Motta aciona Justiça contra página famosa de fofoca e pede indenização

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acionou na segunda-feira (9/3) a Justiça de Minas Gerais para derrubar postagens do Alfinetei — página com mais de R$ 25 milhões de seguidores no Instagram —  que tentam vinculá-lo a uma suposta tentativa de “beneficiar estupradores”.

Na ação, a Advocacia da Câmara também pede que os responsáveis pela página sejam condenados a indenizar Motta em “valor não inferior a R$ 50 mil”.

Os advogados miram duas publicações feitas pelo perfil no Instagram e no Facebook sobre a discussão da PEC da Segurança Pública na Câmara, aprovada pelos deputados na última semana.

As postagens são ilustradas com o rosto de Motta e trazem o seguinte título: “HUGO MOTTA ARTICULA BARRAR MAIORIDADE PENAL BENEFICIANDO OS BANDIDOS ESTUPRADORES DE 17 ANOS“.

Os conteúdos também são acompanhados de um texto que não explica ou detalha a afirmação feita no título. A página “Alfinetei” afirma apenas que o presidente da Câmara teria pedido ajuda a “líderes partidários aliados para retirar a redução da maioridade penal do texto”.

Na ação apresentada à Justiça de Minas Gerais, Motta afirma que a publicação é “absurda” e que apenas os leitores que fizeram a leitura completa do texto “constatarão que o empenho do autor é pela aprovação de proposição legislativa importante e fundamental para a segurança pública”.

Postagem mencionada por Hugo Motta em ação na Justiça de Minas

Os advogados da Câmara classificam as postagens (veja na imagem acima) como um ato deliberado de disseminação de informações falsas e afirmam que o dano à imagem de Motta e do Legislativo ocorreu “imediatamente”.

“[É] absurda a manchete que sugere que o requerente, em sua atividade parlamentar, estaria atuando para beneficiar bandidos, em especial, estupradores”, diz.

O órgão que representa juridicamente a Câmara pede a remoção imediata dos conteúdos e a publicação de uma retratação pública pela página. Embora a Justiça ainda não tenha analisado os pedidos, nesta terça-feira (10/3) as postagens já não estavam mais acessíveis.

“A grave acusação, já no título, é uma escolha consciente e maliciosa da ré, pois macula instantaneamente a imagem do autor. O dano se consuma imediatamente e a reparação plena se torna impossível, pois a ré sabe — e pesquisas já demonstraram — que 7 em cada 10 brasileiros leem apenas os títulos das notícias/publicações”, afirma a Advocacia da Câmara.

O Metrópoles tenta contato com a página Alfinetei.

Limite da crítica

Os advogados também argumentam que as publicações ultrapassaram “todos os limites da crítica política legítima”. Segundo eles, Motta foi alvo de ameaças e comentários ofensivos, e a repercussão das postagens pode colocar em risco a integridade física do presidente da Câmara.

“Devido à manchete absurda, a postagem viralizou com centenas de milhares de visualizações e milhares de curtidas, acompanhadas de comentários ofensivos e até ameaças contra o autor. Vale destacar que a ré se vangloria de seu número de seguidores: 25,4 milhões apenas no Instagram”, diz o processo.

Para os advogados, a “narrativa” promovida pelo perfil compromete todo o Poder Legislativo.

“A narrativa promovida por meio de postagens no Instagram e Facebook não atinge apenas o presidente da Câmara, mas compromete a imagem do Poder Legislativo como um todo, associando-o a práticas espúrias e à defesa de interesses contrários ao bem comum”, afirmam.

“A ampla disseminação desses conteúdos, com forte apelo emocional e alto potencial de viralização, representa ameaça concreta à estabilidade institucional e ao ambiente democrático”, acrescentam.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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