Extra

Última suspeita de homicídio brutal na fronteira se entrega e encerra ciclo de prisões em Brasiléia

Regina foi assasinada em sua casa no início de janeiro.

Investigada nega participação, mas Polícia Civil aponta papel central na logística do crime ocorrido em janeiro

O ciclo de prisões de um dos crimes mais brutais registrados no início deste ano na região de fronteira foi encerrado nesta segunda-feira (26). A quinta e última integrante do grupo investigado pelo homicídio de Regina Patrícia Teixeira da Cunha apresentou-se espontaneamente à Delegacia-Geral de Brasiléia.

A suspeita, uma mulher trans identificada Elizabete Adory de Medeiros Oliveira, conhecida como Nete, que teve seu nome de batismo registrado como Ailton de Medeiros, estava com mandado de prisão em aberto desde a ofensiva policial realizada no último dia 13, era considerada peça-chave para o esclarecimento da logística utilizada na execução da vítima.

Nete se apresentou na delegacia e foi ouvida pelo delegado titular, Erick Maciel, que está conduzido o caso.

Durante depoimento prestado na manhã desta segunda-feira (26), a investigada negou qualquer envolvimento no crime. Apesar disso, segundo fontes ligadas à investigação, os elementos reunidos no inquérito e os depoimentos dos outros quatro acusados apontam em sentido contrário à versão apresentada por ela.

Com a apresentação espontânea, a suspeita será submetida à audiência de custódia, onde o juiz plantonista deverá analisar a legalidade do cumprimento do mandado de prisão, a manutenção da prisão preventiva — solicitada pela autoridade policial com base na periculosidade e no risco à ordem pública — e o encaminhamento ao sistema prisional.

De acordo com a Polícia Civil, a investigada teria exercido papel decisivo para a concretização do homicídio ocorrido na madrugada do dia 2 de janeiro. As apurações indicam que ela teria fornecido a faca utilizada no crime, disponibilizado a motocicleta para o transporte dos executores até a residência da vítima, no bairro Eldorado, e auxiliado na fuga após o assassinato. Ainda segundo o inquérito, a suspeita teria participado de uma reunião em que foi decretada a morte da vítima, sob acusação de delação.

Com a prisão da última foragida, a Polícia Civil considera encerrada a fase de capturas do caso. O crime, que teria contado com a participação da própria enteada da vítima para facilitar o acesso dos assassinos à residência, é tratado pelas autoridades como um exemplo da atuação fria e organizada de facções criminosas na região de fronteira.

Os cinco acusados permanecem à disposição da Justiça e devem responder por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A prisão preventiva, segundo a polícia, busca garantir a ordem pública e evitar interferências na instrução processual.

Veja o trabalho realizado pelo delegado Erick Maciel e sua equipe abaixo.

O Depoimento e a negativa de autoria

Durante o seu interrogatório, realizado na manhã de hoje, a suspeita adotou uma postura de defesa e negação. Apesar de ser apontada pelos outros quatro detidos como uma figura central no planejamento do crime, ela afirmou à Polícia Civil que não teve participação no assassinato.

“A investigada nega qualquer envolvimento, entretanto, os elementos colhidos durante o inquérito e os depoimentos detalhados dos demais envolvidos seguem em direção oposta à sua versão”, informaram fontes ligadas à investigação.

Com a entrega, a suspeita será submetida ao juiz plantonista na audiência de custódia. Neste ato, o magistrado avaliará:

  • ⁠ A legalidade do cumprimento do mandado de prisão;
  • ⁠ A manutenção da prisão preventiva, baseada na periculosidade e no risco à ordem pública (conforme solicitado pelo Delegado Erick Ferreira Maciel);
  • ⁠ O encaminhamento imediato ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Peça-Chave na Logística do Crime

De acordo com as investigações, o papel da mulher que se entregou hoje foi decisivo para que o homicídio fosse concretizado na madrugada de 2 de janeiro. Segundo o inquérito, ela teria sido a responsável por:

  • ⁠ ⁠Fornecimento do armamento: A entrega da faca de açougueiro (cabo branco) utilizada para desferir os golpes fatais enquanto a vítima dormia.
  • ⁠ ⁠Apoio no transporte: A disponibilização de sua motocicleta particular, que serviu tanto para levar os executores até a residência no bairro Eldorado quanto para garantir a fuga rápida após o crime.
  • ⁠ ⁠Articulação: A participação direta na reunião em que a facção Comando Vermelho (CV) “decretou” a morte da vítima sob a acusação de delação.

Encerramento do Inquérito

Com a apresentação da última foragida, a Polícia Civil conclui a fase de capturas deste caso. O crime, que envolveu a traição da própria enteada da vítima para silenciar os cães da casa e permitir o acesso dos assassinos, é tratado pelas autoridades como um exemplo da frieza das dinâmicas de facções na região de fronteira.

Os cinco acusados agora permanecem à disposição da Justiça e devem responder por homicídio qualificado, com agravantes que dificultaram a defesa da vítima e o motivo torpe. A prisão preventiva garante que os envolvidos não interfiram na fase de instrução processual ou ameacem testemunhas do caso.

Comentários

Publicado por
Alexandre Lima