A reabertura do Estreito de Ormuz deve fazer parte de uma proposta para encerrar a guerra com o Irã, disse o presidente Donald Trump.
“Temos que ter um acordo que seja aceitável para mim, e parte desse acordo será garantir o livre tráfego de petróleo e de tudo mais”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta segunda (6).
O presidente também reconheceu que reabrir o Estreito de Ormuz é “diferente” de seus outros objetivos, enquanto negociadores trabalham para pôr fim à guerra com o Irã.
Trump já havia dito anteriormente que uma proposta apresentada por outros países para um cessar-fogo de 45 dias “não é suficiente”.
O plano de cessar-fogo é visto como uma tentativa de última hora de evitar ataques massivos a usinas de energia iranianas e outras infraestruturas, que Trump ameaçou realizar caso o Estreito de Ormuz continue bloqueado.
Questionado por Kristen Holmes, da CNN, se aceitaria um acordo que não incluísse a abertura do estreito ou se isso agora é uma prioridade, Trump respondeu: “Eu diria que é uma prioridade muito grande.”
O presidente também afirmou não ter certeza se Teerã ainda tem capacidade de lançar minas no Estreito de Ormuz.
“Eles não têm mais quem lance minas”, disse. “Nem tenho certeza se ainda há minas lá, aliás. … Acho que pode não haver nenhuma, porque eles são muito bons em inventar coisas.”
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.