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PERDEU 1ª DAMA – Juiz não reconhece ação movida pela 1ª dama do Acre contra jornalista

Em sentença, Juiz diz que 1ª Dama do Acre se beneficia do cargo para se promover profissionalmente é melindrosa e deveria se portar como tal

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Marlúcia Cândido, moveu ação contra jornalista do Acre – Foto: Divulgação

O juiz da Comarca de Rio Branco, Giordano Dourado, proferiu sentença desfavorável a primeira dama do Acre, Marlúcia Cândida de Oliveira Neves, esposa do governador Tião Viana (PT). Ela preiteava uma indenização por dano moral contra a jornalista Gina Menezes, sócia-fundadora do portal Folha do Acre.

Márlúcia se dizia ofendida em seus direitos da personalidade, sobretudo à honra e à imagem, por conta de reportagens veiculadas pela jornalista. Na decisão, o magistrado, levou em consideração os princípios constitucionais da ampla Liberdade de Expressão.

Jornalista Gina Menezes

“É preciso entender que a imprensa, por sua natural vocação dialética, incomoda, questiona, provoca e desafia os agentes públicos ou com notoriedade pública, mas o faz em consonância com a dinâmica que se espera da comunicação social em uma comunidade democrática e plural. Portanto, não encontro nas publicações da demandada o alegado potencial danoso para influenciar ou manipular a opinião pública contra a reclamante. Acreditar nisto, no caso concreto em julgamento e à luz dos textos analisados, implicaria subestimar o senso crítico e o discernimento dos leitores, como se estes fossem indivíduos desprovidos de capacidade mental analítica frente à realidade das coisas.” Pontuou o juiz.

A primeira-dama alegava que os textos da profissional da imprensa, em leitura sistemática, induziam acusações gravíssimas com o objetivo de incutir nos leitores que aquela seria desonesta por assinar, como arquiteta, diversos projetos de obras deste Estado, sugerindo um possível favorecimento ou direcionamento por parte do chefe do Executivo, principalmente em face da afirmação de que estaria a reclamante a confundir a coisa pública com a privada.

Contrário os apelos de Márlúcia, o juiz entendeu ainda que “mesmo sem receber recursos pelos projetos colocados à disposição do poder público (aeroporto, museu, para citar exemplos referidos nos autos), a demandante ( PRIMEIRA DAMA) acaba por divulgar e apresentar o seu trabalho como arquiteta para a sociedade, o mercado de consumo e possíveis interessados em contratá-la, ou seja, constrói bom portfólio para valorizar sua trajetória profissional, o que não deixa de ser uma vantagem (e aqui não se questiona se seria lícita ou ilícita)”, pontuou o juiz.

Juiz Giordano Dourado – Foto: divulgação

Confira a sentença em sua íntegra:

Relação: 0140/2018 Teor do ato: SENTENÇA: Marlúcia Cândida de Oliveira Neves, qualificada nos autos, ajuizou ação em face de Genoveva Menezes Lopes, também qualificada, objetivando indenização por danos morais em virtude de publicações que reputa ofensivas aos seus direitos da personalidade, sobretudo à honra e à imagem, veiculadas pela demandada em sítios eletrônicos na rede mundial de computadores. Segundo a demandante, em síntese, nas publicações a reclamada procura mostrá-la perante a sociedade como pessoa inidônea, acostumada a confundir o público com o privado e insensível à difícil situação financeira do Estado do Acre por ter, em período de crise, adquirido veículo importado de vultoso valor. Decido.O litígio em exame apresenta contexto de colisão entre direitos fundamentais. De um lado, a demandante vindica a tutela jurisdicional para proteger direitos da personalidade, os quais, consoante a tese sustentada na inicial, foram ilegitimamente maculados por manifestações expressivas lançadas pela reclamada no domínio do ciberespaço. De outro lado, a demandada invoca em seu favor as posições jusfundamentais do direito à liberdade de expressão/imprensa. Delimitada a arena dos direitos em colisão, parto do pressuposto de que a liberdade de expressão figura inicialmente em posição preferencial nos embates com outros direitos de igual envergadura constitucional. Isto porque a liberdade de expressão é posição jusfundamental de indiscutível relevância para o aperfeiçoamento civilizatório e vitalidade das sociedades democráticas, assumindo posição preferencial não por ostentar superioridade hierárquica normativa em relação aos outros interesses salvaguardados pela Constituição, mas, sim, por constituir verdadeiro pressuposto para o livre desenvolvimento da personalidade, bem como para o exercício pleno de todas as liberdades constitucionais. Observo, portanto, que a liberdade de expressão somente poderá ser afetada para a tutela de outros direitos fundamentais em situações excepcionais e mediante argumentação consistente que demonstre a prevalência de posição constitucionalmente relevante colidente com aquele direito de manifestação do pensamento. Com esse necessário lastro teórico, impõe-se verificar se aos conteúdos expressivos produzidos pela demandada Genoveva Menezes Lopes estão agregados efeitos perniciosos e desproporcionais contra os direitos da personalidade da autora. Tais manifestações expressivas estão demonstradas nos autos nas pp. 22/32 e foram veiculadas pela reclamada no exercício da atividade de imprensa. Ao observar esses elementos, verifico que as publicações traduzem críticas e fazem referência ao estilo de vida da reclamante, a qual, conforme noticiado na inicial, tem notoriedade na sociedade acreana por ser arquiteta e esposa do governador deste Estado. A demandante, portanto, tem uma vida pública que a expõe ao escrutínio crítico da coletividade. Conforme argumenta a demandante, os textos da reclamada, em leitura sistemática, induzem acusações gravíssimas com o objetivo de incutir nos leitores que aquela seria desonesta por assinar, como arquiteta, diversos projetos de obras deste Estado, sugerindo um possível favorecimento ou direcionamento por parte do chefe do Executivo, principalmente em face da afirmação de que estaria a reclamante a confundir a coisa pública com a privada. Também protesta a demandante contra a alusão de que estaria a aproveitar o Carnaval no Rio de Janeiro enquanto forte enchente assolava o Estado. Na audiência de instrução, a reclamada argumentou que sua coluna no jornal “Contilnet” é apenas opinativa e não tem problemas pessoais com a reclamante, mas confirmou que, por ser esta primeira-dama, chama a atenção de diversos jornalistas. Aduziu também que é comum a ironia ser utilizada em jornais, mas que jamais se utilizou de palavras de baixo calão para denegrir a imagem e honra da reclamante. O atento exame das publicações da reclamada revela que esta produziu críticas, ainda que ácidas e irônicas, avaliando a conduta e vida pública da reclamante como primeira-dama e arquiteta, compartilhando notícias sobre fatos que não foram negados em nenhum momento pela reclamante nesta lide. Não se pode olvidar que a reclamante, ao ocupar a posição pública acima destacada, está naturalmente mais exposta ao juízo crítico e à sindicabilidade comunitários do que as demais pessoas que não ocupam posições importantes no sistema social, razão pela qual está sujeita a avaliações e censuras compreensivelmente mais rígidas que o normal, compreendidas prima facie no âmbito de proteção da liberdade de expressão. Além do mais, não pode a primeira-dama se vergar a melindres por causa das críticas de jornalistas, até porque quem assume posição tão importante no Estado deve demonstrar equilíbrio e serenidade para tratar com o público, suas insatisfações ou percepções pessoais acerca dos fatos. Nessa perspectiva, as matérias divulgadas pela reclamada Genoveva Menezes denotam que esta foi contundente e irônica, porém em um contexto de crítica e desabafo em relação ao estilo de vida levado pela reclamante, não havendo qualquer indício de ofensa à honra desta, estando albergadas as manifestações da demandada no âmbito de proteção do direito fundamental à liberdade de expressão. A demandada, agindo como jornalista com direito à opinião nas empresas onde elabora seus escritos, encontrava-se na ampla dimensão da liberdade de imprensa, requisito tão essencial ao avanço das modernas democracias constitucionais. É preciso entender que a imprensa, por sua natural vocação dialética, incomoda, questiona, provoca e desafia os agentes públicos ou com notoriedade pública, mas o faz em consonância com a dinâmica que se espera da comunicação social em uma comunidade democrática e plural.Quando a demandada diz na sua publicação que a reclamante confundiria o bem público com o privado (e esse foi um ponto muito destacado pela reclamante), ao assinar projetos de obras para o governo do Estado do Acre, ainda que sem onerosidade para o erário, não se divisa nessa observação, conforme a construção léxica que consta dos autos (p. 25), nítida postura de imputação da prática de crime ou de ato de improbidade administrativa; percebe-se, por outro lado, que a reclamada externou seu desconforto, como cidadã e jornalista, com o fato de a demandante figurar à frente de projetos arquitetônicos de obras públicas enquanto seu cônjuge ocupa o cargo de governador do Acre. Registre-se, no ponto, que mesmo sem receber recursos pelos projetos colocados à disposição do poder público (aeroporto, museu, para citar exemplos referidos nos autos), a demandante acaba por divulgar e apresentar o seu trabalho como arquiteta para a sociedade, o mercado de consumo e possíveis interessados em contratá-la, ou seja, constrói bom portfólio para valorizar sua trajetória profissional, o que não deixa de ser uma vantagem (e aqui não se questiona se seria lícita ou ilícita). A partir dessa constatação, a demandada tem alguma base fática para, de forma justa ou injusta, tecer sua crítica ou dúvida sobre eventual postura da parte reclamante de confusão do bem público com o privado. Portanto, não encontro nas publicações da demandada o alegado potencial danoso para influenciar ou manipular a opinião pública contra a reclamante. Acreditar nisto, no caso concreto em julgamento e à luz dos textos analisados, implicaria subestimar o senso crítico e o discernimento dos leitores, como se estes fossem indivíduos desprovidos de capacidade mental analítica frente à realidade das coisas.É pertinente recordar a concepção da relevância da liberdade de expressão no ambiente de um mercado livre das ideias (marketplace of ideas), de acordo com voto proferido pelo Justice Oliver Wendell Holmes no julgamento do emblemático caso Abrams v. United States (1919) pela Suprema Corte Americana, segundo a qual a profusão do pensamento provoca opiniões, ideias e produções intelectuais dos indivíduos, que, em ambiente de igualdade, livres da ação intervencionista do Estado, possuem a faculdade de defender e apresentar seus pontos de vista para a livre apreciação e deliberação da comunidade. Diante de todo o exposto, em juízo de ponderação, concluo que o acolhimento da pretensão condenatória da reclamante atingiria com intensidade forte a liberdade de expressão/imprensa da demandada, sacrificando em demasia esses valores fundantes do Estado Democrático de Direito em comparação à afetação de direitos da personalidade da demandante, os quais, como demonstrado, não foram vulnerados do modo alegado na inicial.Ante as razões expendidas, rejeito o pedido formulado pela reclamante Marlúcia Cândida de Oliveira Neves em desfavor da reclamada Genoveva Menezes Lopes.Resolvo, por conseguinte, o mérito do litígio nos termos do artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil de 2015.Sem custas e honorários advocatícios de sucumbência, consoante o artigo 55 da Lei nº 9.099/1995.P.R.I. Advogados(s): Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues (OAB 1997/AC), Erasmo da Silva Costa (OAB )

Salomão Matos- Para O Alto Acre

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Líder do governo na Aleac profetiza vitória de Mailza em 2026: “É tão certo como estou falando”

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Manoel Moraes minimiza saídas da base e afirma que “política é feita de grupo”; deputado também rebate críticas de Edvaldo Magalhães sobre alianças do PT no passado

“vamos ganhar essa eleição. Isso é tão certo como eu estou falando aqui com vocês. Não tenham dúvida!’. Foto: captada 

O líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Manoel Moraes, fez uma espécie de profecia nesta quarta-feira (18), após o anúncio da saída de Tadeu Hassem (Republicanos) da base governista. Em discurso no plenário, ele afirmou com convicção que a vice-governadora Mailza Assis (PP) será eleita governadora do Acre em outubro.

“Não tem eleição decidida. Nós estamos aqui com a nossa base. Respeitamos o Alan Rick, uma pessoa boa, respeitamos o Tião Bocalom, grande amigo, mas a política é feita de grupo, de pessoas que vão atrás de voto. Então, nós estamos tranquilos. Lamentamos o nosso amigo Tadeu, mas a vida é assim: se perde de um lado, se ganha do outro. E nós vamos ganhar essa eleição. Isso é tão certo como eu estou falando aqui com vocês. Não tenham dúvida!”, profetizou.

Réplica a Edvaldo Magalhães

Manoel Moraes também rebateu a afirmação feita pelo deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) de que o PT apresentava um “cardápio de chapas” para os deputados estaduais se reelegerem. O líder do governo classificou a declaração como falsa e citou o exemplo do Partido Ecológico Nacional (PEN), que, segundo ele, deixou de fora da reeleição até mesmo o então deputado Élson Santiago, que presidia a Aleac na época.

“Uma coisa que você falou, Edvaldo, não é verdadeira. No tempo do governo que ninguém pode falar do passado, o PT fez aqui o PEN e colocou os deputados tudo junto e eliminou cinco deputados, inclusive o presidente da Casa. Elegeu só do PT. Até o presidente da Casa perdeu a eleição”, afirmou.

Enigma político

As declarações ocorre em meio a movimentações políticas na base do governo de Gladson Cameli, com a saída recente de parlamentares que passaram a apoiar outros projetos eleitorais. Moraes minimizou o impacto dessas mudanças e classificou o cenário como parte do processo eleitoral.

“Toda eleição é assim. Uns saem, outros chegam. É um movimento natural da política”, afirmou.

O progressista também rebateu críticas da oposição e citou episódios de eleições passadas no estado para argumentar que o resultado eleitoral permanece indefinido até a votação. “Não existe eleição decidida. A política é dinâmica”, disse.

Moraes encerrou sua fala com um tom enigmático, dirigindo-se tanto aos deputados que permanecem na base quanto aos que deixaram o governo:

“Agora eu me dirijo aos deputados que estão na base e os que saíram. O que é hoje, não é amanhã”.

A declaração ocorre em meio a um momento de turbulência na base aliada, que já perdeu o deputado Eduardo Ribeiro (PSD) e, mais recentemente, Tadeu Hassem. A ex-prefeita Fernanda Hassem também deixou o PP e declarou apoio a Alan Rick. Apesar das baixas, o governo mantém a expectativa de consolidar o nome de Mailza como candidata única da situação.

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Em discurso na Aleac, Tadeu Hassem anuncia saída da base de Gladson e declara apoio a Alan Rick

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Deputado afirma que decisão é “política e de futuro” e que não representa rompimento pessoal com o governador

Hassem afirmou ainda que a mudança foi discutida com aliados e lideranças locais, incluindo vereadores. Ele indicou que há ampliação do grupo político que passa a apoiar o novo projeto. Foto: Sérgio Vale

Durante a sessão desta quarta-feira (18), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), no uso da tribuna da casa, o deputado estadual Tadeu Hassem (Republicanos) anunciou oficialmente sua saída da base do governador Gladson Cameli. A decisão ocorre no contexto da abertura da janela partidária e da movimentação de grupos políticos visando as eleições de 2026. O parlamentar também confirmou que passará a apoiar a pré-candidatura do senador Alan Rick (Republicanos) ao governo do Estado.

Em pronunciamento na tribuna, Tadeu afirmou que a decisão é fruto de um novo ciclo político e não representa rompimento pessoal com o governador Gladson Cameli, a quem agradeceu pela parceria.

“A vida é feita de ciclos. Hoje faço um importante comunicado. Não sou de ficar em cima do muro, assumo o que faço. Essa não é uma decisão contra o governador, é uma decisão política de futuro. O governador entrega o cargo e eu deixo a base de apoio ao governo”, declarou.

Gratidão e trajetória

O deputado relembrou sua trajetória ao lado do governo e reconheceu que, em diversos momentos, assumiu desgastes por acreditar no projeto político liderado por Cameli.

“Esse tempo todo estive na base do amigo Gladson. Muitas vezes assumi desgaste por acreditar no projeto. Faço questão de dizer: sou grato ao governador. É com esse mesmo espírito de lealdade e compromisso que anuncio que estarei apoiando a pré-candidatura do senador Alan Rick ao governo”, concluiu.

Desfiliação do governo

A saída de Tadeu Hassem ocorre em meio a um movimento de debandada na base governista. Na última segunda-feira (16), o deputado Eduardo Ribeiro (PSD) também anunciou sua desfiliação do governo para apoiar Alan Rick, pegando o Palácio Rio Branco de surpresa.

Aliados do governo avaliam que a insatisfação com a falta de articulação política e a preferência por determinadas candidaturas têm gerado fissuras na base, que enfrenta desgaste após quase oito anos da gestão progressista.

Com o anúncio de Tadeu, cresce a expectativa sobre os próximos passos da irmã do deputado, a ex-prefeita de Brasiléia Fernanda Hassem, que também sinaliza apoio a Alan Rick e pode compor a chapa como vice.

A saída da base também envolve o grupo político ligado ao deputado. A ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem deve deixar função que ocupa no governo estadual, segundo informado no discurso. Foto: Sérgio Vale

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Vereadores de Epitaciolândia participam de evento do TCE sobre Dia da Ouvidoria em Rio Branco

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Representando a presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, a procuradora do Ministério Público de Contas (MPC-AC), Anna Helena Azevedo, ressaltou a participação de representantes de ouvidorias de diversos órgãos públicos, prefeituras e câmaras municipais

Vereadora Eliade e o vereador Ari Mendes marcaram presença no evento em alusão ao Dia da Ouvidoria, promovido pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre. Foto: cedida 

A vereadora Eliade e o vereador Ari Mendes marcaram presença no evento em alusão ao Dia da Ouvidoria, promovido pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), realizado na terça-feira (17), no plenário da instituição, em Rio Branco.

O encontro reuniu autoridades, servidores e representantes da sociedade para debater a importância da Ouvidoria como um dos principais canais de diálogo entre o cidadão e a administração pública. Durante a programação, foram destacadas ações que fortalecem a participação social e contribuem para a melhoria dos serviços oferecidos à população.

A presença dos parlamentares de Epitaciolândia reforça o compromisso do Legislativo municipal com a transparência, a escuta ativa da população e o fortalecimento dos mecanismos democráticos.

O evento também proporcionou um momento de troca de experiências e reflexão sobre o papel das instituições públicas na construção de uma gestão mais eficiente, participativa e alinhada às necessidades da sociedade.

Durante o encontro, foram debatidas a conciliação entre transparência e proteção de dados, além do papel das Ouvidorias no fortalecimento da participação social e da governança pública. Foto: captada 

No plenário da instituição, estiveram ouvidores de todo o estado para um debate sobre assédio, Lei Geral de Proteção de Dados, cidadania, combate à corrupção e outros temas relevantes. A programação especial ocorreu em celebração ao Dia da Ouvidoria.

A iniciativa, que teve como tema “Ouvidoria: Onde a Gestão se Transforma por meio da Participação”, integra uma mobilização nacional incentivada pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), que orienta os Tribunais de Contas brasileiros a promoverem ações voltadas ao fortalecimento das Ouvidorias públicas e à ampliação dos canais de diálogo entre Estado e sociedade.

O evento foi organizado pela Ouvidoria do TCE, liderada pelo conselheiro Cristovão Messias, em parceria com a Escola de Contas da instituição.

Representando a presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, a procuradora do Ministério Público de Contas (MPC-AC), Anna Helena Azevedo. Foto: captada 

De acordo com o IRB, o objetivo é fortalecer o funcionamento das ouvidorias e demonstrar como a participação social contribui para aprimorar a gestão pública, ampliando o engajamento dos cidadãos e consolidando essas unidades como instrumentos fundamentais de controle social e governança democrática.

“A escuta da Ouvidoria é fazer com que a própria instituição consiga processar informações, problemas e transformá-las em soluções. É resolver o ‘para dentro’ e o ‘para fora’, o que pode ajudar a instituição a resolver os seus próprios problemas e também fazer com que ela pense em como solucionar e buscar soluções para aqueles problemas que são apresentados no mundo de fora. Por isso, essa relação de escutar a população é extremamente importante para a efetividade da política pública”, salientou o secretário-geral da Presidência do TCE, Evandro Luzia.

De acordo com o IRB, o objetivo é fortalecer o funcionamento das ouvidorias e demonstrar como a participação social contribui para aprimorar a gestão pública. Foto: captada 

Participação cidadã

A programação foi dividida em dois momentos, a primeira, pela manhã, teve solenidade institucional, palestras e os debates sobre temas relacionados à participação cidadã, transparência pública e proteção de dados. Já no período da tarde, foi realizada uma oficina técnica voltada às ouvidorias dos órgãos jurisdicionados.

O evento começou com palestras do professor Nilberto Mendes, coordenador do Núcleo de Ações de Ouvidoria e Prevenção à Corrupção (NAOP) da Controladoria-Geral da União no Acre, e do procurador e atual ouvidor do MPC do Acre, Mário Sérgio de Oliveira, que abordaram o tema “Cidadania e Controle Social”.

“Nós pudemos apresentar a ouvidoria do Ministério Público de Contas, que é mais um canal para a captação da contribuição do usuário, da população, da coletividade a respeito das entregas públicas, com vistas a propiciar maior transparência, a servir de aprimoramento da administração e para o exercício do controle social. Esse é um trabalho

Programação foi dividida em dois momentos, pela manhã, teve solenidade institucional, palestras e os debates. Já no período da tarde, foi realizada uma oficina técnica voltada às ouvidorias dos órgãos jurisdicionados. Foto: captada 

Trabalho de enfrentamento ao assédio

Já o superintendente regional do Trabalho e Emprego no Acre, Dr. Leonardo Lani fez uma apresentação ressaltando a urgência do combate ao assédio no ambiente corporativo, tratando-o não apenas como uma questão ética, mas como um risco psicossocial e legal.

Ele destacou ainda que a partir de maio de 2026, empresas sem políticas de prevenção ao assédio estão sujeitas a multas do Ministério do Trabalho e Emprego.

“O assédio é considerado um risco psicossocial. A ouvidoria tem um grande papel na prevenção dessa prática, porque é um dos principais canais de recebimento das denúncias. Então, o ouvidor, ele deve estar sensibilizado para saber reconhecer as características do assédio e dar o devido encaminhamento para essas denúncias, não naturalizar essas práticas”, salientou.

A programação foi encerrada com um painel sobre Lei de Acesso à Informação e Lei Geral de Proteção de Dados, com participação de Madson Rocha. Foto: captada 

Acesso à Informação e Proteção de Dados

A primeira parte da programação foi encerrada com um painel sobre Lei de Acesso à Informação e Lei Geral de Proteção de Dados, com participação de Madson Rocha, especialista internacional em proteção de dados; Gustavo Maia, auditor de controle externo e presidente da Comissão de LGPD do TCE-AC; e Odair Scharnowski, auditor de controle externo do Tribunal.

Durante o encontro, foram debatidas a conciliação entre transparência e proteção de dados, além do papel das Ouvidorias no fortalecimento da participação social e da governança pública.

“As ouvidorias, como são os canais de comunicação dos cidadãos com as instituições públicas, possuem um papel fundamental na aplicação não só da LGPD, como também da Lei de Acesso à Informação. E hoje discutimos um pouco sobre como essas duas leis se complementam, visando trazer essa transparência e um serviço público de maior qualidade. Por conta disso, é fundamental que todos conheçam e apliquem adequadamente a LGPD”, enfatizou Madson.

O especialista salientou ainda a importância de eventos como o Dia da Ouvidoria.  “Esses eventos aproximam os gestores e técnicos que trabalham com o tema, e também ressaltam a grande importância das ouvidorias para toda a sociedade e para o povo brasileiro, tendo em vista que elas são fundamentais para construir uma gestão pública de qualidade e eficiente”, concluiu.

Também teve a presença da Câmara de vereadores de Porto Acre no evento, onde demonstra o empenho do Legislativo mirim acreano em aprimorar seus canais de comunicação com a população. Foto: captada 

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