com duração prevista de 13 minutos. Ele está sendo concebido em conjunto com as produtoras Cassandra Reis e Mariana Lopes.

Hoje, trata-se de um projeto em desenvolvimento. “Começamos um pouco da pré-produção, porque já iniciamos a produção de um animatic, que é o storyboard animado. Neste momento, o projeto está na fase de financiamento para levantar o recurso e, finalmente, iniciar a produção do filme”, explicou Amaral.

O curta-metragem, que começa com uma ambientação nostálgica dos anos 70, traz uma temática de abdução alienígena, com essa família atravessando o país. “Eles [a mãe e os filhos] saíram do Sul e estão indo para o Norte porque o pai desapareceu. As crianças não têm respostas, pois a mãe não fala [sobre o assunto]”, conta o diretor e roteirista.

Um dos filhos do casal, Luciano, muito estimulado pelo pai, era amante de ficção científica e de estudo do espaço. “Era uma coisa que os conectava muito. E o Luciano acaba, enfim, acreditando que o pai dele foi abduzido por alienígenas. E o filme vai se desenrolando até que se descobre a verdade: eles não foram abduzidos por alienígenas, foram abduzidos pelo regime militar.”

Segundo Alencar, a decisão de ambientar o curta na época da ditadura militar tem o objetivo de ajudar o país a não permitir o esquecimento de sua história.

“A origem da ideia – e isso passou a ser a missão do filme – era divulgar essa história traumática. E, de alguma maneira, colaborar para que essas coisas não caiam no esquecimento. Acabamos de sair do aniversário do golpe, e o assunto voltou à tona, mas você pode ter reparado também: voltou à tona um dia e, agora, próximo assunto”, afirmou Amaral, que considera muito triste o país ter passado pelo aniversário de 60 anos do golpe de uma maneira tão “pouco impactante”

Stop motion

São Paulo (SP), 17/04/2024 - O roteirista e diretor do filme de animação Câmbio, deligo!, Gustavo Amaral, conversa com as produtoras do curta Cassandra Reis e Mariana Lopes. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil São Paulo (SP), 17/04/2024 - O roteirista e diretor do filme de animação Câmbio, deligo!, Gustavo Amaral, conversa com as produtoras do curta Cassandra Reis e Mariana Lopes. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Gustavo Amaral mostra os bonecos do curta-metragem Câmbio, Desligo! às produtoras Cassandra Reis e Mariana Lopes – Rovena Rosa/Agência Brasil

O stop motion, que será usado nesse curta, é uma técnica de animação em que que se filma quadro a quadro para simular movimento. É uma técnica bem artesanal. Para cada movimento que o boneco modelado precisa fazer, como abrir a boca para falar uma só palavra, são exigidas horas de trabalho. Por ser um processo bem trabalhoso, a cada dia, são produzidos cerca de 4 segundos do filme.

O processo começa com o desenho dos bonecos. Para esse curta, o ilustrador escolhido foi Jefferson Costa, quadrinista famoso por trabalhos como Roseira, Medalha, Engenho e Jeremias-Pelé.

Foi com base nos desenhos feitos por ele, que Cassandra começou a modelar os bonecos que serão usados na animação. “O stop motion não é o caminho mais simples de seguir, mas, esteticamente, é o caminho que acreditamos que pode contribuir narrativamente para o filme”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil.

Financiamento

Além dos prêmios já recebidos, o projeto do curta foi aprovado pela Lei Rouanet e pelo Programa de Ação Cultural de fomento paulista (Proac). “Tudo agora se encaixou, e a gente precisa levantar financiamento. Porque agora o trabalho é achar financiamento para parte do filme porque, conseguindo assegurar esse financiamento, consegue-se destravar as coproduções internacionais.”

“A gente pensa em coprodução porque, no Brasil, o orçamento para curta é bem limitado. E esse é um curta um pouco mais ambicioso, assim, de orçamento”, explicou Mariana. “Com o dinheiro entrando, a gente prevê 20 meses pra realizar o filme”, acrescentou.

O projeto do curta-metragem entra agora na fase de captação, e Cassandra prevê algumas dificuldades. Principalmente relacionadas ao tema. “É difícil fazer arte, é difícil fazer animação no Brasil. Na fase de captação, acho que a maior dificuldade será encontrar pessoas que queiram se implicar em um assunto tão difícil assim.”

Apesar disso, eles esperam que o Brasil possa se inspirar na experiência de países vizinhos e também europeus. “Na Europa, tem muito filme que trata a perspectiva da criança sobre o nazismo”, ressaltou a produtora Mariana Lopes.

Segundo Gustavo Amaral, existem outros países, outras culturas, outras sociedades que revisitam seus traumas. “E este parece ser o melhor caminho. Não é vantagem para ninguém não revisitar e não falar sobre isso, por mais doloroso que seja”, acrescentou.

Fonte: EBC GERAL

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Sob o tema agronegócio, Lide Brasília volta à casa de Fernando Cavalcanti

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Sob o tema agronegócio, Lide Brasília volta à casa de Fernando Cavalcanti
Pedro Reis

Sob o tema agronegócio, Lide Brasília volta à casa de Fernando Cavalcanti

Após uma edição no Royal Tulip, o principal encontro empresarial de Brasília retorna para a residência do já tradicional anfitrião Fernando Cavalcanti, vice-presidente do Nelson Wilians Group (NWGroup). A mansão imponente no Lago Sul foi palco de mais um Lide Brasília , presidido pelo empresário e ex-senador Paulo Octávio.

“As pessoas perguntam porque eu gosto de receber os eventos em casa. Eu digo que ela é a extensão das relações que costumo criar com as pessoas. Aqui eu recebo políticos, empresários e juízes, principalmente porque Brasília me abraçou e eu tenho que ser recíproco” , explicou Cavalcanti em conversa com o GPS.

Fernando também comentou sobre o Lide Nova York , que aconteceu neste mês na Brazil Week 2024 , semana destinada à discussão de temas relacionados ao futuro econômico e sustentável do país. “Conseguimos captar negócios não só para o NWGroup, mas também vislumbramos muitas oportunidades que, inclusive, serão inseridas aqui no Distrito Federal” , disse.

Apaixonado por carros, Fernando apresentou logo na entrada da casa seu mais novo xodó, a réplica de uma McLaren do piloto Ayrton Senna. A máquina é um trabalho quase artesanal do mecânico especialista em personalização e decoração automobilística Adhemar Cabral .

Adentrando na mansão, os convidados eram recebidos por Paulo Octávio, que cumprimentava um a um. Nesta edição do encontro, o empresário, que é presidente do Lide Brasília desde 2013, usou uma gravata verde. De acordo com ele: “Para representar o agronegócio” .

O início efetivo do evento foi marcado pela coletiva de imprensa do ministro Carlos Fávaro , que reforçou as ações realizadas pelo Governo nos primeiros 500 dias de mandato. “Ampliar os mercados foi a principal ação deste período, são 123 novos mercados abertos e aproximação com 51 países dos quais não tínhamos negociações anteriormente” , comentou.

Em seguida, os empresários, políticos e jornalistas se acomodaram às mesas e o almoço-debate começou. A entrada foi um mix de hortaliças, acompanhado de presunto de Parma e figos frescos. Enquanto isso, Champagne Veuve Clicquot era servido para os convidados.

Ao som das explicações sobre o potencial agropecuário da capital federal, as duas opções de prato principal foram entregues. Escalope de filet ao molho de vinho com sorrentino de limão siciliano ao pomodoro, além de atum selado em crosta de gergelim acompanhado de cuscuz de cogumelos compuseram as seleções gastronômicas. Nas taças, Châteauneuf-du-Pape era a alternativa de vinho tinto e Châteu Guiraud a de vinho branco.

Ao fim do almoço, quando o chocolatudo com calda de frutas vermelhas chegava às mesas, a rodada de considerações finais acontecia. Foi quando o representante do Governo do Distrito Federal no encontro – o secretário de Estado de Governo do Distrito Federal, José Humberto – afirmou: “Uma das melhores palestras que já vi no Lide” .

O último ato programado da cerimônia foi a entrega de garrafas de vinhos a algumas autoridades presentes, com destaque para o próprio palestrante. O rótulo em questão foi uma cortesia da Vinícola Brasília, reforçando um dos principais pontos de debate da tarde, que enfatizaram o potencial produtivo do DF.

Já em um momento de maior descontração, quando o networking ocorria entre os presentes, André Octávio Kubitschek, filho do empresário Paulo Octávio, presenteou o ministro Carlos Fávaro com um exemplar do livro “Por que Construí Brasília”, de Juscelino Kubitschek.

Como já é de costume, diversas autoridades passaram pelo Lide Brasília. Confira abaixo os cliques de Celso Junior:

José Rodrigues Neto, Jamal Bittar, Paulo Octávio e Edison Garcia

Gen. Eschiletti, Paulo Octávio e Valério Stumpf

Claudia Pereira e Rafael Badra

Paulo Octávio, Janine Brito e Rafael Bueno

Paulo Octávio e Rafael Bueno

André Octávio Kubitschek, Roberval Belenati e Fernando Queiroz

Paulo Octávio, Carlos Fávaro e André Kubitschek

Nadim Haddad e Edison Garcia

Carolina Araújo Mendes

Paulo Octávio, Carlos Fávaro e José Humberto

André Octávio Kubitschek e Renata Sanches

André Octávio Kubitschek e Weber Magalhães

Weber Magalhães, Paulo Octávio, Carlos Fávaro, Fernando Cavalcanti e André Octávio Kubitschek

Veja também as fotos de Rayra Paiva:

Rafael Badra e Marcella Athayde

Janete Brito e Janine Brito

Carlos Jacobino, Júlia Lucy e Luiz Afonso de Medeiros

Alan Soares, Sueli Rodrigues, Sandra Costa e Paulo Lopes

Pedro Pimenta da Veiga, Nathalia Pimenta da Veiga, Fernando Cavalcanti e Samuel Queiroz

Nadim Haddad

José Guilhermo Brenner

Alexandre Cenci, Fabrício Marchese, Renata Sanches, Alexandre Ahlerit e Marcos Dal Bello

Raquel Carvalho, Afonso Assad e Sandra Santos

Jonas Félix e Fernando Ribeiro

Fernando Cavalcanti, Wellington Luiz e Guilherme Machado

Nelsinho Trade e Roberval Belenati

Rafael Bueno e José Humberto

Cheila Wobido e Tainah Mello

Renata La Porta e Cristiane Hanashiro

Janete Brito e Janine Brito (2)

Barnardeth Martins e Melissa Barros

Luis Antônio Reis, Sergio Andrade e Josaphá Francisco

Eduardo Pereira e Luíza Rodrigues

Rafael Badra e Luis Antônio Reis

Pedro Ávila e Paulo Muniz

João Paulo Neves e Frederico Candian

Beatriz Montes, Juliana Pimentel e Chico Vigilante

Carlos Jacobino e Tarso Tassis

Sueli Rodrigues e João Paulo Neves

Jane Klebia e Roberta Macedo

Jonas Félix, Rodrigo Nogueira e Pedro Nogueira

Cristiano Araújo e Carol Mendes

Rodrigo Nogueira e Gen. Valério Stumpf

Adalberto Jr, Jamal Bittar, Raquel Carvalho, Afonso Assad e José Rodrigues Neto

Cláudio Magnavita e Rudolfo Lago

Valdeci Monteiro, Augusto Viana, João Teodoro, Carlos Fávaro, Paulo Octávio, José Humberto e Bia Kicis

Paulo Octávio e Carlos Fávaro (2)

LIDE-19

Fabrício Carata, Fábio de Carvalho, Antônio Matias, Fernando Brites e Luís Afonso Costa de Medeiros

Fernando Brites, Luiz Afonso de Medeiros e Marconi de Souza

Roberto Botelho e Tarso Tassis

Paulo Muniz e Avaldir Oliveira

Guilherme Dolabella, Caroline Borges e Marcella Athayde

Alexandre Cenci, Rafael Bueno, Fabrício Marchese e Ivan Engler

Mauro Heringer e Enrico Ribeiro

Valdeci Monteiro, João Teodoro e Augusto Viana

Edison Garcia, José Rodrigues Neto, Sebastião Abritta e Luciano Tonon

Caio Barbieri e Edison Garcia

Ediardo Martins (GAAS) e Fernando Pires (Assessoria Dep. Bia Kicis)

Gen. Eschiletti, Valério Stumpf e Fernando Queiroz

Dawson Oliveira, Cheila Girardello e Carlos Canedo (Dir. Sicredi Planalto Central)

Janete Brito, Cláudia Pereira e Janine Brito

André Kubitschek e Henrique Severien

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Fonte: Nacional

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MEC ofertará 80 mil bolsas a estudantes de cursos de licenciatura

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MEC ofertará 80 mil bolsas a estudantes de cursos de licenciatura
Agência Brasil

MEC ofertará 80 mil bolsas a estudantes de cursos de licenciatura

O Ministério da Educação (MEC) vai ofertar 80.040 bolsas para estudantes de cursos de licenciatura de todo o país, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada à pasta. Lançado na terça-feira (28), o edital do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) prevê o investimento de R$ 1,8 bilhão no programa. Pelo edital, caberá às instituições de educação superior apresentarem, no período de 7 de junho a 25 de julho de 2024, os projetos de iniciação à docência.

Cada estudante de licenciatura participante do programa vai receber uma bolsa no valor de R$ 700, em até 60 mensalidades. Também recebem o benefício mensal os supervisores (R$ 1,1 mil) e os coordenadores de área (R$ 2 mil) e institucionais (R$ 2,1 mil).

Segundo o MEC, o objetivo é fortalecer a formação dos futuros professores da educação básica, ao inseri-los na realidade escolar durante o percurso formativo.

As bolsas serão destinadas para projetos nas áreas de alfabetização, artes, artes visuais, biologia, ciências agrárias, ciências naturais, ciências sociais, computação, dança, educação bilíngue de surdos, educação do campo, educação especial, educação física, educação indígena, educação quilombola, filosofia, física, geografia, história, letras espanhol, letras inglês, letras língua brasileira de sinais (libras), letras português, licenciaturas interdisciplinares, matemática, música, pedagogia, química e teatro.

A maior quantidade de bolsas será para a Região Nordeste, que ficará com 20.688. Em seguida, vêm o Sudeste, com 16.584; e o Sul, com 12.264. A Região Norte contará com 8.040 bolsas; e o Centro-Oeste, com 7.440.

O MEC informou ainda que, do total, 10.008 bolsas serão destinadas a subprojetos da área de alfabetização, enquanto 5.016 seguem para o Pibid Equidade, que reúne cursos de educação do campo, educação bilíngue de surdos, educação especial inclusiva, educação indígena e educação quilombola.

O procedimento de inscrição é feito pelo Sistema Integrado Capes (Sicapes). Os interessados em submeter propostas precisarão solicitar acesso ao sistema entre os dias 5 de junho e 5 de junho. A divulgação do resultado definitivo está prevista para 17 de setembro. As atividades devem ter início até 13 de dezembro. A vigência dos projetos selecionados é de dois anos, mas o período pode ser prorrogado de acordo com a avaliação da Capes.

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Fonte: Nacional

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Governo federal comprará quase 2 mil imóveis para desabrigados no RS

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O governo federal comprará imóveis para atender a pessoas desabrigadas pelas fortes chuvas que assolam o Rio Grande do Sul desde o fim de abril. O anúncio de pacote de ações sobre habitação foi feito pelo ministro da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa, nesta quarta-feira (29), em entrevista coletiva à imprensa, em Porto Alegre.

Em um primeiro momento, o governo pretende disponibilizar quase 2 mil casas às famílias gaúchas que estão sem moradia, estimou o ministro. Costa não estipulou prazo para entrega dessas moradias.

Uma das ações é a chamada compra assistida de imóveis usados. Rui Costa explicou que os domicílios poderão ser indicados pela população já nos próximos dias. As unidades passarão pela avaliação de técnicos da Caixa Econômica Federal para posterior compra e destinação imediata aos desabrigados.

Outra modalidade será a compra de casas e apartamentos novos ou ainda em construção nas cidades atingidas, com valor limitado ao teto da Faixa 1 (famílias com renda mensal bruta até R$ 2.640) e Faixa 2 (renda familiar de R$ 2.640,01 a R$ 4.400/mês) do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o ministro, as empresas, construtoras e imobiliárias que quiserem vender imóveis novos ou que ficarão prontos em até 60 dias podem registrar as unidades em site que a Caixa divulgará em breve. “O governo comprará todos os imóveis nesse perfil que as empresas ofertarem nessas cidades, dentro do limite solicitado de casas perdidas.” O governo também vai compatibilizar o valor do imóvel com a renda familiar para, por exemplo, permitir a quitação mensal da taxa de condomínio, sem comprometimento de recursos.

Na próxima semana, o Ministério das Cidades publicará uma portaria que permitirá que proprietários de imóveis particulares também vendam ao governo federal, na faixa de valor que está estipulada. “O cidadão comum que tem sua casa de aluguel que resolveu vender ou alguém que está vendendo a casa ou um apartamento vai entrar no site da Caixa e vai ofertá-lo. Nós teremos um teto máximo de valor que a portaria vai definir e a Caixa fará a avaliação de cada imóvel. Feita essa avaliação, o governo paga esse imóvel e a família se muda imediatamente para essa residência”, disse Rui Costa.

Além de unidades novas, imóveis que estão em leilão nas cidades gaúchas em bancos como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e instituições privadas, em faixa de valor a ser divulgada, também serão destinados às famílias atingidas pelas chuvas. “Solicitamos aos bancos que retirassem do leilão imóveis nesse perfil desocupados, porque o governo [federal] está comprando todos eles, dos bancos privados, da Caixa e do Banco do Brasil para ofertar às famílias.”

No caso de imóveis que estavam destinados ao leilão que precisarem de reparos, o ministro informou que as famílias do Rio Grande do Sul realocadas nessas unidades receberão recursos da Caixa para fazer a reforma. “A ideia é que a gente dê um recurso a essa família. A Caixa fará uma estimativa de valor para a família consertar e esta pode mudar imediatamente”, previu.

“Vamos buscar por este combo de soluções acelerar essa questão que, entre todas, é a mais sensível, porque quem está com sua casa embaixo d’água ou destruída está no desespero, porque olha para sua família morando de favor na casa de alguém ou em um abrigo”, disse Rui Costa.

Outras soluções

O governo federal estuda outras possibilidades para aumentar a oferta de imóveis aos desabrigados gaúchos. O ministro Rui Costa divulgou que o Ministério das Cidades financiará a construção de moradias pelas prefeituras gaúchas que queiram trabalhar em esquema de mutirão, em curto prazo. “Apostaremos nessa solução para esses municípios que têm o número de unidades menores, onde prefeitas se colocam à disposição para fazer a autoconstrução, mobilizando os próprios moradores com assistência técnica ou com a contratação de empresa.”

A Caixa também tem buscado construtoras que usam metodologias rápidas para erguer casas, como imóveis pré-fabricados e modulares. “Estamos analisando tecnicamente todas as opções e pedindo às empresas que façam suas ofertas”, disse Rui Costa adiantando que ainda precisa saber das prefeituras qual será a necessidade real da quantidade de imóveis após a águas das enchentes baixarem.

Fonte: EBC GERAL

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