Carolina Cabral/Getty Images
Pacaraima (RO) – Era por volta de 21h de domingo (4/1) quando Angis Marlyn, de 26 anos, tinha acabado de entrar no Brasil e aguardava a lotação do táxi para retornar a Boa Vista (RO). Ela foi em dezembro para sua cidade, Maturín (Monagas), passar as férias e as festas de fim de ano com a família. Segundo a auxiliar de contabilidade que já vive há cinco anos em Roraima a comemoração da prisão de Nicolás Maduro com os parentes foi contida.
“Ficamos em casa por resguardo e segurança das pessoas”, contou. “Externamente não teve festa. Internamente, as pessoas estavam muito felizes, era algo que esperávamos há anos”. Ela explica que a presença ostensiva de militares inibe qualquer manifestação pública. “As pessoas não conseguem ir para a rua comemorar. Dá medo de sair e não voltar. Se você sai para falar ‘graças a Deus que Maduro não está aqui’, existe a repressão. Os militares estão contra o povo.”
O relato é corroborado por Brenda Tavárez e Diniz Tavárez, respectivamente de 30 e 33 anos. Vindos de Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana vizinha a Pacaraima, o casal confirmou que a ordem informal é de silêncio. Segundo eles, as autoridades locais enquadram celebrações como crimes políticos.
“Estamos felizes, mas não podemos fazer festa agora. Se fizermos uma festa, podemos ser presos”, afirmou Brenda. Ela relatou ainda que a justificativa utilizada pelas forças de segurança para deter quem comemora é a acusação de estarem “incitando o ódio”.
“O pessoal está feliz, mas está feliz em casa. Em toda a Venezuela não se pode fazer festa”, completa Diniz. O casal destacou que, embora a região de fronteira esteja relativamente calma, as notícias que chegam de Caracas indicam uma capital “fechada” e fortemente militarizada.
Angis e as outras pessoas no ponto de táxi, que preferiram não se identificar, acreditam que a Venezuela “não está livre”, apesar de um grande número acreditar nisso. A jovem acredita que o sistema e as pessoas que seguem a cartilha do ditador Maduro continuam no governo e em outros poderes do país.
Sobre a chavista Delcy Rodríguez ter assumido interinamente a presidência, a Angis considera “totalmente errado” e que “não faz sentido”. “Como que você reconhece uma pessoa sabendo toda a situação que aconteceu nas eleições anteriores?”, questionou.
Para o Métropoles, os migrantes ouvidos apontam que a medida para que eles acreditem na mudança é simples: “novas eleições, mais transparentes”, concluiu Angis.
Em Boa Vista, capital de Roraima, estado que tem a maior população venezuelana no Brasil, segundo o IBGE, os migrantes comemoram em praça pública no sábado (3/1). Há registros também de atos públicos em Manaus (Amazonas). Ambas as manifestações foram realizadas em apoio à intervenção militar do presidente norte-americano Donald Trump em capturar Nicolás Maduro.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL